O Juízo Final

O Reino de Deus está dentro de vós. (Lc. 17:21)

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LEITURA 01 - Tema: "Ouve Israel: JEHOVAH, nosso Deus, é um JEHOVAH" (Deut. 6:4) [Aula em vídeo]
A importância da ideia de Deus. [Aqui o Link da Aula - Online] Aula gratuita!

 A importância da ideia de Deus.

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Segue-se um extrato do primeiro capítulo de Verdadeira Religião Cristã:

“A Igreja que o Senhor tinha instaurado por eles [os discípulos], está hoje de tal modo consumada, que dela subsistem apenas alguns restos. Isso aconteceu porque se dividiu a Divina Trindade em três Pessoas, das quais cada uma é Deus e Senhor, e daí decorreu um frenesi em toda a Teologia, portanto, na Igreja que pelo nome do Senhor é chamada Cristã.

“Diz-se frenesi porque as mentes humanas foram por isso arrastadas a um delírio tal que não se sabe se há um único Deus ou se há três; não há senão um na linguagem da boca, mas há três no pensamento da mente; a mente está, portanto, em oposição com a boca ou o pensamento com a linguagem; desta oposição resulta que não se reconhece nenhum Deus; o naturalismo que reina hoje não tem outra origem. Faz disso, se quiseres, o exame: Quando a boca diz um e a mente pensa em três, não acontece que dentro, no meio do caminho, um expulsa o outro, e isso reciprocamente? Daí o homem dificilmente pensa de outro modo sobre Deus, se é que o pensa, a não ser segundo a palavra nua de Deus, sem nenhum sentido que envolva um conhecimento de Deus.

“Pois que a ideia de Deus, com toda noção que possa ter dela, foi assim dissipada, vou, em sua ordem, tratar de Deus Criador, do Senhor Redentor e do Espírito Santo em sua operação e da Divina Trindade; e isso a fim de que o que foi dissipado seja restabelecido, o que acontece quando a razão humana, segundo a Palavra e a luz que dela provêm, está convencida de que há uma Divina Trindade e que esta Trindade está no Senhor Deus Salvador Jesus Cristo, como a Alma, o Corpo e o Procedente estão no homem. E assim permanece em vigor esta passagem do Credo de Atanásio, que no Cristo, Deus e o Homem, ou o Divino e o Humano, não são dois, mas estão em uma única Pessoa; e que, como a Alma racional e a Carne, são um único homem, do mesmo modo, Deus e o Homem são um único Cristo.

Verdadeira Religião Cristã, 4

 

E é justamente essa, a ideia principal, aquela sobre a qual paira a maior obscuridade no cristianismo. E nem estamos nos referindo ao ateísmo, mas somente ao  cristianismo em si. Porque, quem pode responder com certeza às perguntas: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem pode entender o chamado ‘mistério da Trindade’? E se, afinal, essa ideia é tão importante, será que não foi esclarecida abertamente na letra das Escrituras? Qual ideia é a correta a respeito de Deus?

A fim de analisarmos adequadamente estas questões e, talvez, chegarmos a uma resposta satisfatória para elas, vejamos a forma como o Rev. Douglas Taylor abordou esse tema, e como ele respondeu a dúvida “Quem é Jesus?”. E ele fez isso recorrendo exclusivamente à própria letra da Palavra, porque, sim, a Palavra tem a resposta para todas as nossas questões, principalmente para as que se referem à pessoa Divina.

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Quem é Jesus? Aula gratuita!

Quem é Jesus?

 “E vindo Jesus às partes de Cesareia de Filipo, perguntou a seus discípulos, dizendo: Quem os homens dizem que eu sou, o Filho do homem? E eles disseram: Alguns, João Batista, e outros, Elias, e outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? (Mateus 16:13-16) (ARe)

 

O Senhor fez esta pergunta aos discípulos há dois mil anos, mas esta questão é eterna. Ainda é importante, nos dias de hoje, e sempre será. A resposta que dermos à pergunta “quem é Jesus?” tem um profundo efeito em nossa vida no mundo e na eternidade.

Está escrito que Simão Pedro respondeu à pergunta do Senhor, dizendo:

 “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16).

Por sua resposta, Pedro foi muito elogiado pelo Senhor, que lhe disse que aquela fora uma resposta divinamente inspirada (Mt.16:17). De tudo o que se pode concluir daí, uma coisa é clara: ensina-se que Jesus é, de alguma forma, DIVINO. E mais, somos avisados no Evangelho de João que:

 “Quem crê n'Ele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus (Jo.3:18).

Mas, será suficiente dizer que “Jesus é de algum modo Divino?” É bem sabido que não há ideia mais importante a ser claramente entendida do que a ideia sobre Deus. Não é somente uma questão de estudo sobre o qual os teólogos formulam teorias monótonas. A nossa ideia sobre Deus governa e controla todas as nossas vontades e pensamentos, mesmo quando não estamos conscientes dela, e mesmo que estejamos ou não. Até a ideia que um ateu tem sobre Deus penetra em todos os seus pensamentos e influencia suas emoções e sua vida muito além do que ele imagina.

O primeiro grande mandamento diz que devemos amar o Senhor com todo o nosso coração, alma, mente e força. Mas, quem é o Senhor? É Jehovah do Velho Testamento? ou Jesus do Novo Testamento? ou são eles a mesma Pessoa Divina?

Para que possamos viver a vida da religião, é necessário que tenhamos uma ideia clara de Deus.

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A ideia cristã a respeito de Deus Aula gratuita!

A ideia cristã a respeito de Deus

A ideia de Deus que há séculos predomina no cristianismo é a de que HÁ TRÊS PESSOAS EM DEUS, sendo cada uma delas Deus, sem, no entanto, existirem três Deuses, mas somente um. Ninguém entende isto. Admite-se ser coisa completamente incompreensível. Por isso chamam esse conceito de “mistério”, que deve permanecer assim.

É claro que nunca poderemos entender TUDO sobre Deus, porque Ele é Infinito e nós somos finitos. Na verdade, precisaríamos de um entendimento “divino”, infinito, para compreender completamente o Infinito.

Neste ponto, muitos debates são encerrados. Mas o ponto onde a inteligência humana tem de parar e admitir que não pode ir mais além está muito mais distante do que normalmente se imagina.

A doutrina a respeito do Senhor e a resposta para a nossa pergunta “quem é Jesus?” podem ser extraídas não somente do sentido espiritual ou interno da Palavra de Deus, mas também das passagens literais do Velho e Novo Testamento, principalmente se seguirmos duas regras básicas de bom senso, regras que, infelizmente, têm sido postas de lado no campo do estudo bíblico: 1) Reunir todas as passagens sobre o assunto (ou, pelo menos, uma amostra que bem as represente).  2) Usar somente as frases explícitas, que tenham um só significado, como base e ponto de partida.

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O que as escrituras ensinam sobre Deus Aula gratuita!

O que as escrituras ensinam sobre Deus

As passagens das Escrituras que ensinam sobre o assunto “quem é Jesus?” dividem-se naturalmente em dois grupos que, à primeira vista, são contraditórios.

O primeiro grupo de passagens parece dizer que Deus Pai (ou Jehovah, do Velho Testamento) é UMA pessoa, e Jesus, o Filho de Deus, é OUTRA pessoa, distinta e separada.

Mas há também o segundo grupo de passagens, as que ensinam que eles são UMA E A MESMA PESSOA. Que o Jehovah do Velho Testamento e o Jesus do Novo são a mesma Pessoa Divina.

Parece haver um conflito. Então, para que a verdadeira doutrina apareça, estes dois grupos aparentemente conflitantes devem ser conciliados.

Aqui estão alguns exemplos das passagens que parecem ensinar que Jehovah e Jesus são pessoas diferentes:

 Jesus disse: “...pois que Eu saí, e vim de Deus (João 8:42).

 “...o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai (João 5:19).

 Simão Pedro disse:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16).

No batismo do Senhor, ouviu-se uma voz do céu dizer:

 “Este é o Meu Filho amado, em quem me comprazo (Mateus 3:17).

O Senhor também disse:

 “...Meu Pai é maior do que Eu (João 14:28).

 E: “Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:6)

Jesus disse na cruz:

 “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

 E: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27:46).

E também, após a ressurreição, o Senhor disse aos discípulos:

 “...ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mateus 28:19).

Nesta última passagem, não só parece que o Pai e o Filho são distintos, como ainda há uma TERCEIRA Pessoa ou SER divino, o Espírito Santo.

Se fôssemos consultar somente passagens como estas e ignorar todas as outras que estão em conflito com elas, poderíamos chegar à conclusão de que Deus está em três Pessoas. Isto é muito estranho para quem refletir ao menos um pouco, porque o bom senso diz que simplesmente NÃO PODE HAVER TRÊS PESSOAS DIVINAS, ou três Seres Divinos, pois isto é o mesmo que dizer que há três Infinitos, ou três Deuses! É tarefa inútil tentar unir três divindades distintas num só Deus.

Uma das saídas para esta frustração é notar que jamais é dito de maneira explícita que o Pai e o Filho são duas pessoas distintas. Isto nunca foi dito na Palavra. Não obstante, é o que foi deduzido, sem um maior esclarecimento, pelos concílios da Igreja Cristã, de 325 AD em diante, e é o que tem sido impensadamente aceito como a fé ortodoxa cristã em si. Entretanto, por mais que se procure, nunca se encontrará uma única passagem na Palavra que diga explicitamente que o Pai e o Filho são dois; que aquele que vê o Filho tem ainda de ver o Pai. Na verdade, vamos encontrar exatamente o oposto, como veremos mais adiante.

A outra saída é também notar que, conquanto geralmente se pense que as palavras “Pai” e “Filho” nestas passagens sempre se referem a pessoas, isto não é necessariamente verdade. Não dizemos às vezes que “tal homem é o PAI dos pobres? ou que Sócrates foi o PAI da filosofia? Pois na Palavra achamos um emprego similar do termo “pai”:

 “...quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (João 8:44).

Por estas considerações podemos ver como é arriscado tomar um só dos possíveis significados de um termo e sobre ele construir toda uma doutrina. Mesmo que o emprego real de “pai” e “filho” se refira a pessoas diferentes, se tomarmos isto como princípio, vamos encontrar várias dificuldades, especialmente com aquele segundo grupo de passagens mencionado acima, das que ensinam que Deus Pai e Deus Filho são a mesma e única Pessoa Divina.

Por exemplo, o que se pode dizer quando lemos no Velho Testamento esta conhecida profecia do Advento do Senhor?

 “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre seus ombros, e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Isaías 9:6).

Aqui não se pode duvidar que Aquele que é chamado de “menino” e “filho” é também chamado de “Deus forte” e “Pai”, “Pai da eternidade”.

Só há um Deus forte. Isto é o que nos dita a nossa razão e o que está conforme as próprias Escrituras:

 “...antes de Mim deus nenhum se formou, e depois de Mim nenhum haverá”. “Eu, eu sou o Senhor, e fora de Mim não há Salvador (Isaías 43:10,11).

 “Eu sou o primeiro e o último, e fora de Mim não há Deus (Isaías 44:6).

 “Eu sou o Senhor; este é o Meu nome; a Minha glória pois a outrem não darei (Isaías 42:8; 48:11).

 “...porventura não sou Eu, o Senhor? e não há outro Deus senão Eu. Deus justo e salvador não o há fora de Mim. Virai-vos para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há outro (Isaías 45:22).

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Há um só Deus Aula gratuita!

Há um só Deus

A doutrina de que não há outro Deus além de Jehovah define a nossa compreensão de outra profecia de Isaías:

 “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel (7:14).

Visto que o nome “Emanuel” não pode ser traduzido de outra maneira a não ser “Deus conosco”, segue-se, como conclusão irresistível, que era o Senhor Deus, Jehovah, o único Deus, que viria ao mundo como o Salvador, e nasceria aqui como o filho de uma virgem. Este é, de fato, o tema de todas as passagens do Velho Testamento que tratam do advento do Messias. Tomemos, por exemplo, as seguintes passagens:

 “E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor... na Sua salvação pois gozaremos e nos alegraremos (Isaías 25:9).

 “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai no ermo a vereda do nosso Deus... Eis que o Senhor Jehovah virá contra o forte (Isaías 40:3,10).

Aqui, novamente, a mensagem é que o Senhor Criador, Ele mesmo, viria como o Redentor e Salvador.

E mais, no Velho Testamento o Senhor Jehovah diz que Ele é o Primeiro e o Último, enquanto no Novo Testamento, no Apocalipse, Jesus diz que ELE é o Primeiro e o Último. Ora, é impossível se ter DUAS pessoas cada uma delas sendo a primeira e a última. Obviamente, deve ser a MESMA PESSOA que está sendo descrita nos dois casos. Lembremo-nos também de que o Senhor, no Velho Testamento, diz que ELE é o único Salvador, e que a Sua glória Ele não daria a outrem. Contudo, no Novo Testamento, JESUS é chamado o Salvador.

Não se conclui, portanto, que Jesus deve ser JEHOVAH NA FORMA HUMANA? Pois esta ideia é reforçada quando se sabe que o nome “JESUS” quer dizer “Jehovah Salva”!

É em total conformidade com isto que vemos no Novo Testamento o Senhor dizer à multidão:

 “Eu e o Pai somos UM (João 10:30).

Não “dois”, mas “um”. E Ele não diz nada sobre eles serem “um em propósito” ou qualquer coisa assim. Ele diz simplesmente “um”. De qualquer forma, a Sua audiência entendeu muito bem o significado de Suas palavras (o único significado possível), e quando pegaram pedras para apedrejá-Lo, Ele perguntando porque o faziam, responderam:

 “...porque, sendo Tu homem, Te fazes Deus a Ti mesmo (João 10:33).

É interessante notar que a Igreja Judaica, que O rejeitou, podia ver claramente o que Ele estava dizendo, enquanto a Igreja Cristã , que O aceitou, ainda não compreendeu Suas palavras e não O conheceu completamente.

Além disso, está escrito no primeiro capítulo de João:

 “No princípio era o Verbo {a Palavra}, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus ...Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez... Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”. (João 1:1,3,10,14).

Aí se diz claramente que foi o Criador do mundo (chamado Verbo) que veio à terra na forma de um Homem.

E novamente, quando estava no mundo, o Senhor disse:

 “...antes que Abrahão existisse, Eu Sou (João 8:58).

“Eu Sou” só tem um sentido: é o nome de Jehovah, conforme se vê em Êxodo 2:14, e significa SER , o único Ser Divino e a Vida mesma. Naquela hora os judeus também entenderam o Senhor dizer: “EU SOU JEHOVAH”, e por isso quiseram apedrejá-lo por blasfêmia.

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JEHOVAH e Jesus são a mesma pessoa Aula gratuita!

JEHOVAH e Jesus são a mesma pessoa

A partir de todas estas passagens, a mensagem torna-se clara: Jehovah (ou o Pai) e Jesus (o Filho) são realmente a mesma Pessoa Divina.

Mas é no 14º  capítulo do Evangelho de João que este ensinamento é dado em sua forma mais clara. Ali, Jesus, tendo Se referido à Sua ida ao Pai, não é compreendido por Tomé e Filipe, que pensam que Ele está Se referindo a uma outra Pessoa. Filipe então diz:

 “Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta (João 14:8).

A resposta do Senhor aqui merece a nossa maior atenção, porque nela o mal-entendido se desfaz:

 “Estou há tanto tempo convosco, e não Me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a Mim, vê o Pai; e como dizes tu, Mostra-nos o Pai? (14:9).

Será que poderia haver resposta mais direta do que esta? Que outro Pai pode haver senão Aquele que os olhos de Filipe contemplavam? O Senhor continuou então a dar uma explicação que fornece a chave para a compreensão de toda a doutrina. Ele disse:

 “...as palavras que Eu vos digo não as digo de Mim mesmo, mas o Pai, que está em Mim, é quem faz as obras”. (vers.10).

Ora, como devemos entender isto? O que é que “está em mim”, “faz as palavras serem ditas” e “faz as obras”? A alma. O que se encaixa mais nesta descrição a não ser a Alma Divina? Não é, por acaso, a alma como um “pai” para o corpo? E não é o corpo um tipo de descendência da alma?

Quando vemos que o “pai” significa o Divino em si ou a Alma Divina, que o “Filho de Deus” significa o Corpo Divino visível e compreensível ao homem, então estamos, pela primeira vez, em condições de entender alguma coisa sobre o Espírito Santo.

 

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Compreendendo a Trindade Aula gratuita!

Compreendendo a Trindade

Existe uma trindade em cada homem --uma trindade humana. Não uma trindade de pessoas, mas uma trindade de essenciais, uma trindade de alma, corpo e aquela intocável influência que flui da união entre a alma e o corpo. Este espírito ou essa influência é, aproximadamente, o que se chama na linguagem popular de “personalidade”. É a esfera que emana da combinação da alma e o corpo, e é isto que tem influência nas outras pessoas.

O homem tem uma tal trindade de alma, corpo e espírito, porque ele foi criado à imagem de Deus, e em Deus há uma Divina Trindade: a Alma Divina, ou o Pai; o Corpo Divino, ou o Filho; e o Espírito Divino, ou o Espírito Santo.

Esta compreensão do relacionamento entre Deus e o Filho é verdadeira, porque ilumina toda a Palavra, tanto o Velho quanto o Novo Testamento. As doutrinas reais da Palavra tornam-se transparentemente claras quando todas as passagens são consideradas à luz destas explicações, e quando aquelas que ensinam sem deixar dúvida de que há um só Deus são tomadas como base.

Assim podemos ver de onde veio a obscuridade ou a confusão (o “mistério”). Veio quando se tomou como base o grupo errado de passagens, aquelas que pareciam ensinar (porque realmente não ensinam) que havia dois Seres Divinos separados. Sob este novo ponto de vista, estas mesmas passagens poderão ser entendidas de maneira diferente, como veremos agora:

 “...pois que Eu saí, e vim de Deus (João 8:42),

quer dizer, o Corpo veio da Alma.

 “...o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma se o não vir fazer ao Pai (João 5:19),

quer dizer, o Corpo não pode fazer nada por si próprio, mas somente o que a Alma o manda fazer.

 “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16),

quer dizer, o Messias, o Corpo do Divino Mesmo, que é a Vida mesma.

 “Este é o Meu Filho amado, em quem me comprazo (João 14:28),

quer dizer, aquele era o Corpo Divino no qual agradou ao Senhor habitar enquanto estava na terra.

 “...Meu Pai é maior do que Eu (João 14:28),

a Alma é maior do que o Corpo, porque o domina.

 “Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:28),

da mesma maneira que não podemos conhecer a alma de uma pessoa senão através do corpo, daquilo que o corpo nos revela, assim também, a única maneira de termos uma ideia da Alma Divina é através do Corpo Divino, que se fez visível ao homem. Ou como em outra passagem:

 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele no-Lo declarou (João 1:18).

E de novo:

 “Porque Deus... deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça... (João 3:16).

Na cruz, o Senhor disse:

 “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27:46)

Ele estava dolorosamente consciente no corpo da exclusão da Alma, na última de todas as Suas tentações, da mesma forma em que nos vemos de modo finito nas nossas tentações. Ali, Ele também disse:

 “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34).

A Alma Divina parece ter perdoado. O perdão vem da influência da alma, e não do corpo. O homem também tem de ser elevado acima da esfera do corpo para que seja capaz de perdoar.

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Conclusão Aula gratuita!

Conclusão

Nesta visão da Trindade, não estamos mais obrigados a imaginar mais do que UMA ÚNICA PESSOA DIVINA, um Infinito. Como se vê, este assunto PODE ser entendido racionalmente. Podemos ver que é no Senhor Jesus Cristo que está a Trindade Divina, assim como em cada homem há uma trindade de alma, corpo e espírito (ou influência que procede da alma e do corpo).

Esta ideia foi conhecida pelos primeiros cristãos, e era assim que eles entendiam Deus, porque, ainda que tivessem sido mandados pelo Senhor batizar em nome do Pai, Filho e Espírito Santo (Mateus 28:19), eles usavam na verdade uma fórmula simplificada: batizavam “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2:38; 8:16; 10:48), porque não havia dúvida de que Jesus era o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E é assim que fazemos na Igreja da Nova Jerusalém.

A ideia que os apóstolos tiveram sobre o Senhor está agora restaurada e cheia de detalhes. Não que seja nova: ela sempre esteve ali, visível, nas Escrituras, e foi admiravelmente resumida por Paulo em uma de suas cartas, com estas palavras:

 “Porque n’Ele (Jesus Cristo) habita corporalmente a plenitude da Divindade (Aos Colossenses 2:9).

Esta é a visão do Senhor que é possível hoje em dia. É uma concepção capaz de se desenvolver incessantemente, e não uma ideia confusa impedida de prosseguir e estultificada pelo dogma de “mistério Divino”. Ela permite a todos imaginarem seu Criador assumindo uma frágil natureza humana a fim de estar mais perto da humanidade, uma natureza humana que podia ser tentada, mas que podia ao final ser glorificada ou feita Divina, tão Divina quanto à Alma, por meio de vitórias sobre aquelas tentações. É por isso que, no final, Jesus pôde verdadeiramente dizer aos discípulos:

 “É-Me dado todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:18).

E Aquele que tem todo o poder é, evidentemente, o Todo-Poderoso. Assim, mesmo tendo duvidado no início, Tomé finalmente ADOROU A JESUS, dizendo:

 “SENHOR meu, e DEUS meu” (João 20:28).

Esta é a imagem do Senhor transfigurado, banhado em luz e glória, o Senhor como o DIVINO HUMANO -Divino desde a Sua Alma interna até os ossos do Seu Corpo. E Esta visão do Senhor é dada a todos os homens agora, porque está revelada em grandes detalhes nas Doutrinas Celestes para a Nova Jerusalém, no cumprimento da promessa do Senhor:

 “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora... Chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai” (João 16:12,25). Amém.

 

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1ª. videoconferência (Para DOWNLOAD Click em 'Aula gratuita" Aula gratuita!

https://youtu.be/Tv6i3bILD5U - Link da primeira video conferência. 

O primeiro capítulo da obra Verdadeira Religião Cristã trata de um ponto que é fundamental para toda religião: a ideia de Deus. Vemos ali uma ampla explanação que nos mostra que essa é, na mente humana, a principal de todas as ideias, e que dela depende todas as demais coisas da religião e, por conseguinte, da vida humana.

No mesmo capítulo aprendemos que existem conceitos ou pontos de fé que são essenciais a uma crença genuína, e esses pontos são apresentados como doutrinais universais e singulares da fé. No que se refere ao homem, o primeiro ponto singular da fé consiste no seguinte: “Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo”.

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LEITURA 02 - Tema: "O Reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:20-21) [Aula em vídeo]
2ª. videoconferência (Para DOWNLOAD Click em 'Aula gratuita" [Aqui o Link da Aula - Online] Aula gratuita!

O Juízo Final

Link da aula II

Parte 1 - 2ª. Videoconferência

 

I.        O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo

II.      As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão

III.     O céu e o inferno procedem do gênero humano

 

“E perguntado pelos fariseus quando o Reino de Deus havia de vir, respondeu-lhes, e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior.Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, Ei-lo ali; porque eis que o Reino de Deus está entre vós.” (Lucas 17:20, 21)

Toda doutrina da Igreja deve ser extraída da Palavra, ou Escritura Santa, em seu sentido literal, e por esse sentido deve ser corroborada. Mesmo que estejamos estudando as obras doutrinárias de Swedenborg, sempre vemos e procuramos mostrar como todo esse conjunto de informação tem base bíblica, porque foram inspiradas enquanto ele estudava profundamente a Bíblia. Após anos de estudo e inspiração, lendo a letra da Palavra em suas línguas originais, ele escreveu uma imensa quantidade de livros a que chamamos Escritos, mostrando-nos que existe um sentido espiritual ou simbólico em cada detalhe do sentido da letra.

A letra da Palavra é, pois, a fonte e o fundamento desse nosso estudo sobre o JF, conforme veremos em toda a sequência.Sendo assim, além de lermos dos trechos do livro O Juízo Final e a Babilônia Destruída propriamente dito,tentaremos demonstrar também as passagens da Palavra de que esses doutrinais foram extraídos e nos quais estão fundamentados.

A primeira afirmação do livro é “O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo”.Esta é uma grande novidade, porque, até agora, nós, cristãos, tínhamos imaginado que o grande julgamento ocorrerá juntamente com grandes cataclismos, resultando no fim de todas as coisas materiais.

E, obviamente, esse conceito apavorante não foi inventado do nada, mas vem também de passagens literais da Bíblia, as quais têm sido ensinadas e pregadas há séculos em todas as denominações cristãs.

“Aqueles que não conhecem o sentido espiritual da Palavra não compreendem outra coisa senão que no dia do juízo final devem ser destruídas todas as coisas visíveis no mundo, porque dizem que então devem perecer o céu e a terra; e que Deus deve criar um novo céu e uma nova terra. Eles também se confirmaram nessa opinião porque é dito que naquele dia todos sairão dos túmulos, que os bons serão separados dos maus etc. Mas isso é dito no sentido da letra da Palavra porque esse sentido é natural e está no último da ordem Divina, onde todas as coisas, em geral e em particular, têm dentro de si um sentido espiritual. Quem compreender a Palavra somente segundo o sentido da sua letra pode ser levado a várias opiniões, como ocorre no mundo cristão, onde por esse motivo há tantas heresias, cada uma delas confirmada na Palavra.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 1).

Essas várias opiniões podem ser resumidas nas seguintes:

1) Que, no fim dos tempos, Jesus voltará ao mundo, aparecendo fisicamente na nuvens. Onde se baseia na Bíblia: “E, então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória.”Mateus 24:30, Marcos 13:26, Lucas 21:27.  Um anjo disse aos apóstolos:“Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” Atos 1:11. 

2) Que seu aparecimento será físico,visível e manifesto a todos:“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram.”Apocalipse 1:7 

3) Que, antes dessa segunda vinda, aflições, guerras e terremotos acontecerão em todo o mundo, e esses eventos são tidos como prenúncio do fim dos tempos:“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.”Mateus 24:6 

4) Que outro evento extraordinário precederá o fim – o chamado arrebatamento, quando os fiéis serão subitamente elevados aos céus para se encontrarem com Jesus nos ares:  “Digo-vos que, naquela noite, estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. ... Dois estarão no campo; um será tomado, e outro será deixado.”Lucas 17:34:36. Aliás, a doutrina do arrebatamento está mais fortemente baseada na afirmação do apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.  Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.1Tessalonicenses4:15-17: 

5) Que todas essas coisas acontecerão a qualquer momento. Cada geração de cristãos tem pensado e aguardado que a volta de Jesus e o fim dos tempos acontecerá em sua geração. Tem sido assim desde o começo do cristianismo e nós herdamos a interpretação simples da igreja cristã primitiva. Paulo pensava que a volta de Jesus para o juízo estava tão próxima que aconteceria ainda em seu tempo de vida, pois disse: “nós, os que ficarmos vivos”.Também o apóstolo Pedro ensinou assim: “Já está próximo o fim de todas as coisas” 1Pe. 4:1

6) Que, depois da vinda de Jesus, seguir-se-á a destruição de todos os elementos e de todo o universo, como também foi ensinada por Pedro:“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. ...O Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão.”2Pedro 3:7, 10 

Esses são exemplos dos principais pontos de fé das igrejas cristãs sobre o fim dos tempos e o juízo. Por aí se pode ver que todas expectativas a respeito do juízo foram e são resultados de uma interpretação meramente literal das Escrituras, começando dos tempos apostólicos até os dias de hoje. Os cristãos primitivos, incluindo Paulo e Pedro, e os de hoje, entendiam e entendem que os relatos bíblicos teriam cumprimento físico. Mas lemos na obra em exame:

“Aqueles que não conhecem o sentido espiritual da Palavra não compreendem outra coisa senão que no dia do juízo final devem ser destruídas todas as coisas visíveis no mundo, porque dizem que então devem perecer o céu e a terra; e que Deus deve criar um novo céu e uma nova terra. Eles também se confirmaram nessa opinião porque é dito que naquele dia todos sairão dos túmulos, que os bons serão separados dos maus etc. Mas isso é dito no sentido da letra da Palavra porque esse sentido é natural e está no último da ordem Divina, onde todas as coisas, em geral e em particular, têm dentro de si um sentido espiritual. Quem compreender a Palavra somente segundo o sentido da sua letra pode ser levado a várias opiniões, como ocorre no mundo cristão, onde por esse motivo há tantas heresias, cada uma delas confirmada na Palavra.” O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 1.

Para os que creem com simplicidade no sentido literal das Escrituras, essas expectativas a respeito da volta de Jesus e a respeito do juízo segundo a interpretação literal das Escrituras não trazem problema algum. Gerações de cristãos têm crido dessa maneira por toda a sua vida e morrido nessa expectativa, sem que isso abale a sua fé ou prejudique a sua salvação.Essas pessoas tiveram a mesma simplicidade dos cristãos primitivos, que receberam ensinamentos literais sem questioná-los e sem prestar atenção às suas aparentes incongruências.

No entanto, há aqueles que analisam um pouco mais profundamente a Bíblia com uma mente aberta e não obscurecida pelas várias interpretações doutrinárias, algumas delas inteiramente opostas entre si. Eles querem saber o que realmente a Palavra diz. E há aqueles que tendem para o ceticismo e a negação da divindade da Palavra. Para esses,essas profecias, ou melhor, as interpretações delas, se tornam um conjunto de pontos de dúvida, porque envolvemcertas impossibilidades físicas e mesmo contradições entre si.

Esses dois últimos tiposde pessoas, o inquiridor de boa fé e o cético, têm dificuldade de aceitar os ensinamentos literais da Bíblia sobre o Juízo Final. E como as explicações das igrejas se baseiam nas mesmas aparentes incongruências, eles ficam na escuridão ou, pior, na negação, por falta de ensino. Porque elas não podem aceitar, por exemplo, o que o Apocalipse diz, que estrelas, ou a terça parte delas, cairão sobre a Terra (Apocalipse 6:13, 12:4), e a humanidade ainda sobreviva. Há dois mil anos não se conhecia a respeito do tamanho dos corpos celestes e essa crença simples talvez não fosse um problema, por sua impossibilidade física, mas hoje é diferente.

Ou, como o céu visível pode se enrolar como fosse um rolo de pergaminho (Apocalipse6:14),visto que o firmamento não é uma abóbada sólida, como se cria até a Idade Média. E assim por diante, a mesma dificuldade surge para essas pessoas quando elas tentam entender a literalidade das profecias sobre o Juízo Final.

É certo que alguém poderia argumentar que não se podem aplicar leis naturais aos ensinamentos da Bíblia, e que se deve crer no que a Bíblia diz, quer se entenda, quer não. Mas, desse modo, os próprios mestres e teólogos cristãos, ao insistirem na interpretação literal, acabam lançando mais descrédito na Mensagem Divina, pois eles acabam ponto a Palavra em confrontação com a ciência. E quanto mais os ensinos da igreja insistem na interpretação literal, mais eles fomentam essa confrontação inútil, e, por conseguinte, mais dão motivos ànegatividade, o naturalismo e o ateísmo.

Contudo, não são apenas impossibilidades físicas que os céticos levantam em oposição. Há, também, as tais incongruências ou contradições dentro da própria interpretação literal das profecias.Ora, sabemos que a Palavra de Deus transcende toda sabedoria imaginável pelo homem. Nela não há erro nem contradição. A falha não está, portanto, no que Deus diz, mas na maneira como entendemos ou interpretamos. Vejamos alguns ensinamentos que precisam ser levados em conta também, pois mostram certas contradições que não podem ser ignoradas. De fato, é impossível fazer uma interpretação literal de pontos que estão aparentemente em oposição entre si.

Por exemplo, no capítulo 6:13, quando se abre o sexto selo, “E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.” Todavia, mais adiante, no capítulo 12:4, as estrelas ainda estão no céu, e terça parte delas cai à terra pela cauda do dragão.

Na abertura do sexto selo, o sol se torna negro e a luz como sangue, no cap. 6:13, mas, no cap.8, quando o quarto anjo toca a trombeta, o sol está lá, brilhando, e é escurecido para que não brilhe mais.

No Apocalipse 1:7 é dito que“todo olho o verá”, mas, em Lucas17:20, 21, lemos: “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós”. Como, então, todo olho verá algo que não tem aparência exterior?

Em Marcos 9:1Jesus “Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder.” (Cf. Mat. 16:28, Lucas 9:27). Por isso Pedro e Paulo esperavam a vinda física naquele mesmo tempo, mas é óbvio que todos os que ouviram Jesus dizer essas palavras morreram em sua época e não virar chegar o reino, como esperavam.

Então, a palavra do Senhor teria falhado? Obviamente não. Não há contradição na Palavra; nós é que não a compreendemos corretamente. Pois a única maneira de conciliarmos esses ensinamentos é considerá-los com tendo outro sentido, como parábolas acerca de coisas futuras. Aliás, assim eram todas as palavras do Senhor:Mateus_13:34  “Tudo isso disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas (cf. com Marcos 4:11, Mateus 13:34).Isto, também, está de acordo com outro ensinamento d’Ele: (João6:63) “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.”

É assim, então, quedevemos necessariamente considerar que todos os ensinamentos do Senhor deveria ter um cumprimento espiritual, para se harmonizarem entre si. E, fazendo uma análise de tudo o que temos visto até aqui, a única conclusão possível é que não é possível interpretar ou compreender o Apocalipse ao pé da letra, ou como verdades literais, sem se cair nesses dilemas.

De fato, Deus não escreveu a Palavra para nos ensinar sobre eventos terrenos e físicos, porque esseo ser humano poderia vir a conhecer pela curiosidade e pelo estudo das coisas naturais. O objetivo da Palavra é nos ensinar a respeito de outra dimensão, a realidade espiritual, as coisas que estão acima e além da observação e da pesquisa natural, uma realidade que nunca poderíamos conhecer sem a instrução Divina. E como Deus podia nos ensinar acerca do mundo espiritual, acerca de nossa alma, de modo a ser compreensível às pessoas de todas as eras da humanidade? Somente por meio de parábolas e por meio de sentidos que o simples entendesse com simplicidade, e o sábio com sabedoria, cada um em sua esfera de compreensão.

É, então, que voltamos nossos olhos para a obra de Swedenborg, porque ele vem nos mostrar que há um significado espiritual em todos os relatos proféticos do Apocalipse, e essa explicação nos abre a visão para um campo inteiramente novo, um universo espiritual no qual reina um Deus de amor incondicional. Sob essa ótica, o livro do Apocalipse adquire uma dimensão que nunca tínhamos antes imaginado.

É essa visão nova acerca do Apocalipse e do Juízo Final que nos é proporcionada no opúsculo JFBD, no qual tomamos conhecimento, em primeiro lugar, que o dia do juízo final “não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo”.

“Como, porém, ninguém tinha ainda sabido que em todas e em cada uma das coisas da Palavra há um sentido espiritual – nem mesmo o que é o sentido espiritual – os que adotam essa opinião sobre o juízo final são por isso mesmo desculpáveis. Contudo, saibam eles agora que o céu visível aos nossos olhos não perecerá, nem mesmo a terra habitável, mas eles permanecerão; e que pelo novo céu e pela nova terra é entendida uma nova igreja, tanto nos céus como nas terras. Diz-se uma nova igreja nos céus, porque lá também há uma Igreja, assim como nas terras, porque lá também há prédicas e um culto Divino semelhante aos das terras, mas com esta diferença: que nos céus todas as coisas estão em um estado mais perfeito, porque lá elas não estão em um mundo natural, mas em um mundo espiritual; assim, todos lá são homens espirituais e não homens naturais, como haviam sido no mundo. Que isso seja assim vê-se na obra O Céu e o Inferno, especialmente nos artigos em que se tratou da conjunção do céu com o homem pela Palavra (n. 303 a 310) e do culto Divino no céu (n. 221 a 227)”.

As passagens que falam que serão formados um novo céu e uma nova terra têm, por conseguinte, outro sentido:

“Por “um novo céu” não se entende o céu visível aos nossos olhos, mas o céu mesmo onde o gênero humano foi recolhido, pois um céu foi formado por todos da raça humana que haviam vivido desde o começo da Igreja Cristã; eles, porém, não eram anjos, mas espíritos de diversas religiões. É esse céu que se entende pelo “primeiro céu” que deve perecer; mas na sequência será especialmente dito como isso ocorreu. Faz-se menção disso aqui apenas para que se saiba o que é significado pelo “primeiro céu” que deve perecer. Qualquer um que pense por alguma razão ilustrada pode perceber que não é o céu estelar, o tão imenso firmamento da criação, que foi significado ali, mas o céu no sentido espiritual, onde os anjos e os espíritos estão.”

“Ignorou-se até hoje que pela ‘nova terra’ se entende uma nova igreja nas terras, pois cada um tinha entendido por ‘terra’, na Palavra, a Terra, quando a verdade é que por terra se entende a igreja. No sentido natural a ‘terra’ é a Terra, mas no sentido espiritual a ‘terra’ é a igreja.

O que acontecerá, então, com as pessoas? Não haverá, então, tanto castigo e tanta mortandade de seres humanos, até que todos os infiéis sejam destruídos? Ao contrário, “as procriações do gênero humano na terra jamais cessarão”.

O Deus Criador, que é clemente e misericordioso, não apenas não destruirá o gênero humano, mas, também, conserva a vida de todos, mesmo daqueles que o rejeitam e escolhem viver no mal e separado d’Ele. Porque a essência de Deus é o amor, e o amor não pode deixar de amar. Do bem nada pode proceder senão o que é bom. Então, sim, o gênero humano continuará a existir no universo natural e espiritual indefinidamente, sob o auspício da Misericórdia Divina.

As razões citadas no livro O Juízo Final e a Babilônia Destruída para que as gerações da raça humana não cessem foram extraídas de outra obra, O Céu e o Inferno, e são as seguintes:

I. O gênero humano é a base sobre a qual está fundado o céu. Em resumo, o homem é o último ou a coroação da criação, e nele estão reunidos os universos natural e espiritual, de modo que o homem foi criado na mais perfeita forma Divina. A mente humana é onde se encontram os dois planos da existência. “Daí vem que todas as coisas que estão no homem e dentro do homem vêm do céu e do mundo. Vêm do céu as coisas que são de sua mente, e vêm do mundo as coisas que são de seu corpo. As coisas que são do céu influem em seus pensamentos e em suas afeições, e os dispõem de acordo com a recepção do seu espírito; e as que são do mundo influem em suas sensações e prazeres, e os dispõem segundo a recepção de seu corpo, mas isso conforme as conveniências dos pensamentos e das afeições de seu espírito.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 9)

II. O gênero humano é o viveiro do céu. Isto porque o céu e o inferno são provenientes do gênero humano. “Assim como o céu tem sido formado pela raça humana, desde a primeira criação até o presente, ele continuará sendo formado e enchido pela mesma fonte.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 10).

III. A extensão do céu, o qual é para os anjos, é tão imensa que não pode ser cheia por toda eternidade.

E IV. Aqueles que compõem o céu no presente momento são proporcionalmente em pequeno número. Nós não conseguimos perceber a grandeza do universo físico e, muito menos, a do universo espiritual. A imensidão do universo existe para uso do homem e deve ser preenchida pelo homem.Deus não criaria um mundo tão vasto para ser destruído ou preenchido por um número tão pequeno de seres humanos. Mas isto é tratado mais detalhadamente nas obras O Céu e o Inferno, 415 a 420, eDas Terras no Universo, n. 126.

V. A perfeição do céu aumenta segundo a pluralidade.

“A forma do céu é semelhante à forma da mente humana, cuja perfeição aumenta segundo os acréscimos do vero e do bem, de onde provêm a inteligência e a sabedoria. Que a forma de uma mente humana que está na sabedoria e na inteligência celestes seja semelhante à forma do céu é porque a mente é a menor imagem daquela forma. Dessa forma há comunicação dos pensamentos e das afeições do bem e do vero em tais homens, e nos anjos, com as sociedades celestes em torno. Há, assim, uma extensão segundo o aumento da sabedoria, portanto, segundo a pluralidade dos conhecimentos do vero que foram implantados no entendimento e segundo a abundância das afeições do bem que foram implantadas na vontade, por conseguinte, na mente, porque a mente se compõe do entendimento e da vontade. As mentes do homem e do anjo são tais que podem ser enriquecidas pela eternidade, e elas são aperfeiçoadas à medida que são enriquecidas, o que sucede, sobretudo quando o homem é conduzido pelo Senhor, porque então ele é introduzido nos veros reais que são implantados no seu entendimento e nos bens reais que são implantados na sua vontade. Com efeito, o Senhor dispõe então todas as coisas de sua mente na forma do céu, até que enfim ela seja o céu em sua mínima forma. Segundo essa comparação, a qual é um paralelo verdadeiro, é evidente que a pluralidade dos anjos aperfeiçoa o céu.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 12).

VI. Toda obra Divina tem por finalidade o infinito e o eterno.Em todas as coisas criadas o Criador inseriu como se fosse uma imagem ou assinatura dele, e essa imagem do Infinito e do Eterno é visível, por exemplo, na multiplicação sem fim das sementes, na quantidade dessa multiplicação, na variedade de todas as coisas, sem que haja uma só igual a outra ou repetida.

“Não há uma só face absolutamente semelhante a outra face ou a mesma que outra, e não haverá uma só em toda a eternidade. Igualmente a personalidade [animus] de um nunca é absolutamente semelhante ao de outro; por isso há tantos homens e anjos quanto às faces e personalidades lá. Em um homem, onde há inúmeras partes que constituem o seu corpo e inúmeras afeições que constituem o seu caráter, nunca há qualquer coisa que seja absolutamente semelhante às que existem em outro homem ou que seja a mesma coisa. Daí vem que cada um tem uma vida distinta da vida do outro. O mesmo se dá em todas e em cada uma das coisas da natureza; essa variedade infinda existe em todas as coisas em geral e em particular, porque a origem de todas as coisas vem do Divino, que é Infinito.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 13)

O terceiro ponto de nosso roteiro nesta videoconferência é o capítulo 3 do livro,“O céu e o inferno procedem do gênero humano”. Este ponto é abordado exaustivamente em 8 páginas do livro, e resumir adequadamente toda essa abordagem aqui não é tarefa fácil, mas transcreveremos somente a introdução do tema, que já faz um bom sumário do assunto:

“No mundo cristão ignora-se totalmente que o céu e o inferno procedem do gênero humano. Com efeito, crê-se que os anjos foram criados desde o começo e que daí resultou o céu; e que o diabo ou satanás foi um anjo de luz, mas, ao tornar-se rebelde, foi precipitado com a sua tropa e disso resultou o inferno. Os anjos ficaram extremamente admirados de que tal fé exista no mundo cristão, ainda mais pelo fato de que não se sabe absolutamente coisa alguma a respeito do céu, quando a verdade é que esse é o principal da doutrina na igreja. E, como tal ignorância prevalecia, eles ficaram cheios de alegria porque aprouve ao Senhor revelar agora aos cristãos muitas verdades sobre o céu e também sobre o inferno e por esse modo dissipar, tanto quanto for possível, as trevas que crescem a cada dia, e foi por isso que a igreja chegou a seu fim. Por isso, eles desejam que eu afirme, como sendo de sua boca, que não há, em todo o céu, um só anjo que tenha sido criado desde o começo, nem diabo algum no inferno que tenha sido criado anjo de luz e precipitado, mas que todos, tanto no céu como no inferno, provêm do gênero humano: no céu, os que no mundo viveram no amor e na fé celestes, e no inferno, os que no mundo viveram no amor e na fé infernais; e que o inferno, em todo o complexo, é chamado diabo e satanás. O inferno que está atrás, onde se acham aqueles que são chamados maus gênios, é o diabo; e o inferno que está na frente, onde se acham os que são chamados maus espíritos, é chamado satanás . Qual é um e qual é outro infernos, vê-se no fim da obra O Céu e o Inferno. Se o mundo cristão aceitou tal fé a respeito dos que estão no céu e dos que estão no inferno, isso veio, diziam os anjos, de algumas passagens da Palavra que foram compreendidas somente segundo o sentido da letra, e não ilustradas nem explicadas pela doutrina genuína da Palavra. Quando, entretanto o sentido da letra, se não for esclarecido pela doutrina genuína da igreja, divide as mentes em diversas opiniões, de onde procedem as ignorâncias, as heresias e os erros.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 14).

Estes três capítulos iniciais do livro são, por conseguinte, premissas para que o restante conteúdo sobre o Juízo Final seja bem compreendido. Recapitulando, essas premissas são: I. O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo. II.As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão. III. O céu e o inferno procedem do gênero humano.

É evidente que numa exposição de uma hora e pouco não é possível cobrir com maiores detalhe toda a explanação para cada um desses pontos, conforme é dada no livro, pelo que sugerimos a leitura do livro em si. Aqui temos somente uma amostra da exposição feita ali sobre o Juízo Final, com algumas das passagens das Escrituras que a confirmam. Que seja esta amostra um convite e um incentivo ao estudo e à reflexão do que nos é trazido na obra mesma.

 

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LEITURA 03 - Tema: "Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim" (João 14:11) [Aula em vídeo]
3ª. videoconferência. (Aqui o Link da aula) Aula gratuita!

O Juízo Final


Link da aula III (Online)

Parte 2 - 3ª. videoconferência.

 

I. O segundo ponto singular da fé: A fé salvífica é crer n’Ele.

II. Fé histórica, fé bastarda, fé espúria e fé salvífica.

 

“Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim” (Jo. 14:11)

 

A fé salvífica

Todos sabem que é preciso ter fé e sabem o que ela é, mas não se consegue definir a fé. Alguns dizem que a fé é uma confiança ou, como disse um apóstolo,  uma certeza de algo que não se vê. Para esses, “fé” tem o sentido de uma convicção sem um fundamento apresentável, o que, na verdade, a vontade veemente de que algo seja verdadeiro.  Outros pensam que fé uma espécie de “força de vontade”.  Outros a definem como o conjunto de dogmas de uma crença. E como esses conceitos são tão distintos e, ao mesmo tempo, tão semelhantes e tão relacionados entre si mesmos, daí vem a dificuldade que se tem em definir a fé.

Swedenborg dedicou um opúsculo inteiro a esse assunto e, também, o quarto capítulo de “Verdadeira Religião Cristã”. Seguindo mais ou menos a ordem de exposição desses livros, veremos, então, em primeiro lugar, o seguinte: 1) A fé salvífica é a fé no Senhor Deus Salvador Jesus Cristo.  Mediante esta afirmação podemos deduzir que, se existe uma fé salvífica, é porque existe uma fé que salvífica. Como consequência lógica, não é a existência da fé, por si mesma, que produz a salvação, mas a qualidade dessa fé.

A fé sobre a qual foi fundado o cristianismo é que “é preciso crer ou ter fé no Filho de Deus, Redentor e Salvador, concebido de JEHOVAH e nascido da virgem Maria, chamado Jesus Cristo...”. Assim, torna-se bem claro que é preciso crer que o próprio Deus veio ao mundo e nasceu como criança através da concepção de uma virgem. Ele foi Deus e Homem ao mesmo tempo, na pessoa visível do Senhor Jesus Cristo. O sentido da letra da Palavra insiste muito neste ponto, que é preciso crer no Filho, ou seja, que é preciso crer que o Divino Se encarnou e Se fez visível no plano natural. Se não houver tal crença, não se pode crer no que ele operou dessa forma nem se pode, por conseguinte, receber os benefícios de Sua vinda e nascimento no mundo, e esses benefícios são a regeneração e salvação.

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36). É preciso que se creia no Filho. Pensemos nesta afirmação. Não é dito “no Pai”, mas no Filho, porque, como foi dito anteriormente, quando se crê no Filho, crê-se ao mesmo tempo no Pai. Mas isto precisa ser mais esclarecido: é preciso que se creia corretamente no Filho. Crer que o Filho é a manifestação visível do Pai; é o Corpo da Alma Divina chamada JEHOVAH; é a Pessoa de Deus que nossos olhos podem ver e nosso entendimento compreender. Não se pode imaginar um Deus fora de Sua pessoa, Jesus Cristo.

A necessidade dessa ênfase vem do fato de muitas pessoas crerem no Filho de Deus, mas à sua maneira, não à maneira da Palavra. Elas creem, por exemplo, no Filho como pessoa separada de uma hipotética pessoa do Pai; creem no Filho como submisso à mãe, Maria; creem no Filho como um Mestre, um grande indivíduo, espírito de luz que veio dar exemplo de humildade... Mas não creem que o Pai está no Filho como a Alma no Corpo. A reabertura dessa verdade tornou-se necessária depois que a Igreja precedente a destruiu pela ideia de três pessoas. Pregar que Jesus Cristo é o próprio Deus é a função maior da Nova Igreja.

Muitos professam a fé em Deus sem pensarem na pessoa de Jesus Cristo. E muitos invocam a Deus e prestam o culto a Ele sob essa forma, a saber, uma vaga forma humana, mais como uma luz. Outros O imaginam como um Ancião, bem diferente da ideia que fazem de Jesus. Segundo vemos na Palavra e nas Doutrinas Celestes, são todas elas formas vãs de se cultuar e invocar a Deus, porque Deus tem uma Essência, uma Substância e um Forma, e essa Forma é a Forma Humana, e esse Humano é o Senhor Jesus Cristo. Se se tirar a pessoa de Jesus, tira-se a Forma, daí a Substância e por fim a Essência de Deus, tornando-O quase nada.

Em suma, não basta a pessoa afirmar que crê em Deus. Como disse o apóstolo Tiago: “Crês em Deus? Fazes bem. Até os diabos creem, e tremem...” Quando alguém diz que crê em Deus, se a fé que ela tem se limita a essa ideia em si, nenhuma fé existe nela. É preciso que a fé em Deus seja centrada na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Por isso, é melhor a pessoa afirmar que crê em Jesus Cristo sabendo que Ele é, de algum modo, Divino e Um com Deus, do que a vaga e universal crença em Deus. A diferença entre uma e outra crenças é a diferença entre a fé falsa e a fé salvífica.

A fé que o mundo conhece é essa fé vaga em Deus, porque não está na Pessoa Divina do Senhor Jesus Cristo. Desde o Concílio de Nicéia a Igreja não reconhece mais outra fé senão a que separa. E, no entanto, o Senhor disse: “Crede que eu estou no Pai e o Pai em mim”. É por isso que as Doutrinas são tão detalhistas e exigentes quanto ao ponto da fé, ou seja, em Quem exatamente é preciso crer.

“Que é preciso crer, ter fé em Deus Salvador Jesus Cristo, é porque é a fé em um Deus visível, no qual está Deus invisível”. É dito que esta fé, em um Deus visível que é também Homem, é uma fé que pode ser compreendida e “entra no homem”. Podemos compreender que o Senhor Jesus é assim porque olhamos para nós e nos vemos como uma alma e um corpo; então torna-se brilhante em nosso entendimento a ideia de o Filho estar no Pai e o Pai enviar o Filho ao mundo, isto é, Deus invisível proceder até o plano natural e aí tornar-Se visível como Homem, Jesus Cristo.  A fé em Jesus Cristo cuja Alma é Deus é recebida no entendimento, porque se apoia em nossa própria realidade. Tem base natural, pode caber a ideia espiritual de Deus como alma e por isso é viva e salvífica.

A origem da fé

Nas obras doutrinais citadas, aprendemos que a Fé é adquirida. Ela não nasce com a pessoa nem passa a existir espontaneamente e muito menos é produzida por alguma ação humana. “O homem recebe a fé dirigindo-se ao Senhor, instruindo-se nas verdades pela Palavra e vivendo segundo essas verdades”.

Sendo a fé dada ao homem por Deus, a única coisa que cabe ao homem fazer é ser receptivo. Isto envolve sua liberdade, sua vontade de crer ou de receber a fé. Em outras palavras, a vontade que o homem tem de crer nas coisas da Revelação é a afeição receptiva da fé. É o solo humoso que está fértil para receber a semente. É claro que, mesmo essa vontade de receber a fé veio também de Deus, mas tudo começa quando o homem, exercendo sua liberdade, quer receber algo do Criador. Então ele recebe a afeição da verdade na vontade e a verdade da fé no entendimento.

Quando dizem que o homem recebe a fé dirigindo-se ao Senhor, os Escritos (em VRC 343) dizem também que isto não é uma ação passiva, na qual o homem não tome parte. Ao contrário, o homem recebe a fé - como foi dito - dirigindo-se ao Senhor, instruindo-se nas verdades pela Palavra e vivendo segundo essas verdades. Agora temos a noção mais clara de que a fé é algo que se recebe pelo entendimento, pela compreensão das verdades da Palavra e, em seguida, pela vida de acordo com essas verdades.

O primeiro passo da aquisição da fé é aprender da Palavra quem é o Senhor e o que são Suas Leis segundo as quais devemos viver; e o segundo é viver de acordo com tais leis. Parece-nos bastante claro que as duas coisas são necessárias juntamente. Não basta se instruir na Palavra, mas é preciso viver segundo a instrução que se recebeu. Se a Palavra compara a fé a uma semente e a vontade do homem à terra, podemos ver que a fé que é dada é como a semente lançada à terra. O Senhor mesmo diz isso, comparando a fé às sementes que o semeador saiu a semear e também ao grão de mostarda. Ora, a semente lançada na terra não é a que alimenta, mas sim a que é produzida daquela. A parte que é lançada na terra é relativamente pequena, em comparação com a parte que nasce depois dos frutos ou das espigas.

Então, quando nos dirigimos ao Senhor e lemos a Palavra com a afeição de tomá-la como guia para nossa vida, nossa mente se torna um campo preparado para a semeadura. A fé, em nós, será a verdade que foi adquiria pela instrução mas que passou para a vida através da obediência. E isto não ocorre sem lutas e tentações, representadas pela morte da semente. Pelo que o Senhor disse: “Se o grão cair na terra e não morrer, fica só; mas se morrer, dá muito fruto”.

Estados e qualidades da fé

A fé existe no homem como a sua vista espiritual. A fé é para o entendimento assim como a vista natural é para o corpo. É evidente, por isso, que, sem a fé, o entendimento do homem é cego para a verdadeira natureza de todas as coisas. É dito em VRC 346 que a vista do corpo e a vista do espírito se correspondem e, por consequência, tudo o que se aplica ao estado do olho e da vista do olho pode ser aplicado também ao estado da fé ou vista do entendimento. E como há uma variedade de estados saudáveis ou de morbidades da visão, também uma variedade de estados saudáveis ou morbidades da fé.  Aprendemos, então, que existe: 1) a fé bastarda,  “na qual os falsos foram misturados aos veros; ela pode ser comparada à enfermidade dos olhos e, por consequência, da vista que se chama belida sobre a córnea, tornando a vista obscura.”

“A fé prostituída, que provém dos veros falsificados, e a fé adúltera, que provém dos bens adulterados, podem ser comparadas com a enfermidade dos olhos e, por consequência, da vista, que se chama glaucoma, que é um dessecamento, um endurecimento do humor cristalino [ou vítreo?].

“A fé tapada ou cega, que é a fé das coisas místicas, embora não se saiba se são veros ou falsos ou se estão acima ou contra a razão, pode ser comparada com a enfermidade dos olhos que se chama gota serena e amaurose, que é a perda da vista por uma obstrução do nervo ótico e, entretanto, o olho parece ver perfeitamente.

“A fé errática, que é a fé em vários deuses, pode ser comparada com a enfermidade do olho que se chama catarata, que é a perda da vista por uma obstinação entre a túnica esclerótica e a úvea.

“A fé vesga, que é a fé em outro Deus que não verdadeiro Deus e, entre os cristãos, a fé em doutro Deus que não o Senhor Deus Salvador, pode ser comparada com a enfermidade dos olhos que se chama estrabismo. (...)

Finalmente, se é dito que a fé adquirida ou formada na pessoa por meio da instrução é porque a fé, em sua essência, é a verdade. A fé não é outra coisa senão o complexo das verdades que brilham na mente (VRC 347).

Da Fé na mente e sua propagação

Avançando em nosso estudo da fé, aprendemos também que a fé é algo que pode ser ampliado, aperfeiçoado e elevado mediante a contribuição ativa da parte do homem. É dito que “a abundância de verdades ligadas em conjunto como em um feixe exalta e aperfeiçoa a fé” (VRC 349). É, pois, pela quantidade e qualidade de verdades que a fé se desenvolve.

É interessante voltarmos a um ponto já mencionado aqui, sobre a ideia comum que as pessoas têm sobre a fé, ou seja, aquele conceito de que a fé é somente um pensamento confiante, uma espécie de convicção. Para os que têm tal ideia sobre o que é a fé, parece estranha a informação de que as verdades exaltam e aperfeiçoam essa fé. Em geral, era de se esperar, quando muito, que essa convicção se tornasse mais firme através das experiências, especialmente pelo testemunho de intervenções miraculosas do ser Divino.

Mas o que estamos aprendendo nos Escritos das Doutrinas Celestes é algo novo: os conceitos vagos da teologia, as indefinições sobre tudo o que é espiritual, a incerteza ou ignorância do vero, tudo isto pode ser perfeitamente substituído e superado por informações objetivas, claras e simples, que mostram que as coisas espirituais são concretas, definidas, não havendo mais necessidade de se recorrer a dogmas obscuros. A fé, aprendemos assim, é um conjunto, como um feixe, de verdades que adquirimos. É claro que essas verdades não podem ser somente as do conhecimento, dados da memória, mas devem ter sido transformadas em princípios segundo os quais se vive, fronteiras que limitam nossas atitudes.

Por isso, é um fato que “o homem pode contribuir em alguma coisa para adquirir a fé...” “Quem não pode, pela Palavra, recolher verdades, se quiser? Toda verdade na Palavra e pela Palavra dá luz, e a verdade na luz é a fé. O Senhor, que é a luz mesma, influi em cada homem, e, naquele em que há verdades pela Palavra, faz com que brilhem nele e assim elas se tornam coisas da fé”.

O aperfeiçoamento e a elevação da fé são em seguida explicados em Verdadeira Religião Cristã por várias proposições, que serão examinadas em ordem: “I. As verdades da fé são multiplicadas ao infinito”. Isto se pode ver pela sabedoria dos anjos do céu, que aumenta eternamente. “Os anjos dizem também que jamais há um fim para a sabedoria, a qual não vem senão dos Divinos veros examinados analiticamente nas formas, mediante a luz vinda do Senhor. A inteligência humana, por maior que seja, não vem de outra parte” (350).

A infinidade para a sabedoria vem da própria Infinidade de Deus. Podemos ter uma ideia disso se refletirmos sobre a infinita variedade de veros que podem ser obtidos da Palavra. As verdades Divinas na Palavra podem ser pesquisadas em sua forma simples, no sentido literal, sem maiores implicações, e só isso já faria necessária a vida toda de uma pessoa. Mas se essas mesmas verdades forem analisadas e postas em conexão umas com as outras, as suas implicações se mostram numa abundância incrível.

Tomem-se, por exemplo, os algarismos da aritmética: são apenas 10, que uma criancinha logo conhece. Mas estes 10 algarismos somente, quando tomados juntos ou em determinadas ordens, podem expressar qualquer grandeza, infinitamente, sem nunca se repetirem, porque a cada número pode-se sempre acrescentar um novo algarismo, e então um novo valor aparece. Tomemos como exemplo também as posições simples da geometria: se nós tivermos um valor determinado para a altura, outro para a largura e somente mais outro para o comprimento, podemos expressar com essa tridimensão, exatamente, qualquer ponto no espaço. Bastam esses três pontos para qualquer valor poder ser definido.

As verdades da Palavra são comparadas, neste capítulo de VRC, a um abismo, embora para aquele que nada sabe do sentido interno ela não pareça mais do que a água em um balde. Realmente, é por isso que, na Palavra do Antigo e Novo Testamentos, as verdades do sentido literal são frequentemente comparadas a um poço. Como já vimos, são muito comuns as situações nas histórias da Palavra em que uma mulher é citada a tirar água num poço. A mulher, em geral, significa a afeição pela verdade, e o poço a própria Palavra - isto é, as águas do poço. Assim como o poço tem a mina que faz a água brotar constantemente, as verdades da Palavra são sempre novas, cada vez que as lemos.

Outra comparação da abundância infinita dos veros, que é feita em VRC, é com a proliferação das sementes, tanto vegetais quanto humanas, pelas quais há propagação ao infinito das espécies. Nunca se pode dizer que a semente deixe de se reproduzir pela exaustão ou pelo esgotamento de sua fertilidade. É até sabido que, se todas as sementes vegetais do mundo fossem plantadas novamente e brotassem numa proporção normal, em apenas uma geração a abundância da colheita ocuparia todo o globo terrestre. Na realidade, a mente do homem é comparada ao solo fértil do campo ou do jardim, na qual os veros naturais e espirituais são implantados como sementes (VRC 350). Essa propagação ou proliferação infinda é derivada da infinidade de Deus, “que está perpetuamente presente com Sua luz e Seu calor, e com a faculdade de criar”.

 

A fé natural

Não é realmente fé, mas uma persuasão simulando a fé, chamada por isso persuasão do falso ou fé herética.

Suas denominações são: 1) a fé bastarda (falsos misturados aos veros); 2) a fé prostituída pelos veros falsificados e adúltera pelos bens adulterados; 3) A fé tapada ou cega, que é a fé das coisas místicas, em que se crê embora não se saiba se são verdadeiras ou falsas, ou se estão acima da razão ou contra a razão; 4) a fé errática, que é a fé em vários deuses; 5) a fé vesga, que é a fé em um outro deus que não o verdadeiro Deus. Nos cristãos, a fé em um outro Deus que não o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo; 6) a fé hipócrita ou farisaica, que é a fé de boca e não de coração; 7) a fé visionária e às avessas, que é a aparência do falso como vero por uma engenhosa confirmação.

Como o homem contribui para receber a fé

Os Escritos dizem que “o homem pode contribuir em alguma coisa para adquirir a fé...” “Quem não pode, pela Palavra, recolher verdades, se quiser? Toda verdade na Palavra e pela Palavra dá luz, e a verdade na luz é a fé. O Senhor, que é a luz mesma, influi em cada homem, e, naquele em que há verdades pela Palavra, faz com que brilhem nele e assim elas se tornam coisas da fé”.

Outras Características Da Fé

Seu incremento:

I. As verdades da fé são multiplicadas ao infinito”. Isto se pode ver pela sabedoria dos anjos do céu, que aumenta eternamente. “Os anjos dizem também que jamais há um fim para a sabedoria, a qual não vem senão dos Divinos veros examinados analiticamente nas formas, mediante a luz vinda do Senhor. A inteligência humana, por maior que seja, não vem de outra parte” (350).

Sua organização na mente:

II. A disposição das verdades da fé é em série, assim como em pequenos feixes”. Esta é outra verdade espiritual nova e interessante que as Doutrinas Celestes nos revelam sobre a fé. O conceito errôneo de muitos hoje sobre a fé e a ignorância a respeito da organização da mente impediram que se conhecesse a respeito da organização dos veros da fé na mente. É dito nesta passagem dos Escritos que as percepções, os pensamentos e as ideias não são radiações e variações de luz que influi na cabeça. Em outras palavras, as ideias não são coisas esvoaçantes dentro da cabeça ou flashes no cérebro. Em vez disso, aprendemos aqui que os dois cérebros (cérebro e cerebelo) acham-se organizados de uma maneira tal, que a mente habita ali e faz que as ideias se fixem de maneira lógica, permanecendo ali tal como foram aceitas e confirmadas.

Seu aperfeiçoamento:

III. Conforme a abundância e a coerência das verdades a fé é aperfeiçoada. É isto a consequência do que acaba de ser dito”. Assim organizadas, cada verdade apoia e confirma outra, fazendo que cada verdade se torne cada vez mais espiritual, “assim, cada vez menos natural-sensual, pois é elevada à região superior da mente, de onde vê em baixo coortes de confirmações em seu favor na natureza do mundo. A verdadeira fé, pela abundância das verdades ligadas em conjunto como em um feixe, torna-se cada vez mais brilhante, mais perceptível, mais evidente e mais clara. Torna-se também mais apta a conjuntar-se com os bens da caridade; por conseguinte, mais separada dos males e, sucessivamente, mais afastada das seduções do olho e das cobiças da carne. Por consequência, mais feliz em si mesma. Torna-se principalmente mais possante contra os males e os falsos, portanto cada vez mais viva e salvífica”.

Sua transformação:

A fé transforma-se de natural em espiritual. Como foi visto, a fé, no início, é apenas uma fé natural no homem, mas torna-se espiritual à medida que o homem se aproxima do Senhor. (360) Se ele se dirige ao Senhor, dentro de sua fé natural há um esforço de vida Divina, assim como a vida está na semente esforçando-se por desenvolver-se e produzir novos frutos ou grãos.

Da sua conjunção com a caridade:

A VRC nos fala da absoluta necessidade de os dois, fé e caridade, constituírem um só. Lemos: “O Senhor, a Caridade e a Fé fazem um, como a Vida, a Vontade e o Entendimento. Se forem divididos, cada um se perde, como uma pérola reduzida a pó”. E chegamos, então, a um ponto em que existe aparentemente, contradição com algo já tínhamos visto anteriormente. Pois é fato que aprendemos também que o Senhor proveu para que, no homem espiritual, o entendimento pudesse ser separado da vontade justamente para que, olhando de cima a vontade baixo, o entendimento a domasse e elevasse. Aprendemos que, por essa característica de independência, o entendimento pode ser reformado primeiro, antes que a vontade seja regenerada. E aqui parece haver a contradição, se é que não se pode separar entendimento e vontade, como é dito no número presente de VRC (n. 362).

Mas enquanto é natural, pode estar separada da vontade, porque lemos: “Que o homem possa pensar pelo entendimento sem que a vontade tenha parte nisso, é porque assim foi provido a fim de que ele possa ser reformado; porque o homem é reformado pelas verdades e as verdades, como se disse, são para o entendimento. De fato, o homem nasce em todo o mal quanto à vontade, de onde resulta que por si próprio ele quer somente bem a si mesmo. E quem quer bem a si só, alegra-se com os males que acometem os outros, mormente à vista de si próprio; pois ele quer chamar a si os bens de todos os outros, quer honras ou riquezas, e quanto mais o consegue, mais ele experimenta alegria em si. Para que esse voluntário seja corrigido e reformado, foi outorgado ao homem poder compreender as verdades e sujeitar por elas as afeições do mal que partem da vontade. Daí vem que o homem, pelo entendimento, pode pensar verdades e também falar delas e fazê-las; contudo, ele não pode pensá-las pela vontade antes de ser tal que ele as queira e as faça de si próprio, isto é, de coração. Quando o homem é tal, então as coisas que ele pensa pelo entendimento pertencem à sua fé, e as que ele pensa pela vontade pertencem ao seu amor. Por isso é que a fé e o amor nele então se conjungem como o entendimento e a vontade. (Céu e Inferno 424).

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LEITURA 04 - Tema: "Todo homem, depois da vida no mundo, vive eternamente” (JF.) [Aula em vídeo]
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O Juízo Final


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Parte 2 - 4ª. videoconferência.

IV.     Todos os que nasceram homens e morreram, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno.

V.      O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra

VI.     O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade.

No capítulo anterior, vimos que o céu e o inferno procedem do gênero humano. E como todo homem, depois da morte, continua vivendo, e vive eternamente, por isso, todos os que já nasceram e viveram neste mundo estão no plano espiritual, ou no céu ou no inferno. (JFBD, 23).

Quando afirma que “todos os homens que nasceram e morreram, desde o começo da criação, estejam ou no céu ou no inferno”, o autor mostra que essa afirmação destoa da crença comum, pois nas igrejas cristãsse acredita que as almas devem ir para o céu ou para o inferno, mas somente depois do juízo final. Acredita-se que todos ficam dormindo em algum lugar até esse dia, quando ouvirão a trombeta e voltarão à vida natural, retomando seus corpos, mroídos pelos vermes e pelos peixes, e reduzidos inteiramente a pó, serão recompostos pela Divina onipotência”. “E fora das igrejas, outras religiões creem que os espíritos voltam à vida material depois de algum tempo, com a chamada reencarnação.

Mas, observe-se que tanto uma quanto a outra crença decorre e depende de certo conceito assumido, a saber, que a vida está nos sentidos corpo, pois creem que a pessoa, fora do corpo, sendo alma ou espírito, está incompleta e não goza de sentidos plenos como gozava no revestimento material do corpo. Por isso umas e outras crenças precisa necessariamente de alguma forma de reentrar no corpo ou reencarnar. Porque acreditar que se está dormindo e se volta a entrar no corpo é acreditar numa forma de reencarnação. E outros creem que reencarnarão, sim, mas em outros corpos, ou até outros planetas. Ambas as crenças põem ênfase na vida do corpo material.

Quando se crê assim, atribui-se a vida ao corpo mesmo, e não no espírito. Mas isto é porque não se sabe que a vida da pessoa está no corpo porque está no espírito antes. O espírito é que recebe a vida, e o corpo vive porque o espírito vive, e não o contrário. E os sentidos do corpo estão, na realidade, no espírito, pois estão na mente e não na matéria. O espírito tem sentidos, porque “o homem espiritual, o qual está em cada homem natural, está em uma forma humana, do mesmo modo que o homem natural. O homem natural deriva a sua forma humana de seu homem espiritual”.

E continua:“É o homem espiritual que pensa e quer, pois o homem natural não pode fazer isso de si mesmo. Ora, o pensamento e a vontade são tudo em todas as coisas do homem natural ... Sendo assim, é evidente que o homem espiritual é o homem de verdade e está em todas e cada uma das coisas do homem natural. Todavia, o homem espiritual, não pode aparecer ao homem natural, pois o natural não pode ver o espiritual, mas o espiritual pode ver o natural.”

Por isso, quando ocorre a morte, o que de fato acontece é uma separação entre o natural e o espiritual. O natural, que é formado de elementos da natureza, quando o espírito se retira, torna-se inerte e morto em si, e, se desintegra, fazendo com que os elementos que o compunham voltem a fazer parte da natureza, de onde foram tomados. Mas o espiritual, por ser de outra substância, imortal, após o desprendimento do corpo material, sai do corpo como se de um casulo, desperta, “aparece no mundo espiritual em uma perfeita forma humana e vive depois da morte”.

Quando o ser humano desperta, em geral no terceiro dia após a morte, ele ou ela conserva todos os sentidos, toda vida consciente e identidade, pois tudo isso reside na mente, e não fica no corpo. A pessoa deixa somente o material com que se revestia. Por isso é que, para o espírito, não existe a morte como fim ou aniquilação de tudo. Para quem ressurge da morte é como se acordasse de um sono, como acontecia aqui todas as manhãs, com a diferença de que seus sentidos agora estão potencializados pela remoção da matéria que o tolhia. “Como todo homem vive eternamente depois da morte, nunca anjo ou espírito algum pensa na morte. Eles até ignoram o que é morrer. É por isso que, quando na Palavra se fala sobre a morte, os anjos entendem ou a danação, que é a morte no sentido espiritual, ou a continuação da vida e a ressurreição.

“Queo homem ressuscite logo depois da morte e que então tenha uma perfeita forma humana vê-se na obra O Céu e o Inferno em muitos artigos.”

II. Todo homem, depois da vida no mundo, vive eternamente.

“Isto é evidente pelo fato de que o homem é então espiritual e não mais natural, e o homem espiritual separado do homem natural permanece eternamente tal qual é, pois o estado do homem não pode ser mudado depois da morte.”“Além disso, o espiritual de cada homem está em conjunção com o Divino ...e o que pode ser conjunto ao Divino não morre por toda a eternidade, porque o Divino está nele e se conjunge com ele. “

26.    III. Para que eu soubesse que todos os que até agora nasceram e morreram homens, desde a criação do mundo, estão ou no céu ou no inferno, tem-me sido permitido falar com alguns dos que viveram antes do dilúvio e também com alguns dos que viveram depois do dilúvio, com alguns da nação judaica, conhecidos na Palavra do Antigo Testamento, com alguns que viveram no tempo do Senhor, com muitos que viveram nos séculos anteriores, até o presente tempo, e, mais, com todos os que eu tinha conhecido na vida de seus corpos, como também com crianças e com muitos dentre os gentios. Através dessa experiência fiquei plenamente convencido de que não há um só homem, nascido desde a primeira criação desta terra, que não esteja ou no céu ou no inferno.

“Quão imensa é a multidão de homens que já está lá é o que me foi concedido ver quando meus olhos foram abertos. Ela era tão grande que dificilmente poderia ser enumerada, havendo miríades... Com efeito, todos foram reunidos lá em sociedades. Essas sociedades são em grande número, e cada sociedade em seu lugar forma três céus e, sob esses, três infernos.

“É evidente, então, que o mundo natural, no qual estão os homens nas terras, não pode ser comparado àquele mundo quanto ao número do gênero humano; por isso, quando o homem passa do mundo natural para o mundo espiritual, é como ir de uma aldeia para uma grande cidade

Quanto ao segundo ponto: O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra.

Já vimos, na segunda videoconferência, que a ideia que se tem normalmente a respeito do juízo final, é “que então o Senhor aparecerá nas nuvens do céu com os anjos na glória, que fará sair de seus túmulos todos os que viveram desde o começo da criação e que revestirá suas almas com um corpo. E, assim, convocados em massa, Ele julgará os que viveram bem para a vida eterna ou no céu, e os que viveram mal para a morte eterna ou o inferno.”

Essa crença vem da interpretação meramente literal de passagens da Bíblia, como vimos, mesmo implicando várias contradições e paradoxos.  Mas a letra da Palavra tem um sentido espiritual parabólico e, nesse sentido, “pela vinda do Senhor nas nuvens do céu não se entende uma aparição do Senhor, mas a sua aparição na Palavra, porque o Senhor é a Palavra; Ele é o Divino Vero; o ‘Senhor vindo nas nuvens do céu’ é o sentido da letra da Palavra, e ‘a glória’ é o seu sentido espiritual; ‘os anjos’ são o céu onde Ele deve aparecer, e também são o Senhor quanto ao Divino Vero. Portanto, o significado dessas palavras é agora evidente, a saber, que o Senhor, quando o fim da igreja chegar, abrirá o sentido espiritual da Palavra e, assim, o Divino Vero pelo qual Ele é em si. Por conseguinte, esse é o sinal de que o juízo final está próximo.

“Que o juízo final deva ser no mundo espiritual e não no mundo natural ou na terra é evidente pelos dois artigos precedentes e também pelos que se seguem. Neles foi mostrado que o céu e o inferno provêm da raça humana, e que todos os que um dia nasceram e morreram homens, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno, assim, que todos estão lá juntos. Mas, nos artigos que se seguem, será mostrado que o juízo final já aconteceu.”

Outro ensinamento interessante que se aplica ao tema é que o juízo Divino se faz não somente quanto aos atos do corpo, mas, principalmente, quanto às intenções do espírito. De fato, é no espírito que está toda a determinação, toda vontade e todo empenho, antes de se materializar no ato. Por isso, Swedenborg nos diz nesse livro: “Ninguém é julgado como homem natural, por conseguinte enquanto vive no mundo natural, porque o homem está então em um corpo natural, mas cada um é julgado como homem espiritual, quando, portanto, eles vêm para o mundo espiritual, porque então eles estão em um corpo espiritual. É o espiritual no homem que é julgado e não o natural, porque o natural não é culpado de falta alguma ou de crime algum, pois não vive por si mesmo, mas é somente o servo e o instrumento pelo qual o homem espiritual age (vide o n. 24 acima).”

“Daí vem também que o juízo se faz sobre os homens quando eles deixam o seu corpo natural e se revestem de um corpo espiritual. Nesse corpo, o homem aparece tal qual é quanto ao seu amor e à sua fé, pois cada um no mundo espiritual é uma imagem de seu amor – não somente quanto à face e ao corpo, mas também quanto à linguagem e às ações (vide a obra O Céu e o Inferno n. 481). É por essas coisas que todos são conhecidos tais quais são e são imediatamente separados, quando isso apraz ao Senhor. Por essas coisas fica evidente que o juízo se faz no mundo espiritual, e não no mundo natural, ou nas terras.

Vejamos, ainda, um arcano que é relatado no parágrafo 32: “Vou acrescentar aqui um arcano do céu que foi mencionado na obra O Céu e o Inferno, mas que não foi ainda descrito. Cada um, depois da morte, é ligado a alguma sociedade tão logo ele venha para o mundo espiritual (vide n. 427 a 497). Mas, em seu primeiro estado, os espíritos não sabem isso, porque então se acham em seus externos e não ainda em seus internos. Quando o espírito é tal, ele vai para aqui e para lá, onde quer que os desejos de sua mente o levem. Contudo, ele realmente está onde está o seu amor, isto é, na sociedade onde estão os que se encontram em semelhante amor. Quando o espírito se acha nesse estado, ele aparece em muitos outros lugares, em todos eles como presente de corpo, mas isso é apenas uma aparência. Mas, tão logo ele é conduzido pelo Senhor ao seu amor dominante, ele desaparece aos olhos dos outros e está entre os seus, na sociedade à qual está ligado. Isto é próprio do mundo espiritual e causa admiração aos que ignoram a causa disso. Assim, logo que os espíritos são reunidos e separados, eles também são julgados, e cada um está em seu lugar: os bons no céu, e lá em uma sociedade entre os seus, e os maus no inferno, e lá em uma sociedade entre os seus.

“Pode-se constatar por essas coisas que o juízo final somente pode ocorrer no mundo espiritual, não só porque cada um lá está numa vida idêntica, como porque cada um está lá com os que estão em semelhante vida, assim, cada um com os seus. Mas é o oposto no mundo natural. Aí os bons e os maus podem estar juntos (e um não sabe qual o outro é), e não separados uns dos outros segundo o amor de sua vida. Mais ainda, é impossível a qualquer um estar com o corpo natural no céu ou no inferno; por isso, para que o homem vá para um ou outro, é necessário que ele deixe seu corpo natural e, depois de tê-lo deixado, seja julgado em seu corpo espiritual. Assim, é o homem espiritual que é julgado, como acima se disse, e não o homem natural.

O último dos três pontos desta seção do livro JFBD é quanto ao momento do Juízo Final. Pois há um fato de tempo determinante desse acontecimento. E se analisarmos o que o Senhor diz no capítulo 24 de Mateus, sobre a consumação do século, ali são dados sinais, por exemplo: aparecimento de falsos cristos, guerras, fomes e terremotos, perseguição aos crentes, falsos profetas, multiplicação da iniquidade, esfriamento do amor de muitos. Se entendermos literalmente, concluiremos que todas essas coisas sempre existiram e todas as épocas. Mas, como já vimos anteriormente, é preciso entendermos esses sinais em sua simbologia ou seu significado espiritual. Por exemplo, ele fala que um dos sinais é: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda)” (24:15). Considerando este, principalmente, e alguns dos outros, como os falsos cristos, os falsos profetas, a iniquidade e o esfriamento do amor, é possível deduzir, só pela letra, que todas essas coisas dizem respeito à vida religiosa ou ao estado espiritual da humanidade e, por conseguinte, ao estado da igreja no mundo. Portanto, o fator de tempo que determina o juízo é exatamente isso, o estado espiritual da igreja. E, por isso, livro que estamos lendo agora diz:

“O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade”.

E então tomamos conhecimento mais pormenorizado dessa relação entre o fim da igreja e a vinda do Juízo. “Há muitas razões para que o juízo final aconteça quando é o fim da igreja. A principal delas é que então começa a perecer o equilíbrio entre o céu e o inferno, e, com esse equilíbrio, a própria liberdade do homem. E quando perece a liberdade do homem, ele não pode mais ser salvo. Com efeito, pela liberdade ele é levado para o inferno e não pode ser conduzido na liberdade para o céu, porque sem a liberdade ninguém quer ser reformado, e toda liberdade do homem vem do equilíbrio entre o céu e o inferno”. (JF 33)

“Que o equilíbrio entre o céu e o inferno comece a perecer no fim de uma igreja pode-se ver pelo fato de que o céu e o inferno procedem do gênero humano, como foi explicado no artigo que traz esse título. E também pelo fato de que, quando poucos homens vão para o céu e muitos para o inferno, o mal de um lado sobrepuja o bem do outro, pois quanto mais o inferno aumenta, tanto mais cresce o mal, e todo mal no homem vem do inferno e todo bem vem do céu. Quando o mal sobrepuja o bem no fim de uma igreja, todos são julgados pelo Senhor, os maus são separados de junto dos bons, todas as coisas são repostas na ordem, são instaurados um novo céu e também uma nova igreja e, assim, o equilíbrio é restabelecido. É, pois, isso que se chama ‘juízo final’, a cujo respeito se dará muitos pormenores no que vai se seguir.”

É dito que não há mais fé por não haver caridade. A relação entre essas duas, a caridade e fé, é como a que existe entre a essênciae a forma. A caridade é essência da fé, e a fé é a forma da caridade. Sem a caridade, é fé é morta, fria, vazia. E sem a fé, a caridade é vaga, indiscriminada. Por exemplo, pertence à caridade fazer bem ao próximo, mas faz parte da fé ensinar como esse bem deve ser feito. Se não for assim, faz-se um bem indiscriminado e tolo, que pode até ser um mal, porque, como se diz, fazer bem ao maus é fazer mal aos bons. Então, a fé qualifica e dá forma à caridade, e a caridade vivifica e enaltece a fé.

A relação é, também, a mesma que há entre a luz e o calor. A fé é a luz e a caridade é o calor. Estes procedem juntamente do sol, mas são recebidos de modo diferente, dependendo da posição da Terra. Quando incidem juntamente, a luz e o calor vivificam a vegetação, mas não quando a luz incide sem o calor.Então, voltando ao tema do estado da Igreja, quando se diz que não há mais fé por não haver caridade, fica claro que a fé acaba porque a caridade já acabou primeiro, porque a fé, para ser fé, deve proceder da caridade. Caso contrário, não passa de uma persuasão ou uma fé falsa.

“Que no fim da igreja não haja nela a fé, isso é predito pelo Senhor:

“O Filho do homem quando vier, encontrará fé na terra?” (Lc. 18:8).

E que também não haja caridade:

“Na consumação do século será multiplicada a iniquidade, será resfriada a caridade de muitos, e será pregado este evangelho em todo orbe terráqueo; então virá o fim” (Mt. 24:12 e 14).

O ‘fim’ é o último tempo da igreja. Nesse capítulo é descrito pelo Senhor o estado da igreja sucessivamente decrescente quanto ao amor e à fé.

“Mas crer somente não é a fé. Querer e fazer o que se crê, isso é a fé. Os doutrinais da igreja, quando são apenas cridos, não estão na vida do homem; estão apenas em sua memória e, por conseguinte, no pensamento do homem externo, e não entram em sua vida, senão quando estão em sua vontade e, assim, em suas ações.”

[3]    Mas é outra coisa quando o homem não somente crê nos doutrinais da igreja, os quais são tirados da Palavra, mas também os quer e os faz. Então a fé é formada, pois a fé é a afeição do vero por se desejar o vero porque é o vero. Com efeito, querer o vero porque é o vero é o espiritual mesmo do homem, pois isso é diferente do natural – que é querer o vero não pelo vero, mas pela glória, pela fama e pelo lucro. O vero, considerado separadamente da glória, da fama e do lucro, é espiritual porque em sua essência ele é Divino. Por isso, querer o vero por que é o vero é também reconhecer e amar o Divino. Estas duas coisas foram absolutamente conjuntas e também são encaradas como uma só, no céu, pois o Divino que procede do Senhor no céu é o Divino Vero (vide a obra O Céu e o Inferno, n. 128 a 132), e são anjos dos céus os que o recebem e fazem dele coisa de sua vida. Estas explicações foram dadas para que se saiba que a fé consiste não só em crer, mas também em querer e fazer; que, assim, não há fé se não houver caridade; e que a caridade ou o amor é querer e fazer.

“Tal é o estado da igreja hoje, isto é, que nela não há fé porque não há caridade. E onde não há caridade, também não há bem espiritual, porque este bem vem unicamente da caridade.

“Toda igreja em seu começo é espiritual, porque ela começa pela caridade, mas, no decorrer do tempo, ela se desvia da caridade para a fé e, então, de interna ela se torna externa. E quando se torna externa, ela chega a seu fim, porque então tudo é posto no conhecimento e pouco ou quase nada na vida. E tanto quanto o homem de interno se torna externo, a luz espiritual nele escurece até ao ponto que ele não pode ver o Divino Vero pelo vero mesmo, isto é, pela luz do céu – pois o Divino Vero é a luz do céu – mas somente pela luz natural, que é de tal natureza que quando só e não iluminada pela luz espiritual, ela vê o Divino Vero como se fosse noite e não o reconhece como vero, exceto quando foi assim chamado por um chefe e recebido pela assembleia comum. Daí vem que seu intelectual não pode ser iluminado pelo Senhor, pois quanto mais a luz natural brilha no intelectual, mais a luz espiritual é obscurecida. A luz natural brilha no intelectual quando as coisas mundanas, corpóreas e terrestres são amadas mais do que as espirituais, as celestes e as Divinas; e também na mesma proporção o homem é externo.”

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Sobre o curso

O Juízo Final

Uma série de videoconferências sobre o opúsculo O Juízo Final e a Babilônia Destruída

Apresentação

Com o intuito de auxiliar nosso estudo e possibilitar a boa compreensão dos eventos, circunstâncias e consequências relativos ao Juízo Final, tal como são expostos na obra “O Juízo Final e a Babilônia Destruída”, de E. Swedenborg,  entendemos que seria proveitoso se intercalássemos aos tópicos dos livros alguns temas trazidos de outras obras do mesmo autor, a fim de propiciarem informações adicionais de apoio ao que  estudaremos  sobre o último Juízo.

Não resta dúvida de que, se fôssemos fazer uma simples leitura dos relatos do Juízo Final, muitas questões se levantariam em relação ao tema e que acabariam desviando nosso foco de estudo. Assim, antes de cada seção do livro em estudo, iremos abordar certos conceitos fundamentais das Doutrinas da Nova Jerusalém, os quais nos ajudarão a ampliar nosso entendimento do tema proposto.

Esses pontos intercalados são doutrinais ou ensinamentos fundamentais sobre a natureza de Deus e a natureza humana, a fé, a vida de caridade e assim por diante.

Desta maneira, o roteiro de nosso estudo por videoconferências será assim:

 

PARTE 1:  Introdução sobre o Juízo Final.

1ª. videoconferência.

                               “Ouve, Israel: Jehovah, nosso Deus, é um Jehovah” (Deut. 6:4)

                Temas preparatórios:

a)        O primeiro ponto singular da fé: “Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e que este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo”.

b)        A importância da ideia de Deus.

c)        Quem é Jesus?

2ª.  videoconferência.

                Tópicos sobre o JF (Os três capítulos iniciais da obra):

I.          O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo

II.        As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão

III.       O céu e o inferno procedem do gênero humano

PARTE 2: Onde, quando e sobre quem acontece o JF.

3ª. videoconferência.

                               “Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim” (Jo. 14:11)

                Temas preparatórios:

a)        O segundo ponto singular da fé: A fé salvífica é crer n’Ele.

b)        Fé histórica, fé bastarda, fé espúria e fé salvífica.

4ª. videoconferência.

                Tópicos do JF: Os três capítulos seguintes da obra:

IV.       Todos os que nasceram homens e morreram, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno.

V.         O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra

VI.       O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade.

 

PARTE 3: Ensinamentos proféticos na Palavra sobre o JF e seu cumprimento.

5ª. videoconferência.

“O Reino de Deus não vem com aparência exterior... eis que o Reino de Deus está dentro de vós” (Luc. 17:20, 21)

                Temas preparatórios:

a)        O terceiro ponto singular da fé: Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo.

b)        Importância e necessidade da penitência dos males.

c)        Autoexame e confissão de males como pecados.

6ª. videoconferência.

                 Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra:

VII.     Todas as coisas que estão preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas

VIII.    O juízo final já aconteceu.

PARTE 4: O Juízo Final propriamente dito.

7ª. videoconferência.

“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mat. 3:2)

                Temas preparatórios

a)        Diferença entre penitência, remorso (contrição) e arrependimento.

b)        Penitência de boca e penitência efetiva.

c)        A penitência mais fácil.

8ª. videoconferência.

                Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra

IX.       A Babilônia e a sua destruição

X.         Sobre o céu precedente e sua abolição

PARTE 5: O estado do mundo e da mente humana após o Juízo

9ª. videoconferência.

“Eis aqui, o Tabernáculo de Deus está com os homens, e com eles habitará, e eles serão seu povo, e Deus mesmo estará com eles e será seu Deus.” (Apo. 21:3)

Temas preparatórios:

a)        O quarto ponto singular da fé: Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas que ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

b)        Os dois primeiros pertencem à fé, os dois últimos pertencem à caridade, e o quinto pertence à conjunção da caridade e da fé, assim à conjunção do Senhor e do homem.

c)        O constranger-se a si mesmo e o como por si mesmo.

10ª. videoconferência:

                 Tópico do JF: O último capítulo da obra e a conclusão

XI.       Sobre o estado do mundo e da igreja daqui em diante.

Conclusão: Suplemento (da obra CI), sobre o juízo individual e os três estados do homem logo após a morte.

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