[Eletiva] Os Dias da Criação

Os seis "dias" ou tempos, que são os tantos estados sucessivos da regeneração do homem.

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Os Seis Dias da Criação
O Primeiro Dia
 

C. R. Nobre

 

No Princípio criou Deus o céu e a terra.E a terra era vácua e vazia, e [havia] escuridão sobre as faces do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre as faces das águas.E disse Deus: Haja luz; e a luz foi feita. E viu Deus a luz, que [era] boa; e distinguiu Deus entre a luz e entre as trevas. E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.E houve tarde e houve manhã, o dia primeiro” ( Gênesis 1:1-5)

 

A maioria de nós, na infância, ouviu no catecismo, na escola dominical ou da leitura em casa, as histórias do primeiro capítulo de Gênesis, de como Deus criou todo o universo em seis dias.

Na simplicidade de criança, imaginamos os dias como períodos de tempoque marcamos hoje, de 24 horas, e dias da semana, segunda, terça etc.

Algumas pessoas, até teólogos eruditos no passado, tomaram como base o que é dito sobre a duração da vida dos primeiros homens, desde Adão, que foi criado no fim da primeira semana, viveu 930 anos, depois seus descendentes, e assim calcularam a idade do universo, que seria de6000 anos, mais ou menos. (6024)

Essa ideia simples sobre a criação é aceita assim mesmo por muitos,mesmo durante toda a sua vida adulta, porque não veem dificuldade alguma emcompreender literalmente os relatos do livro de Gênesis.

Mas outras pessoas, geralmente quando chegam à adolescência,começam a pensar pelas ciências que vai aprendendo, e então começam a ver um conflito entre os ensinamentos da Bíblia e os fatos científicos. E para muitos jovens e adultos, as informações científicas, tais como os achados da arqueologia e da paleontologia, especialmente as datações com o carbono 14, acabam jogam uma pá de cal nas cognições religiosas da infância a respeito da criação e, inevitavelmente, a respeito de tudo o mais nas Escrituras Sagradas.

Durante séculos, a mentalidade do homem comum deste planeta não teve capacidade de elevar seu entendimento para compreender as verdades espirituais. Foi como o Senhor disse aos discípulos em João 16:12 “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, masagora ainda as não podeis suportar”. ...Ex. Paulo diz alguma coisa..

Quando veio a Idade Contemporânea,em que começou a haver um maior desenvolvimento do intelecto, o naturalismo tambémcomeçou a prevalecer por causa da força das evidências científicas, em oposição à crença judaico cristã, porque esta, ao insistir na sua interpretação literalista do texto sagrado, não tinha argumentos considerados racionais para sustentar a fé. E até hoje o cristão se depara com esse dilema: fica com a sua fé simples e fecha olhos e tapa os ouvidos para a ciência, ou crê na ciência e desacredita dos ensinos da Bíblia. Não que a pessoa rejeite, necessariamente, à fé. Ela até continua crendo na criação Divina tal como está no Gênesis, mas só que ela deposita essa fé numa região especial de seu entendimento, como algo sagrado e que está acima da compreensão, enquanto adota a informação científica no pensamento cotidiano, ignorando o antagonismo entre fé e ciência.

Se a pessoa não tem problema com esse conflito, menos mal. O problema é que há pessoas que, por causa dessa divergência, concluem que a religião não oferece argumentos satisfatórios e “racionais” às suas questões, e então consideram que a fé no que a Bíblia diz é uma ingenuidade eo mesmo que acreditar em fábulas e mitologia. Em resumo, a crença nos relatos bíblicos é para uma mente inculta ou fanática. E, fazendo opção pelo que lhes parece ser aracionalidade, elasabandonam a fé.

Mas as coisas não precisam ser assim.

As obras de Swedenborgtêm um lema: “Agora é permitido entrar com o entendimento nos mistérios da fé”. Porque, quando a humanidade chegou à idade da razão, Deus abriu uma visão nova de Sua Palavra, mostrando-nosque, de fato, não existe conflito entre as cognições da fé e o conhecimento científico. O fato é existe um sentido interno ou espiritual nas Escrituras Sagradas, e por isso, em muitas de suas passagens, especialmente os onze primeiros capítulos de Gênesis, o que temos são parábolas, símbolos, aparências de verdade. O sentido literal é uma linguagem codificada, que usa tipos tomados da natureza para nos desvendar as dimensõesespirituais.

Portanto, a mensagem da Bíblia não tem o propósito de nos ensinar as ciências naturais,a criação do universo físico, mas, sim, ode nos ensinar como é formado em cada ser humano o seu universo espiritual, o micro cosmo em nós, o reino da alma, a natureza do Ser Divino, Seu Divino Amor e Sabedoria, porque, sem a revelação, esses campos de conhecimento são inacessíveis à pesquisa humana.

Assim, as histórias da criação, no começo de Gênesis, falam, na verdade, da regeneração do homem pelo Senhor, as etapas do processo do novo nascimento ou, por assim dizer, da gestação espiritual de um cidadão dos céus. Mostram como sua mente é organizada pelas verdades, como as afeições são implantadas, e assim por diante.

Para entendermos os relatos do Gênesis, especialmente os da criação, tomemos como premissa o ensinamento de que a natureza é um teatro simbólico das dimensões espirituais.“A natureza universal é um teatro representativo do reino do Senhor” (AC 3618). A coisa que representa é o objeto, a pessoa, o evento no mundo natural, como está na letra da Palavra Divina. E a coisa representada é o que se encontra no espírito, nos céus e no Divino. A relação entre uma dimensão e a outra é o que se chama de “correspondência”. Essa relação é tão bem articulada que o estudo dela é o que se chama ciência das correspondências, que é a ciência angélica. Em resumo, essa ciência revela que cada ser, objeto ou acontecimento no mundo natural é um efeito, e tem sua correspondente no mundo espiritual. Essa correspondência está presente em toda a Escritura, de Gênesis a Apocalipse, de forma constante, coerente e harmônica.

A revelação do sentido espiritual nos Escritos de Swedenborg é a chave para abrirmos a letra e desvendarmosessa linguagem espiritual, linguagem pela qual a natureza se expressa.Aberta essa porta, tomamos conhecimento de que o mundo físico e o espiritual existem numa perfeita interação, sob o governo de um único Deus e Senhor, Jesus Cristo. Aberta essa porta, o campo de pesquisa para nosso entendimento humano se amplia e se alarga ao infinito.Conhecemos a nós mesmos e começamos a conhecer o nosso Criador, e o propósito para o qual nos criou.

Vamos ter uma amostra dessa revelação nesta série de estudo, na qual tomaremos, a princípio, apenas um único capítulo, o primeiro do Gênesis, como é explicado nos“Arcanos Celestes”.

Essa obra, “Arcanos Celestes”,foia primeira publicada por Swedenborg, em 1749, e é a que primeiro mostra a natureza como imagem do reino do Senhor nos céus, na terra e no homem, ensinando que os seis dias da criação do universo são, na verdade, os seis estados da nova criação do homem. Assim lemos (6): “Os seis dias ou tempos... são... estados sucessivos da regeneração do homem”.

E o livro de Gênesis começa dizendo: “No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era vácua e vazia, e [havia] escuridão sobre as faces do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre as faces das águas”.

Aprendemosque o “Princípio” é o primeiro estado, quando se inicia a nova criação do homem. O “céu” significa o homem interno e a “terra”, o homem externo antes da regeneração. A “terra”, nesse período anterior à regeneração, é chamada “um vácuo” e “vazia”. O período que antecede a regeneração vai desde a época da infância até à idade adulta, quando o homem se volta para Deus e O reconhece como seu Criador e Pai.

Nesse período anterior à regeneração, sua mente externa ou natural é chamada “terra vácua” porque nada tem de bem genuíno, e de “terra vazia” porque nada tem de verdade real. O que existe, de fato, é“escuridão e demência”, além de “ignorância quanto a todas as coisas que são da fé no Senhor”, como nos informam os Arcanos.

É dito que havia “escuridão sobre as faces do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre as faces das águas”. Na“terra vácua e vazia”, que é a mente do homem, como há ausência de bem e vero genuínos, há, em seu lugar, cobiças e falsidades do proprium humano. Por isso a mente do homem é comparada a um abismo, um profundo poço de escuridão de falsidades, porque ele não conhece a si mesmo, e uma massa confusa e densa de cobiças, porque sua vida consiste somente em satisfazer seus caprichos. Aliás, quando examinado do céu, o homem irregenerado aparece assim: uma massa escura que nada tem de vida (nº 8).

Contudo, acima dele está a Misericórdia de Deus. Ela é chamada aqui “Espírito”, o Espírito que se movia sobre as faces das águas. E, segundo a explicação dos Arcanos, o verbo usado aqui para expressar esta ação Divina, de “mover-se”, é, na língua hebraica, “chocar”, “como de ordinário a galinha o faz sobre os ovos”. Porque, a despeito dessa massa informe e tenebrosa de cobiças e falsidades, que é a mente humana irregenerada, a Misericórdia Divina está acima velando, agindo, insinuando algo de vivo e salvífico.

Notemos que não é dito que o Espírito de Deus estava sobre as “faces do abismo”, mas sim, que “chocava sobre as faces das águas”, porque a Misericórdia Divina não pode influirnos males e falsidades do homem, mas em algum bem e alguma verdade que ele tenha, por pouco que seja. Esse bem e verdade em que o Senhor influi, e os quais aquece como se chocasse, para lhes inspirar vida, são todas as afeições boas e todos os conhecimentos verdadeiros que o homem adquire de bom grado, em inocência, especialmente na sua infância. Essas afeições e ensinos ficam encerrados como tesouros, para que não se percam no abismo de cobiças e falsidades, e são guardados por Deus para serem revocados,trazidos à vida consciente no tempo propício, na idade adulta. Por isso as Doutrinas os chama de “relíquias” e estão representadas, aqui, pelas “faces das águas”.

Então, primeiro e o segundo versículos são entendidos assim:

“No período que antecede a regeneração, isto é, da infância até à idade de se regenerar, Deus cria o homem interno e o homem externo. O homem externo é desprovido de bens e verdades genuínos. Nada há nele senão a escuridão de falsidades sobre uma massa de cobiças. Mas a Misericórdia de Deus está acima, insinuando vida nas relíquias do bem e da verdade”. (Vide Anexo 2).

Versículos 3 e 4: “E disse Deus: Haja luz; e a luz foi feita. E viu Deus a luz, que [era] boa; e distinguiu Deus entre a luz e entre as trevas”.

Ohomem meramente natural ou externo nem ao menos sabe o que é o bem e a verdade. Chama de bem tudo aquilo que agradável e bom para ele, isto é, que favorece aos amores de seu próprio, focalizando-seem si mesmo e no mundo. Então, para que ele seja reformado e regenerado, a primeira coisa deve ser, necessariamente, saber e crer que existe, sim, um bem real, que independe de seus conceitos do que seja o bem; que existe uma Verdade única, queindepende do que ele acredita ser a verdade ou da interpretação que se possa ter dela; e que, assim, o bem e a verdade genuínos existem fora eacima do arbítrio de sua vontade e dos conceitos de seu entendimento. Ele também deduz que o mal e a falsidades são perversões desse bem e verdade, e que só o Senhor é o Bem Mesmo e a Verdade Mesma, enquanto o ser humano nada é em si mesmo.

Quando a pessoa atinge esse grau de conscientização, é como se nascessea luz para ela. “E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz”. É a iluminaçãoda mente pela Verdade Divina, e constitui o primeiro estágio da nova criação do homem,significado por “primeiro dia”.

“E viu Deus a luz, que era boa; e distinguiu Deus entre a luz e as trevas. E o chamou Deus à luz dia; e às chamou noite. E houve tarde e houve manhã, o dia primeiro.” (Vide adendo).

É dito que a luz era boa pelo fato de ela proceder do Senhor. É dito que “Deus viu”, mas isto é uma aparência, porque Deus é Onisciente. Quem realmente vê é o homem, porque agora ele reconhece e entende a verdade (vê a luz) e começa a distinguir entre “luz” e “trevas”, isto é, entre excelência da Verdade e as incertezas da ignorância e dasilusões ou conceitos falsos de seu entendimento natural.

“As trevassão coisas que existem antes que o homem seja concebido e nasça de novo. Elas pareciam luz porque então o mal parecia o bem e a falsidade parecia verdade”(AC 21).“Tarde” e “noite”, na Palavra, são o afastamento e a ausência da luz, e por isso significam, no espírito do homem, os estados em que ele está distante da verdade da fé. Ao contrário, “manhã” e “dia”, na Palavra, são a aproximação e a presença da luz, significando, portanto, o Advento do Senhor, quando então há para o homem instrução e fé.

“E houve tarde, e houve manhã, o dia primeiro”. Notemos que o termo “tarde” precede “manhã”. Seriade se esperar que fosse dito: “e houve manhã e houve tarde”, mas foi escrito assim para significar a progressão da sombra para a luz. A“tarde” precede é porque está havendo uma progressão de um estado de falsidade e de ausência de fé, para um estado de iluminação pela verdade, o começo da regeneração. “Na regeneração, a sombra da dúvida, quando há afeição de saber, gera a instrução e a luz, a “manhã”. Porque “manhã” é “todo estado seguinte, pois é um tempo de luz, ou um estado da verdade e de conhecimento da fé”.

E assim se completa o primeiro estágio da criação do novo homem. O Senhor, pela ação de Sua misericórdia, o fez progredir, de massa confusa e escura de cobiças para um estado de luz, compreensão e fé. É apenas o início de um processo, o primeiro dos seis dias da criação, mas já é alguma coisa, o primeiro estado; a sua regeneração se iniciou. Como lemos em nossa lição, a maioria das pessoas hoje vêm somente a esse primeiro estado. Mas se a regeneração foi iniciada nesta vida, ela poderá prosseguir e se desenvolver nos céus, porque nos céus a progressão na sabedoria e no amor não tem fim.

Parece pouco e insuficiente este primeiro estágio. Parece que a fé ainda é pouca. Se, todavia, ela tiver sido bastante para abrir a visão da pessoa e fazê-la mudar o rumo de sua vontade, voltando-a para uma vida de acordo com os Mandamentos Divinos, ela será uma fé salvífica, por mais fraca que seja a luz do primeiro dia. Ela crescerá como a semente de mostarda da Parábola, que, de uma pequena semente, cresce até se tornar uma árvore “e os pássaros do céu vêm abrigar-se em seus galhos”. = pensamentos dos anjos do céu.

Eis aqui, então, um ligeiro sumário desta primeira parte do capítulo 1 dos “Arcanos Celestes”, sobre o primeiro dia.

Por aí podemos ver como a abertura do sentido espiritual faz a letra da Palavra ser um livro aberto, que pode ser lido e perfeitamente compreendido, mostrando como o universo criado de fato espelha o plano espiritual, o reino do Senhor nos céus e no íntimo de cada pessoa de Sua Igreja.

Explicando esta linguagem, nos Escritos da Nova Igreja prosseguem desvendando o significado de todos os seis dias da criação e do dia de descanso, como também dos outros capítulos do livro do Gênesis, do Êxodo e, em geral, de toda a Palavra.

Esta instrução nos foi oferecida pelo Senhor quando Ele abriu o livro selado com sete selos, e pôs a Palavraaberta ao nosso alcance, no seu sentido espiritual. Somos convidados, portanto, a estudá-la para que, por esse meio, o Senhor nos conceda uma visão clara das coisas reveladas, porque elas vitais para nossa existência espiritual. Oremos para que, assim, brilhe de fato em nosso entendimento a luz da Verdade, do primeiro dia.

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Anexo 1:

 

Extrato do livro Arcanos Celestes, 1-13

 

1.        Nenhum mortal compreende, pela letra, que a Palavra do Antigo Testamento contém arcanos do céu e todas e cada uma das coisas se referem ao Senhor, ao Seu Céu, à Igreja, à fé e às coisas que são da fé. Pois, pela letra ou sentido literal, ninguém vê outra coisa a não ser aquilo que em geral se refere aos externos da Igreja Judaica, quando, todavia, há em toda parte coisas internas que nunca se manifestam nos externos, além das pouquíssimas que o Senhor revelou e explicou aos apóstolos, como, por exemplo, que os sacrifícios significam o Senhor e a terra de Canaan e Jerusalém significam o céu, pelo que este é chamado “Canaan”, “Jerusalém Celeste" e semelhantemente “Paraíso”.

2.        Mas o mundo cristão ainda ignora completamente que todas e cada uma das coisas, mesmo as mais singulares, até o menor iota, significam e envolvem coisas espirituais e celestes; por isso, também, pouco cuida do Antigo Testamento. Mas, só pelo fato de que a Palavra é do Senhor e vem do Senhor, eles podem saber que ela não poderia existir se não tivesse em seu interior coisas tais as que são do céu, da Igreja e da fé. De outro modo não pode ser chamada Palavra do Senhor e nem se pode dizer que tem em si alguma vida. Pois de onde vem a vida senão das coisas que são da vida, isto é, senão do fato de todas e cada uma das coisas se referirem ao Senhor, Que é a vida mesma? Por isso, tudo o que interiormente não se referir ao Senhor, não vive; até mesmo um vocábulo, na Palavra: se não envolvê‑Lo ou não se referir a seu modo a Ele, não é Divino.

3.        Sem uma tal vida, a Palavra é morta quanto à letra. Com efeito, a Palavra é como o homem, que, como se conhece no mundo cristão, é externo e interno. O homem externo separado do interno é o corpo e, assim, é morto; o interno é o que vive e faz o externo viver. O homem interno é a sua alma. Assim a Palavra, que, quanto à letra somente, é como um corpo sem alma.

4.        Pelo sentido da letra, só, quando a mente a ele se adere, não se pode ver em parte alguma que esse sentido contém tais coisas; como esta primeira parte de Gênesis: pelo sentido da letra não se pode em parte alguma conhecer outra coisa senão que aí se trata da criação do mundo e do jardim do Éden, que é chamado Paraíso, e, depois, de Adam como o primeiro homem criado. Quem pensa outra coisa? Mas que estas coisas contêm arcanos que ainda não foram revelados em parte alguma, pode‑se ver muito bem pelo que se segue. Que, por exemplo, o primeiro capítulo de Gênesis trata, no sentido interno, da nova criação do homem ou de sua regeneração em geral, e da Igreja Antiquíssima em particular. E, na verdade, é assim: não há o menor vocábulo que não represente, signifique e envolva [algo espiritual].

5.        Mas nenhum mortal jamais pode saber que a coisa é assim, a não ser pelo Senhor. Por isso é permitido manifestar de antemão que, pela Divina misericórdia do Senhor, foi‑me concedido estar, agora desde alguns anos, continuamente e sem interrupção, em associação com espíritos e anjos, ouvi‑los falar e falar igualmente com eles. Daí foi dado ouvir e ver coisas surpreendentes que há na outra vida, que nunca vieram ao conhecimento ou à idéia de homem algum. Lá, fui instruído sobre espíritos de diversos gêneros; sobre o estado das almas após a morte, sobre o inferno ou o estado lamentável dos infiéis; sobre o céu ou o estado felicíssimo dos fiéis; e, principalmente, sobre a doutrina da fé que é reconhecida no céu universal. Pela Divina misericórdia do Senhor, muitas coisas sobre estes assuntos serão ditas na sequência.

6.        Os seis “dias” ou tempos, que são os tantos estados sucessivos da regeneração do homem, são, quanto ao gênero, assim:

7.        O primeiro estado é o que precede, tanto o que vem desde a infância quanto o que está mais perto da regeneração, e é chamado “vácuo, vazio e escuridão”. E o primeiro movimento, que é a misericórdia do Senhor, é o “Espírito de Deus Se movendo sobre as faces das águas”.

8.        O segundo estado existe quando se faz distinção entre as coisas que são do Senhor e as que são próprias do homem. As que são do Senhor são chamadas, na Palavra, “relíquias” e aqui são principalmente as cognições da fé que o homem apreendeu desde a infância; ficam encerradas e não se manifestam antes que o homem chegue a esse estado, o qual raramente existe hoje sem tentação, infortúnio e tristeza, que fazem que as coisas do corpo e do mundo — assim, as que são do próprio — repousem e morram, por assim dizer. Assim as coisas que são do homem externo são separadas das que são do interno. No interno estão as relíquias, encerradas pelo Senhor para esse tempo e esse uso.

9.        O terceiro estado é o da penitência, no qual o homem, pelo interno, fala piedosa e devotamente e produz bens, como as obras de caridade, que, entretanto, são inanimadas, pois pensa fazê‑las de si. São chamadas “erva tenra”, depois “erva de semente” e, em seguida, “árvore de fruto”.

10.     O quarto estado é quando o homem é tocado pelo amor e iluminado pela fé. Decerto, anteriormente falou piedosamente e produziu bens, mas por um estado de tentação e de angústia e não pela fé e caridade; por esta razão, a fé e a caridade são agora acesas no homem interno, e são chamadas “dois luminares”.

11.     O quinto estado existe quando ele fala pela fé e, daí, se confirma no vero e no bem. As coisas que então produz são animadas e se chamam “peixes do mar e aves dos céus”.

12.     O sexto estado existe quando, pela fé e daí pelo amor, ele fala os veros e faz os bens. As coisas que então produz são chamadas “alma vivente e besta”. E como então começa a agir ao mesmo tempo pela fé e pelo amor, torna‑se homem espiritual, que é chamado “imagem”. Sua vida espiritual se deleita e se sustenta com as coisas que são das cognições da fé e as que são das obras de caridade, que se chamam “sua comida”. E sua vida natural se deleita e se sustenta com as coisas que são do corpo e dos sentidos, das quais vem o combate, até que o amor reina e o homem se torna celeste.

13.     Dos que estão sendo regenerados, nem todos chegam a este estado, mas alguns, e hoje a maioria, chegam somente ao primeiro; alguns apenas ao segundo; alguns ao terceiro, quarto, quinto; raramente ao sexto e quase ninguém ao sétimo.

 
Sentido Interno
14.     Na sequência, pelo SENHOR entende‑se unicamente o Salvador do mundo, JesusCristo, e é chamado “Senhor” sem outros nomes. Ele é reconhecido e adorado como o Senhor no céu inteiro, porque Ele tem todo o poder nos céus e nas terras; e também mandou, dizendo:

“Vós Me chamais Senhor; bem o dizeis, porque Eu sou” (Jo. 13:13).

E os discípulos, depois da ressurreição, O chamaram Senhor.

15.     No céu inteiro não se conhece outro Pai senão o Senhor, porque são Um, como Ele disse:

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ... disse Felipe: Mostra‑nos o Pai; ... Disse‑lhe Jesus: Há tanto tempo estou convosco e não Me conhecestes, Felipe? Quem viu a Mim, viu o Pai; como pois tu dizes, mostra‑nos o Pai? Não crês que Eu estou no Pai, e o Pai está em Mim? ... Crede‑Me que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim” (Jo. 14:6, 8‑11).

16.     Vers. 1: “No princípio criou Deus o céu e a terra”. O “princípio” chama‑se o tempo antiqüíssimo; e pelos profetas, em vários lugares, “dias da antigüidade” como também “dias da eternidade”. O princípio envolve também o primeiro tempo quando o homem é regenerado, porque então nasce de novo e recebe vida. Daí é que a regeneração mesma é chamada nova criação do homem. “Criar, formar e fazer”, em quase toda parte nos profetas, significam, com diferenças, regenerar; como em Isaías:

“Todo aquele que é chamado pelo Meu nome, e para a Minha glória o criei, o formei e também o fiz” (43:7).

Por isso o Senhor é chamado Redentor, Formador desde o útero, Feitor e também Criador, como no mesmo profeta:

“Eu Jehovah, Santo vosso, o Criador de Israel, Rei vosso” (43:15);

em David (Salmos):

“O povo criado louvará JAH” (102:19).

No mesmo:

“Envias o espírito Teu, serão criados, e renovas as faces do humo” (104:30).

Que o “céu” signifique o homem interno, e a “terra” o homem externo antes da regeneração, será visto pelo que se segue.

17.     Vers. 2: “E a terra era vácua e vazia, e [havia] escuridão sobre as faces do abismo; e o Espírito de Deus Se movia sobre as faces das águas”. O homem, antes da regeneração, é chamado “terra vácua e vazia” e também “humo” no qual nada é semeado de bem e vero. O “vácuo” é onde nada há de bem e o “vazio” é onde nada há de verdade. Daí vem a escuridão ou a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no Senhor, por conseguinte, de todas as que são da vida espiritual e celeste. Tal homem é descrito pelo Senhor em Jeremias:

“Tolo é o Meu povo; [eles] não Me conheceram. São filhos estultos e não inteligentes. Sábios para fazer o mal e não sabem fazer o bem. Vi a terra, e eis, vácua e vazia; e os céus, e não tinham sua luz” (4:22,23).

18.     “As faces do abismo” são as suas cobiças e daí as falsidades pelas quais e nas quais está inteiramente. E como não possui luz alguma, é como o abismo ou uma coisa confusa e obscura, chamada, em muitos lugares na Palavra, profundezas do mar e abismos, que são secos ou devastados antes de o homem ser regenerado; como em Isaías:

“Desperta como nos dias da antiguidade, nas gerações das eternidades... Não és Tu que secas o mar, as águas do abismo grande, e fazes das profundezas do mar um caminho, para que passem os redimidos? ... Os redimidos de Jehovah voltarão” (51:9‑11).

Tal homem também, quando examinado do céu, mostra‑se semelhante a uma massa negra que nada tem de vital. As mesmas expressões envolvem em geral a vastação do homem, que é referida em muitas passagens nos profetas e que precede a regeneração. Porque antes que o homem possa saber o que é o vero e ser tocado pelo bem, as coisas que impedem e se opõem devem ser removidas. Assim, o velho homem deve morrer antes que o novo possa ser concebido.

19.     Pelo “Espírito de Deus” se entende a misericórdia do Senhor, da qual se diz “chocar”, como de ordinário a galinha o faz sobre os ovos; aqui, sobre as coisas que o Senhor esconde no homem e que são chamadas “relíquias” em vários lugares na Palavra. São as cognições do vero e do bem, que nunca vêm à luz antes que as coisas externas sejam devastadas. Aqui, essas cognições são chamadas “faces das águas”.

20.     Vers. 3: “E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz”. O primeiro estado existe quando o homem começa a saber que o bem e o vero são em alguma coisa superiores. Os homens inteiramente externos nem mesmo sabem o que é o bem e o vero, pois pensam ser boas todas as coisas que são do amor de si e do amor do mundo, e pensam ser veros todas as que favorecem a esses amores; assim, não sabem que esses bens são males e esses veros são falsidades. Quando, todavia, é concebido de novo, o homem começa a saber pela primeira vez que os seus bens não são bens. E quando entra ainda mais na luz, começa a saber que o Senhor é, e que o Senhor é o bem e o vero mesmos. Que se deva saber que o Senhoré, Ele mesmo o disse em João:

“Se não crerdes que Eu sou, morrereis em vossos pecados” (8:24).

Além disso, que o Senhor seja o bem mesmo, ou a vida, e o vero mesmo, ou a luz, e, assim, que não exista bem e vero senão pelo Senhor, também é dito em João:

“No princípio era o Verbo [Palavra], e o Verbo estava em Deus, e Deus era o Verbo... todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada foi feito do que se fez; nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens, mas a luz aparece nas trevas; ... Ele era a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo” (1:1,3, 4,9).

21.     Vers. 4 e 5: “E viu Deus a luz, que [era] boa; e separou Deus entre a luz e entre as trevas. E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite”. A “luz” é dita boa porque vem do Senhor, que é o bem mesmo. As “trevas” são as coisas que existem antes de o homem ser concebido e nascer de novo. Pareciam‑se com a luz, porque o mal parecia o bem, e o falso parecia o vero; mas são trevas e são os próprios do homem, que permanecem. Todas as coisas que são do Senhor são comparadas ao “dia”, porque são da luz; e todas as que são próprias do homem são comparadas à “noite”, porque são da escuridão. Assim é dito muitas vezes na Palavra.

22.     Vers. 5: “E houve tarde, e houve manhã, o dia primeiro”. Daí já se pode saber o que é a “tarde” e o que é a “manhã”. “Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do Senhor, como se vê pelo que foi dito por David:

“O Espírito de Jehovah falou em mim, e o Seu discurso esteve sobre a minha língua. Disse o Deus de Israel, a mim falou a Pedra de Israel. ...Ele é como a luz da manhã quando nasce o sol, manhã sem nuvens, quando, pelo  esplendor, pela chuva, a erva tenra sai da terra” (II Sam. 23: 2,3,4).

Pois que a “tarde” é quando não há fé, e a “manhã” quando há fé, o Advento do Senhor ao mundo foi chamado “manhã”, e o tempo em que Ele vem, porque então não há fé alguma, é chamado “tarde”, como em Daniel:

“O Santo me disse: Até a tarde, quando se faz a manhã, dois mil e trezentos” (8:14,26).

Semelhantemente, a “manhã” na Palavra é compreendida como todo advento do Senhor; assim, é um vocábulo que se refere à nova criação.

23.     Nada há de mais comum na Palavra do que o “dia” ser entendido como o tempo mesmo, como em Isaías:

“Próximo está o dia de Jehovah... Eis, o dia de Jehovah vem... O céu moverei, e tremerá a terra de seu lugar... no dia do ardor de Minha ira ... Próximo a vir está o Seu tempo, e os dias não serão alongados” (13:6,9,13, 22).

E, no mesmo profeta:

“Nos dias da antiguidade a antiguidade sua ... E sucederá naquele dia que Tiro será posta em esquecimento por setenta anos, como os dias de um rei” (23:7,15).

Como o “dia” está em lugar do tempo, também é tomado pelo estado desse tempo, como em Jeremias:

“Ai de nós, porque o dia declinou, porque se estenderam as sombras da tarde” (6:4);

e no mesmo profeta:

“Se fizerdes vã a Minha aliança do dia e a Minha aliança da noite, de modo que não haja o dia e a noite em seu tempo” (23:20,25);

depois:

“Renova os nossos dias, como os dos antigos” (Lam. 5:21).

 

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Leituras adicionais:

Lições:Gênesis 1; Salmo 8; João 1

 


 

Anexo 2:

No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo.A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 


 

Anexo3:

 

Traduções de Gên. 1:4 -  “E viu Deus a luz, que era boa”

Hebraico:

טוב
כי
האור
את
אלהים
וירא
BOA
QUE
LUZ
A
ELOHIM
VIU E
 

Swedenborg, Arcanos:                       “Et vidit Deus Lucem, quod bona”

Arcanos em português:                     “E viu Deus a luz, que (era) boa”.

King James:                                        “And God saw the light that it was good”

Kempton:                                           “And God saw the light, that it was good”

Espanhola, Ferrara 1553:                  “Y vido el dio ala luz þ buena”

~~~~~~~~~~~~~~

Vulgata:                                             “Et vidit Deus lucem quod esset bona”

Soc. Bíblica Britânica:                                   “Viu Deus a luz que era boa”

~~~~~~~~~~~~~~

Espanhola, Reina, 1569:                    “Y vido Dios que la luz era buena”

Reina atual:                                       “Y vió Dios que la luz era buena”

Port., A. P. Figueiredo, 1885:             “E vio Deus que a luz era boa”

ACF (A. Corrigida Fiel):                      “E viu Deus que era boa a luz”

AR (A. Revisada (IB)):                        “E viu Deus que a luz era boa”

ARA (A. Revista e Atualizada):           “E viu Deus que a luz era boa”

ARC (A. Revista e Corrigida):            “E viu Deus que era boa a luz”

NAA (Nova A. Atualizada):                 “E Deus viu que a luz era boa”

Nova Versão Internacional:               “Deus viu que a luz era boa”

O Livro:                                              “E a luz apareceu. Deus ficou satisfeito”

 

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2do Dia da Criação {VÍDEO]
E disse Deus: ...Haja separação entre águas e águas Aula gratuita!

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Gênesis
Os Seis Dias da Criação
O Segundo Dia
 

C. R. Nobre

 

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas e haja distinção entre as águas para as águas. E fez Deus a expansão; e separou entre as águas que estavamabaixo da expansão e entre as águas que estavamacima da expansão. E assim se fez. E chamou Deus à expansão, céu. E houve tarde, e houve manhã, o dia segundo.”-Gênesis 1:6

 

Vimos na semana passada que os seis dias da criação significamseis estados da regeneração ou novo nascimento espiritual do homem.

Vimos, também, que a criação da luz no primeiro dia significa o estado em que a pessoa tem o primeiro esclarecimento sobre Deus, e compreende pela primeira vez “que o Senhor é, e que o Senhor é o bem mesmo e a verdade mesma, e que não há bem e verdade se não vêm do Senhor”.

Vimos, ainda, que esse primeiro estado só é possível porque a Misericórdia Divina estava influindo nas relíquias do espírito, avivando e estimulando o que havia de bem e verdade, procedentes d’Ele, com o homem. Portanto, o primeiro estado é quando se dá a primeira luz da verdadeira fé no entendimento humano.

No segundo dia da criação, Deus cria uma amplidão de espaço no meio das águas, e separa as águas em dois grandes ajuntamentos, um abaixo e outro acima da expansão. A essa grande expansão Ele dá o nome de “céu”.

Devemos observar que o texto fala em “águas” e “céu”, mas não diz que as águas são criadas nesse dia. Somente o céu é criado. As águas são citadas como se já estivessem lá, como se já existissem e precisassem apenas ser ordenadas, uma parte sendo distinta da outra, uma abaixo e outra acima da expansão. Se este fosse um relato literal da criação, já teríamos aqui a primeira dificuldade: se o elemento água não foi criado por Deus, como já existia? Se foi criado, porque o texto não fala? E notem que, já antes de ser criada a luz, as faces das águas estavam lá, sob a ação do Espírito de Deus. Mas não precisamos lidar com essa dificuldade do texto, porque, como vimos, aqui se trata não do universo físico, mas do universo espiritual em cada indivíduo no qual as águas representam as verdades.

Então, o significado espiritual desse relato é que osegundo estado existe quando o homem passa a perceber que ele tem uma mente interna, além da interna; ou, o homem interno ou espiritual, além do homem externo ou natural. Porque até então ele não sabia que havia tal distinção, e nem ao menos sabia que havia um homem interno. Os “Arcanos” dizem que o homem não regenerado está envolvido demais nas coisas corporais e mundanas, e por isso não entende as coisas espirituaisou as confunde, e “faz, de coisas distintas entre si, uma unidade confusa e obscura” (AC 24). É como também escreveu o apóstolo Paulo aos Coríntios: “Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe sãoloucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”(1Co. 2:14). E como só agora o homemcomeça a saber que existe um homem interno, por isso é dito que este é criado. “O homem interno chama-se ‘expansão’” (AC 24).

“Expansão” ou “céu” são os termos empregados na Palavra para significar o homem interno porque dão a ideia de uma grande extensão de espaço, uma vastidão, um universo, pois o homem interno ou o espírito do homem é, de fato, esse universo em si, como já foi reconhecido por muitos na antiguidade.

Dentro desse imenso espaço que é o espírito humano, a primeira coisa salvífica que se organizam na regeneração são os conhecimentos e as cognições. Os conhecimentos são representados pelas “águas debaixo da expansão”, que são os conhecimentos que estão no homem externo, na mente externa. Já as cognições são representadas pelas “águas acima da expansão” e, portanto, pertencem ao homem interno, sendo provenientes do Senhor.

Quanto aos termos aqui usados, “conhecimentos” e “cognições”, representados pelas águas de baixo e de cima, respectivamente, temos de admitir que é difícil compreender com clareza a distinção que há entre os dois vocábulos empregados nos “Arcanos”. A definição dos dicionários não nos ajuda muito. A dificuldade é que todas as explicações a respeito de “cognição” também servem para “conhecimento”, e às vezes ambos são empregados numa mesma explicação. Nós traduzimos os dois termos assim porque são distintos, embora não entendamos exatamente como. Em resumo, são dois tipos de conhecimento mencionados nos “Arcanos Celestes”.Mas, de modo geral, o conhecimento é toda informação recebida pelos sentidos, e a cognição é um conhecimento mais elevado por causa de sua origem na Palavra, por tem algo vivo no íntimo, assim como o ovo inseminado difere de um ovo não inseminado ou estéril.

Tanto o conhecimento quanto a cognição são representados pelas águas. E, talvez, a dificuldade de percebermos a distinção é porque a composição química da água é uma só e a mesma, esteja ela embaixo, na terra, ou acima, nas nuvens. Sendo assim, a diferença mais perceptível seria quanto ao lugar onde os conhecimentos estão, na mente do homem natural ou na mente do homem espiritual.

Deixando um pouco de lado os vocábulos, pensemos na correspondência das águas que estão abaixo do céu e as que estão no céu, aságuas de um rio e as águas nas nuvens. A distinção entre elas é marcante; não apenas porque umas estão abaixo e outras acima, mas também porque umas estão próximas às impurezas que são do solo e por aí contaminadas, ao passo que as outras foram sublimadas, purificadas pela evaporação, por assim dizer, e agora se acham bem alto. Ali estão como que armazenadas para fluir na terra, no lugar certo e no tempo propício.

As“águas abaixo do céu” são, portanto, os conhecimentos do homem externo, que estão próximos ao seunível corporal ou dos sentidos. Sendo assim, são verdadesnaturais misturadas às ilusões e às fantasias próprias da mente natural. São as verdades do indivíduo, que têm a cor, o odor e o gosto do solo do aprendizado e da experiência de onde elas vieram, por onde passaram e onde se depositam. E, além disso, essas verdades ou fatos do pensamento e da memória são estimuladas e movidas pelas afeições do indivíduo, tanto as boas quanto as más e as cobiças daí derivadas.

Já as cognições do homem interno são conhecimentos ou verdades de outra natureza: são águas puras, porque vêm do Altíssimo. E quando descem e chegam à mente, como chuva na terra, vêm diretamente da Palavra, em forma de percepção acerca do que é correto fazer. E, se fazemos, algo de vivo é produzido em nosso homem externo. Como diz o Salmo 147 (1,8): “Louvai ao Senhor... que cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, que faz produzir erva sobre os montes”.

Além de fluírem diretamente da Palavra na nossa mente, como chuva na terra, as cognições do homem interno também influem na memória, o ajuntamento das águas chamado mar, e chegam ao pensamento consciente em uma sequência ininterrupta, em ondas que chegam à praia do mar.

Por isso é que ofluxo do pensamento não está sob o controle da mente externa, porque vem do calor oriundo das afeições do amor, no interno. As afeições são os princípios dos pensamentos, como lemos em outra obra de Swedenborg, o Diário Espiritual, n. 3127.

Mas, mesmo quando as cognições descem da expansão do céu, do homem interno através da memória, elas chegam ao nosso pensamento modificadas pelo calor e pelo sal de nossas afeições recentes e antigas.Assim como a água salgada do mar, os conhecimentos oriundos da memória por si sós não servem pararegar a terra e produzir vida, como acontece com a chuva, que é transformada em rios.

Assim, segundo estágio da regeneração, ou o segundo dia, é aquele em que homem passa a saberque existe uma distinção entre os conhecimentos dele mesmo, armazenados em sua memória, adquiridos por motivos próprios e terrenos, e as cognições da verdade e do bem, que são do Senhor, só.

O homem, reconhecendo sua insignificância diante do Amor e da Sabedoria Divinas, humilha-se e reconhece que ele mesmo nada é e nada sabe, e que só o Senhor é bom, e por isso todo bem e toda verdade têm de ser atribuídos ao Senhor, pois vêm d’Ele, somente. A aceitação deste fato é parte o início da implantação da verdadeira consciência no homem e a preparação para o começo de uma nova vida.

É interessante notar que, mesmo os conhecimentos do homem interno, ou seja, as concepções chamadas “águas acima da expansão”, têm de ser adquiridos por via externa; precisam vir através dos sentidos da visão e da audição, especialmente. O homem deve procurar em sua religião, lendo na Palavra, ouvindo as pregações e as doutrinações, o que é realmente o bem e a verdade, porque nenhuma informação dessa espécie pode vir diretamente do íntimo dele homem, pela via do seu espírito.

A correspondência disso é com a evaporação da água. Porque assim como toda água contida nas nuvens subiu da terra, como efeito de evaporação, assimtambémtoda concepção do homem interno foi antes um conhecimento da verdade, adquirido pelos sentidos externos. Há, portanto, um ciclo perpétuo das águas ou verdades também na mente humana, de evaporação e condensação. A instrução da Palavra que a pessoa recebe com amor pela verdade vai para uma região superior de sua mente, onde vai formar a consciência, e de lá descerá novamente como chuva, como um ditame Divino que pode gerar vida espiritual no homem abaixo.

Sem a instrução da revelação Divina, a mente humana é um deserto, que é estéril porque raramente recebe chuva, e não recebe chuva porque não há água para evaporação e condensação de nuvens.

Precisamos adquirir as verdades da fé pela Palavra porque é nelas, somente, que o Senhor, o Sol do mundo espiritual, pode influir, para formar em nós a consciência que vai nos guiar nas escolhas da vida.

É certo que, antes de ser regenerado, o homem busca o conhecimento por outros motivos que não os da vida eterna. Mas o Senhor, mesmo assim, permite que o homem adquira conhecimento, até mesmo por vaidade e para parecer sábio e inteligente, porque, a despeito dos motivos, os conhecimentos poderão vir a ser úteis mais tarde, quando o homem mudar seus motivos, e depois, na eternidade.

Na realidade, antes de ser regenerado, o homem nada busca para si a não ser o que pode satisfazer seu egoísmo, sua vaidade, suas ambições, cobiças, etc., etc. No número 1486 dos “Arcanos” lemos o seguinte: “Assim é com os conhecimentos que pertencem somente ao homem externo; ...são buscados por causa das coisas terrenas e mundanas por meio de impressões dos sentidos, a fim de poderem servir ao homem interior ou racional, e este ao homem espiritual, e este ao Senhor. ...Todo conhecimento deve ser por causa de algum uso e esta é a sua utilidade”.

A ordem da criação é que as águas abaixo da expansão vêm antes, e depois as que estão acima. Quer dizer, primeiro o homem busca o conhecimento, pelo desejo de fazer o que é justo e bom, e só depois se estabelecem nele as águas acima da expansão. As cognições do homem interno, verdades que foram sublimadas pela afeição de pô-las em prática na vida, começarão a formar a consciência e inspirar um novo padrão de vida, que começará a existir no terceiro dia da criação, como veremos.

Outra coisa interessante a observar é que o Senhor, no início, aproveita tudo o que é possível no coração do homem para a regeneração. Ele utiliza mesmo os motivos egoísticos comuns ao homem, e faz isso porque, na realidade, o homem então não tem outras coisas a oferecer. Em Sua Sabedoria e Sua misericórdia, o Senhor não dissipa de uma vez os conhecimentos falhos, os conceitos gastos de uma razão pretensamente ilustrada, o acúmulo de falsidades e erros; tampouco Ele expele de uma vez do coração humano as iniquidades e as cobiças, pois, de uma forma ou de outra, é disso que o homem não regenerado se nutre, são essas as molas que o impulsionam antes da regeneração. É como está nos profetas: “A cana pisada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade produzirá o juízo”. O que é assim explicado pelos Escritos: “Ele não quebra as ilusões nem apaga as cobiças, mas as direciona para a verdade e para o bem...” (AC 25).

Assim como em todos os outros estados da regeneração,“houve tarde e houve manhã”, isto é, a partir de um estado de sombra e de egoísmo, o homem vem a um estado de luz e verdadeiro amor. E, no “dia segundo”, começa a saber que existe um homem interno, que existe nele um espírito que se alimenta dos bens e verdades do Senhor e, por outro lado, existe o seu homem externo em completa carência de tudo o que é verdadeiramente bom e salvífico. Mas sabe, também, que é nas verdades e bens que fluem agora do seu espírito desde o Senhor, que ele encontrará sua nova vida e sua salvação.

 

Leituras AC 24; Salmo 147

 


 

 

Arcanos Celestes 24-26

24.     Vers. 6: “E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas”. Depois que o Espírito de Deus ou a misericórdia do Senhor produziu no dia as cognições do vero e do bem e deu a primeira luz que o Senhor é, e que o Senhor é o bem mesmo e o vero mesmo, e que não existe bem e vero senão pelo Senhor, então distingue entre o homem interno e externo, assim, entre as cognições que estão no homem interno e os conhecimentos que são do homem externo. O homem interno é chamado “expansão”; as cognições que estão no homem interno são chamadas “águas acima da expansão”; e os conhecimentos do homem externo são chamados “águas debaixo da expansão”. O homem, antes de ser regenerado, nem mesmo sabe que existe o homem interno, ainda menos o que é o interno; pensa que não são distintos, porque está imerso nas coisas corporais e mundanas. Também imergiu nestas as coisas que são do homem interno e, de coisas distintas, fez uma unidade confusa e obscura. Por esta razão, primeiro se diz “haja uma expansão no meio das águas”, depois, “haja separação para as águas entre as águas”, mas não “separação das águas entre as águas”. Logo depois é dito assim (Vers. 7,8:): “E fez Deus a expansão, e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão e entre as águas que estavam acima da expansão; E assim se fez E chamou Deus à expansão céu”.

[2] A segunda coisa, pois, que o homem observa, quando é regenerado, é que começa a saber que existe um homem interno, ou que as coisas que estão no homem interno são bens e verdades, que são do Senhor, só. O homem externo, quando está sendo regenerado, é tal que sempre pensa que os bens que pratica, os pratica por si mesmo, e os veros que diz, por si os diz. E como é tal, ele é por esse modo conduzido pelo Senhor a praticar o bem e a falar o vero como se por si próprio. Por isso precede a separação das coisas que estão abaixo da expansão, e segue a das que estão acima da expansão. É também um arcano celeste que o homem, por meio dos próprios — tanto pelos enganos dos sentidos quanto pelas cobiças — seja conduzido e direcionado pelo Senhor para as coisas que são verdadeiras e boas, e, assim, que todos e cada um dos momentos da regeneração procedam da tarde para a manhã, como do homem externo para o interno, ou da terra para o céu. Por isso, agora a expansão ou homem interno é chamada “céu”.

25.     “Expandir a terra, e estender os céus” é locução habitual nos profetas onde se trata da regeneração do homem, como em Isaías:

“Assim disse Jehovah, Redentor teu e Formador teu desde o útero: Eu, Jehovah, que faço todas as coisas, que estendo os céus só, e que expando a terra por Mim mesmo” (44:24);

depois, onde se trata do advento do Senhor, diz‑se claramente:

“A cana esmagada não quebrará, e o pavio quefumega não apagará; em verdade produzirá o juízo;”

isto é, Ele não dissipa os enganos nem extingue as cobiças, mas direciona para o vero e o bem; assim segue‑se:

“DeusJehovah cria os céus e os estende, expande a terra e as suas produções; dá alma ao povo sobre ela, e espírito aos que nela andam” (42:3‑5).

Além do que é mencionado algumas vezes em outros lugares.

26.     Vers. 8: “E houve tarde, e houve manhã, o dia segundo”. O que é “tarde”, o que é “manhã” e o que é “dia”, vide acima, no vers. 5.


 

1º dia
Criação da luz;

separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;

separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,

aparece o seco;terra e mares;

a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e agepor si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;

as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;

a fera, a besta

o homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 


 

 

Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 


 

 

Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 

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3er Dia da Criação [VÍDEO]
“E disse Deus: ...Faça germinar a terra erva tenra”. Aula gratuita!

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Os Seis Dias da Criação
O Terceiro Dia
 

C. R. Nobre

 

“E disse Deus: Ajuntem-se as águas abaixo do céu em um único lugar, apareça o seco. E foi feito assim. E chamou Deus ao seco, terra; e ao ajuntamento das águas chamou mares; e viu Deus que era bom. E disse Deus: Faça germinar a terra a erva tenra; a erva dando semente; a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie, na qual esteja sua semente, sobre a terra. E foi feito assim. E produziu a terra erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual estava a sua semente, segundo a sua espécie. E viu Deus que era bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia terceiro.” (Gên.1:9-12)

Entramos agora no terceiro dia ou estado sucessivo da nova criação.

Os Arcanos Celestes nos dizem que nesse terceiro estado começa o que se chama de penitência, que é o afastamento ou abstenção dos males. No primeiro e no segundo estados,começoua haver uma mudança no modo de pensar, o que ocorre no entendimento. Mas no terceiro dia começa a se fazer a mudança no modo de agir, na área da vontade, o próprio ser da pessoa, porque a vontade ou o amor é a pessoa mesma, enquanto o entendimento ou a razão é a forma externa da vontade ou amor.

A mudança no modo de pensar é relativamente fácil, mas a mudança no modo de agir é mais difícil, porque envolve os hábitos, os costumes e as afeições, que são o amor mesmo da pessoa. É por isso que no terceiro dia têm início o combate da penitência, a luta entre o homem externo e o homem interno, com vista à regeneração.

O ajuntamento de águas em um só lugar faz aparecer a porção seca, a terra, que é a mente externa. Aqui se trata da distinção entre a memória e o pensamento, ambos na mente externa do homem. A porção seca aparece quando a pessoa começa a ter realmente noção do que se passa nessa mente, quando começa a analisar os seus pensamentos e refletir sobre a qualidade e a origem deles, e descobre, entre outras coisas, que os pensamentos são provenientes de afeições de sua vontade. Quando a pessoa examina seus pensamentos, é como se elaexaminassede outro pensamento, de cima, um pensamento vendo e analisando o outro, porque, de fato, conforme nos ensinam os Escritos de Swedenborg,temos um pensamento exterior e um interior:o exterior, que pensa, e o interior, que julga o que estamos pesando.

As águas assim reunidas num só lugar, ou os conhecimentos recebidos, reunidos e classificados na memória, são chamadas“mares”, no relato da criação. É da memória que nos chegam as ondas contínuas de pensamento, como já vimos na vez passada.

Ainda que assim pareça, essas ondas de pensamento não nos chegam aleatoriamente ou do nada, massão emanações de nossas afeições, as quais, por sua vez, recebem o influxo de anjos e espíritos no mundo espiritual, e estes o recebem do Senhor, como o Sol do mundo espiritual. Assim, todo sentimento, toda sensação, toda afeição ou todo amor, foi, em sua origem, uma emanação do Divino Amor do Criador, mas cada um recebe e retransmite em conformidade com a sua própria natureza. E os Escritos fazem uma ilustração muito apropriada disso com o reino vegetal, pois o sol natural influi em todas as plantas com igual luz e calor, mas cada planta recebe o influxoà sua maneira e produz conforme a sua espécie.

“E disse Deus: Faça germinar a terra a erva tenra; a erva dando semente; a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie, na qual esteja sua semente, sobre a terra. E foi feito assim.”

No terceiro dia é a terra que começa a produzir algo. Ora, se a “terra” é o homem externo, vê-se claramente que essas produções, as ervas, a árvore e seu fruto, são as primeiras obras que a pessoa começa a praticar como por si mesmo quando está sendo regenerada pelo Senhor.Porque, ao ser inspirado pelos conhecimentos acerca da religião (os “mares” ou “águas ajuntadas em um único lugar”), o homem natural começa a pensar com mais retidão sobreseu próximo e sobreDeus, e leva isso em conta nas coisas que ele faz e deixa de fazer. Esses pensamentos mais elevados são as sementes de uma nova vida, uma nova vontade, que será criada e implantada gradativamente.  É um processo,cujas etapas são representadas aqui pelo que a terra produz: a erva tenra, a erva dando semente e a árvore de fruto.

Nesse estado, do terceiro dia, as obras são praticadas por mera obediência ao que foi aprendido. As ações e atitudes procedem ainda de uma obediência intelectual, de um senso de dever para com Deus, e nãosão, ainda, os bens da caridade, porque não provêm de alguma vontade, pois avontade nova ainda não foi implantada. Na realidade, a vontade que está ativa é ainda a velha vontade, o velho homem. Essa velha vontade, quando se vê contrariada pelo novo modo de agir, resiste à mudança e põe obstáculos à obediência da fé. É essa oposição da velha vontade que resulta num combate entre o novo e o velho na pessoa. Por isso é que se diz que o terceiro dia é o estado de penitência, que é uma batalha mental para se abster dos males.

O que se passa com o homem nesse terceiro estado é o seguinte: as obras que ele então começa a praticar, significadas pelaerva tenra, a erva dando semente e a árvore de fruto, são motivadaspelo amor irregenerado, que é o amor a si mesmo acima do amor a Deus e ao próximo.

Mas, se o homem persiste, luta contra essa resistência e obedece aos ditames de sua fé, então ele é como a terra que começa a produzir o vegetal. Nessa fase, porém, ele pensa e sente que faz tais bens e fala tais verdades por si mesmo, por seu próprio esforço, sua própria bondade e honestidade. E aqui acontece algo interessante: o bemque a pessoa praticapor obediência lhe traz um sentido de realização, uma alegriadiferente, nova, por ter agido bem, pela caridade e pela fé, e ele considera ser esse contentamento um sinalde que tem amor ao próximo e a Deus. O prazer em ser útil tem si, essa gratificação. É então que o homem percebe em si uma afeição como se fosse celeste, fruto do seu novo nascimento.

Todavia, o caso não é bem assim. Vejamos como realmente se passa no terceiro dia. E, para isso, vamos tomar uma ilustração tomada do livro do Êxodo.

Lemos que, quando o povo de Israel saiu do Egito, bem antes de chegarem à terra prometida, Moisés enviou espiões para ver comoseria aquela terra à frente deles. Esses espiões foram lá e, depois de quarenta dias, voltaram com uma notícia dupla: disseram que era, sim, uma terra que manava leite e mele de lá trouxeram como provas um cacho de uvas tão grande que dois homens a tinham de transportar, além de romãs e figos. Mas disseram,também, que naquela terra habitavam inimigos terríveis,gigantes, a ponto de eles se sentirem como gafanhotos, comparados a eles. O povo teve medo dos inimigos. No entanto, por causa dos bons frutos que viram, foram animados porJosué e Calebe a seguirem em frente.

Pois bem, esse prazer celestial que a pessoa sente no terceiro dia, quando obedece na vida diária os princípios da fé, são como os frutos da terra que mana leite e mel. São as amostras da alegria do céu que o Senhor dáàquele que está sendo preparado pela regeneração. Não são prazeres celestes mesmos, mas uma amostra, que os Escritos chamam de inefável, porque vem do íntimo, desde o Divino Amor..

E por que os atos do homem, no terceiro estado, são simbolizados pelos vegetais?Porque como os vegetais, esses atostêm algo de vivo, mas são ainda inanimados. E por que são inanimados? Porque nessa fase da regeneração os motivos próprios o homem ainda são centrados em si mesmo. Ele ainda tem em vista o mérito nas obras que pratica. Por exemplo, como agora está vivendo na bondade prescrita pela religião, pensa que tem direito ao galardão do céu, por merecimento, e Deus lhe deve obrigatoriamente levá-lo o céu e dar-lhe todas as bem-aventuranças na vida presente e futura. Mas os Arcanos Celestes dizem, neste ponto, “quem pensa que o bem e a verdade vêm de si mesmo, não tem ainda a vida da verdadeira fé, a qual pode vir a receber, porém, mais tarde.” (29).

Veremos depois, no quarto dia, que serão criados o Sol e a Lua. Estes representam o verdadeiro amor e a verdadeira fé implantados no homem. Enquanto isso, enquanto não age pelo verdadeiro amor espiritual, a pessoa age e deve agir pela obediência. Por isso os frutos de sua fé ainda não são realmente vivos, mas também não sãoa morte. Porque, neste estado, o homem “está no estado de preparação para receber a vida da fé... que ele pode vir a receber mais tarde” (29). O fato é que, no terceiro dia, o homem espiritual ainda não nasceu, e sua vida é semelhante à vida do embrião ou do feto no útero.

As obras que a pessoa pratica no terceiro dia, significadas pelos vegetais, têm como motivação as afeições naturais, como a ambição, o orgulho e o medo. Ambição pelo céu, baseada no merecimento da salvação como recompensa da própria justiça e, também, do galardão celeste. O orgulho da própria bondade ou, até, da própria fé, por se achar “escolhido” ou por pensar que tem intimidade com Deus e Deus vai lhe dar tudo o que ele pedir com fé. E o medo é o terrordo fogo do inferno, da condenação eterna. Essas coisas estão no íntimo ou naintenção de todos osatosno começo. Espiritualmente falando, a pessoa é como a criança que é ensinada a obedecer por causa da recompensa ou do castigo.

A despeito dessa noção obscura e dessas ações ainda egoísticas,o Senhor, não obstante, não rejeita o homem, mas o está direcionando cada vez mais da tarde para a manhã,para uma fée vida verdadeiras, como veremos pelo que está representado no quarto, quinto e sexto dias da criação.

O fato é que na nossa jornada espiritual ou nossa gestação de nosso novo nascimento, o Senhormuda gradualmente os nossos motivos. Ele tira os enganos, as vãs ambições e o medo, e implanta em nós o amor verdadeiro para com o próximo. E o amor verdadeiro tem três características: altruísmo, comunhão e utilidade, conforme veremos no quarto dia. Sem qualquer um desses três, o amor não é genuíno.

O Senhor tira o vazio de nossas vidas, e nos dá um alvo, um sentido à nossa existência, que é a vida de usos, porque fomos criados neste mundo para sermos preparados para o céu, e o reino dos céus é o reino dos usos. Mas Ele não pode promover essa transformação instantaneamente. Porque não pode extirpar de uma só vez as más inclinações, os sentimentos negativos e maléficos, pois eles fazem parte da identidade, da experiência, da personalidade do indivíduo, e isso seria anular ou aniquilar o ser mesmo da pessoa. Mas, com mão branda, porémpoderosa, nosso Criador muda quase imperceptivelmente os rumos de nossa caminhada espiritual, sem constranger nossa liberdade, e reforma nosso entendimento, regenera nossa vontade. Quanto mais nos voltarmos para Ele e nos esforçarmos para obedecê-Lo, mais enxergaremos a luz, a luz que alumia nossas almas, que dissipa as trevas da ignorância e nos faz enxergar a real natureza de nosso ser.

Notamosbem a progressão, nesse estado daregeneração,na ordem em que os vegetais são citados: primeiro, a erva tenra; depois, a erva dando semente; enfim, a árvore frutífera dando fruto. Isto vem de que, mesmo que as obras que o homem então faz sejam espiritualmente inanimadas, como, porém, o Senhor o está guiando, esses atos vão se tornando cada vez mais vivos e úteis, e isso na mesma proporção que o homem combate, como por si mesmo, as concupiscências no seu externo irregenerado.

Nessa progressão, a “erva tenra” são as primeiras concepções da fé que ele adquire em seu externo, os primeiros doutrinais em que acredita porque viu que são verdades do Senhor. A “erva dando semente” são essas verdades, mas agora visando um uso (AC 57), as quais ele toma como princípios para a sua vida. E a “árvore dando fruto, no qual está a sua semente” é, finalmente, um bem útil, algum uso que então passa a desempenhar em favor do próximo e do Senhor, mesmo que o homem não seja, ainda, movido pelo amor e fé genuínos.

É importante salientar que essa progressão, desde a erva até o fruto da árvore, só acontece quando a pessoa combate a letargia de seu comodismo com os prazeres naturais e corpóreose se esforça para vencer a força oposta dentro dele mesmo. A resistência opostaé alimentada por maus espíritos, que não querem que tal progressão aconteça, pois eles não querem perder sua moradia nas coisas egoísticas e impuras que há na mente e no coração da pessoa.

Então, para alcançar progresso nesse estado, o homem tem de constranger a si mesmo, tomar o leito em que se deita acomodado em sua paralisia espiritual e, mediante a ordem do Senhor, levantar e andar.

Por conseguinte, a pessoa nunca deve esperar ter vontade de fazer a penitência, nunca esperar ter vontade para se instruir na Palavra e nas Doutrinas, nunca esperar ter o amor genuíno, pois, no começo, essa vontade não existe e nunca virá, pois o amor que reina ainda é contrário. Notemos que o amor genuíno só existirá no quarto estágio da regeneração, quando são criados o sol e a lua em seu espírito. E o quarto estágio só existe quando é passado o terceiro. E o terceiro é o de penitência, de luta contra o mal, de luta contra si mesmo, como o Senhor disse: “Quem quiser vir após mim, tome a cada dia a sua cruz, e siga-Me”.

“E produziu a terra erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual estava a sua semente, segundo a sua espécie. E viu Deus que era bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia terceiro.”

 

Leituras:Gênesis 1:9-11; Lucas 6:32-35


 

 

Arcanos Celestes

29.    Vers. 11, 12: “E disse Deus: Faça germinar a terra a erva tenra, a erva dando semente, a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie, no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu Deus que [era] bom.” Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do Senhor as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o Senhor faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”; enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”. A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do Senhor. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do Senhor, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas. [2]Que o Senhor seja o Semeador, a “semente” seja a Palavra Mesma e a “terra” seja o homem, Ele Mesmo Se dignou a dizê‑lo em Mateus 13: 19‑24; 37‑39; Marcos 4:14‑21; Lucas 8:11-16. Também o descreve de modo semelhante:

“O reino de Deus é assim como se um homemlançasse a semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia; e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como, porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga e em seguida o grão cheio na espiga” (Mc. 4:26‑28).

Pelo “reino de Deus” se entende, num sentido abrangente, o céu universal; num sentido menos abrangente, a verdadeira Igreja do Senhor; num sentido particular, todo aquele que está na verdadeira fé ou é regenerado pela vida da fé, pelo que é também chamado “céu”, porque no céu está, e “reino de Deus” porque o reino de Deus está nele. É o que o Senhor mesmo ensina em Lucas:

“Jesus, interrogado pelos fariseus: Quando vem o reino de Deus?, respondeu‑lhes e disse: O reino de Deus não vem com visível aparência, nem dirão: Ei‑lo aqui, ou, Ei‑lo ali; porque eis que o reino de Deus está dentro de vós” (17:20,21).

Este é o terceiro estado sucessivo da regeneração do homem e o seu estado de penitência; procede, semelhantemente, da sombra para a luz, ou da tarde para a manhã; por isso se diz no versículo 13: “E houve tarde, e houve manhã, o dia terceiro”.

 

Nova Jerusalém e Sua Doutrina Celeste, 150-157

Do Mérito
150.          Os que fazem o bem a fim de merecer não fazem bem pelo amor do bem, mas pelo amor da recompensa, pois quem quer ter mérito quer ser retribuído. Os que fazem assim visam o prazer e o põem na recompensa e não no bem, pelo que não são espirituais, mas naturais.

151.          Fazer o bem que é bem deve vir do amor do bem, assim, por causa do bem. Os que estão nesse amor não querem ouvir falar de mérito, pois amam fazer e nisso sentem felicidade, e, ao contrário, ficam contristados se se crê que o fazem por algo de si. Essas coisas são mais ou menos como o caso dos que fazem o bem aos amigos por causa da amizade, aos irmãos por causa da fraternidade, à esposa e aos filhos por causa da esposa e dos filhos, à pátria por causa da pátria, assim, por amizade e por amor. Os que pensam bem até dizem e se persuadem de que os beneficiam não por causa de si mesmos, mas por causa dos outros.

152.          Os que fazem o bem por causa de recompensa não fazem o bem pelo Senhor, mas por si mesmos, porque visam primeiro a si mesmos, pois visam o seu próprio bem, e não visam o bem do próximo – que é o bem do concidadão, da sociedade humana, da pátria e da igreja – senão como um meio para o fim. Daí é que no bem do mérito se encerra o bem do amor de si e do mundo, e esse bem vem do homem e não do Senhor, e todo bem que vem do homem não é bem; de fato, é um mal na proporção que houver aí o que é de si e do mundo.

153.          A genuína caridade e a genuína fé são desprovidas de todo mérito, pois o prazer da caridade é o bem mesmo, e o prazer da fé é o vero mesmo. Por isso, os que estão nessa fé e nessa caridade sabem o que é o bem não meritório, mas não os que não estão na caridade e na fé.

154.          Que o bem não deva ser feito por causa de recompensa o Senhor mesmo ensina em Lucas:

“Se... amardes os que vos amam, que graça há para vós?... porque... os pecadores fazem o mesmo. ...Amai antes os vossos inimigos, e fazei-lhes bem, e dai muito, sem nada esperardes; então será grande a vossa recompensa, e [sereis] filhos do Altíssimo” (Lc. 6:32-25).

Que o homem não possa de si mesmo fazer o bem que é bem o Senhor também ensina em João:

“O homem nada pode tomar, a menos que lhe seja dado do céu” (Jo. 3:27);

e, em outra passagem:

Jesus disse: “Eu sou a Videira, vós os ramos;” ...”como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim tampouco vós, se não permanecerdes em Mim... Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois sem Mim nada podeis fazer” (Jo. 15:4-8).

155.          Visto que todo bem e vero procede do Senhor e nada do homem, e visto que o bem oriundo do homem não é o bem, segue-se que nenhum homem tem mérito, mas o Senhor, somente. O mérito do Senhor é que pelo próprio poder Ele salve o gênero humano, e também salva aqueles que fazem o bem por Ele. Daí é que na Palavra se chama ‘justo’ aquele a quem são adjudicados o mérito e a justiça do Senhor, e ‘injusto’ aquele a quem são adjudicados a própria justiça e o seu mérito.

156.          O prazer mesmo que há no amor de fazer o bem sem o fim de retribuição é a recompensa que permanece na eternidade, pois nela são insinuados pelo Senhor o céu e a felicidade eterna.

157.          Pensar e crer que vão ao céu os que fazem o bem, e também que se deve fazer o bem para ir ao céu, não é esperar recompensa como fim, nem, portanto, pôr mérito nas obras, pois assim pensam e creem também aqueles que fazem o bem pelo Senhor. Mas os que assim pensam, creem e fazem, e não estão no amor do bem por causa do bem, esses esperam e põem [mérito nas obras].

 

 

 

1º dia
Criação da luz;

separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;

separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,

aparece o seco; terra e mares;

a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e age por si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;

as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;

a fera, a besta

o homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 


 

 

Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 


 

 

Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 


 

TerceiroDia
E disse DEUS: Faça germinar a terra a erva tenra,
Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do SENHOR as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o SENHOR faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”
a erva dando semente,
”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”;
a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie,
enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”
no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom.”
A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do SENHOR. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do SENHOR, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas.
 

 

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4to Dia da Criação {VÍDEO]
“E disse Deus: ...Haja luminares na expansão dos Céus” Aula gratuita!

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Os Seis Dias da Criação
O Quarto Dia
 

C. R. Nobre

 

Nas últimas semanas temos estudado o sentido espiritual do relato da criação no livro de Gênesis, conforme os Escritos teológicos de Swedenborg e vimos que os seis dias da criação representam seis estados sucessivos do novo nascimento ou regeneração do homem.

O primeiro dia, da criação da luz, é o primeiro estado, quando ele pela primeira vez percebe a realidade Divina e espiritual acima de suas limitadas concepções da vida.

O segundo dia, quando é criado o céu ou a expansão, éo estado em que ele passa a saber que tem um homem interno, o qual, por issoé como se fosse criado. Esse homem interno é o seu ouranos, ou céu. Nesse dia, faz-se distinção entre as águas acima, que são as cognições da fé, nohomem interno, e as águas abaixo, os conhecimentos e fatos no pensamento e na memória externa.

No terceiro dia o homem começa a se compelir a obedeceràscognições que adquiriu. Isso foi representado no fato de a terra produzir a série de vegetais. Essas primeiras obras ele pratica porobediência aos ensinamentos da fé; não vêm de sua vontade, pois ela se opõe afazer o que a verdade ensina. E mesmo quando elevence a resistência da vontade e pratica a fé,ele crê que as obras da obediência vêm dele mesmo. Sendo assim, essas obras do terceiro dia são inanimadas, porque ele as atribui a si mesmo, à sua bondade e justiça.

Mas, se ele persevera na obediência, passa da sombra da tarde, da ignorância, para a clara luz da manhã, da instrução, e então entra no quarto dia, quando são implantados nele o verdadeiro amor e a verdadeira fé.

“E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para distinção entre o dia e entre a noite. E serão para sinais, e para tempos determinados e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para dar luz sobre a terra. E foi feito assim. E fez DEUS dois luminares grandes; o luminar grande para dominar o dia, e o luminar menor para dominar a noite, e as estrelas. E pô-los DEUS na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E para dominar no dia, e na noite, e para distinguir entre a luz e entre as trevas. E viu Deus que era bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia quarto.”

Conforme lemos nos Arcanos Celestes, o “luminar maior ou sol” significa o amor e, por derivação, a caridade, porque a caridade é a forma como o homem sente e recebe na sua vontade o Divino Amor; e o“luminar menor ou lua” significa a verdade e, assim, a fé, que é como o homem vê e recebe no seu entendimento a Divina Sabedoria. As estrelas são “os conhecimentos da verdade e do bem”. Portanto, a criação do sol e da lua significa, no sentido interno, a implantação da caridade e da fé no espírito do homem, e a criação das estrelas significa a multiplicação dos conhecimentos sobre a verdade e o bem.

Em toda parte na Palavra, o sol significa o amor, por causa do calor e da luz que dele emana, e esse calor e essa luz geram a vida no mundo. E a lua significa a fé, que é verdadeira quando procede do amor; porque assim como a lua não tem luz própria, mas reflete a luz do Sol, assim também a fé, só ilumina a mente se proceder da caridade.

Até o terceiro dia o homem se achava no estado de auto compulsão, de se constranger para fazer aquilo que a fé ensina, e contrariavaa vontade oposta em si. E mesmo se fizessealgo de bom grado, o que o impulsionava erasomente o seu amor ou sua disposição natural. Por isso o terceiro dia é um estado de combate entre obedecer à fé ou se render à vontade própria.

Mas agora, no quarto dia, o Senhor começa a implantar no homem a caridade ou amor espiritual; agora o homem começa a ser guiado pela caridade e iluminado pela fé.A fé é implantada em seu entendimento, os conhecimentos em sua memória, mas a caridade é estabelecida não na vontade mesma do homem, mas no seu entendimento, e no começo ela aparece como consciência. Se o homem perseverar em agir de acordo com essa consciência da verdade, ela se tornará a nova vontade, que será seu homem novo e regenerado. Portanto, a consciência é como se fosse uma nova vontade, a caridade espiritual, segundo a qual o homem passa agora a querer e a agir.

“A fé e a caridade são agora acesas no homem interno, e são chamadas ‘luminares’”. Fé e caridade nunca podem ser separadas, pois a caridade é a essência da fé, e a fé é a forma da caridade. São como corpo e alma; se uma for separada da outra, as duas perecem. Não devemos deve crer numa verdade e viver diferentemente do que a verdade ensina, pois assim estaremos aniquilando em nossa mente tanto a fé quanto a caridade. E como fé e a caridade constituem uma só coisa, e por isso é que, na criação dos dois luminares, Deus pronunciou o verbo no singular: “Sit” [haja] luminares, e não “Sint”, no plural.

O amor e a fé no homem interno são como o calor e a luz no corpo e no mundonatural. “A vida da fé sem o amor é como a luz do sol sem o calor, como sucede no inverno, quando nada cresce mas todas as coisas ficam entorpecidas e mortas. Mas a fé que procede do amor é como a luz do sol no tempo da primavera, quando todas as coisas crescem e florescem, porque é o calor do sol que as produz. Sucede semelhantemente nas coisas espirituais e celestes, que são comumente representadas na Palavra pelas coisas que estão no mundo e sobre a terra.” (AC 34 )

É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Os Arcanos Celestesnos explicam que, assim como o sol, a lua e as estrelas têm a finalidade de marcar a duração do tempo ou das partes do dia, do mês, das estações e, por conseguinte, dos anos, também no espírito humanoos estados de amor e a fé marcam os períodosou alternâncias espirituais, de maior ou menor intensidade e grau de afeição do bem, de clareza de entendimento.

A vida humana, do homem, do espírito e até do anjo, tem essas variações ou alternâncias, como ciclos ou movimentos de respiração e pulsação, como tudo na vida.Por isso a pessoa às vezes se sente mais inspirada e tem umamormais intenso pelas coisas boas e verdadeiras, mas, outras vezes, tem períodos em que se sente desanimada, entorpecida e fria, distante da luz e do calor espirituais. Esses estados são normais se repetem a determinados intervalos, e são chamados “vicissitudes” e “estatutos” na Palavra. Essas mudanças de estadode amor e fé é que marcam os períodos espirituais, porque o tempo material não existe para o espírito.

Mas, na verdade, é uma mera aparência que o sol marca os tempos, porque quem faz isso é realmente o globo terrestre. São os seus movimentos de rotação e translação, que fazem existir os dias, os meses e os anos. Então, a origemdas alternações não está no Sol, mas na Terra mesma. Assim também acontece com nosso espírito. O Senhor é o Sol dos céus, e Ele é imutável. Masnós, quanto ao nosso espírito, passamos por estados em que buscamos mais as coisas de Deus, e assim sentimos mais de perto o calor e a luz d’Ele, ou nos voltamos para o outro lado, nosso eu, nossas afeições naturais e mundanas, e por isso sentimos a frieza espiritual e a escuridão das dúvidas. Mas o Senhor está sempre influindo da mesma maneira, em todos os homens e anjos, o tempo todo, como é dito em Mateus, “Ele faz que o Seu Sol se levante sobre maus e bons” (5:45).

Em outra obra, a Verdadeira Religião Cristã, temos mais ensinamentos sobre esse amor que o Senhor implanta no homem. Aprendemos que existe uma grande diferença entre o amor natural da pessoa e esse que é implantado no quarto dia, diferença essa que pode ser resumida assim: enquanto o amor natural do homem é centrado em si mesmo e no mundo, o amor implantado no quarto dia é imagem do amor de Deus. E, quando Escritos descrevem o amor de Deus, não utilizam adjetivos nem expressões poéticas, dizendo, por exemplo, que o amor de Deus é incomparável, insondável etc. Em vez disso, explicam em que consiste a essência do Divino amor de modo bastante específico, citando três verbos ou três atividades que o caracterizam, que são: amar os outros fora de si;querer ser um com eles;fazê-los felizes por si mesmos.

O primeiro essencial: amar os outros fora de si, deve ser entendido como amar os outros independentemente de qualquer interesse ou vantagem nesse amor, ou, em outras palavras, sem a intenção de recompensa ou de retorno do amor. É fazer o bem a outrem por causa do bem mesmo, e não por causa de si mesmo. É a forma mais perfeita do altruísmo. Esse essencial do amor de Deus se manifesta no fato de Deus criar e amar o homem, que está fora d’Ele. Ao contrário do que aprendemos, Deus não criou o homem para receber louvor, pois Deus não necessita de louvores nem de celebrações; seria uma finalidade egoística.

Mas Deuscriou o homem para que o homem fosse recipiente de Seu amor e fosse beneficiado por isso. O homem é o fim em si da criação, e não Deus mesmo. Esta é a primeira característica do Amor Divino e é também a primeira qualidade que o diferencia do amor humano natural, já que a principal característica do amor humano é ser condicional, isto é, ama enquanto é amado, ou enquanto obtém algum benefício no relacionamento.O amor humano natural consiste em amar os outros por causa de si, enquanto, na regeneração, o amor se torna cada vez mais imagem desse essencial do amor Divino, amar os outros independentemente de si, ou fora de si.

O segundo essencial é: querer ser um com os que são amados. Este essencial é o que produz a conjunção ou a comunhão. Em Deus, essa característica se mostrou no fato de Deus ter criado o céu, onde o ser humano pudesse estar conjunto a Ele eternamente. Porque, quando de fato se ama, existe o prazer com a presença, convivência ou proximidade das pessoas amadas. E as Doutrinas Celestes definem esse essencial do amor de uma forma simples e ao mesmo tempo objetiva: “O amor é uma forte atração”. E a atração é diretamente proporcional à veracidade e à intensidade do amor.

Existe uma esfera do Divino Amor procedendo Senhor e se estendendo a todos no universo, mas cada ser criado recebe a seu modo, conforme sua disposição. Essa esfera é que inspira uma força conjuntiva em todos os amores, força essa que vem do segundo essencial do amor de Deus. É por causa desse segundo essencial que se sente o prazer em se estar na companhia dos amigos, na congregação dos irmãos de uma mesma fé, num mesmo grupo de trabalho com objetivos comuns. Mas onde este aspecto do amor se manifesta de forma mais expressiva ou mais visível é no amor conjugal e, em seguida, no amor para com os filhos, especialmente no amor materno.

O terceiro essencial é fazê-los felizes por si. Esta, então, é a razão de ser dos dois essenciais anteriores: Deus ama o homem e quer se conjuntar a ele parafazê-lo feliz. A bem-aventurança do homem na vida eterna é a realização e a prova do terceiro essencial.

Além disso, esta terceira característica, fazê-los felizes por si, que é o propósito, deve-nos servir de parâmetro para distinguirmosentre o amor genuíno e um amor falso ou o egoísmo. Porque o propósito de qualquer relacionamento humano não deve ser o benefício próprio, mas o bem de outrem,econtribuir para isso, ou, se não for possível, pelo menos não ser obstáculo para a felicidade alheia.“O terceiro essencial do amor de Deus, que é torná-los felizes por si, é reconhecido pela vida eterna, que é a ventura, a beatitude e a felicidade sem fim que Deus dá aos que recebem em si Seu Amor.” (VRC 43).

Quando cada um ama si mesmo em primeiro lugar, todos têm como prioridade sua própria satisfação, e o resultado é a desagregação, o conflito, pois o egoísmo humano é tal que nunca deixa espaço para o segundo lugar. Mas, ao contrário, quando cada um busca pôr o amor ao próximo acima de seu interesse, e todos fazem isso, então cada um é amado por todos os outros, pois existe o amor mútuo, a união, a comunhão e o benefício de todos.

Assim, o amor espiritual ou a caridade é uma imagem do Divino Amor quanto aos três essenciais: “ama os outros fora de si”, que é o verdadeiro altruísmo; “quer ser um com eles”, que é o prazer da fraternidade ou da comunhão; e quer “fazê-los por si” que é a utilidade, ou o uso que se tem a prestar para favor do próximo, da sociedade, da pátria e do reino de Deus. Portanto, altruísmo, comunhão e uso. Esta é a essência da caridade, a imagem do Divino Amor, que o Senhor implanta no homem no quarto estágio da regeneração. E quando existe a caridade no homem interno, também existirá a iluminação espiritual no homem externo.

“E pô-los DEUS na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra.”“E para dominar no dia, e na noite, e para distinguir entre a luz e entre as trevas; e viu DEUS que era bom”. Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso”.

Que o “sol e a lua deviam dominar o dia e a noite” quer dizerque a caridade e a fé agora implantadas no homemteriam supremacia sobre o mal e as cobiças provenientes do homem irregenerado. Porque, à proporção que o homem combate resolutamente as suas próprias perversões e desumanidades, porque essas coisas são pecados contra Deus, elas são gradualmente removidas para as periferias de seu espírito, até serem finalmente afastadas e remidas pelo Senhor. Embora não possam ser completamente separadas do homem, ficarão como que dormentes, não o infestando mais como faziam antes.

Então, o centro de sua vontade será o novo amor implantado, o amor ao Senhor e para com o próximo. Depois e abaixo deste estarão, subordinados, os amores do mundo e o amor de si, que agora são tidos como instrumentais e serviçais necessários do amor ao Senhor que então reina, e por isso é que se diz que o Sol e a Lua dominarão no dia e na noite.

“E houve tarde, e houve manhã, o dia quarto”.

Concluindo, estas são apenas algumas poucas coisas das que se acham explicadas nos “Arcanos Celestes” e nos demais Escritos a respeito da regeneração ou criação espiritual do homem.

Muito mais poderia ser dito, pois muitíssimas outras coisas foram reveladas pelo Senhor e estão à disposição de todo aquele que se interessar, nas Doutrinas Celestes para a Nova Jerusalém.


Arcanos Celestes, 30 - 38

 

30.     Vers. 14‑17: “E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para separação entre o dia e entre a noite. E serão para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez Deus dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas. E os pôs Deus na expansão dos céus para darem luz sobre a terra”. Não se pode compreender bem o que são os “luminares grandes” se não se sabe primeiro qual é a essência da fé e, então, qual é a sua progressão nos que são criados de novo. A essência mesma e a vida da fé é o Senhor, só, pois aquele que não crê no Senhor não pode ter a vida, como Ele mesmo disse em João:

“Quem crê no Filho tem a vida eterna, quem porém não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanecerá sobre ele” (3:36).

[2]A progressão da fé nos que são criados de novo dá‑se assim: primeiro não há neles vida alguma, pois a vida não está no mal e no falso, mas no bem e no vero. Depois eles recebem do Senhor a vida pela fé; primeiro, pela fé da memória, que é a fé do conhecimento; depois, pela fé do entendimento, que é a fé intelectual; finalmente, pela fé do coração, que é a fé do amor ou salvífica. A fé do conhecimento e intelectual foi representada pelas coisas inanimadas desde o vers. 3 até o 13. A fé vivificada pelo amor é representada pelas coisas animadas desde o vers. 20 até o 25. Por isso, agora se trata, aqui, pela primeira vez, do amor e da fé que vem do amor, que são chamados “luminares”. O amor é o “luminar grande” que domina de dia, e a fé que vem do amor é o “luminar menor” que domina de noite. E como eles fazem um, se diz deles no singular sit [haja], e não sint[no plural] luminares. [3] O amor e a fé no homem interno são como o calor e a luz no externo corpóreo; por isso aqueles são representados por estes. Daí também foi dito que os luminares foram postos na expansão dos céus, ou no homem interno; o luminar grande em sua vontade e o menor em seu entendimento. Mas aparecem na vontade e no entendimento somente como a luz do sol nos objetos. É só a misericórdia do Senhor que, pelo amor, toca a vontade e pela verdade, ou fé, o entendimento.

31.     Que os “luminares grandes” signifiquem o amor e a fé, e que também sejam denominados sol, lua e estrelas, vê‑se em vários lugares nos profetas, como em Ezequiel:

“Cobrirei os céus, quando te tiver apagado, eobscurecerei suas estrelas; o sol cobrirei com uma nuvem e a lua não fará luzir sua luz; todos os luminares de luz nos céus escurecerei sobre ti, e darei trevas sobre a terra” (32:7,8),

onde se trata de Faraó e do Egito, pelos quais se entende na Palavra as coisas dos sentidos e dos conhecimentos; aqui, que tinham extinguido o amor e a fé pelas coisas dos sentidos e dos conhecimentos. Em Isaías:

“O dia de Jehovah... para pôr a terra em desolação;... pois as estrelas dos céus e as suas constelações não farão luzir sua luz; o sol se escurecerá ao levantar e a lua não fará resplandecer sua luz” (13:9, 10).

Em Joel:

“Vem o dia de Jehovah, dia de trevas e de escuridão; diante dele treme a terra, os céus são abalados, o sol e a lua enegrecem e as estrelas retiram seu esplendor” (2:2,10).

Em Isaías, onde se trata do Advento do Senhor e da iluminação das nações, assim, de uma Igreja nova, e, em particular, de cada um dos que estão nas trevas e recebem a luz e são regenerados:

“Levanta‑te, e sê iluminada, porque vem a tua luz. Eis, as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; e sobre ti Se levantará Jehovah, e as nações andarão à tua luz, e os reis ao esplendor de teu levantar. Jehovah te será por luz de eternidade; não mais se porá o teu sol, nem se recolherá tua lua, porque Jehovah te será por luz de eternidade” (60:1‑3,19, 20).

Em David (Salmos):

“Jehovah faz os céus em inteligência ... expande a terra sobre as águas... faz os grandes luminares ... o sol para dominar no dia ... e a lua e as estrelas para dominarem na noite” (136:5-9).

E no mesmo:

“Glorificai Jehovah, sol e lua; glorificai‑O, todas as estrelas de luz; glorificai‑O, céus dos céus, e vós, águas que estais acima dos céus” (Sal. 148:3,4).

[2]Em todos estes lugares, os luminares significam o amor e a fé. Como os luminares representavam e significavam o amor e a fé no Senhor, ordenou‑se na Igreja Judaica que se acendesse um luminar perpétuo desde a tarde até a manhã, pois tudo o que foi ordenado àquela Igreja era representativo do Senhor. Deste luminar se diz assim:

“Manda aos filhos de Israel que recolham o óleo para o luminar, para fazer arder a lâmpada continuamente. Na tenda da congregação, fora do véu que está sobre o testemunho, ali o porão Arão e seus filhos, desde a tarde até a manhã, diante de Jehovah” (Êx. 27:20,21).

Que estas coisas signifiquem o amor e a fé que o Senhor acende e faz luzir no homem interno e, por meio do homem interno, no homem externo, será mostrado em seu lugar, pela Divina misericórdia do Senhor.

32.     O amor e a fé são chamados, a princípio, os “luminares grandes”; depois, o amor o “luminar grande” e a fé o “luminar menor”; e se diz do amor que ele “dominará no dia” e, da fé, que ela “dominará na noite”. Como estas coisas são arcanos e estão ocultas, sobretudo neste fim dos dias, é permitido, pela Divina misericórdia do Senhor, revelar como são. Se estão ocultas, sobretudo neste fim dos dias, é porque agora é a consumação do século, e o amor é quase nulo e por conseguinte a fé, como o próprio Senhor predisse nos Evangelistas, nestas palavras:

“O sol se escurecerá, e a lua não dará luz, e as estrelas cairão do céu, e as virtudes do céu serão abaladas” (Mt. 29:25).

Pelo “sol” entende‑se aqui o amor que será “escurecido”; pela “lua” a fé que não dá luz; pelas “estrelas”, as cognições da fé que caem do céu, as quais são as “virtudes e os poderes dos céus”. A Igreja Antiquíssima não reconheceu outra fé senão o amor mesmo. Os anjos celestes também não reconhecem outra fé exceto a que é do amor; o céu universal é do amor, pois nos céus não existe outra vida exceto a vida do amor. Daí vem toda felicidade, que é tanta, que nenhuma coisa dela pode ser descrita nem pode ser compreendida por alguma ideia humana. Os que estão no amor amam o Senhor de coração, mas sabem, dizem e percebem que todo amor, assim toda vida que é do amor, só, e, assim, toda felicidade, vêm unicamente do Senhor, e que, por si próprios, eles não têm nada do amor, da vida e da felicidade. Que o Senhor seja Aquele de Quem procede todo amor, isso foi também representado pelo “grande luminar”, ou o sol, quando Ele foi transfigurado, pois:

“Sua face resplandeceu como o sol e as vestes tornaram‑se como a luz” (Mt. 17:2).

Pela “face” são significados os íntimos, e pelas “vestes” as coisas que procedem dos íntimos; assim pelo “sol”, o Divino do Senhor ou o Amor, e pela “luz” o Seu Humano ou a sabedoria que procede do amor.

33.     Qualquer um pode saber muito bem que não existe jamais a vida sem algum amor, e que não existe jamais a alegria exceto aquela que procede do amor; de fato, tal é o amor, tal é a vida e tal é a alegria. Se removesses os amores, ou, o que é o mesmo, as cobiças — porque elas são do amor — cessaria logo o pensamento e serias como morto. Isto me foi mostrado por experiência viva. Os amores de si e do mundo apresentam certa semelhança com a vida e a alegria, mas porque são inteiramente contrários ao verdadeiro amor, o qual é que se deve amar o Senhor acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, pode‑se ver que eles são, não amores, mas ódios. Pois quanto mais alguém ama a si mesmo e ao mundo, mais odeia o próximo e, assim, o Senhor. Por isso, o verdadeiro amor é o amor ao Senhor, a verdadeira vida é a vida do amor que vem do Senhor, e a verdadeira alegria é a alegria desta vida. Só pode haver um único Amor verdadeiro; por conseguinte, só pode haver uma única vida verdadeira, de onde procedem as verdadeiras alegrias e as verdadeiras felicidades, como as dos anjos nos céus.

34.      O amor e a fé nunca podem ser separados, porque constituem uma só e mesma coisa. Por isso, no princípio, quando se trata dos luminares, eles são tomados por um só, e se diz: “Haja (sit) luminares na expansão dos céus”. É permitido referir coisas admiráveis a este respeito. Os anjos celestes, porque estão pelo Senhor em um tal amor, estão por este amor em todas as cognições da fé, e pelo amor, em uma tal vida e em uma tal luz de inteligência, que dificilmente se poderia descrever. Por sua vez, os espíritos que estão no conhecimento dos doutrinais da fé, sem o amor, estão em uma vida tão fria e em uma luz tão escura, que nem podem aproximar‑se da primeira entrada do átrio dos céus sem fugir para trás. Dizem terem de certo modo acreditado no Senhor, mas não viveram como Ele ensinou. O Senhor fala deles assim, em Mateus:

“Nem todo aquele que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a Minha vontade;muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, por Teu Nome não profetizamos?” (E as coisas que se seguem) (7:21,22).

[2]Por aí se vê que aqueles que estão no amor também estão na fé e, assim, na vida celeste, mas não os que dizem estar na fé e não estão na vida do amor. A vida da fé sem o amor é como a luz do sol sem o calor, como sucede no inverno, quando nada cresce, mas todas as coisas ficam entorpecidas e mortas. Mas a fé que procede do amor é como a luz do sol no tempo da primavera, quando todas as coisas crescem e florescem, porque é o calor do sol que as produz. Sucede semelhantemente nas coisas espirituais e celestes, que são comumente representadas na Palavra pelas coisas que estão no mundo e sobre a terra. A ausência da fé, e a fé sem o amor, são também comparadas pelo Senhor ao inverno, onde Ele predisse a consumação do século, em Marcos:

“Orai para que vossa fuga não se dê no inverno, pois aqueles serão dias de aflição” (13:18,19).

A “fuga” é o último tempo também para todo homem que morre. O “inverno” é a vida sem nenhum amor e os “dias de aflição” são o seu estado miserável na outra vida.

35.     Há no homem duas faculdades: a vontade e o entendimento. Quando o entendimento é governado pela vontade, então estas faculdades constituem, ambas, uma mente só, assim uma só vida, pois, então, o que o homem quer e faz, ele também o pensa e a isso se aplica. Mas, quando o entendimento está em desacordo com a vontade, como nos que dizem ter a fé mas vivem de modo diferente, a unidade da mente então está dividida em duas partes: uma quer elevar‑se ao céu, a outra tende para o inferno. E, como a vontade faz tudo, o homem inteiro se precipitaria no inferno, se o Senhor não Se compadecesse dele.

36.     Os que separaram a fé do amor não sabem o que é a fé. Quando estão na idéia da fé, alguns dentre eles não sabem outra coisa senão que é um mero pensamento; outros, que é um pensamento no Senhor; e poucos, que é a doutrina da fé. Mas a fé é não somente o conhecimento e o reconhecimento de tudo o que a doutrina da fé abrange, mas é, principalmente, a obediência a tudo que esta doutrina ensina. A primeira coisa que ela ensina e a que se deve obedecer é o amor ao Senhor e o amor ao próximo, e quem não está nesses amores não está na fé. Isso o Senhor ensina assim, em Marcos, de um modo tão claro que é impossível duvidar:

“O primeiro de todos os preceitos é: Escuta, Israel, o Senhor nosso Deus é um só Senhor; por isso amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de todas as tuas forças; é este o primeiro preceito. E o segundo, semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro preceito maior que estes” (12:28‑32).

Em Mateus, Ele o chama “o primeiro e grande mandamento”, e diz que “a lei e os profetas dependem desses mandamentos” (22:34 a 40). A “lei e os profetas” são a doutrina universal da fé e toda a Palavra.

37.     É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Estas palavras contêm mais arcanos do que podem ser ditos no momento, ainda que nenhum apareça no sentido da letra. Por ora, basta dizer que, em relação às coisas espirituais e celestes, há, no universal e nos singulares, sucessões que são comparadas às sucessões nos dias e anos. As sucessões nos dias são: da manhã ao meio‑dia, daí à tarde e, pela noite, à manhã. As dos anos são semelhantes: da primavera ao verão, daí ao outono e, pelo inverno, à primavera. São as alternações de calor e luz, e também as das frutificações da terra. Com essas alternações se comparam as das coisas espirituais e celestes. A vida sem tais alternações e diversidades seria uniforme e, por conseguinte, nula. E não seria possível discernir, distinguir e ainda menos perceber o bem e o vero. Essas alternações são chamadas “estatutos” na Palavra, como em Jeremias:

“Disse Jehovah, que dá o sol para luz do dia, e os estatutos da lua e das estrelas para a luz da noite: ... Estes estatutos não se retirarão de diante de Mim” (31: 35,36)

E no mesmo profeta:

“Assim disse Jehovah: Se não estabeleci Minha aliança de dia e de noite, os estatutos do céu e da terra...” (33:25)

Mas, pela Divina misericórdia do Senhor, tratar‑se‑á destas coisas no capítulo 8, vers. 22, do Gênesis.

38.     Vers. 18: “E para dominar no dia, e na noite, e para separar entre a luz e entre as trevas; e viu Deus que era bom”. Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso, como o Senhor fala:

“Os homens amaram mais as trevas do que a luz... quem pratica a verdade vem para a luz” (Jo. 3:19‑21).

Vers. 19: “E houve tarde, e houve manhã, o dia quarto”.


 

 

1º dia
Criação da luz;

separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;

separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,

aparece o seco; terra e mares;

a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e age por si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;

as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;

a fera, a besta

o homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 


 

 

Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 


 

 

Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 


 

TerceiroDia
E disse DEUS: Faça germinar a terra a erva tenra,
Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do SENHOR as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o SENHOR faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”
a erva dando semente,
”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”;
a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie,
enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”
no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom.”
A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do SENHOR. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do SENHOR, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas.
 

 

 

 


 

QuartoDia
E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para separação entre o dia e entre a noite.

 
O amor e a fé são chamados, a princípio, os “luminares grandes”; depois, o amor o “luminar grande” e a fé o “luminar menor”;
E serão para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez DEUS dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas.

E pô-los DEUS na expansão dos céus para darem luz sobre a terra”.

 
É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Estas palavras contêm mais arcanos do que podem ser ditos no momento, ainda que nenhum apareça no sentido da letra. Por ora, basta dizer que, em relação às coisas espirituais e celestes, há, no universal e nos singulares, sucessões que são comparadas às sucessões nos dias e anos. As sucessões nos dias são: da manhã ao meio‑dia, daí à tarde e, pela noite, à manhã. As dos anos são semelhantes: da primavera ao verão, daí ao outono e, pelo inverno, à primavera. São as alternações de calor e luz, e também as das frutificações da terra. Com essas alternações se comparam as das coisas espirituais e celestes. A vida sem tais alternações e diversidades seria uniforme e, por conseguinte, nula. E não seria possível discernir, distinguir e ainda menos perceber o bem e o vero. Essas alternações são chamadas “estatutos” na Palavra
“E para dominar no dia, e na noite, e para separar entre a luz e entre as trevas; e viu DEUS que era bom”.

 
Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso.
 

 

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5to Dia da Criação [VÍDEO]
"E disse DEUS: Façam as águas rastejar o réptil, a alma vivente..." [TEXTO] Aula gratuita!

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Os Seis Dias da Criação
O Quinto Dia
 

C. R. Nobre

 

Estamos estudando a história da criação relatada no livro de Gênesis segundo a explicação da obra “Arcanos Celestes” e temos visto que ela representa o processo em que o Senhor reforma e regenera o homem e o torna espiritual.

Vimos que o primeiro estado vai desde antes da regeneração, da ausência de caridade e fé ou de vida espiritual, até o momento em que se dá na alma o clarão da luz, a conscientização a respeito de Deus e da vida eterna. O segundo estado é quando a pessoa passa a fazer distinção entre as suas próprias convicções como coisas inferiores, e a revelação Divina como superiores na sua mente. Isto é representado pela separação das águas acima e abaixo da expansão dos céus. A pessoa passa a saber que tem umeu interno ou espiritual, representado pelo céu, e por isso é dito que o céué criado.

O terceiro estado é o da penitência. Instruída nos conhecimentos, a pessoa se compele a agir de acordo com a verdade e a praticar as obras, deixando de fazer o mal e aprendendo a fazer o bem. Entretanto, nesta fase ela ainda é guiada por suas próprias afeições e ideias, e por isso as obras que então pratica ainda não são vivas, sendo comparadas aos vegetais que a terra – o homem externo – produz.

E, persistindo em afastar-se dos males por serem pecados contra Deus e dedicando-se com fidelidade ao seu uso, a pessoaé levada ao quarto estado, quando o Senhor implanta nela o verdadeiro amor, em forma de caridade (a criação do Sol), e a verdadeira sabedoria, em forma de fé (a criação daLua), além dos conhecimentos, representados pelas estrelas.

Os “Arcanos” dizem que é então que “o homem começa pela primeira vez a viver. Antes, mal se pode dizer que vivesse, pois o bem que ele fez, pensou que o fizera por si mesmo; e o vero que falou, que de si mesmo o dissera. E, como o homem é morto em si e nele nada há senão o mal e o falso, por isso, tudo o que ele produz por si mesmo não é vivo, ao ponto de não poder por si mesmo fazer o bem que em si é o bem... O bem não pode vir senão da Fonte mesma, que é única, como também diz: “Ninguém é bom, exceto um, Deus” (Lucas 18:19).”

Agora chegamos ao quinto dia. “E disse DEUS: Façam as águas rastejar o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus. E criou Deus as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu Deus que (era) bom. E os abençoou Deus, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e a ave será multiplicada na terra. E houve tarde, e houve manhã, o dia quinto”. (Gen. 1:20-23).

As águas fazem rastejar os répteis, que são, literalmente, os que rastejam, mas aí estão incluídos os peixes. Notemos que quem produz agora é a água, não mais a terra.

Já sabemos que a terra representa a mente natural, e as águas representam os conhecimentos da fé,que agora constituem um entendimento novo,por assim dizer, chamado consciência. A verdadeira consciência é uma espécie de ditame interno que se adquire da instrução das Escrituras Sagradas. É a voz do Senhor nos falando por meio das verdades. Quanto mais damos ouvido a esse ditame, mais se torna vivo e mais nossa mente é esclarecida pela luz da verdade. É esse entendimento reformado que fará produziro réptil e o peixe, que significam, na Palavra, os conhecimentos que pertencem ao homem externo. São todos os ensinamentos, todos os doutrinais que a pessoa agora conhece e nos quais crê. Estão na memória e, daí, no pensamento consciente ou externo.

Também foi dito: “A ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus”. É interessante observar que não foi ordenado às águas que produzissem a ave. Isto parece bastante óbvio, mas observemos o seguinte: se o réptil e o peixe são conhecimentos que pertencem à memória, a ave, ao aparecer voando na expansão do céu, indica algo que vem do espírito.  Lemos nos “Arcanos” que as aves representam “coisas racionais e também intelectuais, estas últimas pertencendo ao homem interno”.

Acontece o seguinte: no homem que está sendo regenerado o Senhor forma um nível novo na mente, chamadoracional, e esse racional passa a seruma região intermediária, entre a mente natural e a espiritual. É como se fosse um mezanino entre dois andares. Esse racional criado na regeneração não deve ser confundido com a racionalidade, que é a faculdade de compreender a verdade, quando a vir. Liberdade e racionalidade são inerentes ao ser humano, enquanto o racional verdadeiro é formado na regeneração como um elo entre a mente natural e a mente espiritual.

É pelo racional que a luz dos céus chega à mente natural como uma percepção. Essa percepção é representadaaqui pela ave, pois a ave tanto voano céu como desce à terra e pousa nas árvores, conforme aquela parábola do Senhor: “O Reino dos céus é semelhante ao grão da mostarda, que o homem, tomando-o, o semeou em seu campo. O qual, em verdade, é a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior de todas as hortaliças; e faz-se tamanha árvore, que vêm as aves do céu e se aninham em suas ramas.” (Mat. 13:31, 32).

Temos aí, portanto, duas classes de conhecimentos que agora se encontram no homem: na mente natural (no pensamento consciente e na memória), os répteis ou peixes, que são os conhecimentos acerca das coisas da fé, recebidos pelos sentidos externos; e na mente espiritual, as aves, que são as percepções oriundas dos céus e que chegam através do espírito até o racional do homem.

Os conhecimentos representados pelos répteis eos peixes são adquiridos quando a pessoa, no gozo de sua liberdade e sua razão, busca na Palavra o conhecimento da verdade. O Senhor pode então influir nesse conhecimento e vivificá-lo. Essa espécie de conhecimento natural, o réptil e o peixe, é a própria base do pensamento do homem; “o homem pensa a partir deles”, dizem os Arcanos (991).

Quanto à outra espécie de conhecimento, aqui representado pelas aves, chega por uma via interna, porque são coisas “interiores, não vêm tanto à percepção ou ao sentido do homem antes de ele se despir do corpo e entrar na outra vida” (AC 991). Em outras palavras, as percepções, representadas pelas aves que surgem voando nos céus,são conhecimentos mais elevados, mas podemos entender como sendo intuições ou ideias que aparecemem nosso pensamento, não como resultado de um encadeamento lógico que tenhamos feito. É uma luz que se acende sem a gente mesmo ter acendido, um pássaro que veio do céu e pousou no ramo da árvore. Vimos o pássaro pousando, mas não vimos de onde tinha vindo.

Continuando no Gênesis: “E criou Deus as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu Deus que (era) bom”.

Os“Arcanos” explicam que, assim como os peixes significam os conhecimentos, agora animados pela fé que vem do Senhor, as baleias ou cetáceos significam na Palavra os conhecimentos gerais, sob os quais e pelos quais existem os particulares. “Nada há no universo que não esteja sob algum geral a fim de que exista e subsista”.

O peixe em abundância significa, portanto, o acúmulo de conhecimento ou a inteligência do homem regenerado.  É de acordo com esta correspondência que o profeta Ezequiel falou sobre a inteligência do homem regenerado:“O Senhor JEHOVAH disse a mim:... sucederá que toda alma vivente que rastejar por onde quer que venha a água dos rios, viverá. E haverá peixe em quantidade mui grande, porque ali chegarão estas águas. E sararão, e tudo viverá por onde vier o rio. E sucederá que estarão de pé sobre eles pescadores desde Engedi até En-Eglaim; estarão com redes estendidas. Seu peixe será segundo a sua espécie, como o peixe do grande mar, em mui grande quantidade “ (47:8 a 10).

E pela mesma razão falou o profeta Isaías sobre a triste sorte da Igreja devastada ou do homem impenitente: “Por Minha repreensão farei secar o mar, tornarei os rios em deserto. Fétido será o seu peixe, por não haver água, e morrerá de sede. Vestirei os céus de negridão” (50:2,3).

Como os peixes são os conhecimentos da fé, por isso os pescadores, na Palavra, representam aqueles que procuram na Palavra as verdades para nutrimento do espírito. Não foi por outra razão que os discípulos eram pescadores.

Também os pássaros têm suas significações variadas, conforme os seus gêneros e espécies. Aqui, eles são chamados aves do céu, porque representam as ideias racionais e as percepções próprias do homem interno, como se falou. Mas, na Palavra, eles têm correspondências conforme o contexto em que são citados e os nomes que recebem: “ave”, “alado”, “volátil”, “pássaro”, etc. Os “pássaros dos céus” são as verdades intelectuais e os pensamentos, mas, quando citados num sentido negativo, representam os enganos e falsidades que destroem as verdades.“O Senhor mesmo compara as fantasias e as persuasões do falso às “aves” quando diz: “A semente que caiu sobre o caminho batido...vieram as aves, e comeram-na” (Mt.13:4) (AC 778). E, no n. 866: “As verdadeiras coisas intelectuais são descritas pelas aves mansas, belas e limpas; mas as falsas pelas aves ferozes, feias e imundas e, de fato, conforme as espécies de verdade e falsidade.”

Essa significação dos seres criados ou que aparecem no quinto dia, répteis, peixes e aves, parece um pouco mais abstrata do que a significação das coisas dos dias anteriores. É porque essascoisasse passam na mente num estado avançado da regeneração, ao passo que nossa mente natural é limitada pelas duas dimensões de tempo e espaço. Todo pensamento, toda ideia, qualquer que seja, em nossa mente natural, se apresenta numa forma de corpo, num espaço e num ambiente que a envolve; mesmo que seja em forma de uma palavra, ou um som, sempre ocorre dentro das duas dimensões. Por outro lado, as ideias espirituais transcendem essas limitações. Porque o sentido espiritual é para os espíritos e anjos, e nós, enquanto estivemos no mundo, ainda que sejamos espíritos, estamos engaiolados, por assim dizer, pelo pensamento natural. E aprendemos (AC 1594) que “a vista externa não pode ver de modo algum o que é a vista interna”, mas o contrário, sim, quer dizer, “o intelectual e o racional podem perceber o que é do conhecimento e qual é a sua qualidade, mas o recíproco não acontece”.

Daí a dificuldade de compreendermos além do que está dito, e daí a razão pela qual o sentido espiritual da Palavra nos parece às vezes abstrato, mesmo depois de muito estudo. Enquanto vivermos no corpo, tudo o que podemos ter são vislumbres ou noções muito gerais das coisas celestes, e não as particularidades mesmas. Muitas outras particularidades ficam por comentar. As coisas mais gerais que estamos vendo aqui são somente as “baleias”, os conhecimentos gerais sobre a regeneração; mas as particularidades desses conhecimentos são os “peixes”, que podemos recolher em abundância à medida que nossa afeição pela verdade nos levar a avançar nesse universo de conhecimento que se abriu diante de nós.

Realmente, nosso entendimento natural a respeito das coisas celestes é imperfeito e muito limitado, por isso, e por ora, é bastante saber que no quinto dia os peixes grandes são conhecimentos gerais da fé, os peixes menores são as particularidades, e os pássaros que aparecem (não diz que são criados) no céu são as percepções que chegam à mente no quinto estágio da regeneração.

Essas representações vêm do mundo espiritual, porque, no espírito do homem, todas as coisas da caridade e da fé, que procedem do Senhor, são animadas e vivas e, no mundo espiritual elas até se manifestam à vista assim, em forma de animais, répteis e aves, conforme a qualidade do pensamento ou afeição no interior dos espíritos e anjos que ali estão. Os Arcanos Celestes (41) dizem: “E - o que talvez pareça incrível mas é bem verdadeiro - cada palavra, cada ideia e cada uma das mínimas coisas do pensamento de um espírito angélico são vivas. Em seus singularíssimos há uma afeição que procede do Senhor, Que é a vida mesma. Por isso, as coisas que vêm do Senhor têm vida em si, porque têm a fé em si, e são significadas aqui pela “alma vivente”. Também têm uma espécie de corpo aqui significada por “aquele que se move” ou “que rasteja”. Contudo, estas coisas ainda são arcanos para o homem, mas são aqui lembradas só porque aqui se trata da alma vivente e do movente” (AC 41).

Lemos nos Escritos que “quando os anjos estão conversando sobre conhecimentos, ideias e influxo, aparecem no mundo dos espíritos aves formadas de acordo com o assunto da conversação. Daí é que as “aves” na Palavra significam as coisas racionais ou que pertencem ao pensamento” (AC 3219).

Mas, quando começam existir as percepções, ou as aves, as coisas racionais, isto significa que o Senhor está começando a dotar o homem regenerado da verdadeira inteligência, pois o racional é a inteligência do homem externo (AC 1588).

Na história do nascimento dos filhos de Jacó, por exemplo, encontramos o relato da regeneração do homem exposto de outro ângulo, ou em outra série. Na história da marcha do povo de Israel pelo deserto até à terra de Canaan, a entrada nessa terra e as batalhas contra os diversos inimigos até à completa conquista, encontramos novamente a história da regeneração do homem, agora exposta em diferente ponto de vista. E assim acontece em muitas outras histórias da Palavra, de sorte que, ao tomarmos conhecimento de umas e outras, vamos, aos poucos, compreendendo melhor as coisas, enxergando particulares que não tínhamos visto antes, entendendo detalhes que não tínhamos entendido em outra série. E esses detalhes, essas particularidades são como “peixes” menores que virão nadar no mar de nossa memória.

Os conhecimentos gerais da doutrina, ou as “baleias” são fáceis de serem vistos e apreendidos. Mas os conhecimentos particulares ou “peixes” precisam ser procurados com mais trabalho, precisam ser pescados. Como discípulos do Senhor que somos, temos também a obrigação de nos tornarmos pescadores espirituais. E o que é um pescador espiritual? É o homem que investiga e ensina verdades naturais e espirituais de uma maneira racional.

Devemos ler, ouvir e meditar nos conhecimentos da Palavra armazenados em nossa memória, pois as verdades Divina são o alimento da vida espiritual, nossa e do nosso próximo. E na medida em que formos adquirindo a luz, devemos levar essa luz aos que estão na escuridão, pois assim seremos,como os discípulos do Senhor, pescadores espirituais.


 

Arcanos Celestes, 39-43

39.     Vers. 20: “E disse Deus: Façam as águas produzir abundantemente o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus”. Depois que os grandes luminares foram acesos e postos no homem interno, e daí o externo recebeu luz, então, o homem começa pela primeira vez a viver. Antes, mal se pode dizer que vivesse, pois o bem que fez, pensou que o fizera por si mesmo; e o vero que falou, que de si mesmo o dissera. E, como o homem é morto em si e nele nada há senão o mal e o falso, por isso, tudo o que ele produz por si mesmo não é vivo, a ponto de não poder por si mesmo fazer o bem que em si é o bem. Que o homem por si mesmo não possa sequer pensar no bem nem querê‑lo, e por conseqüência fazê‑lo, a não ser que seja pelo Senhor, qualquer um vê pela doutrina da fé, porque o Senhor diz em Mateus:

“Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem” (13:37).

O bem não pode vir senão da Fonte mesma, que é única, como também diz:

“Ninguém é bom, exceto um, Deus” (Luc. 18:19).

Contudo, sempre que o Senhor ressuscita o homem à vida ou o regenera, permite a princípio que ele pense assim, pois, então, o homem não pode compreender de outro modo, nem pode de outro modo ser conduzido a crer e daí a perceber que todo bem e todo vero vêm do Senhor, só. Enquanto pensou assim, seus veros e bens foram comparados à “erva tenra”, depois à “erva dando semente” e em seguida à “árvore de fruto”, coisas que são inanimadas. Mas, agora, quando é vivificado pelo amor e pela fé e crê que é o Senhor Quem opera nele todo bem que faz e todo vero que diz, então, é comparado primeiro aos “répteis das águas” e às “aves que voam sobre a terra”, e depois às bestas, que são, todas, coisas animadas e chamadas “almas viventes”.

40.     Pelos “répteis” que as águas produzem são significados os conhecimentos que pertencem ao homem externo. Pelas “aves” em geral, as coisas racionais e também as intelectuais, estas últimas pertencendo ao homem interno. Que “os répteis das águas ou peixes” signifiquem os conhecimentos, vê‑se em Isaías:

“Vim, e nenhum varão. Por Minha repreensão farei secar o mar, tornarei os rios em deserto. Fétido será o seu peixe, por não haver água, e morrerá de sede. Vestirei os céus de negridão” (50:2,3).

[2]É ainda mais claro em Ezequiel, onde o Senhor descreve o novo templo ou uma nova Igreja em geral e o homem da Igreja ou regenerado, pois todo aquele que é regenerado é um templo do Senhor. Assim se diz:

“O SenhorJehovah disse a mim: Estas águas que sairão para o limite em direção ao Oriente... e virão ao mar, no mar conduzidas, e sãs tornar‑se‑ão as águas.

“E sucederá que toda alma vivente que rastejar por onde quer que venha a água dos rios, viverá. E haverá peixe em quantidade mui grande, porque ali chegarão estas águas. E sararão, e tudo viverá por onde vier o rio.

“E sucederá que estarão de pé sobre ele pescadores desde Engedi até En‑Eglaim; estarão com redes estendidas. Seu peixe será segundo a sua espécie, como o peixe do grande mar, em mui grande quantidade” (47:8 a 10).

Os “pescadores desde Engedi até En‑Eglaim com redes estendidas” significam aqueles que ensinam as verdades da fé ao homem natural. [3]           Que as “aves” signifiquem as coisas racionais e intelectuais, isto consta nos Profetas, como em Isaías:

“...Que chama do oriente o pássaro [volucrem], da terra longínqua o varão do Meu conselho” (46:11).

Em Jeremias:

“Vi, e eis, nenhum homem, e todas as aves dos céus fugiram” (4:25).

Em Ezequiel:

“Plantarei um rebento de um alto cedro, e ele produzirá ramo e dará fruto, e tornar‑se‑á um cedro magnífico, e debaixo dele habitarão todas as aves de todas as asas; à sombra de seus ramos habitarão” (17:23).

E em Oséias, onde se trata da Nova Igreja ou do regenerado:

“E farei por eles uma aliança, naquele dia, com a fera do campo, e com a ave dos céus, e com tudo o que se move no humo” (2:18).

Que a “fera” não signifique uma fera nem a “ave” uma ave, qualquer um pode ver, porquanto o Senhor firma uma aliança nova com eles.

41.     Tudo o que é próprio do homem não tem vida em si e, quando se manifesta à vista, mostra‑se duro como um osso e negro. Ao contrário, tudo o que é do Senhor tem vida, é espiritual e celeste em si e, quando se manifesta à vista, mostra‑se humano e vivo. E — o que talvez pareça incrível, mas é bem verdadeiro — cada palavra, cada idéia e cada uma das mínimas coisas do pensamento de um espírito angélico são vivas. Em seus singularíssimos há uma afeição que procede do Senhor, Que é a vida mesma. Por isso, as coisas que vêm do Senhor têm vida em si, porque têm a fé em si, e são significadas aqui pela “alma vivente”. Também têm uma espécie de corpo aqui significada por “aquele que se move” ou “que rasteja”. Todavia, estas coisas ainda são arcanos para o homem, mas são aqui lembradas só porque aqui se trata da alma vivente e do movente.

42.     Vers. 21: “E criou Deus as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu Deus que [era] bom”. Como foi dito, os “peixes” significam os conhecimentos, agora animados pela fé que vem do Senhor e, assim, vivos. As “baleias” significam as coisas gerais dos conhecimentos, sob os quais e pelos quais existem os particulares. Nada há no universo que não esteja sob algum geral a fim de que exista e subsista. Os cetáceos ou baleias são algumas vezes nomeados nos Profetas e ali significam as coisas gerais dos conhecimentos. Faraó, rei do Egito, por quem é representada a sabedoria ou inteligência humana, isto é, a ciência em geral, é chamado “a grande baleia”, como em Ezequiel:

“Eis‑Me contra ti, Faraó, rei do Egito, grande baleia deitada no meio dos teus rios, que disse: Meu é o rio, eu o fiz para mim” (29:3).

[2]E em outro lugar:

“Levanta uma lamentação sobre Faraó, rei do Egito, e dize‑lhe: ...E tu [foste] como uma baleia nos mares, e avançaste em teus rios, e conturbaste as águas com teus pés” (32:2);

por tais coisas são significados aqueles que querem entrar nos mistérios da fé por meio dos conhecimentos, assim por si próprios. Em Isaías:

“Naquele dia, Jehovah visitará com sua espada dura, e grande, e forte, sobre o Leviatã, a serpente alongada, e sobre o Leviatã, a serpente tortuosa, e matará as baleias que estão no mar” (27:1);

por “matar as baleias no mar” é significado que nem mesmo as coisas gerais eles sabem. Em Jeremias:

“Devorou‑me, conturbou[‑me] Nebuchadenezzar, rei de Babel; tornou‑me vaso vazio, engoliu‑me como baleia; encheu seu ventre de minhas delícias, lançou‑me fora” (51:34),

isto é, ele, assim, tragou as cognições da fé, que aqui são as “delícias”, como a baleia fez com Jonas, onde a “baleia” é tomada pelos que possuem os gerais das cognições da fé como conhecimentos e, assim, agem.

43.     Vers. 22: “E os abençoou Deus, dizendo: Frutificai e multiplicai‑vos, e enchei as águas nos mares; e a ave será multiplicada na terra”. Tudo o que tem em si a vida procedente do Senhor frutifica e se multiplica imensamente, não tanto durante o tempo em que o homem vive no corpo, mas de um modo admirável na outra vida. “Frutificar”, na Palavra, se diz das coisas que são do amor, e “multiplicar” das que são da fé. O fruto, que é do amor, tem a semente pela qual se multiplica tanto. A bênção do Senhor também significa, na Palavra, frutificação e multiplicação, porque estas procedem dela.

Vers. 23: “E houve tarde, e houve manhã, o dia quinto”.


 

O primeiro capítulo de Gênesis, no sentido espiritual

1º dia
Criação da luz;

separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;

separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,

aparece o seco; terra e mares;

a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e age por si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;

as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;

a fera, a besta

o homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 

 

O Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 

 

O Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 


 


 

O TerceiroDia
E disse DEUS: Faça germinar a terra a erva tenra,
Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do SENHOR as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o SENHOR faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”
a erva dando semente,
”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”;
a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie,
enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”
no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom.”
A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do SENHOR. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do SENHOR, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas.
 


 

O QuartoDia
E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para separação entre o dia e entre a noite.

 
O amor e a fé são chamados, a princípio, os “luminares grandes”; depois, o amor o “luminar grande” e a fé o “luminar menor”;
E serão para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez DEUS dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas.

E pô-los DEUS na expansão dos céus para darem luz sobre a terra”.

 
É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Estas palavras contêm mais arcanos do que podem ser ditos no momento, ainda que nenhum apareça no sentido da letra. Por ora, basta dizer que, em relação às coisas espirituais e celestes, há, no universal e nos singulares, sucessões que são comparadas às sucessões nos dias e anos. As sucessões nos dias são: da manhã ao meio‑dia, daí à tarde e, pela noite, à manhã. As dos anos são semelhantes: da primavera ao verão, daí ao outono e, pelo inverno, à primavera. São as alternações de calor e luz, e também as das frutificações da terra. Com essas alternações se comparam as das coisas espirituais e celestes. A vida sem tais alternações e diversidades seria uniforme e, por conseguinte, nula. E não seria possível discernir, distinguir e ainda menos perceber o bem e o vero. Essas alternações são chamadas “estatutos” na Palavra
“E para dominar no dia, e na noite, e para separar entre a luz e entre as trevas; e viu DEUS que era bom”.

 
Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso.
 

 

 

 

O Quinto dia

“E disse DEUS: Façam as águas produzir abundantemente o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus”.
Pelos “répteis” que as águas produzem são significados os conhecimentos que pertencem ao homem externo. Pelas “aves” em geral, as coisas racionais e também as intelectuais, estas últimas pertencendo ao homem interno.
“E criou DEUS as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom”.
Como foi dito, os “peixes” significam os conhecimentos, agora animados pela fé que vem do SENHOR e, assim, vivos. As “baleias” significam as coisas gerais dos conhecimentos, sob os quais e pelos quais existem os particulares. Nada há no universo que não esteja sob algum geral a fim de que exista e subsista. Os cetáceos ou baleias são algumas vezes nomeados nos Profetas e ali significam as coisas gerais dos conhecimentos.
E os abençoou DEUS, dizendo: Frutificai e multiplicai vos, e enchei as águas nos mares; e a ave será multiplicada na terra”.
Tudo o que tem em si a vida procedente do SENHOR frutifica e se multiplica imensamente, não tanto durante o tempo em que o homem vive no corpo, mas de um modo admirável na outra vida. “Frutificar”, na Palavra, se diz das coisas que são do amor, e “multiplicar” das que são da fé. O fruto, que é do amor, tem a semente pela qual se multiplica tanto. A bênção do SENHOR também significa, na Palavra, frutificação e multiplicação, porque estas procedem dela.
 

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6to Dia da Criação - Parte I [VÍDEO]
“E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai, e multiplicai-vos...” Aula gratuita!

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Os Seis Dias da Criação
O Sexto Dia – primeira parte
 

C. R. Nobre

 

Estamos estudando o primeiro capítulo de Gênesis à luz dos Arcanos Celestes, e vimos que os dias da criação representam os estados da regeneração do homem, estados esses que “se dividem em seis e se chamam os dias de sua criação, pois, gradualmente, de não-homem que era, ele se torna... ‘imagem’.”

Vimos que o primeiro dia é o estado que precede a regeneração até quando o homem vê a luz da verdade. O segundo estado é quando ele distingue entre as suas convicções humanas e as verdades eternas do Senhor. O terceiro estado é quando começa a fazer o bem da religião. No quarto estado ele é tocado pelo amor (o sol) e iluminado pela fé (a lua), que são acesos em seu homem interno. No quinto estado ele age pela fé e assim se confirma no bem. As criaturas desse dia, os peixes, répteis e aves significam conhecimentos e percepções, coisas intelectuais em sua mente. Mas agora, no sexto dia, tratam-se das afeições, que pertencem à vontadee são significadas pelos animais.

Dividiremosa explicação dos Arcanos em duas partes: a primeira, a criação dos animais; e, asegunda, a criação do homem.

“E disse DEUS: Produza a terra alma vivente segundo a sua espécie; a besta e o que se move; e a fera desta terra segundo a sua espécie. E foi feito assim. E fez DEUS a fera da terra segundo a sua espécie; e a besta segundo a sua espécie; e todo réptil dohúmus, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom. Gênesis 1:24-25

Lemos nos Arcanos que no sexto dia “o homem age pelo amor e fala pela fé. Por isso as suas ações são comparadas agora à “alma vivente e besta”. “E como agora...começa a agir... pelo amor, torna-se homem espiritual” e é chamado “imagem” de Deus.Portanto, é somente no sexto dia que o homem se torna espiritual.

Nessa fase do novo nascimento são implantadas no homem certas afeições,significadas pelos animais, quesão mencionados duas vezes, sendo três tipos cada vez“alma vivente que a terra produz”, a “besta e o que rasteja” e a “fera desta terra”; e, em seguida, “a fera da terra segundo a sua espécie; e a besta segundo a sua espécie; e todo réptil do húmus, segundo a sua espécie”.

Em toda parte na Palavra se faz distinção muito clara entre essas categorias de animais: ser vivente, fera da terra, besta etc.Mas, como o sentido espiritual envolve muito mais coisas do que é possível expor à nossa compreensão natural, a significação de cada gênero e espécie de animalé dada somente de uma forma geral, mas é suficiente para entendermos que eles representam vários tipos de afeições que são provenientes das várias classes de amor, natural ou espiritual.

Já vimos que a vontade foi criada para serreceptáculo do amor ou caridade, e o entendimento parareceptáculo da verdade ou da fé. Mas é a vontade que constitui o ser de uma pessoa, e o entendimento é um acessório. A vontade é a casa onde vivemos, e o entendimento é a varanda, a parte que se comunica com a rua. E como é a vontade que constitui propriamente o homem, por isso é que, somente agora, no sexto dia, quando são implantadas afeições espirituais na vontade, se diz que o homem se torna homem, a saber, homem espiritual, e é chamado “imagem de Deus”.

Diferentemente das criaturas do quinto dia são, que vieram das águas e do céu, significando coisas intelectuais, os animais do sexto dia são produzidos pela terra. A terra significa a mente ou homem externo, e os animais aí significam afeições boas. Os Escritos definem afeições como continuidades do amor. Elas são como o calor que procede do fogo, e é pelas afeições que o amor se faz sentir na vontade. Como o amor (o sol) foi implantado no homem interno no quinto dia, agora surgem afeições boas na mente consciente, que é a terra, no sexto dia.

Asações da pessoa, nessa fase da regeneração, são impulsionadas pelas boas afeições agora implantadas. É dito que a terra ou o homem as produz, mas são, de fato, produzidas pelo Senhor, esão feitas pelo homem somente em aparência. O Senhor é o agente e o homem é o reagente, um cooperadorconsciente do que faz.No sexto dia, apessoapratica as boas obras como se fosse por si mesma, por sua decisão, sua volição, seu empenho, seu esforço, sua habilidade, mas, como ela tem a luz da verdade desde o quarto dia, ela sabe, e crê, que é o Senhor quem lhe dá o querer e o poder realizar; que por si mesma nada pode, e nenhum fruto bom pode produzir, pois todo bem vem do Senhor. “Não há ninguém há bom senão um, Deus.” Mediante essa fé, a pessoa exerce a verdadeira caridade, que consiste em afastar-se do mal e agir com zelo, honestidade e fidelidade no dever de sua função, para o bem do próximo, da pátria e do Senhor.

Enquanto faz isso, ela está no pleno gozo de suas escolhas e ações, porque não sente influxo algum do céu. Não sente absolutamente a mão Divina a impulsionando nesta ou naquela direção, para agir com retidão. E essaaparência de que age por si mesmaé necessária, para que eladefina em liberdade a vida que quer para si na eternidade.

Mas, se no momento mesmo do exercício do bema pessoa não sentia a ação Divina, pelo menos depois, ela deve reconhecer que o poder atuante veio de Deus, e por isso ela atribui a Deus a honra e o poder pelo querer e pelo fazer. Em consequência disso, ela não cai mais no engano de que vive, age, tem poder e é boa por si mesma, até porque, a essa altura da regeneração, a Luz clara da verdade mostra exatamente como as coisas de fato são. E a verdade é que o Senhor é o Oleiro e nós somos meramente vasos para receber e transferir aos outros os bens e veros que procedem d’Ele.

O Senhor atua no homem de duas maneiras: imediatamente e mediatamente. Imediatamente, por Seu Divino Amor e Sabedoria, influindo na vontade e no entendimento e fazendo que existam nesses receptáculos a caridade e a fé. E o Senhor atua mediatamente quando age por intermédio dos anjos. Porque, conforme lemos nos Arcanos Celestes e em outros Escritos de Swedenborg, junto a cada ser humano existem pelo menos dois espíritos maus e dois espíritos angélicos. Pelos espíritos maus ou diabólicos a pessoa recebe influência vinda do inferno, e pelos espíritos angélicos ela recebe o influxo celeste. A atuação desses dois influxos, simultâneos e na mesma intensidade resulta na liberdade do indivíduo, porque, quando as forças opostas estão em equilíbrio, quem está no meio pode livremente se voltar para um lado ou outro.

“Enquanto não é regenerado, o homem é dirigido de modo diferente do que quando é regenerado. Quando não é regenerado, há nele espíritos maus que dominam sobre ele de tal modo, que os anjos, ainda que presentes, quase nada podem fazer senão apenas conduzi-lo, para que não se precipite num mal extremo, e desviá-lo para algum bem; e isto eles fazem mesmo pelas próprias cobiças dele, para desviá-lo ao bem, e pelos enganos dos sentidos, para desviá-lo ao vero. Então ele tem comunicação com o mundo dos espíritos pelos espíritos que nele estão, mas não tanto com o céu, porque os espíritos maus dominam e os anjos somente o desviam.”

Os espíritos maus e os anjos se identificam com a pessoa pelas afeições presentes na vontade. Os maus são atraídos pelas afeições más e as compartilham com a pessoa, enquanto os anjos inspiram e estimulam as afeições boas. Afeições são ímãs espirituais. Os espíritos e anjos não veem a pessoa mesma, nem seus pensamentos, mas sentem as afeições compatíveis, infernais ou celestes.

Se o amor preponderante da pessoa em determinado momento for um amor do mal, as afeiçõesprovenientes desse amor serão corporais e no nível dos sentidos, e são representadas na Palavra pelos animaisferozes e imundos. Se o amor for bom, as afeições terão vida espiritual e são representadas na Palavra por animais mansos e limpos, como ovelhas e bois.

Os espíritos não têm mais base material de pensamento e sensação, por isso dependem das sensações ou afeições e memória do indivíduo com quemestão associados. Os maus espíritos se deleitam com os males que a pessoa pratica como se eles mesmos os estivessem praticando. Assim se forma um vínculo infernal de prazeres impuros, num círculo vicioso em que um alimenta os outros.  Toda vaidade, inveja, soberba, rancore sentimentos assim que a pessoa conserva na sua vontade são como alimentos imundos que ela guarda na despensa de sua mente. E os maus espíritos, atraídos por essas afeições más, as estimulam e trazem à memória da pessoa, ou para a pessoa praticá-las com o corpo ou para se deleitar com elas nas fantasias da mente. Qualquer que seja a forma, os maus espíritos se deleitam juntamente com a pessoa. Quando a pessoa dá vazão às afeições más e impróprias é como ela estivessepreparando e pondo à mesa alimentosimundos que esses espectros do inferno compartilharão com ela. O prazer na prática do mal faz que haja uma identificação cada vez maior entra a pessoas e esses seres demoníacos que se nutrem daquele prazer.Podemos crer ou não, mas o fato é que, em toda ação má, praticada com afeição, no corpo ou apenas no pensamento, como fantasia, a pessoa nunca está sozinha, porque tem a companhia de seres infernais que estão nessa afeição com ela.

Muito ao contrário, os bons espíritos, ou anjos, inspiram e estimulam na pessoa as afeições boas guardadas no coração e na memória (as relíquias de que falamos no primeiro dia). E os anjos compartilham do prazer celeste que a pessoa sente em todas as afeições boas, como a compaixão, a misericórdia, a empatia, a mansidão, a benevolência, porque essas afeições são oriundas do amor ao próximo e a Deus, e são overdadeiro e salvífico alimento para a alma. São elas que o Senhor cria no homem que está sendo regenerado, no sexto dia, e são representadas pelos vários gêneros e espécies de animais citados no texto. É dito que a terra as produz, porque a aparência é que o homem é que está fazendo isso tudo, como vimos há pouco.

“Nos Profetas, e constantemente na Palavra do Antigo Testamento, semelhantes coisas são representadas pelos gêneros de animais. As bestas são de duplo gênero: há as más, porque são nocivas, e há as boas, porque são mansas. As coisas más que estão no homem foram significadas pelas bestas más, como os “ursos, lobos e cães”; as coisas que são boas e agradáveis o foram pelas bestas mansas e também pelos “bezerros, ovelhas e cordeiros”. Aqui, como se trata daqueles que devem ser regenerados, as bestas são boas e mansas e significam as afeições. As coisas que são inferiores e tiram mais do corpóreo são chamadas “feras dessa terra” e são as cobiças e volúpias.” (AC 45).

E uma vez que nesse estado avançado da regeneração as afeições do homem foram subordinadas ao amor ao Senhor e o amor ao próximo, por isso se diz em Oséias: “Farei por eles uma aliança, naquele dia, com a fera do campo, e com a ave dos céus, e com o réptil da terra” (2:18). “Glorificai JEHOVAH todos os Seus anjos, glorificai-O da terra, ó baleias, árvore frutífera, fera e toda besta, o réptil e a ave de asa” (Sal. 148:2-4, 7-9, 10);“aqui, exatamente as mesmas coisas são nomeadas, como as “baleias, a árvore frutífera, a fera, a besta, o réptil e a ave”. Nunca se poderia dizer a elas que “glorificassem JEHOVAH” a menos que por elas fossem significadas coisas no homem. (AC 46).

Antes de concluir esta parte do Gênesis, é preciso fazer um adendo muito importante. Nessas etapas da nova criação do homem, não é possível saber em que estado estamos, se no primeiro, segundo ou sexto. Não podemos olhar para nossa vida e dizer o quanto estamos regenerados ou se atingimos este ou aquele estado. O Senhor falou com o fariseu Nicodemos, sobre o novo nascimento, dizendo: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (João 3:8), significando que ao homem não é concedido conhecer o status de seu novo nascimento, e isto por vários motivos: primeiro, porque a regeneração, uma vez iniciada no mundo, prosseguirá eternamente. Os anjos são eternamente aperfeiçoados e nunca se pode dizer que são perfeitos. Segundo, para que a pessoa não esmorecesse e deixasse de combater por sua transformação espiritual, se soubesse o quanto tem ainda para aprender e para mudar. Os anjos mais altos são justamente os que conhecem melhor o quanto o ser humano é imperfeito. E, terceiro, para que o homem, achando que está regenerado, não se ensoberbeça por causa de sua pretensa santidade e bondade e assim caia no mal do orgulho.

Por issotudo , não podemos nos avaliar e pensar que estamos regenerados, nem considerar que os outros já estejam ou não estejam. E essa ignorância isto é saudável e necessária. Nesse caminho, não podemos nos comparar com os outros, colocando-nos à frente ou atrás dos outros, tampouco devemos achar que temos ou menor grau de fé e caridade do que outros. Quem achar que já está regenerado ainda não entendeu o que é a regeneração, e talvez ainda esteja na escuridão de antes do primeiro dia. Mesmo o apóstolo Paulo, depois de pregar e sofrer pelo Evangelho, disse, a respeito de seu estado espiritual: “Não que já tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.  Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fil. 2:12-14.

Como sabemos, então, se estamos sendo regenerados? Confiamos no Senhor que sim. Esperamos que sim. Mas, o quanto já fomos, e em que grau, isso não nos convém saber. Basta lidarmos com as questões espirituais quando elas se nos forem apresentando. Basta a cada dia o seu mal.

Na continuação, veremos então o que é significado pelos versículos seguintes:“E disse DEUS: Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança. E dominarão sobre os peixes do mar, e sobre a ave dos céus, e sobre a besta, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra. E criou DEUS o homem à sua imagem, à imagem de DEUS o criou; macho e fêmea os criou”.


 

Arcanos Celestes, 44-48

 

44.      Vers. 24 e 25: “E disse Deus: Produza a terra alma vivente segundo a sua espécie; a besta e o que se move, e a fera desta terra segundo a sua espécie. E, assim, foi feito. E fez Deus a fera da terra segundo a sua espécie, e a besta segundo a sua espécie, e tudo o que rasteja no humo segundo a sua espécie. E viu Deus que [era] bom”. O homem, como a “terra”, nada pode produzir de bem se antes não forem semeadas nele as cognições da fé pelas quais saiba o que deve crer e fazer. Pertence ao entendimento o ouvir a Palavra e à vontade o praticá‑la. Ouvir a Palavra e não praticá‑la é dizer que se crê e, todavia não viver de acordo [com a crença]. Tal indivíduo separa essas duas coisas e divide a mente, e é chamado “insensato” pelo Senhor:

“Todo aquele que ouve as Minhas palavras e as pratica, comparo‑o ao varão prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; mas todo aquele que ouve as Minhas palavras e não as pratica, comparo‑o ao varão insensato que edificou a sua casa sobre a areia” (Mt. 7:24, 26).

Como se mostrou, as coisas que pertencem ao entendimento foram significadas pelos “répteis, que as águas fizeram rastejar, e pela ave sobre a terra e sobre as faces da expansão”. As que pertencem à vontade são significadas aqui pela “alma vivente que a terra produz”, pela “besta e o que rasteja” e, depois, pela “fera desta terra”.

45.      Os que viveram nos tempos antiquíssimos assim designaram as coisas que pertencem ao entendimento e as que pertencem à vontade. Daí é que nos Profetas, e constantemente na Palavra do Antigo Testamento, semelhantes coisas são representadas pelos gêneros de animais. As bestas são de duplo gênero: há as más, porque são nocivas, e há as boas, porque são mansas. As coisas más que estão no homem foram significadas pelas bestas más, como os “ursos, lobos e cães”; as coisas que são boas e agradáveis o foram pelas bestas mansas e também pelos “bezerros, ovelhas e cordeiros”. Aqui, como se trata daqueles que devem ser regenerados, as bestas são boas e mansas e significam as afeições. As coisas que são inferiores e tiram mais do corpóreo são chamadas “feras dessa terra” e são as cobiças e volúpias.

46.      As “bestas” significam as afeições no homem — as más nos maus e as boas nos bons— o que se pode ver por muitas passagens na Palavra, como em Ezequiel:

“Eis, Eu estou convosco, e Me voltarei para vós para serdes lavrados e semeados; e multiplicarei sobre vós o homem e a besta, e serão multiplicados e frutificarão; e vos farei habitar segundo as vossas antiguidades” (36:9‑11);

onde se trata da regeneração. Em Joel:

“Não temais, bestas do Meu campo, porque ervosas se tornam as moradas do deserto” (2:22).

Em David:

“Eu, tolo... como besta fui perante Deus” (Sal. 73:22).

Em Jeremias:

“Eis, dias virão, e semearei a casa de Israel e a casa de Jehudah com semente de homem e semente de besta... e velarei sobre eles para edificar e plantar” (31:27, 28);

aí se trata da regeneração. [2] Que a “fera” signifique coisas semelhantes, vê‑se em Oséias:

“Farei por eles uma aliança, naquele dia, com a fera do campo, e com a ave dos céus, e com o réptil da terra” (2:18);

emJó:

“Da parte da fera da terra nada temerás, pois com as pedras do campo [é] a tua aliança, e a fera do campo te será pacífica” (5:22, 23);

emEzequiel:

“Firmarei convosco uma aliança de paz e farei cessar da terra a fera má, para que habitem no deserto confiantemente” (34: 25);

em Isaías:

“A fera do campo Me honrará, porque dei águas no deserto” (43:20);

emEzequiel:

“Em seus ramos fizeram ninho todas as aves dos céus, e sob os seus ramos geraram todas as feras do campo, e em sua sombra habitaram todas as grandes nações” (31:6),

tratando‑se, assim, da Assíria, pela qual é significado o homem espiritual, que é comparado ao Jardim do Éden. Em David:

“Glorificai Jehovah todos os Seus anjos, glorificai‑O da terra, ó baleias, árvore frutífera, fera e toda besta, o réptil e a ave de asa” (Sal. 148:2-4, 7-9, 10);

aqui, exatamente as mesmas coisas são nomeadas, como as “baleias, a árvore frutífera, a fera, a besta, o réptil e a ave”. Nunca se poderia dizer a elas que “glorificassem Jehovah” a menos que por elas fossem significadas coisas no homem. [3] Nos Profetas se distingue muito bem entre “bestas” e “feras da terra” e entre “bestas” e “feras do campo”. De tal modo os bens são chamados “bestas” que aqueles que no céu estão mais perto do Senhor são chamados “animais”, tanto em Ezequiel como em João:

“Todos os anjos estavam ao redor do trono, e os anciões, e os quatro animais; e caíram perante o trono sobre as suas faces, e adoraram o Cordeiro” (Apoc. 7:2; 19:4).

São chamadas, também, “criaturas” às quais o Evangelho deve ser pregado, porque devem ser criadas de novo:

“Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15).

47.      Estas palavras contêm arcanos da regeneração; isto se pode ver também pelo que foi dito no versículo anterior, que “a terra produzisse a alma vivente, a besta e a fera da terra”, e no versículo seguinte, em outra ordem, que “Deus fez a fera da terra e depois a besta”. Com efeito, primeiro o homem produz como por si próprio, e também depois, até se tornar celeste. E, como a regeneração começa do homem externo e progride para o interno, por isso aqui há outra ordem e os externos precedem.

48.      Por aí se pode ver agora o que é o quinto estado, em que o homem fala pela fé que é do entendimento e daí se confirma no vero e no bem; as coisas que ele então produz são animadas e se chamam “peixes do mar” e “aves dos céus”. E o que é o sexto estado, quando fala os veros e faz os bens pela fé que é do entendimento e daí pelo amor que é da vontade; as coisas que ele então produz se chamam “alma vivente e besta”. E, como agora começa a agir pela fé ao mesmo tempo em que pelo entendimento, e também a agir pelo amor, torna‑se homem espiritual, que é chamado “imagem”, de que agora se tratará.


 

O primeiro capítulo de Gênesis, no sentido espiritual

1º dia
Criação da luz;

separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;

separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,

aparece o seco; terra e mares;

a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e age por si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;

as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;

a fera, a besta

o homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 

 

O Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele. E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 

 

O Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 



 

O TerceiroDia
E disse DEUS: Faça germinar a terra a erva tenra,
Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do SENHOR as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o SENHOR faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”
a erva dando semente,
”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”;
a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie,
enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”
no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom.”
A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do SENHOR. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do SENHOR, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas.
 


 

O QuartoDia
E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para separação entre o dia e entre a noite.

 
O amor e a fé são chamados, a princípio, os “luminares grandes”; depois, o amor o “luminar grande” e a fé o “luminar menor”;
E serão para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez DEUS dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas.

E pô-los DEUS na expansão dos céus para darem luz sobre a terra”.

 
É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Estas palavras contêm mais arcanos do que podem ser ditos no momento, ainda que nenhum apareça no sentido da letra. Por ora, basta dizer que, em relação às coisas espirituais e celestes, há, no universal e nos singulares, sucessões que são comparadas às sucessões nos dias e anos. As sucessões nos dias são: da manhã ao meio‑dia, daí à tarde e, pela noite, à manhã. As dos anos são semelhantes: da primavera ao verão, daí ao outono e, pelo inverno, à primavera. São as alternações de calor e luz, e também as das frutificações da terra. Com essas alternações se comparam as das coisas espirituais e celestes. A vida sem tais alternações e diversidades seria uniforme e, por conseguinte, nula. E não seria possível discernir, distinguir e ainda menos perceber o bem e o vero. Essas alternações são chamadas “estatutos” na Palavra
“E para dominar no dia, e na noite, e para separar entre a luz e entre as trevas; e viu DEUS que era bom”.

 
Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso.
 

 

 

 

O Quinto dia

“E disse DEUS: Façam as águas produzir abundantemente o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus”.
Pelos “répteis” que as águas produzem são significados os conhecimentos que pertencem ao homem externo. Pelas “aves” em geral, as coisas racionais e também as intelectuais, estas últimas pertencendo ao homem interno.
“E criou DEUS as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom”.
Como foi dito, os “peixes” significam os conhecimentos, agora animados pela fé que vem do SENHOR e, assim, vivos. As “baleias” significam as coisas gerais dos conhecimentos, sob os quais e pelos quais existem os particulares. Nada há no universo que não esteja sob algum geral a fim de que exista e subsista. Os cetáceos ou baleias são algumas vezes nomeados nos Profetas e ali significam as coisas gerais dos conhecimentos.
E os abençoou DEUS, dizendo: Frutificai e multiplicai vos, e enchei as águas nos mares; e a ave será multiplicada na terra”.
Tudo o que tem em si a vida procedente do SENHOR frutifica e se multiplica imensamente, não tanto durante o tempo em que o homem vive no corpo, mas de um modo admirável na outra vida. “Frutificar”, na Palavra, se diz das coisas que são do amor, e “multiplicar” das que são da fé. O fruto, que é do amor, tem a semente pela qual se multiplica tanto. A bênção do SENHOR também significa, na Palavra, frutificação e multiplicação, porque estas procedem dela.
 


 

 

O Sexto dia

 

“E disse DEUS: Produza a terra alma vivente segundo a sua espécie; a besta e o que se move, e a fera desta terra segundo a sua espécie.

 
O homem, como a “terra”, nada pode produzir de bem se antes não forem semeadas nele as cognições da fé pelas quais saiba o que deve crer e fazer.
E, assim, foi feito. E fez DEUS a fera da terra segundo a sua espécie, e a besta segundo a sua espécie, e tudo o que rasteja no humo segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom”.
Como se mostrou, as coisas que pertencem ao entendimento foram significadas pelos “répteis, que as águas fizeram rastejar, e pela ave sobre a terra e sobre as faces da expansão”. As que pertencem à vontade são significadas aqui pela “alma vivente que a terra produz”, pela “besta e o que rasteja” e, depois, pela “fera desta terra”.

As “bestas” significam as afeições no homem — as más nos maus e as boas nos bons  — o que se pode ver por muitas passagens na Palavra
 

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6to Dia da Criação - Parte II [VÍDEO]
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Os Seis Dias da Criação
O Sexto Dia – segunda parte
 

C. R. Nobre

 

 

E disse DEUS: Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança. E dominarão sobre os peixes do mar, e sobre a ave dos céus, e sobre a besta, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra.

E criou DEUS o homem à sua imagem, à imagem de DEUS o criou; macho e fêmea os criou. E os abençoou DEUS;e  disse-lhes  DEUS: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e subjugai-a. E dominai sobre os peixes do mar e sobre a ave dos céus, e sobre todo [ser] vivo que rasteja sobre a terra. E disse DEUS: Eis, dou-vos toda erva dando semente, que [há] sobre as faces de toda a terra, e toda árvore em que [há] fruto. A árvore que produz semente vos serápara comida. E a toda fera da terra, e a toda ave dos céus, e a tudo o que rasteja sobre a terra, em que [há] alma vivente, todo verde da erva, para alimento. E foi feito assim. E viu DEUS tudo o que fez, e eis, muito bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia sexto.” -Gênesis 1:24-31

 

 

Vimos as etapas da regeneração do homem desde o começo, quando se acendeu para ele a luz fé, em seguida, quando fez distinção em sua mente entre seus conhecimentos e as verdades de Deus, e passou a ter noção de seu homem interno. Depois, quando começou a praticar as obras da fé por obediência e com lutas; em seguida, quando perseverou na obediência até serem implantados nele o amor e a fé. Depois disso é que os atos que ele praticouforam vivos, porque eram feitos por Deus através dele. Finalmente, as afeições boas foram insinuadas em sua mente, quando chegou ao sexto estado, conforme começamos a ver na semana passada.

Na continuação do sexto estado, lemos: “E disse DEUS: Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança.” Já mencionamos que o verbo no plural, aqui, “façamos”, tem ocasionadodiversas interpretações. Mas, conforme já vimos também, há duas razões para isso: a primeira é porque o sujeito, citado logo no primeiro versículo,éo plural de “Deus”, no hebraico, “Eloim”. Daí alguns deduziram que se está referindo aos“três deuses”, o Pai, o Filho e Espírito Santo. Mas a razão e o bom senso rejeita a ideia de três deuses, como absurda em si mesma. Então, a razão real do “façamos” está no sentido espiritual: é que o Senhor regenera o homem por intermédio dos anjos, que são chamados de “deuses” porque recebem as coisas de Deus. Os anjos participam desse trabalho Divino acompanhando, direcionando, protegendo e inspirando o homem em todo o processo.

O primeiro capítulo de Gênesis que acabamos de ver, entendido no sentido literal, fala da criação física do universo, o céu, a terra, os vegetais, o sol, a lua, os peixes, as aves, e os animais,até o sexto dia, e somente no fim do sexto dia é que fala da criação do ser humano, “façamos o homem”. Isto é o sentido literal. Mas, no sentido espiritual, o entendimento é outro: tudo o que é mencionado, desde o primeiro dia, se refere unicamente ao homem, pois todas aquelas coisas e seres citados até aqui fazem parte do espírito do humano. Sendo assim, quando chegamos aqui e lemos “façamos o homem”, devemos entender não que o processo de criação do homem vai se iniciar, mas que está se concluindo. Desde o começo até aqui o homem estava sendo gradativamente criado espiritualmente, e agora a regeneração se completa.Mas o homem não é mencionado antes disso porque ele só se torna de fato homem após receber do Divino a vida espirituale se tornar uma imagem de Deus, o Único e Verdadeiro Homem.

Lemos, então, que Deus criou o homem, “macho e fêmea”. Também aqui, os termos “macho e fêmea”, entendidos no sentido literal, dizem exatamente isso, que Deus criou o ser humano com um ou outro gênero, masculino ou feminino. Mas, no sentido espiritual, os arcanos encerrados nesses dois termos, “macho e fêmea” não se referem à característica física do indivíduo, mas à constituição do seu espírito, porque “macho” significa o entendimento do homem espiritual, e “fêmea” significa a vontade desse homem, e essas duas faculdades foram criadas para serem uma só mente. Então, o que se entende aqui é que, quando o processo de criação espiritual do ser humano se completa, no sexto dia, o Senhor finalmente forma neleuma nova vontade, ou “fêmea”, e um entendimento novo, ou “macho”. Todo o processo da criação das etapas anteriores culmina nisso, que o ser humano tenha essas duas faculdades refeitas por Deus de tal maneira que elas constituam harmonicamente uma só mente, ou um só ser humano, seja ele homem ou mulher. Quando atinge esse ponto, pelo novo nascimento, a vontade nova está pronta para receber o amor de Deus e o entendimento, para receber a sabedoria, em forma de caridade e fé, respectivamente. A caridade e a féfazem, por conseguinte, com que o homem se torne imagem de seu Criador.

E sobre esses dois aspectos da mente, os Arcanos Celestes nos falam que, quando a vontade e o entendimento agem em consonância mútua, como se dá no sexto estado,eles formam uma espécie de casamento, casamento esse que é também a imagem da união Divina no Senhor, entre o Divino Amor e a Divina Sabedoria. E mais, é por causa desse casamento Divino que todas as coisas criadas no universo se referem ao bem e à verdade.

Esse casamento no universo não é tão visívelà nossa observação natural, mas éplenamente manifesto em toda parte na Palavra, onde sempre encontramos essa dualidade ou pares de expressões que se casam, uma se referindo ao bem, outra à verdade.

Lemos na obra “Doutrina da Escritura Santa”: “Alguns vocábulos e nomes se atribuem ao bem, alguns ao vero e alguns incluem um e outro”....Como existe tal casamento em cada coisa da Palavra, por isso há, muitas vezes, expressões duplas que parecem ser repetições de uma mesma coisa. Não são, todavia, repetições, mas uma se refere ao bem e a outra ao vero, sendo que uma e outra tomadas juntamente fazem a conjunção dos dois, assim, uma só coisa.

“Vem daí, também, a Divindade da Palavra e a sua santidade, porque em toda obra do Senhor o bem é conjunto ao vero e o vero é conjunto ao bem”. Onde está o casamento do Senhor e da igreja, aí também está o casamento do bem e do vero, porque este vem daquele. Porque, quando a igreja ou o homem da igreja está nos veros, então o Senhor influi com o bem em seus veros e os vivifica. Ou, o que é a mesma coisa, quando a igreja ou o homem da igreja está na inteligência por meio dos veros, então o Senhor, pelo bem do amor e da caridade, influi em sua inteligência e, assim, introduz ali a vida....

“Em todo homem existem duas faculdades da vida, que se chamam entendimento e vontade.... Esses dois constituem um só, para que o homem seja homem da igreja. Mas fazem um quando o homem forma o entendimento com os veros genuínos, e isso se faz aparentemente como se por ele mesmo; e é feito pelo Senhor quando a sua vontade se enche do bem do amor. Assim há, no homem, a vida do bem e do vero, a vida do vero no entendimento proveniente da vontade, e a vida do bem na vontade por meio do entendimento. Este é o casamento do vero e do bem no homem, portanto, o casamento do Senhor e da igreja nele.” (80-83).

“E os abençoou Deus, e disse-lhes Deus: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e subjugai-a. E dominai sobre os peixes no mar, e sobre a ave dos céus, e sobre todo [ser] vivo que rasteja sobre a terra”“.

Uma vez que a conjunção do entendimento e da vontade renovados forma um casamento, por isso, o que resulta dessa união se chama frutificação e multiplicação. Frutificação em referência ao bem e multiplicação em referência à verdade. O bem frutifica e a verdade se multiplica. A capacidade dos frutos e das sementes de se multiplicarem ao infinito tem sua origem nessa união e prolificação Divinas do Amor e da Sabedoria. Lemos em outra obra que as sementes têm, potencialmente, a possibilidade de se multiplicar a tal ponto que todo o globo terrestre não bastaria para contê-las, por sua abundância, o que é uma imagem da infinidade Divina. Assim também acontece com os bens e verdades com os anjos; esses bens e verdades frutificam e se multiplicam na infinidade de usos que eles prestam nos céus, sem nunca se esgotarem, e com os usos eles têm regozijo e felicidade eternamente.

Desde os primeiros estudos, já vimos também que o homem natural ou externo foi significado pela “terra” na história da criação, e o homem interno foi representado pelo céu. O propósito da regeneração é que o homem interno ou espiritual domine ou controle o homem externo ou natural. Mas esse domínio só é alcançado por meio das lutas da tentação, quando as inclinações más e as maldades ativas do indivíduo, que são como feras nocivas,sãovencidas, afastadase os bens são implantados em seu lugar. Portanto, é esse combate do homem espiritual e sua dominação sobre o natural que é aqui representado pelo que foi dito: “subjugai a terra”, e “dominai”. Porque o homem regenerado finalmente adquire controle sobre as cobiças e paixões de sua mente natural, e as mantém em sujeição aos princípios elevados do amor a Deus e ao próximo.

“E disse DEUS: Eis, dou-vos toda erva dando semente, que [há] sobre as faces de toda a terra, e toda árvore em que [há] fruto”. A árvore que produz semente vos será para comida. A“erva dando semente” é todaverdade que se refere a um uso.

A “árvore na qual [há] fruto” é o bem da fé. O “fruto” é o que o Senhor dá ao homem celeste, mas a “semente”, da qual vem o fruto, é o que Ele dá ao homem espiritual. Por isso se diz: “a árvore que produz semente vos será para comida”. Que a comida celeste se chame “fruto da árvore” vê-se pelo capítulo seguinte, onde se trata do homem celeste.

“E a toda fera da terra, e a toda ave dos céus, e a tudo o que rasteja sobre a terra, em que [há] alma vivente, toda erva verde, para alimento. E assim foi feito”.

Aqui é descrito, em resumo, nutrimento do homem regenerado. Nós já vimos alguma coisa sobre isso quando tratamos aqui das afeições como alimentos espirituais, as boas, o alimento celeste, e as más, o alimento infernal. De acordo com a qualidade de afeição que cultivamos, de que nos nutrimentos espiritualmente, nosso espírito ou é vivificado ou definha e morre espiritualmente. E tanto os anjos como os maus espíritos se associam a nós conforme as nossas afeições, pois dependem dela como bases naturais, uma vez que o gênero humano no mundo natural é o sustentáculo do gênero humano no mundo espiritual.

Mas não vamos entrar mais nessas considerações por ora, porque há muito mais coisas a serem ditas do que podemos abordar no momento. As ideias que brotam dos ensinamentos da Palavra Divina, quando é vista no seu sentido interno, são essa multiplicação de verdades em abundância tão grande, que nossa mente natural não poderia abarcar, assim como a terra não poderia conter a multiplicação das sementes.E esse assunto, a nutrição espiritual, envolve tantas ideias e trazem tantos ensinamentos que poderíamos nos estender por muito tempo sobre isso sem nunca esgotarmosos pontos mais gerais. Portanto, basta que saibamos que durante todo o processo de regeneração do homem, o Senhor provê afeições celestes, o alimento adequado para sustento e renovação da vida espiritual. Porque também o corpo espiritual precisa do nutrimento saudável que é provido pelo Senhor, em substituição ao alimento contaminado e pecaminoso de que o homem natural se nutria antes e que o fazia adoecer e definhar. Em resumo, basta-nos saber que é esse alimento da alma humana que está descrito nessa parte final do capítulo.

“E viu Deus tudo o que fez, e eis, muito bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia sexto”.

“Aqui se diz “muito bom” e nos versículos anteriores somente “bom”, porque agora as coisas que são da fé fazem um com as coisas que são do amor”. Assim é feito o casamento entre as coisas espirituais e as celestes.São chamadas espirituais todas as coisas que são das cognições da fé, e celestes todas as que são do amor ao Senhor e para com o próximo; estas pertencem à vontade e aquelas ao entendimento do homem.

Durante todo esse tempo da regeneração o homem enfrentou percalços, barreiras e dificuldades. Parecia ao homem que ele combatia sozinho, quando lutava contra suas tendências naturais, contra a supremacia do egoísmo, a preponderância do orgulho, o desprezo pelos que não eram semelhantes a ele, a inveja e toda sorte de malicia do coração humano. Mas o homem não estava só nesse labor de transformação de sua vida, porque o Senhor combatia continuamente por ele, contra os males e falsos, e pelos combates confirmava o homem cada vez mais na verdade e no bem. Na verdade, o homem combatia só em aparência como se fosse por ele mesmo, mas sabia que era o Senhor que, de fato, estava combatendo por ele.

Nesse tempo de regeneração, que é um trabalho espiritual do Senhor no indivíduo, o Senhor operou em todas as circunstâncias, a cada segundo, sem parar, a favor do homem, e “por isso o regenerado é chamado, nos Profetas, “obra dos dedos de Deus”; “Ele não descansa antes de o amor tornar-se o principal; então cessa o combate.”

 

“E viu DEUS tudo o que fez, e eis, muito bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia sexto.”

“Quando a obra chega ao ponto de a fé ser conjunta ao amor, então se chama “muito bom”, porque então o Senhor o conduz como “semelhança” Sua. No fim do sexto dia cessa a obra da nova criação do homem espiritual. Cessa nele o combate entre o bem e o mal.

Depois dos seis dias de labor, é dito que o Senhor descansa, porque Ele não necessita mais combater pelo homem que se tornou regenerado até esse grau. É quando o homem se torna celeste e é chamado “sábado”,ou sétimo dia.

 

O objetivo de nosso estudo foi o ver como os Arcanos Celestes nos explicam o primeiro capítulo do livro de Gênesis no sentido espiritual, e o primeiro capítulo termina no sexto dia. O sétimo dia é mencionado no segundo capítulo, que trata, no sentido interno, do homem celeste. É assunto para outro estudo.

 

Concluindo, então, nossa série, queremos citar o que dizem os Arcanos Celestes (13), sobre o sexto dia: “Dos que estão sendo regenerados, nem todos chegam a este estado, mas alguns, e hoje a maioria, chegam somente ao primeiro; alguns apenas ao segundo; alguns ao terceiro, quarto, quinto; raramente ao sexto e quase ninguém ao sétimo.”

 

Arcanos Celestes, 49-66:

 

49.      Vers. 26: “E disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança. E dominarão sobre os peixes do mar, e sobre a ave dos céus, e sobre a besta, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra”. Na Igreja Antiquíssima, com cujos membros o Senhor falava face a face, Ele lhes aparecia como Homem. Muitas coisas podem ser referidas sobre isto, mas ainda não é o momento. Daí, a ninguém chamavam “homem” exceto a Ele e às coisas que a Ele pertencessem. Nem a si próprios chamavam “homem”, mas somente às coisas que percebiam ter tido pelo Senhor, como todo bem do amor e todo vero da fé, coisas estas que diziam ser “do homem” por serem do Senhor. [2] Daí é que, nos Profetas, pelo “Homem“ e pelo “Filho do Homem” se entende, no sentido supremo, o Senhor, e no sentido interno a sabedoria e a inteligência, e daí todo aquele que é regenerado, como em Jeremias:

“Vi a terra, e eis, vácua e vazia; e os céus, e, eis, não havia a sua luz... vi, e eis, nenhum homem; e todas as aves dos céus fugiram” (4:23, 25).

Em Isaías, onde pelo “homem”, no sentido interno, se entende o regenerado, e, no sentido supremo, o Senhor mesmo, como Um só:

“Assim disse Jehovah, o Santo de Israel e Formador seu: Eu fiz a terra, e o homem sobre ela Eu criei; Minhas mãos estenderam os céus, e todo o exército deles comandei” (45:11, 12).

[3]       Por isso um Homem era visto pelos profetas, como Ezequiel:

“... Acima da expansão como que em aparência de pedra safira, [havia] uma semelhança de trono, e acima da semelhança de trono, uma semelhança como a aparência de homem, acima, no alto” (1:26).

E ao ser visto por Daniel foi chamado “Filho do Homem” ou “Homem”, o que é o mesmo:

“Vi, e eis, com as nuvens do céu, como um Filho do Homem que vinha, e chegou até o Ancião de dias; e fizeram‑No aproximar‑Se até Ele, e foi‑Lhe dado o domínio, e a glória, e o reino. E todos os povos, e nações e línguas O servirão. O Seu domínio [será] um domínio eterno, que não passará, e o Seu reino, [um reino] que não perecerá” (Dan. 7:13, 14).

[4] O Senhor também muitas vezes Se chama “Filho do Homem” ou “Homem”; e, como em Daniel, predisse Seu advento em glória:

“Verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e glória” (Mt. 24:30);

as “nuvens do céu” são o sentido literal da Palavra; “poder e glória”, o sentido interno da Palavra, o qual se refere unicamente ao Senhor e ao Seu reino, em todas e cada uma das coisas, sentido do qual vêm poder e glória.

50.      As coisas que as pessoas da Igreja Antiquíssima entenderam por “imagem de Deus“ são tantas que não podem ser descritas. O homem ignora inteiramente que ele é dirigido pelo Senhor por meio de anjos e espíritos, e que, com todo homem, há pelo menos dois espíritos e dois anjos. Pelos espíritos, faz‑se a comunicação do homem com o mundo dos espíritos, e, pelos anjos, com o céu. Sem a comunicação do homem com o mundo dos espíritos pelos espíritos e com o céu pelos anjos, ele não poderia de maneira alguma viver. A sua vida depende inteiramente desta conjunção; pereceria num instante se os espíritos e anjos se retirassem. [2] Enquanto não é regenerado, o homem é dirigido de modo diferente do que quando é regenerado. Quando não é regenerado, há nele espíritos maus que dominam sobre ele de tal modo que os anjos, ainda que presentes, quase nada podem fazer senão apenas conduzi‑lo, para que não se precipite num mal extremo, e dirigi‑lo para algum bem; e isto eles fazem mesmo pelas próprias cobiças dele, para dirigi‑lo ao bem, e pelos enganos dos sentidos, para dirigi‑lo ao vero. Então ele tem comunicação com o mundo dos espíritos pelos espíritos que nele estão, mas não tanto com o céu, porque os espíritos maus dominam e os anjos somente o desviam. [3] Quando, porém, é regenerado, os anjos então dominam e lhe inspiram todas as coisas boas e verdadeiras, bem como o horror e temor pelos males e falsidades. É verdade que os anjos conduzem, mas somente administram, pois só o Senhor é Quem dirige o homem por meio dos anjos e espíritos. E, visto que isto se faz pelo ministério dos anjos, aqui se diz primeiro no plural: “façamos o homem à Nossa imagem”. Mas porque é sempre o Senhor quem dirige e ordena, no versículo subsequente se diz no singular: “criou‑o Deus à Sua imagem”. É o que o Senhor diz claramente também em Isaías:

“Assim disse Jehovah, Redentor teu e Formador teu desde o útero: Eu, Jehovah, faço todas as coisas, estendo os céus só, expando a terra por Mim mesmo” (44:24).

Os próprios anjos confessam que nenhum poder há neles, mas que agem só pelo Senhor.

51.      No que se refere à “imagem“, ela não é semelhança, mas “segundo a semelhança”, pelo que é dito: “façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança”. O homem espiritual é “imagem”, mas o homem celeste é “semelhança“ ou efígie. Neste capítulo se trata do homem espiritual e no seguinte do celeste. O homem espiritual, que é a imagem, é chamado pelo Senhor de “filho da luz”, como em João:

“Quem anda nas trevas não sabe para onde vai; enquanto tendes luz, crede na luz, para que filhos da luz sejais” (12:35, 36).

Também é chamado “amigo”:

“Vós sois Meus amigos se fizerdes tudo o que Eu vos mando” (Jo. 15:14, 15).

Mas o homem celeste, que é a “semelhança”, é chamado “filho de Deus” em João (1:12, 13):

“A todos os que receberam, deu‑lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem em Seu nome, que nasceram não dos sangues [sanguinibus], nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”.

52.      Enquanto o homem é espiritual, o seu domínio procede do homem externo para o interno, assim como se diz aqui: “dominarão sobre os peixes do mar, e sobre a ave dos céus, e sobre a besta, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra”. Quando, porém, se torna celeste e age pelo bem do amor, então o domínio procede do homem interno para o externo, como o Senhor descreve a Si mesmo e assim, ao mesmo tempo, descreve o homem celeste que é a Sua semelhança, em David:

“Fizeste‑O dominar sobre as obras de Tuas mãos, todas as coisas puseste sob os Seus pés, o rebanho e toda a manada, e também as bestas dos campos, e a ave dos céus, e os peixes do mar, o que passa pelas veredas dos mares” (Sal. 8:6‑8).

Por isso, aqui se diz, primeiro, “bestas”, em seguida “aves”, depois “peixes do mar”, porque o homem celeste procede do amor que é da vontade. É diferente, porém, com o homem espiritual, em quem precedem os “peixes” e as “aves”, que pertencem ao entendimento que é da fé, e em seguida vêm as “bestas”.

53.      Vers. 27: “E criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou”. Aqui se diz duas vezes “imagem”; isto é porque a fé, que é do entendimento, é chamada “Sua imagem”, porém o amor, que é da vontade, é chamado “imagem de Deus”, que no homem espiritual vem depois, mas no homem celeste vem antes.

54.      “Macho e fêmea os criou”. O que se entende por “macho e fêmea” no sentido interno foi coisa bem conhecida pela Igreja Antiquíssima. Todavia, foi o contrário com os seus descendentes, quando pereceu o sentido interior da Palavra e também este arcano. Os casamentos eram as suas maiores felicidades e delícias, e comparavam aos casamentos todas as coisas que a eles podiam ser comparadas, para daí perceberem a felicidade do casamento. E, como eram homens internos, deleitavam‑se somente nos internos; viam as coisas externas somente com os olhos, mas pensavam sobre as coisas que elas representavam, a fim de que as coisas externas nada fossem, mas apenas algo pelo qual pudessem refletir sobre as internas, das internas sobre as celestes e, assim, sobre o Senhor, que era tudo para eles, e, por consequência, sobre o casamento celeste, do qual percebiam vir a felicidade dos seus casamentos. Por isso chamavam “macho” o entendimento no homem espiritual, e “fêmea” a vontade; e quando estas duas faculdades agiam como uma diziam haver o casamento. Dessa Igreja veio a forma que se tornou habitual de chamar a Igreja mesma, por causa da afeição do bem, de “filha” e “virgem”, como “virgem de Sião”, “virgem de Jerusalém” e também “esposa”. Mas, sobre este assunto, vide o capítulo seguinte, versículo 23, e o capítulo 3, versículo 15.

55.      Vers. 28: “E os abençoou Deus, e disse‑lhes Deus: Frutificai e multiplicai‑vos, e enchei a terra, e subjugai‑a. E dominai sobre os peixes no mar, e sobre a ave dos céus, e sobre todo [ser] vivo que rasteja sobre a terra”. Como os antiquíssimos chamavam a conjunção do entendimento e da vontade, ou da fé e do amor, “casamento”, tudo o que este casamento produzia de bem eles chamavam “frutificações”, e tudo o que produzia de vero, “multiplicações”. Daí, ocorre de modo semelhante nos Profetas, como em Ezequiel:

“Multiplicarei sobre vós o homem e a besta, e eles se multiplicarão e frutificarão, e vos farei habitar conforme as antiguidades vossas, e vos farei mais bem do que em vossos princípios, e conhecereis que Eu [sou] Jehovah; e farei andar sobre vós o homem, povo Meu, Israel” (36:8‑11);

por “homem” entende‑se aqui o homem espiritual, que é também chamado “Israel”; pelas “antiguidades” entende‑se a Igreja Antiquíssima; pelos “princípios”, a Igreja Antiga de após o dilúvio; o fato de vir antes a “multiplicação”, que é do vero, e depois seguir a “frutificação”, que é do bem, é porque se trata daquele que deve ser regenerado, não do que já foi regenerado. [2] Quando o entendimento é unido à vontade, ou a fé ao amor, o homem é chamado pelo Senhor de “terra casada”, como em Isaías:

“Não se dirá mais à tua terra: Devastada; mas tu serás chamado: Meu beneplácito nela, e a tua terra: Casada, porque Jehovah se agradará de ti, e tua terra será casada” (62:4).

Por conseguinte, os frutos que pertencem ao vero são chamados “filhos”, e os frutos que pertencem ao bem são chamados “filhas”, e isto muito freqüentemente na Palavra. [3]     A terra está “cheia” quando há muitos veros e bens. Com efeito, quando o Senhor abençoa e diz, isto é, quando Ele opera, o bem e o vero crescem imensamente, como Ele diz:

“O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, tendo tomado, semeou em seu campo; ele é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas quando cresce é a maior de todas as hortaliças e se torna árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham em seus ramos” (Mt. 13:31, 32).

O “grão de mostarda” é o bem do homem antes de ser espiritual, que é “a menor de todas as sementes” porque o homem pensa que faz o bem por si mesmo. O que ele faz por si mesmo nada é senão o mal; mas, como está em estado de regeneração, há algum bem, mas é o menor de todos. Quando, enfim, a fé se conjunge ao amor, torna‑se maior, e “hortaliça”. Finalmente, quando é conjunta, torna‑se “árvore” e, então, “as aves dos céus”, que, aqui também, são os veros ou as coisas do entendimento, “aninham‑se” em “seus ramos”, que são os conhecimentos. Quando o homem é espiritual, do mesmo modo que quando se torna espiritual, ele está em combate, e por isso se diz “subjugai a terra”, e “dominai”.

56.      Vers. 29: “E disse Deus: Eis, dou‑vos toda erva dando semente, que está sobre as faces de toda a terra, e toda árvore na qual [há] fruto; a árvore que produz semente vos será para comida”. O homem celeste se deleita unicamente com as coisas celestes que, como convêm à sua vida, são chamadas “comidas celestes”. O homem espiritual se deleita com as coisas espirituais que, como convêm à sua vida, são chamadas “comidas espirituais”. O homem natural, semelhantemente, se deleita com as coisas naturais que, como são de sua vida, são chamadas “comidas” e são, em primeiro lugar, os conhecimentos. Aqui, como se trata do homem espiritual, suas comidas espirituais são descritas por representativos: as espirituais pela “erva dando semente” e pela “árvore na qual [há] fruto”, que, em geral, se chama “árvore que produz semente”. As suas comidas naturais são descritas no versículo seguinte.

57.      A “erva dando semente” é todo vero que se refere a um uso. A “árvore na qual [há] fruto” é o bem da fé. O “fruto” é o que o Senhor dá ao homem celeste, mas a “semente”, da qual vem o fruto, é o que Ele dá ao homem espiritual. Por isso se diz: “a árvore que produz semente vos será para comida”. Que a comida celeste se chame “fruto da árvore” vê-se pelo capítulo seguinte, onde se trata do homem celeste. Aqui se relatará somente o que o Senhor falou por meio de Ezequiel:

“Junto ao rio eleva‑se, sobre a sua margem, aquém e além, toda árvore de comida; a sua folha não cairá e não será consumido o seu fruto; em seus meses renasce, porque as suas águas saem do santuário; e seu fruto será para comida, e sua folha para remédio” (47:12).

As “águas que saem do santuário” significam a vida e a misericórdia do Senhor, que é o “Santuário”; o “fruto”, a sabedoria, que lhes serve de comida; a “folha” é a inteligência, que para eles existe por causa do uso e é chamada “remédio”. Que, porém, a comida espiritual seja chamada “erva”, é dito por David:

“... Meu Pastor, nada me faltará; em pastos de erva [Tu] me fazes deitar” (Sal. 23:1, 2).

58.      Vers. 30: “E a toda fera da terra, e a toda ave dos céus, e a tudo o que rasteja sobre a terra, em que [há] alma vivente, [dou] todo verde da erva, para alimento. E, assim, foi feito”. Aqui é descrita a comida natural deste mesmo homem. O seu natural é aqui significado pela “fera da terra” e pela “ave dos céus” aos quais foram dados a hortaliça e o verde da erva para alimento. De uma e de outra comida, tanto da natural como da espiritual, assim se diz em David:

“Jehovah faz germinar a grama para a besta e a erva para o serviço do homem, para fazer sair pão da terra” (Sal. 104: 14),

onde a “besta” está em lugar da fera da terra e da ave dos céus ao mesmo tempo, sendo ambas nomeadas ali nos vers. 11 e 12.

59.      Que somente o verde da erva e a hortaliça sejam aqui o alimento do homem natural, o caso é este: quando o homem está sendo regenerado e se torna espiritual, está continuamente em combate; por isso a Igreja do Senhor é chamada “combatente”. Pois antes as cobiças dominavam, porque o homem todo se compõe de meras cobiças e das falsidades daí provenientes. Quando está sendo regenerado, suas cobiças e falsidades não podem ser abolidas num só instante, pois isto seria destruir todo o homem, porquanto não adquiriu outra vida para si. Por isso é que os espíritos maus permanecem muito tempo com ele, para que excitem suas cobiças e, assim, elas sejam dissipadas por meios inumeráveis e, mesmo, para que possam ser conduzidas pelo Senhor para o bem e, assim, o homem possa ser reformado. No tempo do combate, os maus espíritos, que têm o maior ódio por tudo o que é bom e verdadeiro, isto é, tudo o que pertence ao amor e à fé no Senhor, que são unicamente os bens e veros porque estes têm em si a vida eterna, nenhum outro alimento deixam ao homem senão o que é comparado à hortaliça e ao verde da erva. Mas o Senhor lhe dá também a comida que é comparada à erva dando semente e à árvore na qual há fruto, as quais pertencem à tranquilidade e à paz com suas alegrias e felicidades, e isto por intervalos. [2] Se o Senhor não protegesse o homem a todo momento, mesmo o menor de todos, ele pereceria imediatamente, pois reina no mundo dos espíritos um ódio tão destruidor contra as coisas que são do amor e da fé no Senhor, que é impossível descrevê‑lo. Posso asseverar com certeza que a coisa é assim, porque já há alguns anos tenho estado na outra vida com os espíritos, ainda que estivesse também no corpo, e fui cercado pelos maus, até pelos piores, e, algumas vezes, por milhares, aos quais foi permitido derramar os seus venenos e me infestar de todos os modos que pudessem. Contudo, não puderam fazer mal a um fio de cabelo sequer, tão protegido que fui pelo Senhor. Por tantos anos de experiência, fui instruído muito bem sobre o mundo dos espíritos, sua natureza e, também, sobre os combates que aqueles que estão sendo regenerados não podem deixar de suster para que alcancem a felicidade da vida eterna. Mas, como ninguém pode ser instruído por essa descrição geral de modo que tenha uma fé isenta de dúvida, os particulares sobre esses assuntos serão relatados na sequência, pela Divina misericórdia do Senhor.

60.      Vers. 31: “E viu Deus tudo o que fez, e eis, muito bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia sexto”. Aqui se diz “muito bom” e nos versículos anteriores somente “bom”, porque agora as coisas que são da fé fazem um com as coisas que são do amor. Assim é feito o casamento entre as coisas espirituais e as celestes.

61.      São chamadas espirituais todas as coisas que são das cognições da fé, e celestes todas as que são do amor ao Senhor e para com o próximo; estas pertencem à vontade e aquelas ao entendimento do homem.

62.      Os tempos e os estados da regeneração do homem, em geral e em particular, se dividem em seis e se chamam os dias de sua criação, pois, gradualmente, de não‑homem que era, ele se torna a princípio alguma coisa, mas pouca; depois, mais, até o sexto dia, em que se torna “imagem”.

63.      Durante esse tempo o Senhor combate continuamente por ele contra os males e falsos, e pelos combates o confirma no vero e no bem. O tempo do combate é o tempo da operação do Senhor; por isso o regenerado é chamado, nos Profetas, “obra dos dedos de Deus”; Ele não descansa antes de o amor tornar‑se o principal; então cessa o combate. Quando a obra chega a ponto de a fé ser conjunta ao amor, é chamada “muito boa”, porque, então, o Senhor o conduz como “semelhança” Sua. No fim do sexto dia, os maus espíritos se afastam e são substituídos pelos bons, e o homem é introduzido no Céu ou Paraíso celeste, do qual se tratará no capítulo seguinte.

64.      Eis aqui, então, o sentido interno da Palavra, a sua vida mesma, que não se manifesta jamais pelo sentido da letra. Mas os arcanos são em tão grande número que volumes não bastariam para explicá‑los. Aqui foram ditas somente umas pouquíssimas coisas, tais que possam confirmar que se trata da regeneração e esta procede do homem externo para o interno. Assim os anjos percebem a Palavra. Eles nada absolutamente sabem o que é da letra, nem mesmo um único vocábulo que tenha significado mais próximo, ainda menos os nomes das terras, das cidades, dos rios, das pessoas, que ocorrem tantas vezes nos livros históricos e proféticos. Têm somente a ideia das coisas significadas pelos vocábulos e pelos nomes; por “Adam” no Paraíso percebem a Igreja Antiquíssima, não, porém a Igreja, mas a fé da Igreja Antiquíssima no Senhor; por “Noach” [Noé], a Igreja remanescente com os descendentes até os tempos de Abraham; por “Abraham”, não aquele que viveu, mas a fé salvífica que ele representou; e, assim, por diante. Desse modo, eles percebem as coisas espirituais e celestes inteiramente separadas dos vocábulos e dos nomes.

65.      Quando eu lia a Palavra, alguns espíritos foram elevados à primeira entrada do Céu e dali falaram comigo. Diziam que não entendiam a mínima coisa de uma palavra ou de uma letra ali, mas somente as coisas que elas significavam no sentido interior mais próximo, as quais eles diziam ser tão belas, estar numa sequência tão organizada e os tocar tanto que as chamavam “glória”.

66.      Quanto ao gênero, há quatro estilos na Palavra: o primeiro, o que foi da Igreja Antiquíssima. O modo de eles se expressarem era tal que, quando nomeavam coisas terrestres e mundanas, pensavam sobre as coisas espirituais e celestes que elas representavam. Por isso, não só se exprimiam por meio de representativos, mas também os compunham em uma espécie de série histórica, por assim dizer, para lhes dar mais vida, o que lhes era muito deleitável. É esse estilo que foi entendido quando Ana profetizou, dizendo:

“Falai o que é alto, alto; saia o que é antigo de vossa boca” (I Sam. 2:3).

Esses representativos se chamam, em David, “enigmas da antiguidade” (Sal. 78:2‑4). É dos descendentes da Igreja Antiquíssima que Moisés obteve os relatos da Criação, desde o Jardim do Éden até os tempos de Abraham. [2] O segundo estilo é o histórico, que está nos livros de Moisés — desde os tempos de Abraham e depois — e em Josué, Juízes, Samuel e Reis, nos quais os relatos históricos são absolutamente tais como estabelecidos no sentido da letra, não obstante todas e cada uma das coisas conterem coisas inteiramente diferentes no sentido interno, do que se tratará em sua ordem na sequência, pela Divina misericórdia do Senhor. [3] O terceiro estilo é o profético, que nasceu do estilo da Igreja Antiquíssima, o qual eles muito veneravam. Mas esse não é contínuo nem está em aparência histórica como o dos antiquíssimos, mas é disperso, quase nunca inteligível exceto no sentido interno, onde profundos arcanos se acham dispostos seguindo uma ordem conexa e se referem ao homem externo e interno, aos vários estados da Igreja, ao Céu mesmo e, nos íntimos, ao Senhor. [4] O quarto estilo é o dos Salmos de David, que é intermediário ao profético e à linguagem comum. Ali, sob a pessoa de David como rei, trata‑se, no sentido interno, do Senhor.


O primeiro capítulo de Gênesis, no sentido espiritual

1º dia
Criação da luz;separação entre a luz e as trevas, dia e noite
A verdade da fé brilha e mostra a distinção entre as coisas do homem e as de Deus
2º dia
Criação da expansão ou o céu;separação entre as águas acima e abaixo
Noção de que existe um homem interno;

distingue entre as coisas do Senhor e as suas
3º dia
Ajuntamento das águas,aparece o seco; terra e mares;a terra faz germinar a erva, a erva de semente e a árvore dando fruto
O homem começa a falar a partir das verdades da fé e faz algum bem, mas pensa que fala e age por si mesmo
4º dia
Luminares na expansão; o grande para dominar no dia e o menor, na noite, parem darem luz sobre a terra
A caridade e a fé são implantadas no homem interno
5º dia
As águas fazem produzir o réptil, a alma vivente; a ave voe sobre a terra e sobre as faces da expansão;as baleias grandes e todo réptil
Fala pela fé e se confirma no bem;
6º dia
A terra produz alma vivente, a besta e o movente;a fera, a bestao homem, macho e fêmea, para dominar sobre a terra;
Fala e age pelo bem
Sabbath
O Senhor descansa
As lutas da regeneração do homem cessam, e o Senhor não precisa mais combater por ele.

 
 

 

O Primeiro Dia

 
No princípio
Princípio = o primeiro tempo , antes de o homem ser regenerado ou nascer de novo. A regeneração mesma é chamada nova criação do homem.
criou Deus o céu
Deus forma o homem interno ou mente interna. (Ou, a pessoa passa a ter noção de que tem um homem interno)
e a terra
E o homem externo ou mente externa (Ou, ela passa a distinguir entre sua mente externa e interna)
E a terra era vácua e vazia,
O homem externo, antes da regeneração= desprovido de bem (terra vácua) e verdade (terra vazia) reais.
e [havia] escuridão
a demência e a ignorância a respeito de todas as coisas que são da fé no SENHOR e da vida espiritual e celeste.
sobre as faces do abismo
as cobiças do homem e as falsidades oriundas delas, nas quais o homem está inteiramente imers; um abismo ou caos; visto do céu, é uma massa negra, confusa, que nada tem de vital.
e o Espírito de Deus
A misericórdia de Deus
Se movia
no original, “chocava”, como a galinha faz com os ovos, ou vivificava
sobre as faces das águas
as coisas boas e verdadeiras  implantadas na mente desde a infância, chamadas “relíquias”
E disse Deus: Haja luz; e foi feita a luz.
O primeiro estado da regeneração começa: quando o homem se concientiza de que o bem e a verdade são coisas superiores a ele.  E começa a saber que “o Senhor é”, o Senhor é o bem e a verdade, ao passo que o homem nada é, em si.

 
E viu Deus a luz, que [era] boa;
A luz é boa porque vem do Senhor; é a verdade oriunda do bem. (É dito que “Deus vê”, mas isto é uma aparência, pois Deus sempre viu e vê tudo. De fato, é o homem que começa a ver (entender) a verdade pela primeira vez.

 
e separou Deus entre a luz e entre as trevas.
Em humilde reconhecimento, o homem percebe a grande distinção que há entre as coisas de Deus (luz) e as suas próprias (trevas)
E chamou Deus à luz, dia; e às trevas chamou noite.
Todas as coisas do Senhor são chamadas dia, porque são da luz, e todas as do homem, noite, porque são da escuridão. Esse reconhecimento vem da humilhação do homem perante o Divino.
E houve tarde, e houve manhã;
“Tarde” é todo estado precedente, porque é de sombra ou de falsidade e ausência da fé. “Manhã” é todo estado seguinte ou de verdade e das cognições da fé. A “tarde” significa em geral todas as coisas que são próprias do homem; mas a “manhã” significa todas as que são do SENHOR,

 
o dia primeiro
completa-se o primeiro estado da criação espiritual ou novo nascimento do homem
 

 

O Segundo Dia
E disse Deus: Haja uma expansão
O homem interno é chamado “expansão”
no meio das águas e haja separação entre as águas para as águas
Ordem para que se faça distinção entre os conhecimentos do homem externo e as cognições do homem interno
E fez Deus a expansão,
O homem interno é aberto
e separou entre as águas que estavam debaixo da expansão
os conhecimentos do homem externo são vistos como distintos
e entre as águas que estavam acima da expansão;
das cognições do homem interno

“acima da expansão” = acima do homem interno, oriundas da Palavra
E assim se fez. E chamou Deus à expansão céu
O homem interno reconhecido
E houve tarde, e houve manhã,
A progressão da sombra da ignorância ou falsidade para a claridade da instrução na verdade
o dia segundo
O segundo estado da regeneração
 



 

O Terceiro Dia
E disse DEUS: Faça germinar a terra a erva tenra,
Quando a terra – ou o homem –– foi assim preparada para que pudesse receber do SENHOR as sementes celestes e produzir alguma coisa do bem e do vero, então o SENHOR faz primeiro germinar alguma coisa tenra que é chamada “erva tenra”
a erva dando semente,
”; depois, alguma coisa mais útil que se semeia de novo e é chamada “erva dando semente”;
a árvore de fruto dando fruto, segundo a sua espécie,
enfim, algum bem que frutifica e é chamado “árvore dando fruto no qual [está] a sua semente”, cada um “segundo a sua espécie”
no qual [esteja] a sua semente, sobre a terra. E assim se fez E produziu a terra a erva tenra, a erva dando semente, segundo a sua espécie, e a árvore dando fruto, no qual [estava] a sua semente, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom.”
A princípio, o homem que está sendo regenerado é tal que pensa que o bem que faz vem de si mesmo, e o vero que diz vem de si mesmo, quando todavia a coisa se passa assim: todo bem e todo vero vêm do SENHOR. Por isso, quem pensa que essas coisas vêm de si mesmo não tem ainda a vida da verdadeira fé, que pode todavia receber depois. Com efeito, ainda não pode crer que o bem e o vero vêm do SENHOR, porque está no estado de preparação para receber a vida da fé. Este estado é representado aqui pelas coisas inanimadas, e o estado da vida da fé é representado depois pelas coisas animadas.
 


 

O Quarto Dia
E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para separação entre o dia e entre a noite.

 
O amor e a fé são chamados, a princípio, os “luminares grandes”; depois, o amor o “luminar grande” e a fé o “luminar menor”;
E serão para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos. E serão por luminares na expansão dos céus, para darem luz sobre a terra. E assim se fez. E fez DEUS dois luminares grandes: o luminar grande para dominar no dia, e o luminar menor para dominar na noite, e as estrelas.

E pô-los DEUS na expansão dos céus para darem luz sobre a terra”.

 
É dito que os luminares “serão para sinais e para tempos determinados, e para dias e para anos”. Estas palavras contêm mais arcanos do que podem ser ditos no momento, ainda que nenhum apareça no sentido da letra. Por ora, basta dizer que, em relação às coisas espirituais e celestes, há, no universal e nos singulares, sucessões que são comparadas às sucessões nos dias e anos. As sucessões nos dias são: da manhã ao meio‑dia, daí à tarde e, pela noite, à manhã. As dos anos são semelhantes: da primavera ao verão, daí ao outono e, pelo inverno, à primavera. São as alternações de calor e luz, e também as das frutificações da terra. Com essas alternações se comparam as das coisas espirituais e celestes. A vida sem tais alternações e diversidades seria uniforme e, por conseguinte, nula. E não seria possível discernir, distinguir e ainda menos perceber o bem e o vero. Essas alternações são chamadas “estatutos” na Palavra
“E para dominar no dia, e na noite, e para separar entre a luz e entre as trevas; e viu DEUS que era bom”.

 
Pelo “dia” se entende o bem, pela “noite” o mal; por isso os bens são chamados obras do dia, e os males obras da noite. Pela “luz” se entende o vero e pelas “trevas” o falso.
 


 

 

O Quinto dia

“E disse DEUS: Façam as águas produzir abundantemente o réptil, a alma vivente. E a ave voe sobre a terra, sobre as faces da expansão dos céus”.
Pelos “répteis” que as águas produzem são significados os conhecimentos que pertencem ao homem externo. Pelas “aves” em geral, as coisas racionais e também as intelectuais, estas últimas pertencendo ao homem interno.
“E criou DEUS as baleias grandes e toda alma vivente que rasteja, que as águas fizeram rastejar, segundo a sua espécie; e toda ave de asas, segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom”.
Como foi dito, os “peixes” significam os conhecimentos, agora animados pela fé que vem do SENHOR e, assim, vivos. As “baleias” significam as coisas gerais dos conhecimentos, sob os quais e pelos quais existem os particulares. Nada há no universo que não esteja sob algum geral a fim de que exista e subsista. Os cetáceos ou baleias são algumas vezes nomeados nos Profetas e ali significam as coisas gerais dos conhecimentos.
E os abençoou DEUS, dizendo: Frutificai e multiplicai vos, e enchei as águas nos mares; e a ave será multiplicada na terra”.
Tudo o que tem em si a vida procedente do SENHOR frutifica e se multiplica imensamente, não tanto durante o tempo em que o homem vive no corpo, mas de um modo admirável na outra vida. “Frutificar”, na Palavra, se diz das coisas que são do amor, e “multiplicar” das que são da fé. O fruto, que é do amor, tem a semente pela qual se multiplica tanto. A bênção do SENHOR também significa, na Palavra, frutificação e multiplicação, porque estas procedem dela.
 


 

 

O Sexto dia

 

“E disse DEUS: Produza a terra alma vivente segundo a sua espécie; a besta e o que se move, e a fera desta terra segundo a sua espécie.

 
O homem, como a “terra”, nada pode produzir de bem se antes não forem semeadas nele as cognições da fé pelas quais saiba o que deve crer e fazer.
E, assim, foi feito. E fez DEUS a fera da terra segundo a sua espécie, e a besta segundo a sua espécie, e tudo o que rasteja no humo segundo a sua espécie. E viu DEUS que [era] bom”.
Como se mostrou, as coisas que pertencem ao entendimento foram significadas pelos “répteis, que as águas fizeram rastejar, e pela ave sobre a terra e sobre as faces da expansão”. As que pertencem à vontade são significadas aqui pela “alma vivente que a terra produz”, pela “besta e o que rasteja” e, depois, pela “fera desta terra”.

As “bestas” significam as afeições no homem — as más nos maus e as boas nos bons  — o que se pode ver por muitas passagens na Palavra
“E disse DEUS: Façamos o homem à Nossa imagem, segundo à Nossa semelhança. E dominarão sobre os peixes do mar, e sobre a ave dos céus, e sobre a besta, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra”.
Aqui se diz duas vezes “imagem”; isto é porque a fé, que é do entendimento, é chamada “Sua imagem”, porém o amor, que é  da vontade, é chamado “imagem de DEUS”, que no homem espiritual vem depois mas no homem celeste vem antes.

 
E criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

E os abençoou Deus; e disse lhes Deus: Frutificai e multipli-cai vos, e enchei a terra, e subjugai a. E dominai sobre os peixes do mar e sobre a ave dos céus, e sobre todo [ser] vivo que rasteja sobre a terra.

E disse Deus: Eis, dou vos toda erva dando semente, que [há] sobre as faces de toda a terra, e toda árvore em que [há] fruto. A árvore que produz semente vos será para comida.

E a toda fera da terra, e a toda ave dos céus, e a tudo o que rasteja sobre a terra, em que [há] alma vivente, [dou] todo verde da erva, para alimento. E assim se fez

E viu Deus tudo o que fez, e eis, [era] muito bom. E houve tarde, e houve manhã, o dia sexto.
O sexto estado existe quando, pela fé e daí pelo amor, ele fala os veros e faz os bens. As coisas que então produz são chamadas “alma vivente e besta”. E como então começa a agir ao mesmo tempo pela fé e pelo amor, torna se homem espiritual, que é chamado “imagem”. Sua vida espiritual se deleita e se sustenta com as coisas que são das cognições da fé e as que são das obras de caridade, que se chamam “sua comida”. E sua vida natural se deleita e se sustenta com as coisas que são do corpo e dos sentidos, das quais vem o combate, até que o amor reina e o homem se torna celeste.
 

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O Sétimo Dia
 

C. R. Nobre

 

Concluímos, na semana passada,o estudo sobre os seis da criaçãono primeiro capítulo de Gênesis, de acordo com a explicação da obraArcanos Celestes, de Swedenborg.

Está claro que o relato de Gênesis não pode ser compreendido ao pé da letra, porque assim teríamos vários paradoxos. O fato é que a Bíblia consiste tanto de história real quanto de parábolas, compostas por tipos simbólicos a fim de transmitir de modo um inteligível a realidade espiritual, que de outra maneira seria abstrata. Esse estilo, de parábola, e não de história, é como foram escritos os onze primeiros capítulos de Gênesis, incluindo a história da criação, a queda do homem, o dilúvio e a torre de Babel. Cada evento desses descreve, de fato, estados de formação, progressão ou degeneração do homem quanto ao seu espírito e, por conseguinte, da religiosidade ou igreja de cada época.

No caso da criação, tivemos a oportunidade de ver quecada dia significa uma fase da regeneração, com seus símbolos tomados do universo natural. E essas fases vão se sucedendoem ordem, gradativamente, pois o nascimento espiritual não é instantâneo, nem é operado por Deusindependentemente da pessoa, porqueleva em conta asua liberdade, racionalidade, hereditariedade, suas ações más e boas, em resumo, tudo o que compõe a sua personalidade, que não pode ser violada nem mudada a não ser lentamente. O fim dessa obra Divina éque a pessoa adquira a vida espiritual ao receber a caridade e a fé, e se torne aimagem de Deus,  conforme é descrito no sexto dia.

Continuando o nosso estudo no capítulo 2 do Gênesis, lemos: “E foram acabados os céus e a terra, e todo o exército deles. E acabou Deus no dia sétimo a obra Sua, que fez. E descansou no dia sétimo de toda a obra Sua, que fez. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou, porque nele descansou de toda a obra Sua, que criou Deus fazendo. Estas são as natividades dos céus e da terra, quando os criou, no dia em que Jehovah Deus fez a terra e os céus. E nenhum rebento do campo havia ainda na terra, e nenhuma erva do campo ainda germinava, porque Jehovah Deus não fizera chover sobre a terra, e homem nenhum para cultivar o humo.” (Vers. 1 a 5).

Parece que há uma repetição aqui: criação dos céus, vegetais e o homem, mas a semelhança é porque se trata também de uma formação, mas agora do homem celeste, seu conhecimento, sua vida e sua inteligência. “Ohomem, quando de morto se torna espiritual, de espiritual se torna celeste” ... “O seu conhecimento e o seu racional são descritos pelo ‘rebento e pela erva do humo regado pelo vapor’; ... Sua vida é descrita pela ‘inspiração de uma alma de vidas’...Depois, a sua inteligência é descrita pelo “’jardim em Éden para o oriente’, no qual as ‘árvores desejáveis à vista’ são as percepções do vero, e ‘as árvores boas para comida’ são as percepções do bem. O amor é descrito pela ‘árvore de vidas’ e a fé pela ‘árvore da ciência’...” (AC 73-77)

O homem se torna celeste quando o amor se torna o principal e a fé, o secundário (vide AC 84). “Quando a obra chega a ponto de a fé ser conjunta ao amor, é chamada “muito boa”, porque, então, o Senhor o conduz como “semelhança” Sua. O homem celeste é representado pelo “sábado”, o sétimo dia, no qual se diz que o Senhor descansa, porque não precisa combater pelo homem que triunfou sobre os males. “No fim do sexto dia, os maus espíritos se afastam e são substituídos pelos bons, e o homem é introduzido no Céu ou Paraíso celeste, do qual se tratará no capítulo seguinte”.

Acontece que, no final da nossa última palestra, nós tínhamos lido a seguinte passagem (13) nos Arcanos: “Dos que estão sendo regenerados, nem todos chegam a este estado, mas alguns, e hoje a maioria, chegam somente ao primeiro; alguns apenas ao segundo; alguns ao terceiro, quarto, quinto; raramente ao sexto e quase ninguém ao sétimo.” Quer dizer, em nossa época, quase ninguém se torna homem celeste mais. Se for assim, porque se fala desse homem no segundo capítulo de Gênesis? Quem é ou quem são os que se tornam homem celeste? Aprendemos nos Escritos de Swedenborg que em nossa Terra, num passado remotíssimo, a raça humana tinha características diferentes da de hoje, tinha outra relação com o Criador e podia ser regenerada até o grau celeste, quando se tornavam homens e mulheres celestes.

Essa raça antiquíssima, homens e mulheres,é representada por Adão, ou Homem, e a inteligência daquelas pessoas é simbolizada pelo jardim do Éden e todas as coisas que são mencionadas no jardim: rios, árvores e pedras preciosas. Isto foi na chamada Idade de Ouro,citada por alguns sábios do passado. Então, o capítulo 2 do Gênesis fala da formação espiritual, da vida e da inteligência da raça adâmica. Adão, termo que quer dizer simplesmente, “homem”, no hebraico, é o gênero humano masculino e feminino, pois no capítulo anterior foi dito: “macho e fêmea os criou”.

A raça antiquíssimatinha outro tipo de respiração e podia falar normalmente com os anjos e ser instruído por eles. Não tinham uma revelação escrita, mas oral. Tinham, além disso, a percepção, e podiam ver nos objetos da natureza a representação das coisas do céu. O indivíduonascia natural e corpóreo, mas não era corrompido pelos males. E no processo de sua formação se torna espirituale, finalmente, celeste.

Não sabemos o quanto durou essa era, se milhares ou milhões de anos, mas durante esse tempo o homem estava na inocência e na integridade e era conduzido por Deus em todas as coisas até ser levado aos céus. Todavia, por causa do livre arbítrio, chegou um tempo em que aquelas pessoas começaram a olhar para si mesmas e desejaram ter alguma vida própria, algo que fosse delas e não deDeus. Essa mudança é contada simbolicamente na história da criação da mulher, na ultima parte do capítulo 2. E é óbvio que “mulher”, ali, não é o ser humano feminino, pois ela já existia  e foi criada com o masculino, “macho e fêmea os criou”. A “mulher”, formada da costela do homem, significa aí o proprium, o ‘ego’ do indivíduo, seja ele homem ou mulher. Representa essa sensação de individualidade, pertencente a si mesmo, sua vida como se estivesse nele e fosse dele, e não do Senhor. Isto se chama de “proprium”, e daí é que vem a sensação de que a vida está em nós, independentemente do Criador. Então, a criação desse sentimento, representado pela criação da mulher, foi um desvio da integridade primitiva dos antiquíssimos, mas não chegava a ser, em si, um mal.

Mais tarde, porém, por causa do abuso dessa independência, o proprium do homem se deixou seduzircada vez mais pelos raciocínios e pelas ilusões dos sentidos, e quis se tornarpor si mesmo,  à parte da sabedoria de Deus. Isto é representado pela sedução da serpente e pelo ato de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. E então o homem caiu, isto é, perdeusua integridade e sua sabedoria angélica, o que foi representado pela expulsão do Éden.

Todo esse relato está descrito, no sentido interno, no capítulo 3, e nós estamos falando do 2. Mas a antecipação é necessária para mostrarquem é, ou quem foi, basicamente, esse homem celeste cuja formação é descrita no capítulo 2.

Para explicarmelhor a natureza do homem celeste, os Arcanos fazem uma comparação entre o homem antes da regeneração (chamado “morto”), o homem espiritual (do fim dos seis dias) e o homem celeste (o sétimo dia), dizendo que há grande diferença entre eles.

O homem chamado morto só reconhece a verdade que se refere ao corpo e ao mundo. O homem espiritual reconhece a verdade e o bem espirituais e celestes, mas pela fé. Já o homem celeste crê na verdade e no bem espirituais e celestes, e os percebe.

O homem morto não luta contra os males, ou, se luta, quase sempre é vencido por eles; “os males e falsos governam nele, e ele é o servo”. Os únicos vínculos que o refreiam são vínculos externos, como o temor da lei, da perda da vida, da riqueza, dos proveitos e da reputação. O homem espiritual está em luta e sempre vence. Seus vínculos, pelos quais age, são os internos e da consciência. O homem celeste não está em luta, já venceu os males e falsos e não tem vínculosa não ser as percepções do bem e da verdade.

O homem espiritual age pela consciência, o celeste age pela percepção. A consciência é formada pelas verdades que a pessoa aprende e obedece; ela se forma, portanto, pela via externa, ao passo que a percepção éuma intuição que vem do Senhor, por via interna, uma espécie de sensação interna que diz se algo é uma verdade e se é um bem. Assim, enquanto o espiritual tem de aprender as verdades, o celeste é instruído imediatamente pela percepção. Já o homem morto não tem sequer consciência, “e a maior parte das pessoas não sabe o que é consciência e ainda menos o que é percepção.”

Além disso, no homem espiritual, o Senhor influi pela fé em suas coisas intelectuais, enquanto no homem celeste o Senhor influi pelo amor e pela fé do amor, em suas coisas intelectuais. (AC 99)

Mesmo enquanto o homem é espiritual, ainda há conflito entre sua mente externa e a interna. Mas quando as afeições más são subjugadas e a mente externa é reduzida à obediência, o homem externo serve ao interno, e o conflito cessa.O homem celeste é chamado o “sábado”,ou repouso, porque cessa a luta. “Os maus espíritos se afastam e os bons se aproximam e, então, vêm os anjos celestes. Quando estes estão presentes, os maus espíritos não podem ficar, mas fogem para longe. E, como não foi o homem mesmo quem lutou, mas o Senhor, só, pelo homem, diz‑se que “o Senhor descansou”. Daí vem a tranquilidade espiritual, que “é significada pela “chuva” e pelo “vapor”... Essa tranquilidade, que pertence à paz, produz as coisas que são chamadas “rebento do campo” e “erva do campo”, que são particularmente as coisas racionais e os conhecimentos de uma origem celeste espiritual.

“E formou JehovahDeus o homem, pó do humo; e soprou em suas narinas fôlego de vidas; e o homem tornou‑se alma vivente”. “Formar o homem, pó do humo” é a formação do homem externo no homem celeste. “Soprar em suas narinas fôlego de vidas” é dar‑lhe a vida da fé e do amor. “Por “vidas”, no plural, são entendidos o Amor e a Sabedoria, que ambos são essencialmente Deus, porque quanto mais o homem recebe e aplica estes dois essenciais da vida, que procedem continuamente de Deus, e influem continuamente nas almas dos homens, mais ele se torna almas viventes; porque a vida é a mesma coisa que Amor e Sabedoria” (Coronis 25). “O homem se tornou alma vivente” é que o homem externo também tornou‑se vivo.

“E plantou JehovahDeus um jardim em Éden para o Oriente, e pôs ali o homem a quem formou”. Pelo “jardim” é significada a inteligência; pelo “Éden”, o amor; pelo “Oriente” o Senhor. Assim, pelo “jardim em Éden para o Oriente” é significada a inteligência do homem celeste que flui do Senhor por meio do amor.

 “E JehovahDeus fez brotar do humo toda árvore desejável à vista e boa para comida; e a árvore de vidas no meio de jardim; e a árvore da ciência do bem e do mal”. “Árvore” significa percepção; “árvore desejável à vista”, a percepção do vero; “árvore boa para comida”, a percepção do bem; “árvore de vidas”, o amor e a fé procedente do amor; “árvore da ciência do bem e do mal”, a fé que vem dos sentidos ou dos conhecimentos.

“A ‘árvore de vidas’ é o amor e a fé que procede do amor; “no meio do jardim” é na vontade do homem interno.” No homem celeste, o amor e a fé estão no íntimo doseu ser, o meio do jardim, ou na vontade, que “na Palavra se chama ‘coração’”. Porém, depois da queda, a vontade do homem irregenerado se tornou um acúmulo de cobiças, uma massa caótica, “a terra era vácua e vazia, e a escuridão sobre as faces do abismo.”

“E tomou JEHOVAH DEUS o homem e pô-lo no jardim do Éden para cultivá-lo e para guarda-lo”. Pelo “jardim do Éden” são significadas todas as coisas que estão no homem celeste, das quais se trata aqui; por “cultivá-lo e guarda-lo” é significado que lhe foi concedido fruir de todas essas coisas, mas não possuí-las como suas, porquanto são do SENHOR.

 “E JehovahDeus ordenou ao homem a respeito dele, dizendo: De toda árvore do jardim, comendo comerás”. “Comer de toda árvore” é conhecer e saber, pela percepção, o que é o bem e o vero, pois, como foi dito, a percepção é a “árvore”. Como a raça adâmica tinha a percepção vinda de Deus e por ela podiam receber a sabedoria angélica, eles não tinha necessidade de outra fonte de instrução.

“Mas da árvore da ciência do bem e do mal, não comerás dela, porque no dia em que comeres dela, morrendo morrerás”. Essas expressões, bem como as anteriores, significam que é permitido, por toda percepção vinda do Senhor, conhecer o que é a verdade e o bem, mas não por si mesmo e pelo mundo, ou inquirir os mistérios da fé pelas coisas dos sentidos e dos conhecimentos, pelo que o celeste do homem morre.”“Comer da árvore da ciência do bem e do mal” é querer ser sábio por seu próprio meio, pelos conhecimentos vindos pelos sentidos e não pela instrução Divina. Este foi a razãoda quedado raça antiquíssima, Adão, ou da Igreja daquele tempo.

Por aí vemos como é ingênua a interpretação que se faz, geralmente, desse relato, a respeito da tentação pela serpente, a sedução da mulher, o fruto – que acham ser maçã – e a queda do homem, no que as pessoas se acostumaram a colocar uma conotação sexual.

Mas comer da árvore da ciência é priorizar os conhecimentos dos sentidos em detrimento da revelação. É quando o homem condiciona a crença aos seus princípios, quando só crê naquilo que vê e compreende, e com isso rejeita tudo o que se opõe ao que ele entende ser verdadeiro.A continuação desse caminho leva ao ateísmo, porque ele não vê Deus ou as operações de Deus na natureza. “Quanto mais deseja saber por esse meio, mais se cega, até o ponto de não crer em mais nada, nem mesmo que exista algum espiritual ou a vida eterna. Isso vem do princípio que adotou. É isto que é ‘comer da árvore da ciência do bem e do mal’”; quanto mais ele come dessa árvore, mais fica morto.”

A atitude saudável, espiritualmente falando, é, em primeiro lugar, reconhecermos com humildade que existe um Deus, uma Verdade Divina, e que ela está acima de nossos conceitos humanos do que seja a verdade e o bem. Em segundo lugar, que precisamos aprender essa Verdade e saber como ela se aplica à nossa vida. Por último, que pautemosnossas vidas pelo que a Verdade ensina, porque o propósito dela é nosso bem, nossa felicidade, sobretudo na vida eterna.

“Eis aqui, então, o sentido interno da Palavra, a sua vida mesma, que não se manifesta jamais pelo sentido da letra. Mas os arcanos são em tão grande número que volumes não bastariam para explica-los. Aqui foram ditas somente umas pouquíssimas coisas, tais que possam confirmar que se trata da regeneração e esta procede do homem externo para o interno”.


 

 

Arcanos Celestes, 67 - 130

Gênesis
Capítulo Segundo

 

67.             Como, pela Divina misericórdia do Senhor, me foi dado saber o sentido interno da Palavra — sentido no qual se acham encerradas coisas secretíssimas que nunca antes chegaram ao conhecimento de ninguém, nem podem chegar a não ser que se saiba como são as coisas na outra vida, pois os muitíssimos assuntos que estão no sentido interno da Palavra consideram, relatam e envolvem tais coisas — foi‑me concedido expor o que tenho ouvido e visto há alguns anos, por me ter sido dado estar associado a espíritos e anjos.

68.             Não ignoro que muitos irão dizer que ninguém pode falar com espíritos e anjos enquanto vive no corpo; e muitos dirão que são fantasias; outros, que eu terei transmitido essas coisas para captar a fé; outros dirão o mesmo de modos diferentes. Mas nada disso me detém, porque vi, ouvi e senti.

69.             O homem foi criado pelo Senhor de tal modo que pudesse falar ao mesmo tempo com espíritos e anjos, enquanto vivesse no corpo, como também sucedeu nos tempos antiquíssimos, pois sendo um espírito envolto em um corpo, o homem é um com eles. Como, porém, no transcurso do tempo, os homens se imergiram nas coisas corporais e mundanas de tal forma que quase não se ocupam de outras coisas, o acesso foi, por conseguinte, fechado. Mas, logo que se afastam as coisas corpóreas nas quais se está imerso, o caminho se abre e se está entre os espíritos e se associa a sua vida com eles.

70.             Como é permitido revelar as coisas que durante alguns anos tenho ouvido e visto, será dito aqui, em primeiro lugar, o que se passa com o homem quando é ressuscitado, ou de que maneira ele, da vida do corpo, entra na vida da eternidade. E, para que eu soubesse que os homens vivem após a morte, foi‑me dado falar e conversar com muitos que conheci na sua vida do corpo, e, de fato, não por um dia ou uma semana, mas por meses e quase um ano, com os quais falei e conversei como no mundo. Ficaram muito admirados pelo fato de que, quando viveram no corpo, eles e muitos outros estivessem em uma incredulidade tal que pensavam que não viveriam após a morte, quando o fato é que, após a morte do corpo, passam‑se apenas alguns dias antes que se esteja na outra vida, pois há uma continuação da vida.

71.             Mas como essas revelações seriam esparsas e desconexas se fossem interpostas nas que estão no texto da Palavra, é permitido, pela Divina misericórdia do Senhor, acrescentá‑las em certa ordem e fazê‑las preceder e seguir qualquer dos capítulos, além de outras que serão intercaladas aqui e ali.

72.             Assim, no fim deste capítulo é permitido dizer de que maneira o homem é despertado dos mortos e entra na vida da eternidade.

 

Gênesis
Capítulo Segundo
 

1.      E foram acabados os céus e a terra, e todo o exército deles.

2.      E acabou Deus no dia sétimo a obra Sua, que fez. E descansou no dia sétimo de toda a obra Sua, que fez.

3.      E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou, porque nele descansou de toda a obra Sua, que criou Deus fazendo.

4.      Estas são as natividades dos céus e da terra, quando os criou, no dia em que Jehovah Deus fez a terra e os céus.

5.      E nenhum rebento do campo havia ainda na terra, e nenhuma erva do campo ainda germinava, porque Jehovah Deus não fizera chover sobre a terra, e homem nenhum para cultivar o humo.

6.      E fez subir um vapor da terra, e regou todas as faces do humo.

7.      E formou Jehovah Deus o homem, pó do humo; e soprou em suas narinas respiração de vidas; e o homem tornou‑se alma vivente.

8.      E plantou Jehovah Deus um jardim em Éden para o oriente, e pôs ali o homem a quem formou.

9.      E Jehovah Deus fez brotar do humo toda árvore desejável à vista e boa para comida; e a árvore de vidas no meio do jardim; e a árvore da ciência do bem e do mal.

10.    E um rio saindo do Éden para regar o jardim; e daí era dividido e tornava‑se em quatro cabeças.

11.    O nome do primeiro, Pishon, o que circunda toda a terra de Havilah, onde há ouro.

12.    E o ouro desta terra é bom; ali há o bdélio e a pedra shoham[1].

13.    E o nome do segundo rio, Gichon, o que circunda toda a terra de Cush.

14.    E o nome do terceiro rio, Hiddeklel [2], o que vai orientalmente para Asshur[3]; e o quarto rio, ele é Phrath[4].

15.    E tomou Jehovah Deus o homem e pô‑lo no jardim do Éden para cultivá‑lo e para guardá‑lo.

16.    E Jehovah Deus ordenou ao homem a respeito dele, dizendo: De toda árvore do jardim, comendo comerás[5].

17.    Mas da árvore da ciência do bem e do mal, não comerás dela, porque no dia em que comeres dela, morrendo morrerás[6].

Conteúdo
 

73.             O homem, quando de morto se torna espiritual, de espiritual se torna celeste, do qual agora se trata; versículo 1.

74.             O homem celeste é o “sétimo dia no qual o Senhor descansa”; versículos 2,3.

75.             O seu conhecimento e o seu racional são descritos pelo “rebento e pela erva do humo regado pelo vapor”; versículos 5,6.

76.             Sua vida é descrita pela “inspiração de uma alma de vidas”; versículo 7.

77.             Depois, a sua inteligência é descrita pelo “jardim em Éden para o oriente”, no qual as “árvores desejáveis à vista” são as percepções do vero, e as árvores boas para comida” são as percepções do bem. O amor é descrito pela “árvore de vidas” e a fé pela “árvore da ciência”; versículos 8,9.

78.             A sabedoria é descrita pelo “rio no jardim”, e daí por “quatro rios”, dos quais o primeiro é o bem e o vero; o segundo é a cognição de todas as coisas que pertencem ao vero e ao bem, ou ao amor e à fé, as quais são do interno do homem; o terceiro é a razão, o quarto é a ciência, que são do externo do homem. Todos procedem da sabedoria, e esta procede do amor e da fé no Senhor; versículos 10‑14.

79.             O homem celeste é um tal jardim. Mas como este pertence ao Senhor, é‑lhe concedido usufruir de todas estas coisas, mas não possuí-las como suas; versículo 15.

80.             E lhe é permitido conhecer, por toda percepção que vem do Senhor, o que é o bem e o vero, mas não por si mesmo e pelo mundo, ou inquirir os mistérios da fé por meio das coisas dos sentidos e dos conhecimentos, pelas quais o seu celeste morre; versículos 16,17.

 

Sentido Interno
 

81.             Neste capítulo se trata do homem celeste; no capítulo precedente tratou‑se do homem que, de morto, tornou‑se espiritual. Mas, como hoje se ignora o que é o homem celeste, mal se sabe o que é o espiritual e o que é o morto, pode‑se descrever brevemente qual é um e qual é outro, para que se saiba quais são as diferenças. Primeiro: o homem morto não reconhece outro vero e bem além daquele que é do corpo e do mundo, e também o venera. O homem espiritual reconhece o vero e o bem espirituais e celestes, todavia, pela fé,  pela qual também ele age e não assim pelo amor. O homem celeste crê no vero e no bem espirituais e celestes e os percebe; não reconhece outra fé a não ser aquela que procede do amor, pelo qual ele também age. [2] Segundo: o fim do homem morto visa somente à vida do corpo e do mundo; não sabe o que é a vida eterna e o que é o Senhor, e, se sabe, não crê. O fim do homem espiritual visa à vida eterna e, assim, ao Senhor. O fim do homem celeste visa ao Senhor e, assim, ao Seu reino e à vida eterna. [3] Terceiro: o homem morto, quando está em luta, quase sempre sucumbe; e, quando não está em luta, os males e falsos governam nele, e ele é o servo. Seus laços são externos, como o temor da lei, da perda da vida, da riqueza, dos proveitos e da reputação, por causa dessas coisas mesmas. O homem espiritual está em luta, mas sempre vence. Seus laços, pelos quais age, são internos e são chamados laços da consciência. O homem celeste não está em luta; e, se os males e falsos o assaltam, ele os despreza. Por isso é também chamado “vencedor”. Não tem laços aparentes pelos quais age, mas é livre; os laços, que não aparecem, são as percepções do bem e do vero.

82.             Vers. 1: “E foram acabados os céus e a terra, e todo o exército deles”. Por estas palavras se entende que o homem agora se tornou espiritual, a ponto de ser o “sexto dia”. O “céu” é o seu homem interno e a “terra” é o externo. O “exército deles” são o amor, a fé e as cognições do amor e da fé que antes foram significados pelos “grandes luminares e as estrelas”. Que o homem interno se chame “céu” e o externo “terra” pode-se ver pelas passagens da Palavra citadas no capítulo precedente. Permite-se acrescentar o que se diz em Isaías:

“Farei o varão mais raro do que o ouro sólido, e o homem mais do que o ouro precioso de Ofir; por causa disso, ferirei de terror os céus, e a terra será sacudida de seu lugar” (13:12,13);

e em outro lugar:            

“Terás esquecido Jehovah o feitor teu, Que estende os céus e funda a terra;... mas porei Minhas palavras em tua boca, e na sombra da [Minha] mão... te esconderei, para estender o céu e fundar a terra” (51:13,16);

pelo que é evidente que o “céu” e a “terra” são predicados do homem. Na verdade, aí se trata da Igreja Antiquíssima, ,mas as coisas interiores da Palavra são tais que tudo o que é dito sobre a Igreja, aplica‑se a todo membro da Igreja, o qual, se não fosse uma Igreja, não poderia ser parte dela, assim como o que não é um templo do Senhor não pode ser o que é significado pelo “templo”, que é a Igreja e o céu. É daí que a Igreja Antiquíssima também se chama “homem” no singular.

83.             Diz‑se que “os céus e a terra e todo o exército deles” “foram acabados”, quando o homem se torna o “sexto dia”, pois, então, a fé e o amor fazem um; e, quando fazem um, o amor, e não a fé, começa a ser o principal, isto é, o celeste, e não o espiritual, começa a ser o homem celeste.

84.             Vers. 2 e 3: “E acabou Deus no dia sétimo a obra Sua, que fez. E descansou no dia sétimo de toda a obra Sua, que fez. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou, porque nele descansou de toda a obra Sua, que criou Deus fazendo”. O homem celeste é o “sétimo dia”; como ele foi elaborado pelo Senhor durante seis dias, é chamado “Sua obra”. E, porque então cessa a luta, diz‑se do Senhor que “descansou de toda a obra Sua”. Por isso o sétimo dia é santificado e chamado “sábado”, de “descanso”. E, assim, o homem foi criado, formado e feito. É o que se percebe claramente por essas palavras.

85.             Que o homem celeste seja o “sétimo dia” e que o sétimo dia tenha sido por isso santificado e chamado sábado, de “descanso”, são arcanos ainda não revelados. Isso vem também de se ter ignorado o que é o homem celeste e de poucos saberem o que é o espiritual que, por causa dessa ignorância, foi confundido com o celeste, quando a verdade é que existe muita diferença entre eles, como se vê no n.º 81. Quanto ao que concerne ao sétimo dia e ao homem celeste que é o “sétimo dia” ou sábado, vê‑se pelo fato de o próprio Senhor ser o sábado; por isso Ele disse também:

“O Filho do Homem é o Senhor do sábado” (Marcos 2:28),

palavras que envolvem que o Senhor é o Homem Mesmo e o Sábado Mesmo. Seu reino nos céus e nas terras é daí chamado “sábado” ou a eterna paz e o repouso. A Igreja Antiquíssima, de que se trata aqui, era o “sábado” do Senhor mais do que as Igrejas que a seguiram. [2]  Toda Igreja seguinte e íntima do Senhor é também o “sábado”, assim como todo regenerado, quando se torna celeste, porque é a semelhança do Senhor. Precedem seis dias de luta ou de labor. Essas coisas foram representadas na Igreja Judaica pelos dias de labor e pelo sétimo que era o “sábado”, pois tudo o que foi instituído naquela Igreja era representativo do Senhor e de Seu reino. O mesmo foi também representado pela “arca, quando se punha a caminho e quando repousava”; pelas “suas marchas no deserto” eram representadas as lutas e tentações; pelo “repouso”, o estado de paz. Por isso, quando ela se punha a caminho, Moisés dizia:

“Levanta‑Te, Jehovah, e sejam dispersos os inimigos Teus, e fujam os que Te odeiam de diante de Tuas faces. E quando repousava, dizia: Volta, Jehovah, aos miríades de milhares de Israel” (Núm. 10:35,36);

a respeito da arca, foi dito ali que

“partia da montanha de Jehovah para lhes buscar descanso” (Ibidem, 33).

O descanso do homem celeste é descrito pelo “sábado” em Isaías:

“Se desviares do sábado o teu pé, de fazer o teu desejo no dia da Minha santidade; e chamares as coisas que pertencem ao sábado delícias ao Santo Jehovah, honradas; e o honrares, não seguindo teus caminhos; nem buscares o teu desejo e falares [tua] palavra, então serás delicioso a Jehovah, e te farei transportar sobre as alturas da terra, e te alimentarei com a herança de Jacob” (58:13,14).

O homem celeste é tal que age não pelo seu desejo, mas pelo beneplácito do Senhor, que é o desejo para ele. Goza, assim, de paz e felicidade internas, que aqui são expressas por “ser elevado sobre as alturas da terra”, e, ao mesmo tempo, de tranquilidade e prazer externos, que são significados por “ser alimentado com a herança de Jacob”.

86.             Quando o homem espiritual que se tornou o “sexto dia” começa a se tornar celeste — do qual se trata aqui em primeiro lugar — é a “véspera do sábado”, o que foi representado na Igreja Judaica pela santificação do “sábado” a partir da tarde. O homem celeste é a “manhã”; dele se tratará logo a seguir.

87.             Que o homem celeste seja o “sábado” ou descanso, é também porque cessa a luta, quando ele se torna celeste. Os maus espíritos se afastam e os bons se aproximam e, então, vêm os anjos celestes. Quando estes estão presentes, os maus espíritos não podem ficar, mas fogem para longe. E, como não foi o homem mesmo quem lutou, mas o Senhor, só, pelo homem, diz‑se que “o Senhor descansou”.

88.             Quando se torna celeste, o homem espiritual é chamado “obra de Deus”, pois que só o Senhor lutou por ele e o criou, formou e fez. Por isso se diz aqui: “Deus acabou no dia sétimo a Sua obra”, e se repete: “descansou de toda a Sua obra”. Nos Profetas, ele é frequentemente chamado “obra das mãos e dos dedos de Jehovah”, como em Isaías, onde se trata do regenerado:

“Assim disse Jehovah, o Santo de Israel e Formador seu: Sinais pedi‑Me... acerca de Meus filhos; e acerca das obras de Minhas mãos ordenai‑Me. Eu fiz a terra, e o homem sobre ela criei. Eu, as Minhas mãos estenderam os céus, e a todo o exército deles ordenei... Porque, assim, disse Jehovah, que cria os céus, Ele, o Deus que forma a terra e que a faz; Ele, que a firma, não a criou vazia: para ser habitada a formou. Eu, Jehovah... e não há outro Deus além de Mim” (45:11,12, 18, 21);

daí se vê que a nova criação ou regeneração é obra do Senhor, só. Os vocábulos “criar” “formar” e “fazer” são empregados bem distintamente, como aqui em Isaías: “...que cria os céus, forma a terra e a faz”, e, depois, em outro lugar:

“...Todo o que é chamado pelo Meu nome, e para a Minha glória o criei, o formei e também o fiz” (Isa. 43:7).

Dá-se de modo semelhante no capítulo precedente e neste, como aqui: “descansou de toda a obra Sua, que criou Deus fazendo”; e isto sempre com uma ideia distinta no sentido interno. Bem como onde o Senhor é chamado Criador, ou Formador e Feitor.

89.             Vers. 4: “Estas são as natividades dos céus e da terra, quando os criou, no dia em que JehovahDeus fez a terra e os céus”. “Natividades dos céus e da terra” são as formações do homem celeste. Que agora se trate de sua formação, vê‑se claramente de cada um dos exemplos que se seguem, como: que “nenhuma erva ainda tinha germinado”, “nenhum homem para cultivar o humo”, e também que “JehovahDeus tenha formado o homem” e, em seguida, “toda besta e a ave dos céus”; e, entretanto, a formação desses fora tratada no capítulo precedente. Por isso, aqui se trata de um outro homem, o que é ainda mais claro pelo fato de se dizer agora, pela primeira vez, “JehovahDeus”. No que precedeu, onde se tratou do homem espiritual, foi dito somente “Deus”. E, também pelo fato de agora se dizer “humo” e “campo”, e, no que precedeu, apenas “terra”. E ainda pelo fato de que neste versículo o céu é posto primeiro, antes da terra, e depois a terra antes do céu. A causa disto é que a “terra” significa o homem externo e o “céu” o interno. No homem espiritual, a reforma começa da terra ou do homem externo, mas aqui, onde se trata do celeste, começa do homem interno ou do céu.

90.             Vers. 5 e 6: “E nenhum rebento do campo havia ainda na terra, e nenhuma erva do campo ainda germinava, porque JehovahDeus não fizera chover sobre a terra, e homem nenhum para cultivar o humo. E fez subir um vapor da terra, e regou todas as faces do humo”. Pelo “rebento do campo” e pela “erva do campo” se entendem, em geral, tudo o que seu homem externo produz. A “terra” é o homem externo quando era espiritual; o “humo”, assim como o “campo”, é o homem externo quando se torna celeste; a “chuva”, que logo depois é chamada “vapor”, é a tranquilidade da paz, quando cessa a luta.

91.             Mas, se não se conhece o estado do homem quando de espiritual se torna celeste, de modo nenhum se pode perceber o que estas coisas envolvem, porque são mais secretas. Quando é espiritual, o homem externo ainda não quer prestar obediência ao interno ou servi‑lo, pelo que há a luta. Quando, todavia, se torna celeste, então, o homem externo começa a obedecer e a servir ao interno, pelo que cessa a luta e há a tranquilidade (vide n.º 87). Essa tranquilidade é significada pela “chuva” e pelo “vapor”, pois é como um vapor que vem do interno e rega e banha o externo. Essa tranquilidade, que pertence à paz, produz as coisas que são chamadas “rebento do campo” e “erva do campo”, que são particularmente as coisas racionais e os conhecimentos de uma origem celeste espiritual.

92.             Ninguém pode conhecer a qualidade da paz do homem externo, quando cessa a luta, ou o desassossego proveniente das cobiças e falsidades, exceto aquele que conhece o estado de paz. Esse estado é tão prazeroso que excede toda ideia de prazer. Não é somente a cessação da luta, mas a vida provindo de uma paz interior, afetando o homem externo de tal modo, que é impossível descrever. Os veros da fé e os bens do amor então nascem, derivando a sua vida do prazer da paz.

93.             O estado do homem celeste, agraciado com a tranquilidade da paz, recreado pela chuva e liberto da servidão do mal e do falso, é assim descrito pelo Senhor através de Ezequiel:

“Firmarei com eles uma aliança de paz, e farei cessar a fera má da terra, e habitarão seguramente no deserto, e dormirão nos bosques; e lhes darei, e aos contornos de Minha colina, bênção; e farei descer a chuva em seu tempo, chuvas de bênção serão. E a árvore do campo dará o seu fruto, e a terra dará a sua produção; e estarão sobre o seu humo em segurança, e saberão que Eu sou Jehovah, quando tiver rompido as correias do seu jugo, e os tiver libertado da mão dos que os fazem servir... Vós sois Meu rebanho, rebanho do Meu pasto; homem sois vós, Eu sou vosso Deus” (34:25‑27,31).

E se diz em Oséias que isso se faz no terceiro dia, que na Palavra significa a mesma coisa que o sétimo:

“Vivificar‑nos‑á depois de dois dias, no dia terceiro nos erguerá, e viveremos diante d`Ele; e conheceremos, e prosseguiremos em conhecer Jehovah, como a aurora preparada para a Sua saída; e virá a nós como chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (6:2,3).

E isso é comparado ao germe do campo por Ezequiel, onde se trata da Igreja Antiga:

“Como germe do campo te tornei, e cresceste, e aumentaste, e te tornaste ornamento dos ornamentos” (16:7);

depois:

“Ao broto das plantações, e às obras das mãos de JehovahDeus” (Isa. 60:21).

94.             Vers. 7: “E formou JehovahDeus o homem, pó do humo; e soprou em suas narinas fôlego de vidas; e o homem tornou‑se alma vivente”. “Formar o homem, pó do humo” é formar o seu homem externo, que antes não era homem; pois é dito no vers. 5 que não havia homem para cultivar o humo. “Soprar em suas narinas fôlego de vidas” é dar‑lhe a vida da fé e do amor. “O homem se tornou alma vivente” é que o homem externo também tornou‑se vivo.

95.             Aqui se trata da vida do homem externo; nos dois versículos anteriores tratou‑se da vida de sua fé ou do entendimento, neste se fala da vida de seu amor ou da vontade. Anteriormente, o homem externo não queria obedecer e servir ao interno, mas continuamente lutava contra ele; por isso o externo não era, então, homem. Agora, porém, depois que se tornou celeste, o externo começa a prestar obediência e servir ao interno, e, assim, se torna homem também e isso pela vida da fé e pela vida do amor. A vida da fé o prepara e a vida do amor faz que seja homem.

96.             Foi dito que JehovahDeus “soprou pelas narinas”. A coisa assim se passa: na antiguidade e na Palavra, pelas “narinas” se entendia tudo o que era agradável por causa do odor, que significa a percepção. Por isso, frequentemente se lê a respeito de Jehovah que Ele “cheirou o cheiro de repouso” dos holocaustos e das coisas que O representavam e ao Seu reino. E, pelo fato de serem as coisas que são do amor e da fé muito agradáveis a Ele, é dito que “soprou pelas narinas fôlego de vidas”. Daí vem que o Ungido de Jehovah, ou o Senhor, Se chama “sopro das narinas” (Lam. 4:20). E Ele mesmo significava isso quando soprou sobre os discípulos, em João:

“Soprou e disse: Recebei o Espírito Santo” (20:22).

97.             Que a vida seja descrita pelo sopro e pelo fôlego, a razão é também que os homens da Igreja Antiquíssima percebiam os estados do amor e da fé por meio dos estados da respiração, estados esses que foram sucessivamente mudados em seus descendentes. Ainda não se pode dizer coisa alguma sobre essa respiração, porque hoje são coisas inteiramente ocultas. Os antiquíssimos conheceram bem isso, assim como os que estão na outra vida, mas nesta terra não há mais ninguém que o saiba. Daí é que assemelham o espírito ou a vida ao vento. Também o Senhor, quando falou da regeneração do homem, disse em João:

“O vento [spiritus] sopra onde quer; e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem ou para onde vai; assim é todo o que é gerado pelo espírito” (3:8).

Semelhantemente, em David:

“Pela palavra de Jehovah os céus foram feitos; e pelo espírito [ou sopro] de Sua boca, todos os seus exércitos” (Sal. 33:6);

e, no mesmo:

“Recolhes o espírito deles, expiram e ao seu pó retornam; envias o Teu espírito, são criados e renovas as faces do humo” (Sal. 104:29, 30).

Que o “fôlego” seja tomado em lugar da vida do amor, vê‑se em Jó:

“O espírito está no homem, e o fôlego de Shaddai os faz entender” (32:8);

e depois, no mesmo:

“O espírito de Deus me fez, e o fôlego de Shaddai me vivificou” (33:4).

98.             Vers. 8: “E plantou JehovahDeus um jardim em Éden para o Oriente, e pôs ali o homem a quem formou”. Pelo “jardim” é significada a inteligência; pelo “Éden”, o amor; pelo “Oriente” o Senhor. Assim, pelo “jardim em Éden para o Oriente” é significada a inteligência do homem celeste que flui do Senhor por meio do amor.

99.             No homem espiritual, a vida ou a ordem da vida é tal que o Senhor influi, realmente, pela fé em suas coisas intelectuais, racionais e dos conhecimentos. Mas, como o seu homem externo luta com o interno, parece que a inteligência não flui do Senhor, mas de si próprio, pelas coisas dos conhecimentos e racionais. No homem celeste, porém, a vida ou a ordem da vida é que o Senhor influi pelo amor e pela fé do amor em suas coisas intelectuais, racionais e dos conhecimentos. E como não há luta, percebe‑se que, assim, é. Em consequência, a ordem, que ainda está invertida no espiritual, é restabelecida no celeste. Essa ordem ou esse homem chama‑se “jardim em Éden para o Oriente”. [2] No sentido supremo, o “Jardim plantado por JehovahDeus em Éden para o Oriente” é o Senhor mesmo. No sentido íntimo, que também é o sentido universal, é o reino do Senhor e o céu, no qual o homem é colocado, quando se torna celeste. Seu estado consiste, então, em estar com os anjos no céu e ser como se fosse um entre eles. Pois o homem foi criado de modo que, durante o tempo em que vive na terra, esteja ao mesmo tempo no céu. Então se abrem todos os seus pensamentos e as ideias dos pensamentos, até as palavras e as ações, em que estão os celestes e espirituais e se manifestam até o Senhor. Pois em cada um há a vida do Senhor, o que faz que se tenha a percepção.

100.          Que o “jardim” signifique a inteligência e “Éden” o amor, é evidente também em Isaías:

“Jehovah consolará Sião; consolará todas as suas devastações, e fará seu deserto como o Éden e a sua solidão como o jardim de Jehovah; contentamento e alegria se acharão nela, confissão e voz de canto” (51:3),

onde “deserto, contentamento e confissão” são vocábulos que exprimem, no profeta, as coisas celestes da fé ou que pertencem ao amor; “solidão, alegria e voz de canto”, todavia, significam as coisas espirituais da fé, que também pertencem ao entendimento. Aquelas se referem ao “Éden”, estas ao “jardim”. Porque nesse profeta ocorrem pares de expressões sobre a mesma coisa, das quais uma significa coisas celestes e a outra espirituais. Além disso, ver‑se‑á no vers. 10 o que é o “jardim em Éden”.

101.          Que o Senhor seja o “Oriente”, vê‑se também em várias passagens na Palavra, como em Ezequiel:

“Conduziu‑me à porta, a porta que olha o caminho do oriente, e eis, a glória do Deus de Israel veio do caminho do oriente; e Sua voz era como voz de muitas águas; e a terra resplandecia de Sua glória” (43:1,2,4).

Como o Senhor é o Oriente, daí vinha o santo costume, na Igreja representativa Judaica, antes da edificação do templo, de voltarem a face para o oriente quando oravam.

102.          Vers. 9: “E JehovahDeus fez brotar do humo toda árvore desejável à vista e boa para comida; e a árvore de vidas no meio de jardim; e a árvore da ciência do bem e do mal”. “Árvore” significa percepção; “árvore desejável à vista”, a percepção do vero; “árvore boa para comida”, a percepção do bem; “árvore de vidas”, o amor e a fé procedente do amor; “árvore da ciência do bem e do mal”, a fé que vem dos sentidos ou dos conhecimentos.

103.          Que as “árvores” signifiquem aqui percepções, é porque se trata do homem celeste. É diferente quando se trata do espiritual, porque tal é o sujeito, tal o predicado.

104.          Mas hoje se ignora o que é a percepção. É uma espécie de sensação interna que, vindo unicamente do Senhor, diz se uma coisa é um vero e se é um bem. A percepção era bem conhecida na Igreja Antiquíssima. Para os anjos, é tão manifesta, que por ela sabem o que é vero e o bem, sabem o que vem do Senhor e o que vem deles próprios e também conhecem a natureza de alguém que deles se aproxima, por uma só das suas ideias. No homem espiritual não há percepção, mas consciência; no homem morto não há sequer a consciência, e a maior parte das pessoas não sabe o que é consciência e ainda menos o que é percepção.

105.          A “árvore de vidas” é o amor e a fé que procede do amor; “no meio do jardim” é na vontade do homem interno. O que o Senhor possui primeiro no homem e no anjo é a vontade, que na Palavra se chama “coração”. Mas, como ninguém pode fazer o bem por si mesmo, a vontade ou o coração não pertence ao homem, embora seja atribuída ao homem. O que pertence ao homem é a cobiça, que ele chama vontade. Como a vontade está no meio do jardim, onde se acha a “árvore de vidas”, e no homem a vontade nada mais é senão cobiças, por isso a “árvore de vidas” é a misericórdia do Senhor, de Quem procedem todo amor e toda fé, por conseguinte toda vida.

106.          Mas, no que se segue se dirá em maior número de vezes o que é “árvore do jardim” ou percepção, o que é “árvore de vidas” ou amor e a fé procedente do amor, e o que é a “árvore da ciência” ou a fé dos sentidos e do conhecimento.

107.          Vers. 10: “E um rio saindo do Éden para regar o jardim; e daí era dividido, e tornava‑se em quatro cabeças”. “Um rio saindo do Éden” significa a sabedoria procedendo do amor, que é o “Éden”; “regar o jardim” é dar inteligência; por conseguinte, “ser dividido em quatro cabeças” é a descrição da inteligência pelos quatro rios, como se segue.

108.          Quando os antiquíssimos comparavam o homem a um jardim, também comparavam a sabedoria e as coisas que pertencem à sabedoria a rios. E não só comparavam, mas as chamavam assim, pois tal era a sua linguagem. Sucedeu de modo semelhante mais tarde, nos Profetas, que ora comparavam, ora nomeavam assim. Como em Isaías:

“Levantar‑se‑á nas trevas a tua luz, e a tua escuridão será como a luz do dia... e serás como um jardim regado, e como uma fonte de águas cujas águas não faltarão” (58:10,11),

onde se trata daqueles que recebem a fé e o amor. Depois:

“Como vales são plantadas, como jardins junto ao rio; como sândalos Jehovah plantou, como cedros junto às águas” (Núm. 24:6),

onde se trata dos regenerados. Em Jeremias:

“Bem‑aventurado o varão que confia em Jehovah... será como árvore plantada junto às águas, e sobre o ribeiro estende suas raízes” (17:7,8).

Elas não são comparadas ao jardim e à árvore em Ezequiel, mas assim referidas:

“As águas fizeram‑na crescer, a profundeza das águas a exaltou; um rio corria ao redor de sua planta, e seus canais de água enviou a todas as árvores do campo... tornou‑se bela em sua grandeza, no comprimento dos seus ramos, porque sua raiz era para muitas águas. Os cedros não a obscureciam no jardim de Deus, os abertos não igualavam os seus ramos e os plátanos não eram como seus galhos. Nenhuma árvore no jardim de Deus lhe era igual em sua beleza; bela a fiz na multidão de seus ramos, e invejavam-na todas as árvores do Éden, que estavam no jardim de Deus” (31:4,7‑9).

Por aí se vê que os antiquíssimos, quando comparavam o homem ou, o que é o mesmo, as coisas que estão no homem, a um jardim, também ajuntavam as águas e os rios que o irrigavam, e pelas “águas e os rios” entendiam as coisas que o fazem crescer.

109.          Que a sabedoria e a inteligência, como foi dito, pertençam somente ao Senhor ainda que apareçam no homem, isto é dito claramente, por meio de semelhantes representativos, em Ezequiel:

“Eis, águas que saem de debaixo do limiar da casa para o Oriente, porque a face da casa é o Oriente... e disse: Estas águas que saem para o limite do lado do Oriente e descem sobre a planície, e vêm para o mar, no mar [serão] conduzidas e sararão as águas.

“E sucederá que toda alma vivente que rasteja, por toda a parte onde vier a água dos rios, viverá ... E junto ao rio se eleva sobre sua margem, aquém e além, toda árvore para comida; não murchará seu ramo, e não será consumido o seu fruto; em seus meses renascerá. Porque as suas águas saem do Santuário; e daí seu fruto será para comida e sua folha para remédio” (47:1,8,9,12);

aqui, o Senhor é significado pelo “Oriente” e pelo “Santuário de que vêm as águas dos rios”. Semelhantemente em João:

“Mostrou‑me um rio puro de água da vida, brilhante como cristal, saindo do trono de Deus e do Cordeiro. No meio de sua praça, e do rio, aquém e além, a árvore da vida dando doze frutos, segundo cada mês dando o seu fruto, e a folha da árvore era para remédio das nações” (Apoc. 22:1,2).

110.          Vers. 11 e 12: “O nome do primeiro, Pishon, o que circunda toda a terra de Havilah, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio e a pedra shoham”. O primeiro rio ou “Pishon” significa a inteligência da fé pelo amor; a “terra de Havilah”, a mente; o “ouro”, o bem; “bdélio” e “shoham”, o vero. A razão pela qual o “ouro” foi citado duas vezes é que o ouro significa o bem do amor e o bem da fé que procede do amor. E foram citados “bdélio” e “shoham” porque um significa o vero do amor e o outro o vero da fé que procede do amor. Tal é o homem celeste.

111.          Dificilmente se pode dizer, todavia, como são essas coisas no sentido interior, porque são coisas hoje desconhecidas, como o que é a fé que procede do amor ou o que é a sabedoria e o que é a inteligência que dela procede. Pois os homens externos mal conhecem outra coisa além dos fatos do conhecimento [scientia], aos quais chamam inteligência, sabedoria e fé. Nem mesmo sabem o que é o amor, e muitos não sabem o que é a vontade e o entendimento, e que estes constituem uma só mente, quando, todavia, cada uma dessas coisas é distinta e até muito distinta, e todo o céu é distintamente ordenado pelo Senhor segundo as diferenças do amor e da fé, que são inumeráveis.

112.          Mas saiba‑se que não existe sabedoria alguma a não ser a que procede do amor, assim, do Senhor; nem jamais inteligência alguma a não ser a que procede da fé, assim, também, do Senhor; e não existe jamais bem algum a não ser pelo amor, assim, pelo Senhor; e não existe jamais vero algum a não ser pela fé, assim, pelo Senhor. As coisas que não procedem do amor e da fé, por conseguinte, do Senhor, são chamadas por nomes semelhantes, mas são espúrias.

113.          Nada é mais comum na Palavra do que o bem da sabedoria ou do amor ser representado pelo ouro. Todo o ouro na arca, no templo, na mesa de ouro, no candelabro, nos vasos, sobre as vestes de Arão, significava e representava o bem da sabedoria ou do amor. É semelhante nos Profetas, como em Ezequiel:

“Em tua sabedoria e em tua inteligência fizeste para ti riquezas, e puseste ouro e prata em teus tesouros” (28:4),

onde se diz claramente que da sabedoria e da inteligência vêm ouro e prata, ou o bem e o vero, pois “prata” aí significa o vero, como também a prata na arca e no templo. Em Isaías:

“Multidão de camelos te cobrirá, dromedários de Midiã e de Ephah, todos eles de Sheba virão, ouro e incenso trarão e os louvores de Jehovah anunciarão” (60:6).

Como também os sábios do oriente que vieram a Jesus quando Ele nasceu:

“E prostraram‑se e O adoraram; e abriram os seus tesouros e Lhe ofereceram dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt. 2:11),

onde, também, o “ouro” significa o bem; “incenso e mirra”, as coisas que são agradáveis, porque procedem do amor e da fé, e daí se chamam “louvores de Jehovah”. Por isso se diz em David:

“...Viverá, e lhe dará do ouro de Sheba, e rogará por ele perpetuamente; todo dia o abençoará” (Sal. 72:15).

114.          Também o vero da fé, na Palavra, é significado e representado pelas pedras preciosas, como no peitoral do juízo e sobre os ombros do éfode de Aarão. No peitoral, o ouro, o jacinto, a púrpura, o escarlate duplamente tinto e o linho fino [xylino] representavam as coisas que pertencem ao amor; as pedras preciosas representavam as coisas que pertencem à fé procedente do amor. Semelhantemente as duas pedras do memorial sobre os ombros do éfode, que eram shoham circundadas por fundos de ouro (Êx. 28:9-22). É o que está dito claramente em Ezequiel, onde se trata do homem que possui as riquezas celestes, a sabedoria e a inteligência:

“Cheio de sabedoria, e perfeito em beleza, estiveste no Éden, o jardim de Deus; de toda pedra preciosa era tua cobertura, rubi, topázio e diamante; tarshish, shoham e jaspe; safira, crisópraso, esmeralda; e ouro, obra dos teus tambores e das tuas flautas, estava em ti; no dia em que foste criado, eles foram preparados; perfeito foste em teus caminhos, desde o dia em que foste criado” (28:12, 13, 15).

Qualquer um pode ver que tais expressões significam as coisas celestes e espirituais da fé e não pedras. Mesmo cada uma das pedras representava algum essencial da fé.

115.          Quando nomeavam as terras, os antiquíssimos entendiam as coisas que elas significavam. É como os que hoje têm a ideia de que a “terra de Canaan” e o “Monte Sião” significam o céu: esses, quando falam esses nomes, nem mesmo pensam na terra ou no monte, mas somente nas coisas que esses significam. Assim é aqui, com a “terra de Havilah” que também é mencionada em Gênesis 25:18, onde se trata dos filhos de Ismael, “que habitavam desde Havilah até Shur, que estava junto às faces do Egito ao que vem a Asshur”. Os que estão na ideia celeste não percebem, por essa expressão, outra coisa a não ser a inteligência e as coisas que fluem da inteligência. Como também por “circundar” — no que foi dito que o rio Pishon circunda toda a terra de Havilah — eles percebem “influir”. É como o fato de a pedra shoham que estava sobre os ombros do éfode de Arão ser circundada por um fundo de ouro (Êx. 28:11), no que eles percebem que o bem do amor influi no vero da fé. O mesmo acontece muitas vezes em outras passagens.

116.          Vers. 13: “E o nome do segundo rio, Gichon, o que circunda toda a terra de Cush”. O “segundo rio”, que é chamado “Gichon”, significa a cognição de todas as coisas que são do bem e do vero ou do amor e da fé; a “terra de Cush” significa a mente ou faculdade. A mente é constituída pela vontade e pelo entendimento. As coisas relacionadas com o primeiro rio se referem à vontade e as relacionadas com o segundo, ao entendimento, ao qual pertencem as cognições do bem e do vero.

117.          A terra de Cush ou Etiópia abundava também em ouro, pedra preciosa e produtos aromáticos que, como foi dito, significam o bem, o vero e as coisas agradáveis que pertencem ao bem e vero, tais como as das cognições do amor e da fé. Isso se pode ver pelas passagens citadas acima, no n.º 113, em Isaías 60:6,Mateus 2:1,11, David [Salmo] 72:15. Por “Cush” ou Etiópia, assim como por “Sheba”, entendem‑se coisas semelhantes na Palavra. Isto se vê nos Profetas, como em Sofonias, onde também se nomeiam os rios de Cush:

“De manhã, Seu juízo dará por luz... porque então Me voltarei para povos de lábio claro, para que invoquem, todos eles, o nome de Jehovah, para que O sirvam de um só ombro... d'além dos rios de Cush, os adoradores Meus... trarão Minha oferta” (3:5,9,10).

E em Daniel, onde se trata do rei do norte e do sul:

“Dominará sobre os tesouros [recondita] de ouro e de prata, e sobre todas as coisas desejáveis do Egito; e os líbios e egípcios estarão sob seus passos” (11:43).

Em Ezequiel:

“Os mercadores de Sheba e de Raama, eles [eram] os teus mercadores nos primeiros de todos os aromáticos, e em toda pedra preciosa, e em ouro” (27:22),

que significam igualmente as cognições da fé. Em David, onde se trata do Senhor, por conseguinte do homem celeste:

“Nos dias dEle florescerá o justo e [haverá] abundância de paz até que não haja mais lua... os reis de Tarshish e das ilhas levarão ofertas; os reis de Sheba e de Seba trarão dons” (Sal. 72:7,10);

pelas coisas que antecedem e seguem, vê‑se que essas expressões significam coisas celestiais da fé. Coisas semelhantes são significadas pela rainha de Sheba, que veio a Salomão, propôs‑lhe enigmas e trouxe‑lhe produtos aromáticos, ouro e pedras preciosas (I Reis 10:1‑3), pois todas as coisas  que estão nos históricos da Palavra, bem como nos Profetas, significam, representam e envolvem arcanos.

118.          Vers. 14: “E o nome do terceiro rio, Hiddekel, o que vai orientalmente para Asshur; e o quarto rio, ele é Phrath”. O “rio Hiddekel” é a razão ou a perspicácia da razão; “Asshur” é a mente racional; que o rio vá “orientalmente para Asshur” significa que a clareza da razão vem do Senhor, pelo homem interno, à mente racional, que pertence ao homem externo. “Phrath” ou “Eufrates” é o conhecimento, que é o último ou o termo.

119.          Que “Asshur” signifique a mente racional ou o racional do homem, vê‑se claramente nos Profetas, como em Ezequiel:

“Eis, Asshur [era] um cedro no Líbano, de ramos formosos, de bosque umbroso e alta estatura; e entre espessos [ramos] estava o seu broto. As águas fizeram‑na crescer, a profundeza das águas a exaltou, um rio corria ao redor de sua planta” (31: 3,4).

O racional é chamado “cedro no Líbano”; o “broto entre [ramos] espessos” significa os conhecimentos da memória, que são assim. Em Isaías é ainda mais claro:

“Naquele dia haverá uma vereda do Egito para Asshur, e virá Asshur ao Egito, e o Egito a Asshur, e os egípcios servirão a Asshur. Naquele dia, Israel será o terceiro com o Egito e Asshur, bênção no meio da terra, que Jehovah Zebaoth abençoará, dizendo: Bendito o meu povo, o Egito, e a obra de Minhas mãos, Asshur, e a Minha herança, Israel” (19:23‑25);

aí e em outros lugares, pelo “Egito” é significado o conhecimento; por “Asshur”, a razão; por “Israel”, a inteligência.

120.          Como o Egito, o Eufrates também significa a ciência ou os conhecimentos, bem como as coisas dos sentidos das quais provêm os conhecimentos. É o que se vê pela Palavra nos Profetas, como em Miquéias:

“Diz a inimiga: Onde está Jehovah teu Deus?... [No] dia em que Ele edificará as tuas muralhas; nesse dia, longe estará o estatuto; nesse dia, e até ti Ele virá de Asshur, e até às cidades do Egito e até o rio [Eufrates]” (7:10‑12);

assim falaram a respeito do Advento do Senhor, Que vai regenerar o homem para fazê‑lo semelhante ao celeste. Em Jeremias:

“Que há para ti no caminho do Egito, para beber as águas de Schichor? E que há para ti no caminho de Asshur, para beber as águas do rio [Eufrates]? (2:18),

onde o “Egito” e o “Eufrates” são tomados semelhantemente pelos conhecimentos e “Asshur” pelos raciocínios daí derivados. Em David:

“Fizeste sair uma vide do Egito, expulsaste as nações e a plantaste; ...estendeste a sua ramagem até o mar, e até o rio (Eufrates) os seus ramos” (Salmo 80:9,11),

onde também o rio Eufrates é tomado pelas coisas dos sentidos e dos conhecimentos. Com efeito, o Eufrates era o limite entre Asshur e os domínios de Israel, como o conhecimento da memória é o limite da inteligência e da sabedoria do homem espiritual e celeste. A mesma coisa é significada por estas palavras que foram ditas a Abraham:

“À tua semente darei esta terra, desde o rio do Egito até o rio grande, o rio Eufrates” (Gên. 15:18);

estes dois limites significam coisas semelhantes.

121.          Por esses rios pode‑se ver qual é a ordem celeste ou como procedem as coisas que pertencem à vida, a saber: procedem do Senhor, que é o Oriente. D'Ele vem a sabedoria, pela sabedoria a inteligência e pela inteligência a razão; assim, pela razão são vivificados os conhecimentos, que são da memória. Esta é a ordem da vida; tais são os homens celestes. Como os anciões de Israel representavam os homens celestes, por isso foram chamados “sábios, inteligentes e entendidos” (Deut. 1:13, 15). Semelhantemente se disse a respeito de Bezaleel, que construiu a arca,

“que era cheio do espírito de Deus, em sabedoria, em inteligência e em conhecimento [scientia], e em toda obra” (Êxodo 31:3, 35:31, 36:1,2).

122.          Vers. 15: “E tomou JehovahDeus o homem e pô-lo no jardim do Éden para cultivá‑lo e para guardá‑lo”. Pelo “jardim do Éden” são significadas todas as coisas que estão no homem celeste, das quais se trata aqui; por “cultivá‑lo e guardá‑lo” é significado que lhe foi concedido fruir de todas essas coisas, mas não possuí‑las como suas, porquanto são do Senhor.

123.          Que todas e cada uma das coisas sejam do Senhor, o homem celeste reconhece porque o percebe. O homem espiritual também o reconhece, todavia de boca, porque o sabe pela Palavra. O homem mundano e corpóreo não o reconhece nem o admite, mas diz que são suas todas as coisas que estão nele e pensa que pereceria  inteiramente, se as perdesse.

124.          Que a sabedoria, a razão e o conhecimento [scientia] não sejam do homem, mas do Senhor, vê‑se claramente pelo que Ele o ensinou, como em Mateus, onde Se compara ao Pai de família que plantou uma vinha, circundou‑a com uma sebe e arrendou‑a a agricultores (21:33). Em João:

“O Espírito da verdade vos conduzirá em toda a verdade; pois não falará por si mesmo, mas tudo o que ouvir, falará; ...ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu, e vos anunciará” (16:13,14);

depois, no mesmo livro:

“Não pode o homem tomar coisa alguma a não ser que lhe seja dada do céu” (3:27).

Aquele a quem foi dado saber pelo menos uns poucos arcanos do céu, esse sabe que, assim, é.

125.          Vers. 16: “E JehovahDeus ordenou ao homem a respeito dele, dizendo: De toda árvore do jardim, comendo comerás”. “Comer de toda árvore” é conhecer e saber, pela percepção, o que é o bem e o vero, pois, como foi dito, a percepção é a “árvore”. As pessoas da Igreja Antiquíssimatinham, por meio de revelações, cognições da verdadeira fé, pois falavam com o Senhor e com os anjos. Também eram instruídas por visões e sonhos que lhes eram agradabilíssimos e paradisíacos. Tinham continuamente uma percepção vinda do Senhor, que era tal que, quando pensavam pelas coisas que eram da memória, logo percebiam se eram ou não conforme o vero e o bem, a ponto de que, quando o falso se apresentava, não só se desviavam, mas também lhe tinham horror. Tal é também o estado dos anjos. Mas, em lugar da percepção da Igreja Antiquíssima, sucedeu depois a cognição do vero e do bem pelas coisas reveladas antes, por conseguinte pelas coisas reveladas na Palavra.

126.          Vers. 17: “Mas da árvore da ciência do bem e do mal, não comerás dela, porque no dia em que comeres dela, morrendo morrerás”. Essas expressões, bem como as anteriores, significam que é permitido, por toda percepção vinda do Senhor, conhecer o que é o vero e o bem, mas não por si mesmo e pelo mundo, ou inquirir os mistérios da fé pelas coisas dos sentidos e dos conhecimentos, pelo que morre o celeste do homem.

127.          A vontade das pessoas de inquirir os mistérios da fé por meio das coisas dos sentidos e dos conhecimentos foi a causa da queda não só da Igreja Antiquíssima, isto é, de sua posteridade — de que se tratará no capítulo seguinte — mas também é a causa da queda de toda Igreja, pois daí procedem não só as falsidades, mas também os males da vida.

128.          O homem corpóreo e mundano diz em seu coração: “Se eu não for instruído a respeito da fé e das coisas que pertencem à fé, por meio dos sentidos para que eu veja, ou pelos conhecimentos para que eu entenda, não crerei”; e confirma‑se em que as coisas naturais não podem ser contrárias às espirituais. Por isso, quer instruir‑se pelos sentidos a respeito das coisas celestes e Divinas, o que, todavia, é tão impossível quanto um camelo passar pelo fundo de uma agulha. Quanto mais deseja saber por esse meio, mais se cega, até o ponto de não crer em mais nada, nem mesmo que exista algum espiritual ou a vida eterna. Isso vem do princípio que adotou. É isto que é “comer da árvore da ciência do bem e do mal”; quanto mais ele come dessa árvore, mais fica morto. Aquele, todavia, que não quer saber pelo mundo mas pelo Senhor, esse diz em seu coração que se deve crer no Senhor, isto é, nas coisas que o Senhor falou na Palavra porque são verdades, e, por este princípio, ele pensa. Ele se confirma pelas coisas racionais, científicas, sensuais e naturais, e as que não são confirmatórias, ele as separa.

129.          Qualquer um pode saber que os princípios adotados, até os mais falsos, governam o homem, e que todo conhecimento e todo raciocínio favorecem esses princípios, pois inúmeros assentimentos lhe ocorrem e, assim, ele se confirma nos falsos. Por isso, aquele cujo princípio é não crer em coisa alguma antes que veja e entenda, nunca pode crer, pois não vê as coisas espirituais e celestes com os olhos nem as compreende pela imaginação. Mas a ordem verdadeira é que a pessoa saiba pelo Senhor, isto é, pela Palavra; então todas as coisas sucedem e ela é esclarecida também nas coisas racionais e dos conhecimentos. Porquanto jamais se proibiu instruir‑se pelos conhecimentos, pois eles são úteis à vida e deleitáveis, e nem se proibiu aos que estão na fé pensar e falar como os eruditos do mundo, mas por este princípio: que creia na Palavra do Senhor e confirme as verdades espirituais e celestes pelas verdades naturais, tanto quanto possível em termos familiares ao mundo erudito. Portanto, o princípio será procedente do Senhor, não de si mesmo. Esta é a vida, mas aquela é a morte.

130.          Aquele que quer saber pelo mundo, seu “jardim” são as coisas do sentido e do conhecimento; seu “Éden” é o amor de si e do mundo; seu “oriente” é o ocidente ou ele mesmo; seu “rio Eufrates” é todo o seu conhecimento, que é condenado; o “outro rio”, onde está “Asshur”, é o raciocínio insensato e daí as falsidades; o “terceiro rio”, onde está “Cush” são os princípios do mal e do falso daí derivados, que são as cognições de sua fé; o “quarto” é a sabedoria derivada daí, que na Palavra se chama magia; por isso o “Egito”, que significa a ciência depois de esta ter‑se tornado magia, significa uma tal pessoa, e mesmo pelo fato de ela querer saber por si mesma, do que se fala em várias passagens na Palavra. Desses, assim se diz em Ezequiel:

“Assim disse o Senhor Jehovih: Eis que Eu estou contra ti, Faraó, rei do Egito, baleia grande, que se deita no meio de seus rios, que disse: Meu, o meu rio, e eu o fiz para mim; ...e estará a terra do Egito em solidão e devastação; e conhecerão que Eu sou Jehovah, por causa do que disse: Meu rio, e eu o fiz” (29:3,10).

Tais pessoas são também chamadas “árvore do Éden no inferno” no mesmo profeta, onde também se trata de Faraó ou do Egito, nestas palavras:

“...Quando o tiver feito descer ao inferno, com os que descem à cova... A quem te tornaste semelhante em glória e em grandeza entre as árvores do Éden? Quando tiveres de descer com as árvores do Éden à terra inferior, no meio dos incircuncisos, com os traspassados à espada. Este é Faraó e toda a sua turba” (31:16,18),

onde as “árvores do Éden” estão em lugar dos conhecimentos e das cognições provenientes da Palavra que, assim, profanam pelos raciocínios.

 



[1]     Shoham ou Schoham é, talvez, o mesmo que ônix.
[2]     Hiddekel ou Hidekkel= o mesmo que Tigris.
[3]     Asshur= Assíria.
[4]     Phrath= Eufrates.
[5]     Literalmente do hebraico = 'akolto'kel, repetição enfática do verbo comer que Swedenborg traduz para o latim como edendoedas.
[6]     Literalmente do hebraico = mothtamuth, ênfase do verbo morrer que Swedenborg traduz  moriendomorieris.

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Sobre o curso

 "No princípio criou DEUS o céu e a terra". O "princípio" chama-se o tempo antiqüíssimo; e pelos profetas, em vários lugares, "dias da antigüidade" como também "dias da eternidade". O princípio envolve também o primeiro tempo quando o homem é regenerado, porque então nasce de novo e recebe vida. Daí é que a regeneração mesma é chamada nova criação do homem. "Criar, formar e fazer", em quase toda parte nos profetas, significam, com diferenças, regenerar; como em Isaías:&16. Vers. 1: "No princípio criou DEUS o céu e a terra". O "princípio" chama-se o tempo antiqüíssimo; e pelos profetas, em vários lugares, "dias da antigüidade" como também "dias da eternidade". O princípio envolve também o primeiro tempo quando o homem é regenerado, porque então nasce de novo e recebe vida. Daí é que a regeneração mesma é chamada nova criação do homem. "Criar, formar e fazer", em quase toda parte nos profetas, significam, com diferenças, regenerar; como em Isaías:"Todo aquele que é chamado pelo Meu nome, e para a Minha glória o criei, o formei e também o fiz" (43:7).Por isso o SENHOR é chamado Redentor, Formador desde o útero, Feitor e também Criador, como no mesmo profeta:"Eu JEHOVAH, Santo vosso, o Criador de Israel, Rei vosso" (43:15);em David (Salmos):"O povo criado louvará JAH" (102:19).No mesmo:"Envias o espírito Teu, serão criados, e renovas as faces do humo" (104:30).Que o "céu" signifique o homem interno, e a "terra" o homem externo antes da regeneração, será visto pelo que se segue.
(Da Obra Arcanos Celestes Vol. 01)

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