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LEITURA 11 - Tema: "A Palavra de Deus em língua portuguesa" [VÍDEO]
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A Palavra de Deus em língua portuguesa

 

Cremos que a Palavra de Deus é santa porque o seu sentido da Letra foi escrito de modo a conter, como correspondências, o sentido interno ou espiritual, pois assim o sentido da Letra serve de instrução para homens no mundo e o sentido interno, para anjos no céu. E para que a Palavra fosse assim e tivesse essa finalidade, o Senhor a ditou e inspirou de modo a que cada uma de suas menores coisas seja correspondente. No Antigo Testamento, a correspondência chega ao nível de cada letra. Não há um til ou iota sequer que seja em vão, que não corresponda a algo nos céus. E por isso a Divina Providência tem preservado a Sua Palavra através dos tempos.

É óbvio que a Palavra foi ditada ou inspirada nas línguas hebraica, aramaica e grega, e nessas línguas ela está na plenitude da correspondência. Mas, quando é traduzida para outras línguas, é inevitável que a correspondência fique mais obscura ou mais distante, dependendo da fidelidade da tradução. Mesmo assim, em qualquer idioma, ela conjunge o homem aos céus, quando é lida com santidade.

No passado, homens que creram na autoria e, por conseguinte, na autoridade Divina da Palavra, no Velho e Novo Testamentos, defenderam a integridade de seu texto, traduzido na maior proximidade possível das línguas originais. Eles sabiam que a Palavra éDivina, infalível, santa e, portanto, nunca deve ser modificada. Por isso se esforçaram para seguir o princípio de tradução que respeita a inspiração literal das Sagradas Escrituras.

Nos nossos dias tem havido uma crescente tendência de se traduzir a Palavra de forma mais popular possível, embora isso às vezes invalide, perca ou adultere o sentido original das verdades Divinas da Palavra. Alguns textos “populares” se revelam reais deturpações da mensagem, o que prejudica o entendimento são e integridade doutrinal da Igreja. E, de fato, sob a aparência de erudição, de profundos estudos linguísticos, arqueológicos e históricos, o sentido literal da Palavra vem sendo alterado e tem se distanciando gradativamente das línguas originais, se comparamos com o que havia há 100 ou 200 anos.

Hoje se encontram nas livrarias várias traduções da Bíblia em nosso idioma. A tradução mais lida, de longe, é a de João Ferreira de Almeida, feita no século 17. Mas essa versão tem diversas versões atualmente, todas elas se chamando de Almeida, mas nenhuma delas é o texto como exatamente Almeida traduziu. As pessoas têm um leque de escolhas de “Almeidas”, impressas com diversas modificações, ao gosto literário do cristão. Mas nossa escolha do “melhor” texto da Palavra em nosso idioma não deve ser subjetiva, baseada no “gosto”, mas deve ser objetiva, baseada em fatos concretos e motivos justos, dentre os quais o principal é que a Palavra de Deus deve ser o mais próximo possível do texto como está nas línguas originais.

As primeiras traduções da Bíblia na língua portuguesa

Desde o ano de 1300, aproximadamente, quando o rei D. Diniz de Portugal traduziu do latim os primeiros capítulos de Gênesis, houve umas 6 ou 8 traduções de partes da Bíblia para o português, a partir da Vulgata latina, traduções essas que foram feitas por iniciativa ou autoria de membros da realeza e monges. Mas em 1536, a Inquisição se instalou definitivamente em Portugal, com o assentimento do rei D. João III (1502-57). Assim, as traduções da Bíblia foram incluídas na lista de livros proibidos pela Inquisição Católica e isto pôs um fim às iniciativas reais de traduzir as Sagradas Escrituras para o português. (Seibert, 2013, p. 84).

João Ferreira de Almeida
João Ferreira Annes d’Almeida nasceu em Torre de Tavares, Portugal, em 1628, mas sabe-se muito pouco de sua infância. Alguns supõem que ele era de família judia e que seus pais sofreram a perseguição religiosa imposta pela Inquisição, sendo banidos de Portugal. Porque houve, de fato, uma impiedosa perseguição religiosa e étnica de descendentes judeus, que começou em 1496[1] e continuava durante o reinado de D. Felipe, da Espanha, e D. Isabel, entre 1580 e 1640. No tempo desses reis, Portugal e Espanha formavam um só reino.

João Ferreira de Almeida nasceu, portanto, na época dessa impiedosa discriminação dos judeus. Então, se for verdadeira a suposição de que sua ascendência é judia, ele teria sido tirado da família e entregue a um responsável indicado pelos inquisidores. De fato, consta que ele morava com um monge católico, que foi tido como seu tio, mas não se sabe se era consanguíneo ou adotivo. Sua origem judaica explicaria o bom conhecimento que ele tinha da língua hebraica, como ficou claramente demonstrado no prefácio de sua tradução do Velho Testamento muitos anos mais tarde e pela qualidade dessa tradução, fazendo com que fosse considerada como “um texto hebraico escrito em português”. Outro indício de que ele tinha ascendência judaica é o sobrenome “Annes”, que é característico de cristão-novo, e que Almeida abreviava como “A.” ou, às vezes, simplesmente omitia, talvez por ter sido um nome que lhe tinha sido imposto.

Acredita-se que foi no tempo em que morou com o monge, fosse ou não seu tio, que ele aprendeu latim. De qualquer maneira, sua história é bem obscura quanto ao período da infância. O certo, porém, é que ele aparece, aos 13 anos, sem família, em Amsterdã, e um ano mais tarde chega a Batávia, antigo nome de Jakarta, na hoje Indonésia. [2]

Quando João Ferreira de Almeida saiu da Holanda e chegou à Indonésia, aos 14 anos, encontrou um ambiente livre da fé e da opressiva Inquisição católica. Nessa época, ele encontrou um folheto de evangelização impresso em espanhol intitulado “Diferença da Cristandade”. Logo que lê o folheto, ele se converte ao protestantismo e se torna membro da Igreja Reformada Holandesa na Indonésia, de linha calvinista. Anos mais tarde ele traduziria esse folheto para o português, entre outros artigos para evangelização.

Havia, por essa época, muitos cristãos recém-convertidos ao protestantismo vivendo na Indonésia e em outras terras banhadas pelos oceanos Índico e Pacífico, graças à pregação dos missionários holandeses e dinamarqueses. Apesar de usarem o português no dia a dia, aqueles que sabiam ler tinham de recorrer à Bíblia em espanhol, na tradução de Casiodoro de Reina, publicada em 1569 em Basileia, na Suíça (ou a revisão desta, de 1602, por Cipriano de Varela, resultando na versão conhecida como Reina-Valera). Não havia traduções da Bíblia em português exceto aquelas poucas porções que apareceram em manuscrito nos séculos 13 e 14, como vimos anteriormente. Além disso, com a Inquisição atuando tão rigorosamente em Portugal, qualquer tradução que houvesse dificilmente chegaria às mãos do povo, considerando que a posição declarada da Igreja Católica era proibir a leitura da Bíblia pelo povo, e ainda menos chegaria à Indonésia, que havia passado para o domínio protestante.

Com a Inquisição estendendo seus longos braços por toda a União Ibérica, incutindo terror aos que ousassem sequer demonstrar qualquer oposição à soberania papal e à tradição Católico Romana, podemos imaginar o ambiente sufocante e proibitivo para que ali aparecesse alguma tradução da Bíblia que não fosse da Vulgata, adotada pela Igreja Católica, e recebesse o “Imprimatur” papal. Se tivesse permanecido em sua pátria, por mais vocação e disposição que tivesse, o jovem Almeida nunca teria a liberdade de empreender tão importante trabalho, como foi a tradução da letra da Palavra. Então, em sua migração misteriosa para um lugar tão distante quanto a Indonésia podemos ver a obra da Divina Providência.

Assim, em 1644, aos 16 anos e membro da Igreja Reformada Holandesa, Almeida viu a necessidade de traduzir para o português algumas partes do Novo Testamento espanhol que era comumente lido pelos protestantes que falavam português na Ásia. Ele fez essa tradução no prazo de um ano, mas nunca chegou a distribuí-la e, muito menos publicá-la.  Alguns anos mais tarde ele faria uma nova tradução, agora de todo o Novo Testamento e tendo como base a edição latina de Beza, ainda que usasse o espanhol de Reyna, e o italiano de Giovanni Diodatti para referência e consulta. Mas essa tradução, assim como a primeira, nunca chegou a ser impressa. Em vez disso, Almeida fez algumas cópias manuscritas e distribuiu a missões da Ásia onde também se falava o português.

Como membro da Igreja Holandesa, ele se sentiu vocacionado para se tornar, como ele disse, um “ministro pregador do santo Evangelho’, e apresentou sua intenção aos líderes da igreja local, e assim teve início a sua preparação teológica. [3] Em 1652, enquanto fazia seus estudos, Almeida passou a ser remunerado pelo Concílio da Igreja em Batávia para fazer diversas traduções. Nesse período, traduziu o folheto “Diferença da Cristandade”, do espanhol, o “Catecismo de Heidelberg” (1563) e a liturgia da Igreja Reformada, do holandês, entre outras obras. Além das línguas sacras, João Ferreira de Almeida também dominava bem o holandês, pois consta que pregava sermões nessa língua em 1669 e, mais tarde, também trabalhou na revisão de uma tradução para português das fábulas de Esopo, feitas por M. Mendes de Vidigueyro, intitulada EsopeteRedi Vivo (1672).

Almeida seguiu estudando e passou pelas etapas do sacerdócio: Visitador de Doentes e Ministro Auxiliar. Foi submetido a exame e aprovado para o sacerdócio, sendo ordenado pastor em 1656, aos 28 anos. [4] A partir de 1657, assumiu o pastorado de uma missão holandesa em Colombo, no antigo Ceilão, atual Sri Lanka, e lá ficou até 1661, quando sua pregação contra o catolicismo desagradou as autoridades locais; elas se queixaram ao governo da Batávia e ele foi transferido dali para o sul da Índia. Mas lá, também, teve problemas, pois foi confrontado pela Inquisição portuguesa em Goa e chegou a ter uma imagem sua queimada em praça pública pelos inquisidores.

Enquanto estava na Índia ele se casou com LucretiaValcoa; eles tiveram dois filhos.

A tradução do Novo Testamento
Em dado momento durante seu ministério Almeida entendeu que era necessário oferecer ao povo português a Palavra de Deus em sua própria língua, em uma tradução mais próxima possível dos originais, isto é, hebraico, aramaico e grego. E decidiu começar pelo Novo Testamento, tendo como base o chamado "TextusReceptus", isto é, a coleção de manuscritos gregos aceitos como os melhores originais.

Almeida pretendia fazer uma tradução honesta, que não omitisse e não acrescentasse palavras, nem distorcesse o sentido original. Mais tarde, Almeida escreveria: “A mesma Escritura Sagrada, por ser a Palavra de Deus divinamente inspirada, tem de si mesma bastantíssima autoridade e contém suficientemente em si toda a doutrina necessária para o culto e serviço de Deus. É, portanto, que o dever de todo cristão é ler, meditar e esquadrinhar a S. Escritura, como Deus nosso Senhor também manda...”.

É interessante observar que, na mesma época, os católicos tinham uma posição diametralmente oposta, e davam seguinte instrução: “Importa proibir aos leigos ou seculares a lição da Sagrada Escritura, pois é a causa e mãe de muitas heresias.” (Belarmino, De Verbo Dei, Lib. 2, 15, 16).

Assim, em 1670, Almeida comunica ao Concílio holandês em Batávia que sua tradução do Novo Testamento estava pronta e solicita uma reunião com alguns representantes desseConcílio, para “verificar a sua tradução com o fim de imprimi-la” (Hallock; Swellengreble, 2000, p. 102).

O Concílio eclesiástico não lhe respondeu de imediato. É notório que eles não viam com bons olhos uma tradução para o português que não viesse da Bíblia holandesa.[5] Somado ao fato da rivalidade nacional, os holandeses doConcílio da igreja holandesa na Indonésia tinham suas dúvidas quanto à capacidade de Almeida, possivelmente por ter ele se formado na colônia e não nas universidades da Holanda, como também pela obstinação dele de traduzir o Novo Testamento diretamente do grego e não do holandês. Assim, por mais que fossem irmãos na fé e colegas do clero, essa divergência influía, sim, e causava certa má vontade do Concílio em relação à tradução de Almeida. Possivelmente por isso é que levaram seis anos para tomar uma decisão em relação ao seu pedido.

Finalmente, em 1676 as autoridades da igreja decidem formar uma equipe de seis revisores incumbida de verificar a tradução de Almeida, sendo três membros na Indonésia (Rev. Cornélio Lindius, Rev. Theodore Zas e AugustibusThorton) e três na Holanda (BartholomeusHeyen, Joannes de Vooght e um terceiro, judeu português e cristão novo. O primeiro deles, Heyen, falava fluentemente o português, pois tinha nascido no Brasil, na Paraíba, em 1644, e emigrado para a Holanda, onde estudou Teologia.)

“O Concílio da Igreja Reformada holandesa “sempre procurava usar estes revisores para exercer a sua autoridade e controle sobre o trabalho do tradutor, para que se pudesse assumir a responsabilidade por essas traduções, recomendando-as às autoridades eclesiásticas ou seculares” (Hallock; Swellengreble, 2000, p. 101). Alves (2007, p. 49) pontua outros aspectos sobre a designação de revisores para que a tradução do NT fosse feita; para ele “os revisores nunca confiaram muito na capacidade de tradutor de Almeida, por motivos técnicos e/ou “políticos”.

Iniciada a revisão, Almeida acabou tendo alguma divergência séria com os revisores na Indonésia, e em 1678 ele decidiu passar por cima das autoridades eclesiásticas locais e solicitou a publicação diretamente às autoridades da Igreja na Holanda. Escapou, assim, da interferência dos revisores em Batávia.

Essa atitude de Almeida provocou acalorados debates com oConcílio na Indonésia, que se queixou da insubordinação do português. Mas, a despeito dessa divergência, as autoridades na Holanda decidiram, afinal, autorizar a publicação, mas do texto como foi revisado pela comissão revisora de lá, ou seja, BartholomeusHeyen, Joannes de Vooght e o cristão novo. E os revisores, trabalhando obviamente sob a diretriz da Igreja Holandesa, começaram a revisão.

Qualquer que tenha sido a diretriz recebida, ou o motivo real por trás, os revisores entenderam que deviam harmonizar a tradução de Almeida com a tradução holandesa. Fizeram isso e terminaram a revisão em menos de um ano. Assim, em 1681 foi impresso o Novo Testamento, cujo título completo era: "O Novo Testamento Isto he o Novo Concerto de Nosso Fiel Senhor e RedemptorIesuChristo traduzido na Língua Portuguesa pelo reverendo Padre João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Sancto Evangelho nesta cidade de Batávia, em Java Maior". Há biografias que dizem que a obra foi impressa na Batávia, mas a folha de rosto diz: “Em Amsterdam, Por Viuva de J. V. Someren, Anno 1681”. Fora o fato de que a imprensa era uma tecnologia relativamente nova e cara[6], não disponível na colônia.

Os exemplares costumavam ser distribuídos à medida que ficavam prontos. Então, em 1682, quando a impressão ainda estava em andamento, os primeiros exemplares que ficaram prontos chegaram às mãos de Almeida. Infelizmente, quando o tradutor folheou a obra recém-impressa, verificou com grande pesar que havia muitíssimas falhas no texto, sendo algumas tão graves que deturpavam o sentido da frase e comprometiam a sua tradução. Essas alterações provocaram um transtorno tão sério, que as autoridades eclesiásticas chegaram à conclusão de que a obra, como ficara, tornara-se imprestável, e então decidiram que os volumes já impressos fossem destruídos e fosse preparada uma nova edição.

Assim, a parte da tiragem que ainda estava na Holanda foi destruída lá mesmo. No entanto, alguns ministros na Indonésia sugeriram que se aproveitasse uma parte dos exemplares, sendo corrigidas à mão as falhas e fosse distribuída assim mesmo, com as emendas à tinta. Almeida mandou imprimir uma folha de rosto adicional, com uma errata de 150 passagens que foram corrigidas a tinta.

 Quatro exemplares dessa primeira edição do Novo Testamento sobrevieram. Uma está na Biblioteca Real de Haia, na Holanda; duas estão Lisboa, na Biblioteca Nacional, e uma em Londres, na Biblioteca Britânica. Dois desses têm as correções indicadas por Almeida. Uma cópia de Lisboa e a de Londres têm essa folha de rosto com a errata, a lista de 150 passagens que foram corrigidas a tinta. Os outros dois exemplares são os que escaparam da destruição, sem as correções. Consta que em 1º de janeiro 1683 Almeida divulgou na Batávia uma lista com mil erros que tinham sido introduzidos na Holanda.

Esse é o motivo histórico comprovado da inutilização da primeira edição do Novo Testamento de Almeida. É importante enfatizar isso porque um cidadão (biógrafo?) brasileiro, Ribeiro Santos, sugere ou inventa outras razões da rejeição da obra de Almeida. Ele acha que talvez a tradução de Almeida tenha ficado num estilo muito pobre, pelo fato de o autor estar vivendo há tanto tempo distante de Portugal, ou talvez a tradução tenha ficado muito literal, por ter seguido a tradução holandesa e a espanhola de Varela. Felizmente, outros biógrafos, em vez de fazer suposições levianas, se deram o trabalho de analisar o trabalho de Almeida, comparando-o com várias edições do Texto Recebido, e confirmaram que, de fato, a tradução de Almeida era de boa qualidade e idônea, traduzida do grego de Jansson, de 1639. Em última instância, por ser fluente em holandês, teria sido imensamente mais fácil para Almeida traduzir diretamente daquela língua do que ter de lidar com o grego. E foi justamente porque a sua tradução não seria do holandês que as autoridades eclesiásticas hesitaram tanto em aprovar a impressão. Quanto à alegação de que ficou “muito literal”, embora isto seja considerado uma fraqueza aos olhos da filosofia crítica de tradução de hoje, é, de fato, um elogio à obra de Almeida, do ponto de vista dos que prezam a fidelidade da tradução verbal.

É comum que a alteração do texto seja atribuída aos revisores, mas, de posse da cópia de um exemplar corrigido e outro não, pude verificar que os erros são quase exclusivamente ortográficos ou tipográficos. Por conseguinte, parecem ter sido causados pelo tipógrafo holandês, que lidou com uma língua que não era sua e os tipos invertidos. Isto não isenta, porém, a responsabilidade dos revisores, que deveriam ter examinado as provas de cada composição. De qualquer maneira, não parece razoável que os revisores iriam introduzir vocábulos com grafia errada, e que isso fosse aproximar a tradução de Almeida da versão holandesa.

 Enfim, como a deturpação do texto era um problema sério, oConcílio holandês resolve mandar revisar a edição e fazer uma nova, toda corrigida. Eles nomeiam uma comissão revisora local (Theodoro Zas e Jacob opdenAkker), mas, desta vez, têm a prudência de incluir o próprio Almeida. No entanto, oConcílio não deixa de dar um “puxão de orelha” em Almeida, pois lhe impõem a obrigação de manter o presbitério ou  Concílio informado de suas atividades. Ocorre que, enquanto se prolongava a publicação do Novo Testamento, Almeida não estava parado, mas fazia a tradução do Velho Testamento a partir do texto massorético. Assim, ficava claro que o presbitério estava em parte aceitando a independência de Almeida, mas, em parte, restringindo-o, para que não se pusesse a fazer o mesmo em relação ao Velho Testamento.

Os ânimos se acalmaram e os trabalhos para uma nova edição do Novo Testamento continuaram. Mas Almeida não chegou a ver a nova edição, pois faleceu em 1691, e a nova edição só saiu em 1693. E, quando morreu, tinha traduzido o Velho Testamento até Ezequiel 48:21. Coube, então, a um colega seu da Batávia, JakobusopdenAkker, a incumbência de completar a tradução, o que aconteceu em 1694. A Bíblia estava toda traduzida, mas só seria publicada depois de vários anos.

Há quem afirme que, pela nova edição, de 1693, é possível perceber que os revisores tinham introduzido algumas alterações na edição de 1681, mas só se pode afirmar isso com certeza após a comparação das duas edições, porém, até o momento, só temos duas de 1681 (uma com a errata).

Almeida Restaurada

Como dissemos antes, quase todas as traduções vão-se distanciando cada vez mais do texto original de Almeida, exceto uma, a Almeida Corrigida Fiel, que é a que mais se aproxima, ou menos modifica o que Almeida traduziu. Mas não se pode estudar a Palavra de Deus como foi traduzida, e é uma ironia, que a primeira versão do Novo Testamento, o original, é justamente a melhor, a que mais se aproxima do texto grego. Por causa das características do nosso idioma, a versão original de Almeida supera, em fidelidade grego, à tradução King James e à espanhola de Reina e Varela, o que nós constatamos ao fazer dezenas de comparações de texto dessas versões.

Almeida é muito próxima das traduções feitas por Swedenborg, que fez traduções fidelíssimas, por causa do sentido interno

E foi pensando, então, na necessidade de preservar a mensagem mais pura da Palavra de Deus em nosso idioma, que decidimos, há uns 3 anos, restaurar o texto original de Almeida, pelo menos do Novo Testamento, e graças a Deus temos hoje completado esse trabalho, em dois volumes.

O texto restaurado foi integralmente reproduzido, inclusive com a tipografia da época, mas, a fim de facilitar a leitura, ajuntamos uma coluna com o texto minimamente atualizado, isto é, substituindo os arcaísmos, a tipografia, a ortografia e, também, a ordem de palavras, uma vez que Almeida tinha ainda forte influência do latim ao colocar os verbos no final das frases. No mais, o texto foi restaurado integralmente.

Temos colocado em um website, www.almeidarestaurada.com.brum histórico mais completo da tradução, realçando a fidelidade do autor português. Nosso objetivo é que a restauração da melhor e mais fiel tradução possa contribuir de algum modo para com a preservação da integridade da Palavra de Deus em nosso idioma.

 



[1] No dia de Natal do ano de 1496, o rei D. Manuel deu prazo de 10 meses para os judeus deixarem Portugal ou seriam mortos e teriam seus bens confiscados. “Em 19 de março de 1497 (o primeiro dia da Páscoa), aos pais judeus foi ordenado trazerem seus filhos entre quatro e quatorze anos de idade a Lisboa. Na chegada, os pais foram informados que seus filhos estavam sendo separados deles e seriam dados a famílias católicas para serem criados como bons católicos. Os filhos foram literalmente arrancados de seus pais e outros foram sufocados. Alguns pais preferiram matar a si próprios e a seus filhos, a verem-se separados. Após algum tempo, alguns pais concordaram em ser batizados, bem como seus filhos, enquanto outros sucumbiram e entregaram seus bebês. Em outubro de 1497, cerca de vinte mil judeus vieram a Lisboa para se prepararem para partir para outras terras. Eles foram ajuntados no interior de Os Estáos, um palácio, e foram abordados pelos sacerdotes que tentaram convertê-los. Alguns capitularam, enquanto que outros aguardavam ali até que o tempo da partida passou. Aqueles que não se converteram perderam sua liberdade e se tornariam escravos. Outros sucumbiram. Finalmente os restantes foram aspergidos com as águas batismais e foram declarados “cristãos novos”... A Inquisição portuguesa se estabeleceu em 1531 ... e o primeiro auto-da-fé ocorreu em Lisboa em 20 de setembro de 1540... tentando escapar da Inquisição, muitas famílias de marranos portugueses fugiram para Amsterdam, Salonika e outros lugares do Velho e do Novo Mundo. Em 1654, vinte e três judeus portugueses chegaram a Nova Amsterdam (hoje Nova York) e se tornaram os primeiros colonos judeus nos Estados Unidos” – Jairo P. Cavalcante Filho www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/vjw/Portugal.html
[2]Por que Indonésia? O fato é que, durante os séculos 15 e 16, os navegadores portugueses tinham estabelecido colônias não somente no Brasil, mas também nas costas ocidental e oriental da África, na Índia, no Sri Lanka, em várias outras partes da Ásia (como a Indonésia) e tinham chegado até o Japão. O império português dominava toda essa região, influenciando, naturalmente, com a língua, a religião – através dos jesuítas – e os costumes. Assim, por causa dessa supremacia marítimo-comercial,o idioma português se tornou a língua franca, e era usado na comunicação entre portugueses e asiáticos. Mais tarde, quando outros europeus chegaram àquelas regiões e competiam no comércio, também começaram a usar o português, que já era conhecido dos asiáticos, e o usavam até mesmo entre si, isto é, franceses dinamarqueses, holandeses e ingleses. Mas, gradualmente, Portugal começou a perder a primazia do comércio nas suas colônias, e a empresa de comércio holandesa, chamada Companhia das Índias Ocidentais, foi tomando o espaço dos comerciantes e colonizadores portugueses na Indonésia, até que a região da Batávia passou completamente ao domínio econômico holandês. Ao mesmo tempo, os holandeses enviavam missionários reformados, que foram convertendo ao protestantismo os nativos que, por sua vez, já tinham sido convertidos ao catolicismo pelos portugueses.Todavia, mesmo com a mudança do controle econômico, o português continuousendo a língua franca da região por muito tempo, mais falado até que o holandês. Era, pois, a língua usada pelos missionários na evangelização e, nas congregações da Igreja Reformada Holandesa, pelos protestantes locais e europeus.
[3] Não se tem certeza se havia um seminário teológico formal na Indonésia por essa ocasião; portanto, é difícil dizer se a instrução de Almeida foi formal ou informal, mas o fato é que ele estudou hebraico, aramaico e grego. Há, todavia, uma referência a certa “Imprensa do Seminário” nas folhas de rosto de obras litúrgicas e evangelísticas traduzidas por Almeida, pelo que se supõe, então, que devia haver ao menos alguns pastores holandeses que ensinavam e alguma escola para preparação de missionários e estudo de línguas.
[4] No entanto, o título de pastor não era usado no português antigo. Em vez disso, o ministro protestante era chamado de “padre reformado” ou padre, simplesmente. Daí veio a ideia errônea de que João Ferreira de Almeida foi um padre católico depois convertido ao protestantismo.
[5] Para entendermos os possíveis motivos das dificuldades que Almeida enfrentou para obter aprovação doConcílio, precisamos abrir um parêntese e ampliar nossa visão para o contexto histórico da época. Durante os séculos 16 e 17, a Holanda mantinha relações amigáveis com Portugal, mas vivia em pé de guerra com a Espanha. Em 1580, quando os reinos de Portugal e Espanha foram unificados, a guerra com a Holanda passou a ser também de Portugal. Três anos antes de Almeida nascer, isto é, em 1624, os holandeses invadiram a cidade de Salvador, na Bahia, e a ocuparam em menos de 24 horas. Salvador era a capital do Brasil,colônia de Portugal. A cidade esteve sob o domínio holandês por quase um ano, até serem derrotados e expulsos pela resistência de brasileiros e portugueses, em 1625.

Doze anos depois, em 1637, os holandeses invadem novamente o nordeste do Brasil, e desta vez tomam a cidade de Olinda, no Pernambuco. De 1637 até 1644, Maurício de Nassau governou a região de Pernambuco e realizou transformações notáveis na infraestrutura e no sistema de produção açucareira, além de patrocinar atividades artísticas e científicas, trazendo naturalistas europeus.O sucesso e a superioridade da colonização holandesa em relação à portuguesa eram evidentes. Por isso o reino de Portugal, mesmo depois de se ter separado da Espanha,fez uma grande investida e novamente expulsou os holandeses. Lembre-se que os holandeses já haviam tomado de Portugal as colônias da Ásia. Havia, por conseguinte, essa rivalidade, com naturais conflitos e ressentimentos entre portugueses e holandeses, e isso certamente se refletia no mundo todo.

Além da rivalidade política (no plano da invasão e expulsão do Brasil) havia também uma rivalidade cultural ou linguística entre os idiomas português e holandês nas colônias asiáticas. Após ter tomado essas colônias do império lusitano, o governo holandês tinha o maior interesse em valorizar sua língua e diminuir importância da língua portuguesa, dos antigos colonizadores. Por isso reforçavam o emprego da língua holandesa. Isso deve ter influenciado, provavelmente, na posição da Igreja holandesa, que, ao mesmo tempo em que apoiava uma tradução do NT em português para bem dos colonos, que eram ainda em sua maioria lusófonos, também insistia que o holandês fosse a língua do ensinamento religioso lá. Isto explica o motivo pelo qual eles foram tão relutantes em apoiar o trabalho de Almeida, e, quando autorizaram a impressão, esse mesmo contexto pode ter influenciado no papel que os revisores tiveram nessa obra.
[6]Uma impressão tipográfica era muito demorada, porque toda a tarefa de composição dos tipos era manual, letra a letra, cada letra sendo um bloco fundido de estanho, e com as letras invertidas. Dizem que a composição de uma simples página levava horas. E a própria impressão era muito lenta, sendo necessário mover alavancas para imprimir cada folha de papel.

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LEITURA 10 - Tema: "Apocalipse) [VÍDEO]
Sumário dos 22 Capítulos do Apocalipse Aula gratuita!

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LEITURA 09 - Tema: "Os cinco singulares da fé" (Aula em Vídeo)
Há um só Deus e que Ele é Jesus Cristo, e que a fé n’Ele nos salva. Aula gratuita!

O Juízo Final -[Link do Vídeo)

Parte 5: 9ª videoconferência.

Em nosso estudo do livro O Juízo Final e a Babilônia Destruída, viemos intercalando o estudo sobre alguns pontos fundamentais das doutrinas expostas nas demais obras de Swedenborg, pontos esses que são relacionados no livro Verdadeira Religião Cristã como os cinco singulares da fé. E vimos a cada semana que esses fundamentos são: 1) Há um só Deus em quem está a Divina Trindade, e esse Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo; 2) A fé salvífica é crer n’Ele; 3) Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo; 4) Os bens devem ser feitos porque são de Deus e vêm de Deus; 5) Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

Tendo examinado cada um desses singulares em particular, só nos falta considerar o que lemos em Verdadeira Religião Cristã, como conclusão: “Os dois primeiros pertencem à fé, os dois últimos pertencem à caridade, e o quinto pertence à conjunção da caridade e da fé, assim, à conjunção do Senhor e do homem.” Isso quer dizer que os dois primeiros pontos são matérias de fé, pertencem ao conhecimento que devemos adquirir e ampliar, que há um só Deus, Jesus Cristo, e que a fé n’Ele nos salva.

Sem essas duas premissas não pode haver desenvolvimento de uma mentalidade verdadeiramente cristã, porque sem elas nega-se a união do Pai e do Filho, nega-se a união plenária da Alma Divina com o Corpo glorificado, nega-se, enfim, a Divindade do Senhor JesusCristo. E não somente isso, mas faz-se que seja impossível compreender o chamado “mistério” da trindade e lança-se completa escuridão em tudo o mais, tudo o que diz respeito a Deus, à vida eterna e à salvação.

Por isso o Senhor disse: “Se não crerdes que Eu sou, emvossos pecados morrereis” (João 8:24). Quando o Senhor dizia “Eu sou”, Ele Se revelava como o próprio Jehovah Deus, Aquele que no Antigo Testamento disse Seu nome a Moisés: “Eu sou”, “Sum Qui Sum”, “EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: SOU me enviou a vós.” (Êxodo 3:14). E no Apocalipse, novamente, Ele declara a João: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso.” (Apoc. 1:8).

Não poderia haver dois “Eu sou”, dois “Todo-poderoso”, mas um só Ser Divino, Criador de eternidade, que entrou no tempo e Se revestiu de um corpo Humano para se tornar Redentor, e para a eternidade é Regenerador. Esta é a única maneira de se compreender Deus, de se compreender a Trindade, que está n’Ele, e de se chegar a Ele como Deus que se pode compreender, visível, compassivo, Humano na essência mais elevada e mais pura da palavra. Esta é uma visão nova a respeito de Deus, que agora está restaurada para todos os que desejarem conhecê-lo em verdade.

Cada um que tem algum conhecimento das doutrinas do cristianismo pode julgar, mas, em minha opinião, nunca vi e parece que não há outra explicação mais clara, não há fé que eleve, exalte, enalteça a pessoa Divina do Senhor Jesus Cristo mais do que essa.

Voltando aos singulares da fé. Se é dito que os dois primeiros pontos, sobre Deus e a fé, são matérias da convicção, o terceiro e o quarto ponto, a saber, fugir dos males e fazer o bem, são matérias do viver, da ação, da caridade. Porque caridade é agir, é fazer, e a primeira coisa da caridade é deixar de fazer o mal. No exercício desses dois pontos, abster do mal e fazer o bem, a fé é posta em prática e ganha vida e corpo nas obras, e as obras são qualificadas pela fé que as motiva.

Sei que, quando falamos de obra, de ação, pode-se levantar um argumento comum do cristianismo reformado, que cita, entre outros, o livro de Gálatas 2:16: “Sabendo, porém, que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé de Jesus Cristo, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da Lei, porquanto pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada”. Sem uma reflexão mais adequada, esse versículo é o principal que vem a mente de muitos cristãos quando falamos em obra, pois foi implantada no credo cristão a ideia errônea de que a fé, sozinha, é bastante, isto é, sem que a pessoa faça coisa alguma para a sua salvação.

Por trás dessa crença está a negação do livre-arbítrio e, também, a doutrina da predestinação. Porque, quando se nega a validade da obra, nega-se, como consequência inevitável, a validade de qualquer ação que o homem possa fazer e que contribua para sua salvação. Daí vem o pensamento de que tudo é pela graça de Deus, e que o homem é como um toco ou uma pedra nas matérias da salvação. Ele é tocado pela graça sem que necessite fazer nada, e é salvo.

O dogma da predestinação, que diz que ao homem não cabe fazer coisa alguma, e que alguns são tocados pela graça de Deus, e outros não, afirma, por conseguinte, que uns foram criados para a salvação, e outros para a condenação.

Não há ideia mais injusta que se possa a ter a respeito de Deus do que essa, de que Ele tenha criado alguns de seus filhos para a felicidade eterna, e outros para sofrerem a morte eterna. Não importa o que a pessoa faça: se ela for predestinada para o céu, mesmo se viver em pecado, no último instante da vida no mundo será resgatada e salva. Enquanto a outra, por mais que se esforce para ser boa, honesta, obediente e caridosa, se foi predestinada para o inferno, para lá ela irá. E se alguém argumenta que isto é injusto e contra o amor Divino, eles respondem que não se discute a preferência que Deus possa ter dito por uns e a rejeição de outros, pois Ele é soberano.

Um dos argumentos usados pelo dogma da predestinação é a história de Caim e Abel. Os dois trouxeram de seu trabalho ofertas a Deus, mas Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim, preferindo aquele e desprezando este. Usam isso para mostrar que Abel fora predestinado para a salvação, e Caim para a perdição. Mas esse arrazoado é simplesmente fruto de uma interpretação cega e literal das Escrituras. Porque Caim e Abel, assim como Adão e Eva, não foram indivíduos. Adão é uma figura simbólica, representando o ser humano (masculino e feminino) de uma dispensação antiquíssima que existiu nesta Terra. Eva, ou Vida, em hebraico, é o ser próprio desse humano. Ela representa a vida que Deus dá ao homem, ou a sensação de que a vida é própria dele. Por isso, na criação da mulher, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe ei um auxílio como se [estivesse] nele” (Gên. 2:180. A vida é como se estivesse no homem, mas não é dele, pois a única fonte de vida é Divina, a vida mesma. O homem é somente receptáculo de vida e tem a aparência de que vive por si. Então, a história do Homem e sua Vida no Jardim do Éden é a história da raça humana primordial neste planeta e a sabedoria de que desfrutava e cultivava, o jardim.

Já a história de Caim e Abel é a dessa dualidade, Fé e Caridade, naquela igreja. Caim nasce primeiro, pois a fé vem em primeiro lugar no tempo, pelo ouvir. E Abel é a caridade, a obra, que vem depois da fé, mas é a primeira em importância, pois a obra ou a caridade é o objetivo da fé. Quando, porém, as pessoas daquela igreja começaram a dar mais importância à fé, pondo a fé acima da caridade, então a crença, o intelecto, o pensamento, passaram a ter mais importância do que a ação, o viver, o amor ao próximo. E quando a fé reina, a caridade é aniquilada, representado por Caim matar Abel. E sem a caridade, a fé também é nula, porque “a fé sem as obras está morta”. Tiago 2:20”

Ora, o que Deus quer ver no homem não é tanto a crença, mas o amor ao próximo, a caridade. Vimos aqui, na semana passada, que João era o discípulo a quem Jesus amava porque João representava a caridade. Então, a oferta de Abel é a recíproca atitude do homem em relação ao Divino Amor. Deus quer e aceita a adoração quando a pessoa ama seu próximo, e não aceita a adoração se a fé é separada do viver, matéria só da crença, do pensamento.

Se não entendermos que essa história é figurada, representativa de coisas da mente, da igreja e do céu, não teremos, de fato, explicação para essa hipotética preferência de Deus por um de seus filhos e o inaceitável desprezo pela sorte de outro filho seu, e daí é que se criou o dogma da soberania e da predestinação.

Voltando, agora, à carta dos Gálatas, esse argumento poderoso para confirmar a doutrina da fé só. É suficiente uma análise cuidadosa do contexto para verificarmos que as obras a que o apóstolo se refere são as obras da Lei, isto é, as obras ritualísticas judaicas. Porque o autor, Paulo, antes ferrenho defensor da doutrina dos fariseus, ao se converter ao cristianismo, passou a maior parte do tempo instruindo e exortando as igrejas cristãs recém-formadase que consistia basicamente de egressos do judaísmo ou gregos. Paulo insistia com eles que as obras do rito judaicodo Antigo Testamentoestavam agora abolidas, e que ninguém, por sua própria força, seria capaz de alcançar a salvação de sua alma somente por cumprir os estatutos do judaísmo. Ele mostrava que o Senhor veio redimir o gênero humano e trazer a salvação pela graça, não pelas obras da lei dos rituais. Eram essas as obras que não eram salvífica. Ele não falava das obras de caridade. Porque, ao invés de anular, ele exaltou o valor da caridade, o viver no amor fraternal, que era a realização da fé. E por isso escreve uma das passagens mais bonitas das cartas apostólicas, em 1 Coríntios 13, exaltando a caridade e pondo-a no primeiro plano: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade” (13:13).

Então, o quinto universal da fé, “E os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele” é conjunção da fé e da caridade. A fé em Deus sem a ação é uma fé morta; e ação sem uma fé que a qualifique é vazia ou meritória. Mas a conjunção entre os dois primeiros pontos e os dois seguintes está no fato de a pessoa crer que o Senhor é quem opera nela, dando-lhe tanto o querer quando o poder realizar.

Outro assunto que precisamostrazer, a fim de complementar o que já foi dito a respeito de abster-se dos males, é a questão do livre arbítrio. Todo ser humano é criado com duas faculdades que o distinguem dos animais: a racionalidade e a liberdade. A racionalidade é a faculdade de entender a verdade, e a liberdade é resultante de a pessoa estar, quanto ao seu espírito, no equilíbrio entre o céu e o inferno. Daí ele a livre para ponderar e escolher o que ela quer se tornar na vida eterna. E essas faculdades dadas pelo Senhor não são tiradas de homem, espírito ou anjo algum.

Portanto, especialmente nas matérias da vida espiritual, a pessoa deve ser livre para buscar e aprender as verdades, crer nelas e com elas formar sua consciência, sua fé, pelo que o livre arbítrio é condição essencial. No que diz respeito, então, a se abster dos males e fazer o bem, nenhuma pessoa deve ser forçada a isso, por quem quer que seja. As igrejas e os sacerdotes existem para ensinar e para conduzir, e não devem impor coisa alguma do que a pessoa deve crer ou deixar de crer, fazer ou deixar de fazer. Os ensinamentos sãos da igreja devem, por conseguinte, apelar à racionalidade do indivíduo e não à sua emoção, porque a racionalidade pertence ao entendimento, mas a emoção pertence à vontade. Enquanto o entendimento está fora, a vontade é o foro íntimo da pessoa, onde só Deus pode atuar, sem constranger a pessoa a seja o que for.

“É uma lei da Divina Providência que homem não seja constrangido por meios externos a pensar e a querer, assim, a crer nas coisas que são da religião e a amá-las, mas que o homem a si mesmo se persuada e, às vezes, se constranja a isso” (DP 129). Se não fosse o livre e a razão do homem, talvez Deus faria toda sorte de milagres e sinais, mandaria anjos e demônios e constrangeria todos a crer n’Ele e a serem levados para o céu. Mas, então, o homem não seria humano, mas um robô ou um toco, ou apenas uma casca, conservando em si um esforço latente de se rebelar contra aquilo a que foi constrangido.

Por isso a pessoa não pode ser constrangida a crer. Mas, por outro lado, constranger-se a si mesma não é contra a liberdade nem contra a racionalidade. Daí é que temos a outra lei da Divina Providência: “que o homem remova como por si mesmo os males como pecados no homem externo, e assim, e não de outro modo, o Senhor pode remover os males no homem interno e então, ao mesmo tempo, no externo.” (100, título)

            Vemos, então, o que nos diz a obra Divina Providência na continuação sobre este ponto: (145)         (v.)Não é contra a racionalidade e a liberdade constranger-se a si mesmo. ...No homem há um interno e um externo do pensamento, e ...esses são ... tão distintos que podem agir separadamente e podem agir conjuntamente. Agem separadamente quando o homem, pelo externo de seu pensamento, fala e faz diferentemente do que pensa e quer interiormente; e agem conjuntamente quando ele fala e faz o que interiormente pensa e quer. Isso é comum nos sinceros, mas não nos insinceros.

            “[2]Ora, como o interno e o externo da mente são assim distintos, o interno pode até combater o externo e, pelo combate, impeli-lo ao consentimento. O combate existe quando o homem considera os males como pecados e, por isso, quer desistir deles, pois, quando desiste, abre-se uma porta que, sendo aberta, as concupiscências do mal que ocupavam o interno do pensamento são expulsas pelo Senhor e, em lugar delas, são implantadas as afeições do bem. Isso no interno do pensamento. Mas como os prazeres das concupiscências do mal, que ocupam o externo do pensamento, não podem ser expulsos ao mesmo tempo, existe daí um combate entre o interno e o externo do pensamento. O interno quer expulsar esses prazeres, porque são prazeres do mal e não concordam com as afeições do bem nas quais agora o interno se acha, e, em lugar dos prazeres do mal, quer introduzir os prazeres do bem, que concordam. São os prazeres do bem que se chamam bens da caridade. Dessa oposição tem origem o combate que, se aumenta, chama-se tentação.

            “[3]    Ora, como o homem é homem pelo interno de seu pensamento, pois este é o espírito mesmo do homem, vê-se que o homem a si mesmo se constrange quando constrange o externo de seu pensamento ao consentimento ou a que receba os prazeres de suas afeições, que são os bens da caridade. Que isso não seja contra a racionalidade e a liberdade, mas segundo elas, é evidente, pois a racionalidade faz esse combate e a liberdade o executa. Também, a liberdade mesma com a racionalidade reside no homem interno e, dele, no externo.

            “[4]    Quando, assim, o interno vence, o que acontece quando o interno reduz o externo ao consentimento e à submissão, então o Senhor concede ao homem a liberdade mesma e a racionalidade mesma, pois então o homem é tirado pelo Senhor do livre infernal, que em si é a servidão, e levado ao livre celeste, que em si é o livre mesmo, e concede-lhe a consorciação com os anjos.

            “146. Seja, por exemplo, a seguinte ilustração: um homem que tinha sentido prazer nas defraudações e nos furtos clandestinos mas vê e reconhece interiormente que são pecados e, por esse motivo, quer desistir deles. Quando desiste, então tem origem um combate entre o homem interno e o externo. O homem interno está na afeição da sinceridade, mas o externo está ainda no prazer das defraudações. Esse prazer, porquanto é inteiramente oposto ao prazer da sinceridade, não se retira a menos que seja constrangido, nem pode ser constrangido a não ser por meio de combates. Então, quando o homem [interno] vence, o externo entra no prazer do amor do sincero, que é a caridade. Em seguida, gradativamente o prazer das defraudações se torna desprazer para ele. É semelhante em relação a todos os demais pecados, como os adultérios e devassidões, vinganças e ódios, blasfêmias e mentiras. Mas o combate mais difícil de todos é contra o amor de dominar pelo amor de si. Quem a este subjuga, facilmente subjuga os amores maus restantes, porque ele é a cabeça destes.”

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LEITURA 08 - Tema: "A Babilônia e a sua destruição" [Aula em Vídeo]
Sobre o céu precedente e sua abolição. Aula gratuita!

O Juízo Final - [Link do Vídeo]

Parte 4: 8ª videoconferência.

IX.    A Babilônia e a sua destruição

X.      Sobre o céu precedente e sua abolição.

 

Em nosso estudo do Juízo Final, temos visto que o livro do Apocalipse é uma obra cheia de simbolismos, do começo ao fim, a tal ponto que, em algumas passagens, é completamente impossível ser interpretado literalmente. Não são somente figuras de linguagem, mas símbolos representativos, cujo significado se mostra bastante coerente, do começo ao fim. Esses símbolos são o que chamamos de correspondências, quando um objeto, uma pessoa, uma ação ou uma qualidade no plano natural representa outra que lhe corresponde do plano espiritual. E não só o Apocalipse, mas cada coisa em toda a Palavra de Deus tem essa correspondência espiritual, como uma alegoria ou parábola, e é por isso que a Palavra é santa e encerra a sabedoria Divina.

Vemos o que se diz, por exemplo, do Senhor, que tinha uma espada aguda saindo de Sua boca; que Ele vomitaria de Sua boca aqueles considerados mornos de Laodiceia; que a terra abriu a sua boca para engolir o rio lançado pelo dragão; que João comeu o livrinho e este foi doce em sua boca. Isto somente para citarmos um termo, “boca”, mas há muitas outras expressões figurativas semelhantes.

É evidente que a “boca”, a “espada”, o “rio”, “o livrinho, aí, não são esses objetos mesmos. Devem, necessariamente, ter alguma representação. Mas, exceto pelo termo “espada”, a representação das muitas outras figuras não é tão óbvia. Por isso, então, que devemos empregar o bom senso para não tomarmos uma figura simbólica ou representativa ao pé da letra, em vez de seu significado. Este é o caso, aqui, da Babilônia. É claro que Babilônia, aqui, também não é a cidade, mas algo representado por ela. Qualquer um pode ver isso sem muita reflexão, mesmo porque a cidade física, Babilônia, deixou de existir há séculos. Restarem somente ruínas no Iraque, que acredita-se terem sido parte da cidade. Qual a finalidade, portanto, de uma cidade destruída ter um papel tão crucial no Apocalipse? Nenhuma. A não ser que seja uma “Babilônia” simbólica, e por ela seja representada algo relevante em nossos dias.

Em hebraico, o nome Babilônia é o mesmo que Babel, a cidade e a torre, descritos em Gênesis 11, que os homens quiseram fazer por soberba: “Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra”.  Por isso as línguas foram confundidas e eles foram espalhados. Mais tarde, no tempo dos profetas, Babilônia era o centro do domínio do rei Nabucodonosor, descrito no livro de Daniel; esse rei mandou erigir uma estátua a fim de ser adorado como Deus. E também o filho dele, o rei Belshazar, profanou os vasos sagrados que tinham sido tirados do templo.

Assim como  a altivez do povo em Babel, que queria erigir um nome até os céus, os reis babilônicos tiveram uma noção exacerbada da própria grandeza, ao ponto de se colocarem em lugar de Deus e acima das coisas de Deus. É isto, então, que o símbolo “Babilônia” caracteriza na Bíblia:  “Por ‘Babilônia’ se entendem todos os que querem ter domínio pela religião. Dominar pela religião é dominar sobre as almas dos homens, assim, sobre a sua vida espiritual mesma por meio das coisas Divinas de sua religião. Todos os que têm a dominação por objetivo final e a religião por meio são a ‘Babilônia’ em geral” (JF 54).

A Igreja cristã primitiva ou apostólica permaneceu durante os primeiros três séculos na integridade e na pureza de doutrina, conforme sabemos pela história e pelos escritos de seu tempo. Mas, a partir do século IV, quando o cristianismo deixou de ser perseguido, começaram a entrar na igreja regras, ritos e costumes que não havia nos primeiros tempos. A Igreja perdeu sua integridade original e os seus líderes foram dominados pela ambição de domínio e de riquezas, arrogando-se o poder Divino de perdoar e excomungar, abrir e fechar os céus, por conseguinte, poder sobre as almas humanas.  Tornou-se, finalmente, a nova Babilônia. É essa outra Babilônia de que se trata no Apocalipse.

Cumpre lembrar oportunamente que essa postura de querer dominar pelo amor de si, pondo-se em lugar de Deus, não está no fiéis, em sua maioria povo simples, mas nos líderes. E nem todos os líderes, mas aqueles que se arrogam esse poder espiritual e domina o povo, seja pelo ensino tortuoso, seja pelo medo do castigo eterno. E mais ainda naqueles que se chamam “vigário” de Cristo. “Vicarius”, latim, quer dizer, substituto. Quem quer que se considere substituto de Cristo na terra excedeu há muito o extremo da sensatez.

 A história nos mostra o erro dos líderes católicos quando estenderam seu poder sobre reis e rainhas, e a chamada inquisição para escravizarem as mentes dos homens pelo medo do castigo, não só eterno, mas também terreno.

“Cumpre saber que a igreja se torna Babilônia quando cessam a caridade e a fé, e em seu lugar começa a reinar o amor de si. Esse amor se arremessa, tanto quanto o freio lhe é relaxado, não só para dominar sobre todos desta terra que ele possa subjugar, como também para dominar sobre o céu. E ele não descansa: sobe até ao trono de Deus e transfere para si o poder Divino.

 “A Babilônia tratada no Apocalipse é a Babilônia de hoje, que começou depois da vinda do Senhor e existe entre os papistas, como é notório. Esta Babilônia é mais perniciosa e mais abominável do que a que existiu antes da vinda do Senhor, porque ela profana os bens e os veros interiores da igreja que foram revelados pelo próprio Senhor quando Ele mesmo Se revelou.

“Eles reconhecem e adoram o Senhor, mas este sem nenhum poder de salvar; eles separam inteiramente o Seu Divino de Seu Humano e transferem para si próprios o Seu Divino poder, o qual pertenceu ao Seu Humano[1], pois eles perdoam os pecados, enviam ao céu, precipitam no inferno, salvam quem eles querem, vendem a salvação e, assim, atribuem a si coisas que pertencem somente ao Divino poder. E desde que eles exercitam esse poder, segue-se que eles se fazem deuses, cada um de acordo com seu lugar, por transferência, desde seu chefe supremo, o qual eles chamam de ‘Vigário de Cristo’, até os mais baixos. Assim, eles se consideram como o Senhor, e O adoram, não por causa d’Ele, mas por causa de si próprios.”

A Igreja Católica, por causa de sua relevância histórica, é o maior exemplo do que é representado por “Babilônia”. Mas isto não é “privilégio”, digamos assim, da Igreja Católica. Toda organização religiosa em que os líderes aspiram ao poder sobre as almas dos homens se torna uma Babilônia, no seu sentido representativo. Não o povo, em si, mas o clero. E nem todo o claro, mas aqueles que usam de autoridade para exercer domínio espiritual, com fins egoísticos.

Um argumento que a doutrina católica usa para justificar a autoridade é que Pedro foi instituído por Jesus como chefe da Igreja e, por isso, o apóstolo pode ser considerado o primeiro papa. Porque o Senhor disse a ele: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja”. Mas o Senhor disse isso depois de Pedro ter confessado “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Não sobre a pessoa de Pedro, mas sobre essa confissão de Pedro, confissão essa que chamada pedra ou rocha, que a igreja cristã é erigida. Pedro representa essa fé, a pedra de esquina sobre a qual a Igreja começa.

Há um memorável que relata um debate de Swedenborg com alguns da liderança católica: “perguntei se eles acreditavam que o poder do Senhor sobre o céu e o inferno fora transferido a ele. Como fosse este o ponto fundamental de sua religião, eles insistiam veementemente que não havia dúvida a tal respeito, já que isso é dito claramente. Mas em resposta à minha pergunta – que se eles sabiam que em cada coisa da Palavra há um sentido espiritual, que é o sentido da Palavra no céu – eles disseram a princípio que nada sabiam a respeito disso, mas depois disseram que se informariam; e quando foram informados a respeito, eles foram instruídos que em cada coisa da Palavra há um sentido espiritual, que difere do sentido da letra, como o espiritual difere do natural. E souberam mais, que nenhuma pessoa citada na Palavra tem o mesmo nome no céu, mas que em lugar de seus nomes se entende algum espiritual. Enfim, eles souberam que por ‘Pedro’ entende-se na Palavra o vero da fé da igreja e o vero que procede do bem da caridade; esse vero é igualmente entendido pela ‘pedra’ que então é nomeada com ‘Pedro’, pois é dito:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” (Mt. 16:18).

Por estas palavras se entende não que tenha sido dado algum poder a Pedro, mas que o poder pertence ao vero que procede do bem, porque todo poder nos céus pertence ao vero do bem, ou ao bem pelo vero; e como todo bem e todo vero procedem do Senhor, e nada vem do homem, todo poder pertence ao Senhor.” (JF 57).

Também pelo conhecimento da história cristã pode-se constatar que Pedro teve, de fato, alguma autoridade nos primeiros tempos da Igreja Cristã primitiva, mas não sozinho. De fato, é Pedro o primeiro apóstolo a tomar a palavra e falar aos judeus, no dia de Pentecostes. Depois, ele e João saem a anunciar o evangelho, a fazer milagres, falam corajosamente e são até presos por isso.

Mas havia em Jerusalém um tipo de presbitério ou concílio dos irmãos, incluindo alguns dos primeiros apóstolos, como Tiago, João, Judas e Felipe, e outros evangelistas, como Silas e Barnabé, e eles eram considerados a liderança da igreja, ou um tipo de anciãos conselheiros. De fato, quando Pedro retorna da vista a Cornélio, um centurião pagão a quem ele batizou, Pedro foi censurado pelos irmãos em Jerusalém e teve de explicar a eles o motivo pelo qual ele foi levar o evangelho aos gentios, e eles ficaram satisfeitos. Mais tarde, quando Paulo entrou na obra, ele censurou Pedro por causa de sua atitude duvidosa em relação aos costumes judaicos. Na realidade, Paulo tinha mais autoridade e mais proeminência do que Pedro, coisa que nunca aconteceria se Pedro tivesse sido considerado, de fato, como líder maior deles.

            Lemos também no livro JF o que aconteceu com esses líderes que se arrogavam poder sobre as almas humanas, depois que morreram. Eles continuaram no mesmo propósito, porque a morte não muda o caráter do indivíduo. O que eles faziam no mundo, continuaram fazendo no mundo dos espíritos, querendo dominar especialmente os bons e simples de coração e de fé. Mas o julgamento deles chegou, e o julgamento consiste basicamente em abrir os internos da mente e manifestar o real caráter do indivíduo. Quando isso fez isso, “viu-se que mais da metade dos que tinham usurpado o poder de abrir e fechar o céu eram inteiramente ateus. Como, porém, a dominação residia em suas mentes, tal qual era no mundo, e ela fundamentava-se no princípio de que todo poder foi dado ao Senhor pelo Pai e transmitido a Pedro, e, por sucessão, aos primazes da igreja, daí resulta que ao seu ateísmo fica adjunta uma confissão oral sobre o Senhor. Contudo, isso dura somente enquanto eles têm prazer em alguma dominação por meio dessas coisas. Quanto aos outros que não são ateus, eles são tão vazios que nada absolutamente sabem sobre a vida espiritual do homem, sobre os meios de salvação, sobre os Divinos veros que conduzem ao céu e sobre a fé e do amor celeste. Eles creem que o céu pode ser dado a qualquer um, seja ele quem for, pela graça do papa.

Quando veio o juízo sobre esses, os interiores deles foram abertos e suas intenções maléficas se manifestaram abertamente em suas palavras. Sua ambição infernal de ter um poder acima dos outros e até acima dos céus ficou patente, e eles foram separados. Suas agremiações foram dispersas e cada um foi enviado ao lugar compatível com seu amor dominante. Os que eram fiéis e os seguiam com simplicidade foram instruídos e tirados de seu domínio. Assim a ordem foi reestabelecida. Mas todo esse processo do julgamento da Babilônia está exposto em vários capítulos em detalhes. Resumiremos aqui dizendo somente que o poder deles sobre os espíritos foi tirado, e isso foi representado pela passagem do Apocalipse que diz: “Caiu, caiu a grande Babilônia”.

Também somos informados o motivo pelo qual o domínio deles se prolongou por tanto tempo e por que foram tolerados. “IV. Porque eles foram tolerados lá até o dia do juízo final. A razão para isso é que pertence à ordem Divina preservar todos os que podem ser preservados, e isso até que não possam mais estar entre os bons. Portanto, todos são preservados: aqueles que podem imitar a vida espiritual nos externos e mostrá-la na vida moral como se ela estivesse ali – sejam como forem quanto à fé e ao amor nos internos – e também aqueles que estão na santidade externa, embora não na interna.

“E assim eram muitos daquela religião, porque eles podiam falar piedosamente diante do povo e adorar santamente ao Senhor, a fim de implantar a religião em suas mentes e fazê-los pensar sobre o céu e o inferno, bem como para mantê-los na prática dos bens por meio de suas prédicas. Dessa forma eles puderam conduzir muitos na vida do bem, por conseguinte, no caminho para o céu; foi por isso também que muitos dentre os dessa religião foram salvos, ainda que poucos de seus líderes, os quais o Senhor deu a entender serem os falsos profetas”.

“Assim o mundo espiritual foi libertado de tais espíritos. E os anjos regozijaram por terem sido libertos deles, porque os que eram da Babilônia infestavam e seduziam quem quer que pudessem seduzir, e lá mais do que no mundo, porque as suas astúcias eram mais malignas, pois eles eram espíritos, e é no espírito que toda malícia se oculta. Com efeito, é o espírito do homem que pensa, quer, projeta e maquina. (62)

“Aqueles dentre os católico-romanos que tinham vivido piedosamente e tinham estado no bem, ainda que não nos veros, e que, entretanto, tinham, por afeição, desejado conhecê-los, foram levados e transportados para uma região na frente, na região oeste, perto da região norte, e ali lhes foram dadas habitações e instituídas sociedades; e, depois, lhes foram enviados sacerdotes dentre os reformados para instruí-los pela Palavra. E, à proporção que eram instruídos, eles eram aceitos no céu.” (63)



[1] Que essa Igreja atribua ao Senhor duas naturezas, e assim separe o Seu Divino de Seu Humano; e que isso tenha sido feito em um concílio pelo bem do Papa – para que ele fosse reconhecido como Vigário de Cristo – é o que me foi descoberto do céu. Vide a obra Arcanos Celestes 4738.

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LEITURA 07 - Tema: "Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele." [Aula em Vídeo]
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Parte 4: 7ª videoconferência.

O quarto ponto singular da fé: Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

Vimos anteriormente que a obra Verdadeira Religião Cristã, em seu capítulo introdutório, nos apresenta um sumário da fé que será da Nova Igreja, em seus pontos universais e singulares. Os singulares da fé que se aplicam mais diretamente ao homem são as coisas principais em que ele deve crer, as quais são:

1. Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo. 2.A fé salvífica é crer n'Ele. 3. Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo. 4.Os bens devem ser feitos porque são de Deus e vêm de Deus. 5. E os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

Já examinamos aqui os três primeiros pontos desse credo. Hoje iremos ver, então, o quarto singular da fé: Os bens devem ser feitos porque são de Deus e vêm de Deus.

Duas semanas atrás, quando examinávamos o terceiro ponto, os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo, tivemos a oportunidade de falar, também, sobre a ordem em que esses doutrinais são apresentados, ou a ordem em que devem ser observados pelo homem. Deixar de fazer os males vem, então, primeiro, para somente então vir, fazer os bens. E vimos que isto é porque, se a pessoa não se abstiver de pensar, querer, falar e fazer os males, a intenção do mal estará reinando em sua mente, quer dizer, na vontade e no entendimento, e tudo, virtualmente tudo, inclusive os bens, que ela vier fazer, estará prejudicado por sua origem, como o fruto que recebe a seiva pelo tronco, de uma raiz má.

A passagem mais clara, mais poderosa, da letra da Palavra, que nos mostra essa ordem é a de Isaías 1, versículos 16 e 17, que também lemos aqui e vamos lembrar: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos e cessai de fazer mal. Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.” Essa passagem de Isaías ensina, também, que antes que a pessoa ponha isso em prática, seu culto não é aceito e suas orações não são ouvidas. Mas, depois que ela pratica, então seus pecados são remidos. Assim, esses dois versículos podem ser vistos como uma síntese do que é necessário fazer para que nossa religião seja sã e verdadeira.

Mas, outra questão interessante para a qual chamo a atenção dos amigos, aqui, é um simples vocábulo que se encontra nos dois singulares da fé: o “porque”, explicativo. Swedenborg poderia ter escrito somente: “Os males não devem ser feitos” e “Os bens devem ser feitos”. Mas, em vez disso, ele escreveu: “Os males não devem ser feitos PORQUE são do diabo e vêm do diabo” e “Os bens devem ser feitos PORQUE são de Deus e vêm de Deus”.

Esse “porque” é essencial e faz toda a diferença, porque justamente distingue entre o bem natural de um bem espiritual. A segunda parte de ambas as frases, que vem depois do “porque” é o que qualifica e dá a essência da ação. Mostra a motivação ou a intenção pela qual uma coisa não deve ser feita e a outra sim.

Vimos aqui, há duas semanas, que a pessoa às vezes deixa de fazer o mal por receio de perder sua reputação, ou de ser punida pela lei, ou para não perder alguma vantagem, ou para parecer honesta diante do mundo. Essas razões que ela tem são chamadas de vínculos externos, porque dizem respeito somente à vida do mundo: o que as pessoas vão dizer, o que posso perder fazendo isso etc.  Se ela se abstiver dos males somente por causa desses vínculos externos, ela continua, não obstante, praticandoos males continuamente em seu espírito, pois a vontade e o pensamento pertencem ao espírito, e o espírito é o homem mesmo.

Então, o fato de a pessoa se abster de fazer e falar males com o corpo não quer dizer, necessariamente, que ela se abstém dos males, pois é possível que ela os esteja fazendo em seu pensamento e em seu coração, e isso vale como se ela tivesse feito. Citaremos aqui, novamente, como exemplo disso, o que o Senhor disse a respeito do adultério, em Mateus 5:27, 28: “Ouviste que foi dito aos antigos: Não adulterarás.Porém eu vos digo que qualquer que atentar para alguma mulher para cobiçá-la, já com ela adulterou em seu coração.”

As leis humanas julgam o que fazemos no corpo, mas as leis Divinas julgam o que fazemos em espírito, quer tenhamos também feito também no corpo, quer não.

Na obra Doutrina de Vida, n. 108 e 109, lemos o seguinte: “Há homens morais que observam os preceitos da segunda tábua do Decálogo: não fraudam, não blasfemam, não se vingam, não adulteram; e os que dentre eles confirmam que esses são males porque são danosos à causa pública e, por conseguinte, contrários às leis da humanidade, esses exercem a caridade, a sinceridade, a justiça e a castidade. Mas se praticam esses bens e fogem desses males somente porque são males e não ao mesmo tempo porque são pecados, eles são, contudo, meramente naturais. E nos homens meramente naturais a raiz do mal permanece implantada e não é removida. Por isso, os bens que eles fazem não são bens, porque os fazem por si próprios.”

“O homem moral natural pode parecer, diante dos homens no mundo, inteiramente semelhante ao homem moral espiritual, mas não diante dos anjos no céu. Diante dos anjos, no céu, ele aparece, se está nos bens, como uma imagem de madeira, e, se está nos veros, como uma imagem de mármore, nas quais não há vida. É diferente com o homem moral espiritual, porque o homem moral natural é um moral externo e o homem moral espiritual é um moral interno; e o externo sem o interno não vive. Vive, é certo, mas não a vida que se chama vida.”

Mas, o tema de hoje não é “os bens devem ser feitos”? Por que, então,  estamos repetindo o que já vimos, que “os males não devem ser feitos”? Estamos repetindo para mostrar que tanto uma ação quanto outra têm um PORQUE, e são qualificadas por esse “porque”, que é a razão ou motivo pelo qual agimos ou deixamos de agir. Porque, da mesma forma que, seuma pessoa se abstiver do mal por causa dos vínculos externos somente, não os deixa de fazer em espírito, assim também, se a pessoa fizer o bem por razões do mundo e de si, ela não os faz realmente em espírito, e o bem que fizer será apenas o bem natural, sem vida.

Vamos esclarecer mais este ponto com Mateus 6:1-4: “Atentai que não façais vossa esmola perante os homens, para que sejais vistos por eles; de outra maneira, não tereis galardão diante de vosso Pai que está nos céus.Portanto, quando deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem nas sinagogas e nas ruas os hipócritas, para serem honrados pelos homens. Em verdade vos digo que já têm seu galardão.Mas, quando tu deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a tua direita.Para que tua esmola seja em oculto, e teu Pai, que vê em oculto, ele te retribuirá em público.”

O bem que é feito por razões do mundo e de si é o que as Doutrinas chamam de bem meritório – a pessoa faz para ter merecimento. O motivo legítimo para fazermos os bens é, portanto, porque eles vêm de Deus e são de Deus em nós, e nenhum mérito temos neles, nem pretendemos ter proveito em fazê-los.  Sem esse motivo, o bem que fizermos será como uma fruta bela por fora, mas apodrecida por dentro e comida por vermes. E nós aprendemos nos Escritos de Swedenborg que o Senhor, e os anjos, veem e julgam as intenções da pessoa, porque das intenções dependem os atos.

Mas, ouvindo isso, alguém poderia questionar: “Mas a Palavra diz em vários lugares que nós seremos julgados segundo as nossas obras”. Sim, é verdade. Mas as obras são apenas o corpo e a roupagem da intenção. A intenção, por sua vez, é a alma e a qualificadora das obras. Nós, homens e mulheres neste mundo, só podemos – e devemos – julgar as obras que vemos numa pessoa; não podemos julgar as intenções dela, pois não vemos seu espírito. E muitas vezes erramos quando atribuímos intenção a uma pessoa, além de seus atos.  Mas os anjos veem as intenções por trás dos atos e nunca erram, pois estão na luz Divina do céu. Então, dizer que seremos julgados segundo nossas obras ou segundo as intenções, dá no mesmo, pois o julgamento é feito no nosso plano espiritual.

Por que motivo estou fazendo esse ou aquele bem? Esta é a pergunta que devemos sempre nos fazer. Para parecermos pessoas boas e honradas aos olhos do mundo? Para sermos recompensados, elogiados? Ou porque o bem é de Deus e vem de Deus? Dependendo da resposta que dermos a essa pergunta, o mesmo ato que praticarmos pode ter raízes boas ou más; pode ser inspirado e auxiliado pelos céus ou pelos infernos.

O mal e o bem são coisas diametralmente opostas. Quanto mais nos afastamos de determinado mal, mais somos levados por Deus na direção do bem que é oposto àquele mal. Quando fazemos o autoexame e descobrimos em nós males que são pecados contra Deus, mesmo que estejam só na intenção, devemos começar a nos abster daquele mal. E quanto mais o combatemos como se fosse por nossa própria força, mais o Senhor nos leva a amar e a fazer o bem que é oposto àquele mal. Nosso empenho deve ser de não fazer o mal, porque assim poderemos ser instrumentos do bem. Vejamos isto bem claramente explicado na obra Doutrina de Vida:

“Quanto mais alguém foge dos homicídios de todo gênero como pecados, mais tem amor para com o próximo.Pelos homicídios de todo gênero se entendem também as inimizades, os ódios e as vinganças de todo gênero, que respiram a morte, porque o homicídio está latente nesses sentimentos como o fogo na lenha sob a cinza; o fogo infernal não é outra coisa; é por isso que se diz: “arder de ódio” e “inflamar por vingança.” Esses são os homicídios no sentido natural. Mas, no sentido espiritual, pelos homicídios se entendem todos os modos, que são variados e em grande número, de se matar e destruir as almas dos homens. E, no sentido supremo, por “homicídio” se entende ter ódio ao Senhor. Como esse bem e esse mal são opostos, segue-se que um é afastado pelo outro. Dois opostos não podem estar juntos, da mesma maneira que não podem estar juntos o céu e o inferno. Quando o homem não está mais no mal do homicídio, mas no bem do amor para com o próximo, então tudo o que ele faz é o bem desse amor, por consequência, é uma boa obra. (67 -72)

“Quanto mais alguém foge dos adultérios de todo gênero como pecados, mais ama a castidade.Por “adulterar”, no sexto preceito do Decálogo, entende-se, no sentido natural, não só praticar escortação, mas também fazer obscenidades, dizer lascívias e pensar indecências. No sentido espiritual, porém, por “adulterar” entende-se adulterar os bens da Palavra e falsificar os seus veros. Mas no sentido supremo, por “adulterar” se entende negar o Divino do Senhor e profanar a Palavra. Que quanto mais alguém foge do adultério, mais ama o casamento, ou, o que é o mesmo, quanto mais alguém foge das lascívias do adultério mais ama a castidade do casamento, é porque a lascívia do adultério e a castidade do casamento são dois opostos. Por isso, quanto mais alguém não está em um, mais está no outro, exatamente como foi dito acima” (74-75).

“Quanto mais alguém foge dos roubos de todo gênero como pecados, mais ama a sinceridade.Por “roubar”, no sentido natural, se entende não só roubar e assaltar, mas também fraudar e tomar de outrem seu bem sob um pretexto qualquer. Mas por “roubar”, no sentido espiritual, se entende privar os outros dos seus veros da fé e dos seus bens da caridade. No sentido supremo, por “roubar” se entende tomar do Senhor as coisas que Lhe pertencem e atribuí-las a si próprio, por consequência arrogar-se para si justiça e mérito.Que quanto mais alguém foge do roubo como pecado, mais ama a sinceridade, é porque o roubo é também uma fraude e a fraude e a sinceridade são dois opostos. Por isso, quanto mais alguém não está na fraude, mais está na sinceridade.Por sinceridade entende-se também a integridade, a justiça, a fidelidade e a retidão”(80-83).

“Quanto mais alguém foge dos falsos testemunhos de todo gênero como pecados, mais ama a verdade.No sentido natural, por “dar falso testemunho” se entende não só ser testemunha falsa, mas também mentir e difamar. No sentido espiritual, por “dar falso testemunho” entende-se dizer e persuadir que o falso é o vero e que o mal é o bem e vice-versa. E, no sentido supremo, por “dar falso testemunho” entende-se blasfemar contra o Senhor e a Palavra.Visto que a mentira e a verdade são dois opostos, segue-se que, quanto mais alguém foge da mentira como pecado, mais ama a verdade.Quanto mais alguém ama a verdade, mais ele quer conhecê-la e é afetado de coração quando a encontra. Nenhum outro vem à sabedoria. (87-89).

 


 

 

Roteiro alterado:

 

Parte 1:  Introdução sobre o Juízo Final.

1ª. videoconferência.

                               “Ouve, Israel: Jehovah, nosso Deus, é um Jehovah”(Deut. 6:4)

                Temas preparatórios:

a)        O primeiro ponto singular da fé: “Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e que este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo”.

b)        A importância da ideia de Deus.

c)        Quem é Jesus?

2ª.  videoconferência.

                Tópicos sobre o JF (Os três capítulos iniciais da obra):

I.          O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo

II.        As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão

III.       O céu e o inferno procedem do gênero humano

Parte 2: Onde, quando e sobre quem acontece o JF.

3ª. videoconferência.

                               “Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim” (Jo. 14:11)

                Temas preparatórios:

a)        O segundo ponto singular da fé: A fé salvífica é crer n’Ele.

b)        Fé histórica, fé bastarda, fé espúria e fé salvífica.

4ª. videoconferência.

                Tópicos do JF: Os três capítulos seguintes da obra:

IV.       Todos os que nasceram homens e morreram, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno.

V.         O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra

VI.       O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade.

 

Parte 3: Ensinamentos proféticos na Palavra sobre o JF e seu cumprimento.

5ª. videoconferência.

“O Reino de Deus não vem com aparência exterior... eis que o Reino de Deus está dentro de vós” (Luc. 17:20, 21)

                Temas preparatórios:

a)        O terceiro ponto singular da fé: Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo.

b)        Importância e necessidade da penitência dos males.

c)        Autoexame e confissão de males como pecados.

a)        Diferença entre penitência, remorso (contrição) e arrependimento.Penitência de boca e penitência efetiva.A penitência mais fácil.

6ª. videoconferência.

                 Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra:

VII.     Todas as coisas que estão preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas

VIII.    O juízo final já aconteceu.

4ª. parte: O Juízo Final propriamente dito.

7ª. videoconferência.

“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mat. 3:2)

                Temas preparatórios:

a)        O quarto ponto singular da fé: Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas que ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

8ª. videoconferência.

                Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra

IX.       A Babilônia e a sua destruição

X.         Sobre o céu precedente e sua abolição

Parte 5: O estado do mundo e da mente humana após o Juízo

9ª. videoconferência.

“Eis aqui, o Tabernáculo de Deus está com os homens, e com eles habitará, e eles serão seu povo, e Deus mesmo estará com eles e será seu Deus.” (Apo. 21:3)

Temas preparatórios:

b)        Os dois primeiros pertencem à fé, os dois últimos pertencem à caridade, e o quinto pertence à conjunção da caridade e da fé, assim à conjunção do Senhor e do homem.

c)        O constranger-se a si mesmo e o como por si mesmo.

10ª. videoconferência:

                 Tópico do JF: O último capítulo da obra e a conclusão

XI.       Sobre o estado do mundo e da igreja daqui em diante.

Conclusão: Suplemento (da obra CI), sobre o juízo individual e os três estados do homem logo após a morte.

 

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LEITURA 06 - Tema: "Todas as coisas que estão preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas" [Aula em Vídeo)
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O Juízo Final -(Link do Vídeo-VI)

Parte 4: 6ª videoconferência.

 

Continuando o estudo do livreto O Juízo Final e a Babilônia Destruída, veremos hoje os capítulos 7 e 8 desse livro, que são:

VII. Todas as coisas que estão preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas;

VIII. O juízo final já aconteceu.

São duas afirmações igualmente surpreendentes para qualquer um que tem crido no cumprimento literal do Apocalipse. Nós já temos visto, desde o primeiro capítulo do livro, que as profecias no Apocalipse e nos demais livros da Bíblia não podem ser compreendidas ao pé da letra, por vários motivos: primeiro, porque há alguns pontos nessas profecias que são contraditórios entre si; depois, por causa das impossibilidades físicas de um cumprimento literal; e, por último, porque contrariam a razão e a noção de um Deus compassivo cujo Amor quer preservar e salvar, e não destruir, o gênero humano. Nós citamos aqui grupos de versículos da Bíblia relacionados a esses três pontos, quando uns dizem uma coisa, e outros outras, quando são compreendidos pela mera letra, por isso não voltaremos a citá-los novamente.

Nestes dois capítulos do livroO Juízo Final, o autor reafirma que todas as coisas mencionadas nas profecias apocalípticas da Bíblia não podem ser interpretadas segundo seu sentido literal, mas segundo um sentido espiritual ali encerrado, no qual cada objeto, pessoa, qualidade ou evento relatado ali simboliza alguma coisa da realidade espiritual, como exemplifica amplamente na sua obra. Segundo essa visão é que não é possível aguardarmos o cumprimento das profecias no plano terreno ou natural da criação, mas sim no plano espiritual. Somente assim desaparecem as contradições entre as passagens, não há impropriedades físicas referentes ao tempo e ao espaço, e há uma perfeita compatibilidade da visão a partir desse ponto de vista com as ideias de um Deus justo, mas também misericordioso. Então, somos convidados a olhar além do sentido literal, a fim de podermos entender sem sombra de dúvidas que todas as coisas preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas e, como consequência, também o juízo final, que é parte das predições.

Lemos no parágrafo 46:“O juízo final foi feito sobre os que viveram desde os tempos do Senhor até hoje e não sobre os que viveram antes. Com efeito, houve anteriormente nesta terra dois juízos finais: um foi descrito na Palavra como o ‘dilúvio’, e o outro foi feito pelo Senhor mesmo quando estava no mundo, o qual é entendido por estas palavras do Senhor: “Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo é lançado fora” (Jo. 12:31).”

[2]    Se houve dois juízos finais sobre esta terra anteriormente é porque todo juízo se faz no fim de uma igreja, como acima se mostrou em um artigo especial. Assim, houve nesta terra duas igrejas, a primeira antes do Dilúvio e a segunda depois dele. A igreja de antes do dilúvio é descrita nos primeiros capítulos do Gênesis pela nova criação do céu e da terra, pelo paraíso e o seu fim, pela ação de se comer da árvore da ciência e pelos subsequentes particulares. Seu juízo final é descrito pelo dilúvio, tudo isso de acordo com o estilo da Palavra, a saber, por puras correspondências. No sentido interno ou espiritual, pela ‘criação do céu e da terra’ se entende a instauração de uma nova igreja (ver acima no primeiro artigo); pelo ‘paraíso no Éden’, a sabedoria celeste dessa igreja; pela ‘árvore da ciência’ e pela ‘serpente’, o conhecimento natural que a destruiu; e pelo ‘dilúvio’ se entende o juízo final sobre os que tinham sido daquela igreja.

[3]    A outra igreja, que existiu depois do dilúvio, é também descrita em algumas passagens da Palavra, como por exemplo, em Deuteronômio 22:7 a 14 e em outros lugares. Essa igreja estendeu-se por muitas terras do mundo asiático e continuou a existir entre os descendentes de Jacó. Seu fim ocorreu quando o Senhor veio a este mundo. Um juízo final foi feito então por Ele sobre todos os que pertenceram àquela igreja, desde a sua primeira instauração, e, ao mesmo tempo, sobre o restante da primeira igreja. O Senhor veio ao mundo a fim de repor na ordem todas as coisas nos céus, e pelos céus, todas as coisas nas terras, e, ao mesmo tempo, para fazer Divino o Seu Humano. Se isto não tivesse sido feito, ninguém teria podido ser salvo.

A terceira igreja nesta terra é a igreja Cristã. O juízo final de que se trata agora foi feito sobre essa igreja e, ao mesmo tempo, sobre todos que estavam no primeiro céu desde a época do Senhor.

47.   O modo como o juízo final foi efetuado não pode ser descrito com pormenores nesta pequena obra, pois eles são muitos; eles serão descritos na Explicação sobre o Apocalipse. Com efeito, o juízo foi feito não somente sobre todos os que eram da Igreja Cristã, como também sobre todos os que se chamavam maometanos e sobre todos os gentios que estão nesta terra, nesta ordem: primeiro sobre os que eram da religião pontifícia, depois sobre os maometanos, em seguida sobre os gentios, e, finalmente sobre os reformados. O juízo sobre aqueles que eram da religião pontifícia será mostrado no artigo seguinte, sobre a Babilônia destruída; o juízo sobre os reformados, no artigo sobre o precedente céu que tinha passado; e do juízo sobre os maometanos e sobre os gentios dir-se-á alguma coisa será dito algo neste artigo.”

Segue-se, então, uma detalhada explicação de como os grupos de espíritos, segundo suas nacionalidades e religiões, foram levados a percorrer, no mundo dos espíritos, determinados circuitos e, enquanto prosseguiam, eram separados e destinados a sociedades de acordo com as suas afinidades e amores reinantes de suas vidas. Como os relatos são muito longos, eu sugiro a leitura desses detalhes nesse livreto e nos demais Escritos que trataram do Juízo Final.

Mas não podemos ignorar que a simples menção desses dois pontos, a saber, que todas as coisas do Apocalipse já se cumpriram, e o juízo final já aconteceu, causa um reação muito grande e muita dúvida na mente de um cristão normal, que está habituado a interpretar literalmente os ensinamentos bíblicos e, por conseguinte, está aguardando a cada dia e dede sempre o cumprimento físico e visível de tudo o que ali foi profetizado.

É compreensível que surjam essas dúvidas. E parece que a maior ou mais frequente argumentação em contrário a esses dois pontos é: “Se já aconteceu, como é que ninguém viu?” Esta é uma argumentação semelhante àquela que nos foi citada pelo pastor Daniel, quando mencionou a dúvida que ouviu de alguém, mais ou menos assim: “Se todas essas coisas fossem verdadeiras, por que somente um homem soube disso?”

Tanto uma quanto a outra parecem argumentações muito fortes, suficientes para fazer a pessoa rejeitar imediatamente o exame racional das coisas ensinadas na teologia para a Nova Igreja. Porque parece irreal, então ela nem examina. Como um pastor me falou certa vez, há muitos anos. Eu lhe dei o livro “Exposição Sumária”. Ele somente folheou rapidamente e me disse: “Isso é muito intelectual” e me devolveu o livro, sem ler uma linha sequer.

Quanto àquela afirmação do homem citado pelo pastor Daniel, nós lembramos aqui o fato de que essa mesma dúvida dele poderia ser levantada em relação João, o evangelista, pois somente ele testemunhou em espírito os eventos do Apocalipse, da consumação do século e, por ordem Divina, os escreveu e enviou para as igrejas. Ninguém mais foi levado em espírito a ver todas aquelas coisas; somente João.

Hoje, ninguém questiona a veracidade do Apocalipse pelo fato de ser o relato de única testemunha ocular.Mas nem sempre foi assim. Porque até o fim do século III algunslíderes da Igreja cristã primitiva duvidavam dos relatos de João e relutaram a aceitar o livro do Apocalipse como canônico, isto é, queera um livro de inspiração Divina e deveria ser ajuntado aos demais livros bíblicos. Especialmente os cristãos da região de Laodicéia rejeitaram o Apocalipse, possivelmente porque a carta dirigida àquela parece conter palavras mais duras do que as que foram dirigidas às outras seis igrejas. A história cristã nos diz que somente no ano 397, no Concílio de Cartago, é que houve comum acordo e o Apocalipse foi considerado inspirado e canônico. Isto quer dizer, portanto, que por mais de 300 anos houve, entre os cristãos, muitos que duvidaram do testemunho de João. Não é de se admirar, pois, que hoje muitos cristãos também tenham dúvida quanto à veracidade dos Escritos de Swedenborg, 260 anos depois que foram publicados.

A outra argumentação, “se as coisas preditas no Apocalipse, inclusive o juízo final, já aconteceram, porque ninguém mais viu?” parece ser a mesma que a anterior, mas nesta a pessoa lança dúvida não no testemunho isolado de um indivíduo, mas no fato de os eventos em seguida não se terem tornados patentes a todos no mundo.

Voltemos um pouco ao já vimos nos primeiros capítulos. A crença sustentada no mundo cristão, de que a volta de Jesus e, consequentemente, o juízo, acontecerá fisicamente está baseada principalmente no capítulo 1 do Apocalipse (vers. 7): “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram” (Apocalipse 1:7). Se alguém quiser citar esse versículo literalmente com o intuito de rejeitar que as coisas preditas no Apocalipse e o juízo já aconteceram, devemos perguntar, então, como ela conciliaria isso com Lucas 17:20, 21, que diz:  “O reino de Deus não virá com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, Ei-lo ali: porque eis que o Reino de Deus está dentro de vós”?

É certo que o contrário também é válido. Se citarmos “não vem com aparência exterior”, a pessoa pode refutar com “todo olho verá”. Parece haver, assim, um empate de argumentação, com o uso de ensinamentos opostos. No entanto, não há aí contradição nem oposição. Porque uma passagem não anula a outra. A segunda passagem “sem aparência exterior”, não nega a primeira, “todo olho o verá”, mas, antes, a completa e explica, uma dando testemunho da outra. Porque a única forma de todo olho ver algo que não tem aparência exterior é vendo isso espiritualmente. De fato, o “olho”, na Palavra, significa o entendimento. Temos necessariamente de entender e aceitar que o “olho” mencionado na Palavra não é esse órgão natural, o globo ocular material. E sabem o que nos obriga a entender algo mais elevado acerca do termo olho? A própria Palavra. Porque o Senhor falou: “Se teu olho direito te escandalizar, arranca-o, e lança-o de ti; que melhor te é que um de teus membros se perca, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno” (Mateus 5:29).  Agora, diante desse mandamento, de se ter de arrancar o próprio olho, nenhum fundamentalista quer interpretar literalmente, mas procura um significado figurado ou místico para “olho”.

E, de fato,lemos no AE 152: “tampouco aqui pelo ‘olho’ se entende o olho, mas o entendimento que pensa; pelo ‘olho direito que escandaliza’, o entendimento que pensa o mal; ‘arrancá-lo e lançá-lo de si’ é não admitir, mas rejeitar tal coisa; ‘tendo um olho só’ é o entendimento que não pensa no mal, mas somente no vero, pois o entendimento pode pensar no vero; se pensa no mal é pela vontade do mal; que se diga olho ‘direito’ é porque por ele é significado o entendimento do bem, e, pelo ‘esquerdo’ o entendimento do vero.”

A outra dúvida levantada é quanto ao fato de esse evento, o juízo final, ter-se realizado e ficado limitado a poucos. Ou, dizendo de outra maneira, o fato de isso não ter sido propalado largamente aos quatro cantos do mundo natural, a todas as igrejas. A isso responderíamos com várias razões. A primeira é que o tempo é relativo para as coisas de Deus, como o apóstolo Pedro disse: “Uma coisa não ignoreis: que um dia para com o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2Pe. 3:8).

As operações do Senhor seguem as Leis da Providência e nunca são apressadas ou precipitadas, mas, como todas as coisas, seguem fases de semeadura, crescimento, amadurecimento e ceifa. A Igreja Cristã passou por estados de inocência da infância, juventude, maturidade e velhice, até chegar a esse estado atual de exaustão, de definhamento, de enfraquecimento quanto ao entendimento racional, porque abandonou os valores genuínos de bem e verdade, caridade e fé. Como vimos num capítulo precedente, esta dispensação chegou ao seu fim quando nela a caridade esfriou e, por conseguinte, a fé se apagou.

Nós estamos aqui aprendendo sobre uma igreja espiritual que será estabelecida, mas ainda somos parte e remanescentes da decrépita igreja cristã. Nossa dispensaçãoconsiste nos que estão morrendo pela falta do verdadeiro nutrimento espiritual, e é pela misericórdia Divina que chegamos a uma fonte nova de ensinamentos. Não porque somos melhores ou mais merecedores do que os outros, mas porque necessitamos mais do que os outros de um remédio mais poderoso, mais eficazpara curar nossas almas, reformando nosso entendimento e regenerando nossa vontade. Se chegamos a esse manancial é porque estávamos buscando e o Senhor nos conduziu. E Ele conduzirá a todos que desejarem essa instrução, no tempo de cada um, conforme o interesse ou a afeição com que buscam a verdade pela verdade e não por qualquer outra motivação pessoal ou terrena.

Nós somos chamados para a ressurreição em nós do que é parte da velha dispensação cristã, e sermos partes da dispensação espiritual simbolizada pela cidade santa da Nova Jerusalém, que de Deus descia do céu. E se em nós, que estamos aqui, buscando, essa aceitação da nova realidade espiritual já é tão difícil, imaginem quanto não é para aqueles que não estão buscando, ou não têm o mesmo interesse de conhecer o espírito da Verdade?

Mas, de certa forma, a divulgação desses e outros fatos espirituais, não são, realmente, para todos. Muitos não chegarão a esses conhecimentos maiselevados. Entrarão no caminho, mas logo depois se desviarão, por não terem interesse suficiente. E outros nunca osreceberão por causa de sua simplicidade de entendimento. Para esses últimos, que vivem na simplicidade de sua fé, esses conhecimentos não são essenciais. Eles podem ser salvos mesmo em sua fé simples, contanto que creiam no Senhor e se afastem do mal. Bastam para essas pessoas simples os ensinos rudimentares de sua religião. Elas, na sua ingenuidade de crença, continuarão aguardando a vinda física de Jesus.

Em resumo, as verdades espirituais só serão vistas, compreendidas e aceitas na medida do amadurecimento de nossas mentes e de nossa afeição para, ao recebê-las, aplicá-las na vida. Porque as coisas de Deus acontecem na sua ordem, no seu passo e no seu ritmo.

O fato de todas as coisas que se dizem no Apocalipse terem já acontecido e o mundo não ter sido amplamente informado não significa que as tais coisas não aconteceram; não há lógica, portanto, em se usar o segundo fato para contrapor o primeiro. O Senhor Jesus veio ao mundo, viveu aqui, ensinou, fez milagres, sofreu a cruz e ressuscitou no começo da Era Cristã, e mandou que se evangelizassem todos os povos. Mas passaram-se mil e quinhentos anos até que os nativos das Américas tomarem conhecimento da mensagem de Jesus. Por que essa demora de quase 15 séculos para eles? Possivelmente porqueos ensinamentos do cristianismonão eram necessários para a ventura espiritual deles, enquanto permanecessem nos rudimentos de bem e verdade de sua religião.

Outro exemplo a respeito disso vamos encontrar no livro dos Atos dos Apóstolos. Após a ressurreição do Senhor, antes de ser elevado aos céus, Ele deu ordem de evangelização aos discípulos e, para isso, prometeu que eles receberiam o poder do Espírito Santo e seriam testemunhas deles em toda parte. Após a ascensão do Senhor, no dia de Pentecostes, os discípulos receberam o poder e os sinais do batismo do Espírito Santo e saíram a evangelizar. Já havia passado o tempo de 26 anos, quando o apóstolo Paulo chega a Éfeso, acha ali alguns discípulos e lhes pergunta: “Recebestes vós, já, o Espírito Santoquando crestes? E eles lhe disseram: Antes, nemainda ouvimos se haja Espírito Santo.E ele lhes disse: Em que, pois, sois batizados? E eles disseram: No batismo de João” (Atos 19:1-3). A pergunta é: aqueles cristãos criam menos no Senhor por nem sequer terem sabido que sequer havia um Espírito Santo durante todo aquele tempo? Não. A instrução chegou para eles no tempo propício.

Porém, a resposta mais apropriada encontramos na própria obra que estamos estudando, no parágrafo 73: “O estado do mundo daqui em diante será absolutamente semelhante ao que foi até agora, porque a grande mudança feita no mundo espiritual não induz qualquer mudança no mundo natural quanto à sua forma externa. Por isso, daqui em diante haverá coisas civis como antes, paz como antes, tratados e guerras como antes, e tudo o que diz respeito às sociedades em geral e em particular. O Senhor falou que

“Nos últimos tempos haverá guerras, e então nação se elevará contra nação e reino contra reino, e haverá fome, pestes e terremotos em diversos lugares” (Mateus 24:6 e 7).

Essas coisas não significam tais coisas no mundo natural, mas coisas correspondentes a elas no mundo espiritual, porque a Palavra nas suas profecias não trata dos reinos da terra, nem das nações ali, nem, por conseguinte, de suas guerras, nem de fome, peste ou terremotos, mas trata das coisas correspondentes a elas no mundo espiritual. Quais são essas coisas correspondentes é o que foi explicado nos Arcanos Celestes.”

Na próxima reunião entraremos na segunda parte do opúsculo, que explica o que se entende pela Babilônia e a sua destruição.

 

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LEITURA 05 - Tema: "aquele que não nascer de água e de Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (João 3:3) [Aula em Vídeo]
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O Juízo Final - (Link do Vídeo)

Parte 3: 5ª videoconferência.

 

I.     O terceiro ponto singular da fé: Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo.

II.   Importância e necessidade da penitência dos males.

III. Autoexame e confissão de males como pecados.

 

Em nossas reuniões anteriores estivemos estudando a respeito do Juízo Final e, também, a respeito de doutrinas fundamentais da Igreja, conforme são expostas nas obras de Swedenborg. Vimos:a) que o dia do juízo não deve e não pode ser entendido como o fim do mundo; b) que procriações do gênero humano jamais cessarão; c) que o céu e o inferno procedem do gênero humano; c) que todos os que viveram e morreram, desde o começo da criação, estão no mundo espiritual; d) por isso, é lá que deve ser feito o juízo, e não na terra; e) e vimos que o juízo ocorre no fim da igreja,quando não há mais caridade e, por conseguinte, fé.

Também vimos, paralelamente,a) que a ideia a respeito de Deus é a principal de todas as ideias; b) que há um só Deus, em quem está a Trindade, e o Senhor Jesus Cristo é esse Deus; c) que a fé que salva é crern’Ele

Dando continuidade, hoje veremos que os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo.

E o que são os males?

Sabemos que o ser humano nasce com o entendimento nulo e vazio, diferentemente dos animaisirracionais, que já nascem dotados de todo conhecimento de precisam, pelo instinto. Isto se deve a que o homem tem racionalidade e liberdade, e seu entendimento deve ser formado pelas noções que ele livremente adquirir do que é certo e errado. Quanto mais verdadeiras forem as noções que ele adquirir, mais seu entendimento será são, e mais o indivíduo será humano. Os conceitosde bem e mal, dependem, portanto, da instrução pela qual a pessoa cultiva seu entendimento.

Existe uma linha de pensamento que afirma que o bem e o mal são conceitos relativos; o que é bem para um pode não ser bem para outro. Nessa relatividade, o homem pode considerar que o bem é aquilo que para ele é agradável ou vantajoso, oque lhe satisfaz, e o mal é aquilo que contraria sua satisfação. Mas, se numa sociedade humana, cada um definir assim o que é bom para si, e viver de acordo com isso, o resultado será o caos. Pagar impostos, por exemplo, não pareceria um bem, ao passomas apropriar-se das coisas alheias, sim, porque isso satisfaz a sua cobiça.

Concluímos, então, que os conceitos de bem e mal não podem ser relativos ou individuais, mas têm de serabsolutos, coletivos e compartilhados por toda a sociedade, para que haja convivência harmônica dos indivíduos. O que é bom para o grupo deve ser bom do mesmo modo para o indivíduo, e o mal da mesma forma.

É por issoque existem as leis civis, para que a sociedade não se desintegre pelo egoísmo ou pela anarquia, porque as ambições de riqueza e domínio de cada destruiriam não só a sociedade, mas toda a humanidade.  E para que o homem não vagueie na incerteza do que é de fato o bem e o mal, Deus lhe deu os Dez Mandamentos, que estabelecem conceitos absolutos de bem e mal. Sobre isso, lemos na obra Doutrina de Vida (53):“Qual é o povo, em todo este globo terrestre, que não sabe que é um mal roubar, cometer adultério, matar e dar falso testemunho? Se os povos o ignorassem e não procurassem por leis prevenir tais ações, seria o fim para eles, porque sem essas leis as sociedades, as repúblicas e os reinos pereceriam.

“Quem, pois, pode presumir que o povo israelita tenha sido mais estúpido que todos os outros, ao ponto de ignorar que essas ações fossem males? Pode-se, pois, ficar admirado que tais leis, universalmente conhecidas em toda a terra, hajam sido promulgadas da montanha do Sinai com tantos milagres, por JEHOVAH Mesmo. Mas escuta: Essas leis foram promulgadas no meio de tantos milagres, a fim de que se soubesse que eram leis não somente civis e morais, mas também espirituais; e transgredi-las era não só fazer mal ao concidadão e à sociedade, mas também pecar contra Deus. Eis porque tais leis, pela promulgação que delas fez JEHOVAH da montanha do Sinai, tornaram-se leis de religião; porque é evidente que tudo o que JEHOVAH Deus ordena, Ele o ordena para que seja coisa de religião, para que seja feita em vista d'Ele Mesmo e por causa da salvação do homem.”

Eles estão acima do arbítrio do homem, e servem para ensinar que males são esses que devem ser evitados por serem pecados.Independentemente de a pessoa aceitá-los ou obedecê-los, os Mandamentos Divinos são leis para serem seguidas e há consequências para quem as infringir, porque da obediência deles depende o bem espiritual do ser humano.  Por necessidade da Ordem, Deus outorga as Leis e não pode sujeitá-las ao bel prazer do homem. É como a lei da gravidade. Ela existe, quer queiramos, quer não. Somos livres para ignorá-la, mas certamente sofremos consequência quando a infringimos.

Os males são, portanto, uma infração aos Mandamentos Divinos. Sobre a necessidade de afastar os males lemos em VRC (520, 521, 522): Todo mal, se não é afastado, permanece no homem, e o homem, se permanece em seus males, não pode ser salvo”.“O homem nasce inclinado aos males de todo gênero; e, se não os afasta em parte pela penitência, permanece neles, e o que permanece neles não pode ser salvo.....O mal hereditário não vem de outra parte senão dos pais; não o mal mesmo, que o homem comete na atualidade, mas a inclinação para esse mal... Esta inclinação e esta tendência para os males, transmitidos pelos pais aos filhos e aos descendentes, são quebradas unicamente pelo novo nascimento que o Senhor dá e que é chamado regeneração”.

“Os males devem afastados antes que os bens possam ser recebidos.”

A vida espiritual começa no homem quando ele recebe as verdades da Palavra e, pela prática delas, recebe os bens da caridade. As verdades podem ser recebidas a qualquer tempo; basta que haja desejo de conhecê-las. Quando há afeição pela verdade, Deus concede que nossa mente seja elevada até à luz do céupara ver e compreender a verdade. E quando a verdade é reconhecida como tal, ela se torna a nossa fé.

Dissemos que as verdades podem ser recebidas a qualquer momento ou estado da menteporque elas podem entrar no entendimento e estar junto com as ideias ilusórias e até falsas que a pessoa tenha. Com os bens, no entanto, não é assim. Os bens não podem ser recebidos em qualquer momento ou estado, isto é, antes que os males sejam afastados. Os males devem ser afastados primeiro, para que os bens sejam recebidos. E quanto mais os males são afastados, mais os bens podem ser recebidos. E o oposto também é verdadeiro: quanto mais a pessoa permite os males dominarem sua vontade, menos ela pode receber os bens de Deus. E sem os bens Divinos não há vida espiritual, mas morte. A recepção dos bens é um e novo nascimento da mente, pois é um novo modo de pensar e um novo modo de agir. É esse novo nascimento que o Senhor citou a Nicodemos:

“Em verdade, em verdade te digo, que aquele que não tornar anascer, não pode ver o Reino de Deus.Disse-lhe Nicodemos: Como pode o homemnascer, sendo já velho? Porventura pode tornara entrar no ventre de sua mãe, e nascer?Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade tedigo, que aquele que não nascer de água e deEspírito, não pode entrar no Reino de Deus.O que é nascido de carne é carne, e o que é nascido de Espírito é Espírito.Não te maravilhes de que te disse: Necessário vos é tornar a nascer”. João 3:3-7 (ARe)

A necessidade de os males serem afastados primeiro, para que os bens sejam recebidos, foi ilustrada assim em VRC 511: “Alguém pode pôr ovelhas, cabritos e cordeiros nos campos ou nas florestas, onde há bestas ferozes de toda espécie, antes de ter expulsado estas bestas? E alguém pode dispor em jardim uma terra cheia de espinheiros, de sarças e de urtigas, antes de ter arrancado essas plantas nocivas? ...Dá-se o mesmo com os males no homem.”

Os males são afastados por meio da penitência.

Esse termo, ‘penitência’, é muito utilizado nas obras de Swedenborg, mas, por causa das várias acepções que tem nossa língua, precisamos defini-lo no contexto de nossa doutrina, e começamos dizendo o que não é penitência. Não é essa punição ou pagamento de pena, ou fazer um sacrifício ou uma compensação, como entendem em geral os católicos. Não se paga pelos pecados cometidos.

Penitência também não é o simples arrependimento ou a contrição da mente, porque o mero sentimento de pesar não significa necessariamente que o mal foiafastado ou que não será cometido novamente. O remorso é útil se levar a um mudança de hábito, mas, sozinho, nada produz para a vida espiritual.

Além disso, o termo ‘arrependimento’ é às vezes confundido com vergonha. Vemos que, quando alguém é apanhado em flagrante em um crime, muitas vezes se diz arrependida; mas, em geral, o que ela realmente sente é vergonha e humilhação por ser descoberta, pois, se não fosse apanhada, continuaria a praticar o crime sem sentimento algum de pesar.

Então, o que é penitência? Lemosem VRC 510 que “Os atos de penitência são todos os que fazem com que o homem não queira mais os males, que são pecados contra Deus, e, por conseguinte, não os faça mais.” É um conjunto de atitudes e ações que a pessoa toma e pratica a fim de afastar-se dos males. Em geral, são os seguintes: a) examinar-se, b) ver os males que há em sua vontade e seu pensamento; c) reconhecer-se culpado por causa deles, d) confessá-los ao Senhor, e) suplicar o auxílio do Senhor e f) abster-se daí em diante de praticar aqueles males por serem pecados contra Deus.

O conhecimento do pecado é provido pelo ensinamento religioso, desde a infância, e também pelas leis civis da justiça, que ensinam coisas semelhantes às do Decálogo, “pois o mal do pecado não é outro senão o mal contra o próximo, e o mal contra o próximo é também o mal contra Deus, mal que é o pecado.”“Todavia, o conhecimento do pecado nada faz, se o homem não examina os atos de sua vida, e não vê se fez algum pecado em segredo ou em público.... O homem se examina segundo seus conhecimentos do pecado, e descobre em si algum mal particular, e se diz: Este mal é um pecado; e pelo temor da pena eterna se abstém dele.” (VRC 525).

Cumpre saber que o autoexame é para identificar em si os males e não para procurar a própria bondade.E “é examinar não somente os atos de sua vida, mas também as intenções da vontade. É porque o entendimento e a vontade fazem os atos; com efeito, o homem fala pelo pensamento, e age pela vontade, por isso a palavra é o pensamento falante, e a ação é a vontade atuante; e como é daí que vêm as palavras e as ações, segue-se indubitavelmente que é o pensamento e a vontade que pecam quando o corpo peca; e mesmo o homem pode fazer penitência dos males que fez, pelo corpo, e não obstante pensar e querer o mal; mas é como se cortasse o tronco de uma árvore má, e se deixasse na terra a raiz, de onde esta árvore má cresceria de novo, e se estenderia em torno; mas é diferente quando a raiz é arrancada também, e isso se faz no homem quando ao mesmo tempo ele examina as intenções de sua vontade e afasta os males pela penitência.”

 O modo do auto exame é explicado bem claramente em VRC 532: “O homem examina as intenções de sua vontade, quando examina seus pensamentos, pois é neles que as intenções se manifestam; assim, quando seus pensamentos são levados para as vinganças, os adultérios, ou roubos, os falsos testemunhos e as cobiças por esses males, e também para as blasfêmias contra Deus, a Palavra santa e a Igreja, etc., ele quer estes males e os tem em intenção.Se, entretanto, dirige sua atenção para estes males, e examina se os faria supondo que não tem a temer a lei nem a perda de sua reputação, e se depois do exame pensa que não os quer porque são pecados, faz uma penitência verdadeira e interior; e, sobretudo, se resiste e se abstém, quando está no prazer destes amores e ao mesmo tempo na liberdade de os fazer; aquele que faz isso várias vezes, percebe como desagradáveis os prazeres dos males quando eles voltam, e enfim os condena ao inferno; é isto o que é entendido por estas palavras do Senhor: “Aquele que quer achar sua alma a perderá, e aquele que tiver perdido sua alma por causa de Mim a encontrará” (Mateus 10:39). Aquele que afasta os males de sua vontade por esta penitência, é semelhante ao que arranca de seu campo no tempo conveniente o joio semeado pelo diabo, donde resulta que as sementes que foram .postas pelo Senhor Deus Salvador encontram um húmus livre, e dão uma abundante seara (Mateus 13:25 a 31)”. (VRC 532)

A confissão de males.

O pecado é a doença da alma, pois enfraquece, aleija e destrói a vida espiritual exatamente como as doenças fazem com o corpo, e levam enfim à morte. Que o pecado seja a doença da alma vê-se pelo Salmo 41:4: “Eu dizia: Senhor, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti.” Quando a pessoa vai ao médico para se tratar de alguma enfermidade, o médico lhe pede exames para que possa fazer o diagnóstico correto. Isto vai mostrar que enfermidade exatamente ela teme que remédio ele vai receitar. Depois, se ela tomar o remédio conforme a prescrição, pode ficar curada daquela doença. De nada adiante se a pessoa disser ao médico: “Estou todo doente, doutor. Quero ser curado”, mas não relata os sintomas e não se submete aos exames necessários. Assim também, de nada adianta uma confissão genérica: “Sou pecador, Senhor; perdoa-me”, porque essa confissão genérica não identifica nenhum pecado que deva ser afastado.

“A confissão só de boca, como um reconhecimento geral de que se é pecador, nada faz. Só a confissão dos lábios de que se é pecador não é a penitência”.(VRC 516). “Apenitência não é possível, a não ser que o homem saiba, não somente de uma maneira universal, mas ainda nos menores detalhes, que é pecador, o que ninguém pode saber, se não se examina, não vê os males em si, e não se condena por estes, males”. (VRC 513).

É diferente, porém, quando a pessoa reflete e se examina, procurando saber o que ela faria numa situação hipotética em que não precisasse temer a punição da lei, ou a perda da reputação, ou a perda do ganho, em outras palavras, se fosse absolutamente livre para agir, não importa quais fossem as consequências. Nesse caso, em plena liberdade, para onde seu pensamento a dirige, o que ela teria intenção de fazer? É assim que ela conhece as inclinações de seu proprium, sua real vontade. Ela descobre o que nela reside por trás da aparência de civilidade e de moralidade que a vida no mundo impõe. E, ao descobrir suas intenções reais, ela deve focalizar sua atenção em duas ou três dessas intenções do mal de cada vez e determinar que são esses os males que ela deverá combater como pecado contra Deus, no campo de combateinterior do pensamento.

Essas intenções, agora manifestas claramente no pensamento, serão os inimigos de dentro a serem expulsos e renegados por serem pecados contra Deus. É o velho homem que deve ser crucificado, para que um novo surja.

É claro que essa reflexão e essa descoberta das intenções reais depende de uma certa capacidade de introspecção, e nem todos têm entendimento para fazer isso. “Há alguns que não podem se examinar, por exemplo, as crianças, os meninos e as meninas antes de terem atingido a idade em que se goza da intuição; semelhantemente os simples, que não têm qualquer reflexão; depois também todos aqueles que não têm o temor de Deus; e além destes alguns doentes do espírito e do corpo.” (VRC 527). Neste caso, as doutrinas ensinam uma fórmula mais simples de penitência: basta que, quando alguém notar emseu pensamento a cobiça para praticar determinado mal, dizer: “Eu quero isso e tendo para isso, mas, como é um pecado contra Deus, não o farei”.

Esta é a penitência efetiva, e é uma luta que não é fácil a princípio, porque, afinal de contas, está-se combatendo a própria e velha natureza, o império do egoísmo, os hábitos há muito estabelecidos e, talvez, profundamente enraizados. Por isso, em alguns casos, essa luta para abster-se do mal pode durar até anos, dependendo da profundidade do enraizamento da malícia na vontade. Trata-se de uma luta diária contra si mesmo. Por issoo Senhor falou em Lucas 9:23, diz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”

Mas, à medida que persiste nesse combate, a luta vai-se tornando menos árdua. Aos poucos, aquele determinado pecado que parecia impossível de vencer, se torna menos atraente, menos “tentador”. E com a persistência, a pessoa começa a sentir menos atração por aquele mal, que se torna para ela um desprazer e, finalmente, a pessoa tem aversão àquilo. Esse processo ocorre porque,cada vez que a pessoa combatia o mal no pensamento consciente, o Senhor o estava erradicando interiormente na vontade. O homem agiu como por si mesmo, mas foi o Senhor quem, de fato, agiu por Ele e triunfou sobre o mal.

Falando, ainda, sobre a confissão (VRC 538), “é preciso que a confissão seja feita diante do Senhor Deus Salvador, e que haja então suplicação por socorro e por força para resistir aos males.Que é preciso se dirigir ao Senhor Deus Salvador, é porque Ele é o Deus do Céu e da Terra, o Redentor e o Salvador, a quem pertence a Onipotência, o Onisciência, a Onipresença, a Misericórdia mesma e ao mesmo tempo a Justiça, e porque o homem é Sua criatura, e a Igreja seu aprisco.

“Há dois deveres que o homem deve cumprir depois do exame, é a Suplicação e a Confissão. A Suplicação será que o Senhor tenha piedade, dê o poder de resistir aos males de que se arrependeu, e conceda a inclinação e a afeição para fazer o bem, pois que sem Ele o homem nada pode fazer (João 15:5).

“A confissão será ver, conhecer e reconhecer seus males, e se ter por um miserável pecador. Diante do Senhor não é necessária a enumeração dos pecados, nem suplicar pela sua Remissão; que não haja necessidade da enumeração dos pecado, é porque o homem os examinou e os viu em si, e por conseguinte eles estão presentes no Senhor, porque estão presentes no homem; o Senhor o dirigiu mesmo no Exame, Ele lhos fez descobrir, e lhe inspirou uma profunda dor, e com esta dor o desígnio de desistir deles e de começar uma nova vida.

“Se diante do Senhor não deve ser feita suplicação para a remissão dos pecados, eis as razões: A primeira, é que os pecados não são anulados, mas são afastados, e são afastados conforme o homem em seguida renuncia a eles e entra em uma nova vida; pois há inumeráveis cobiças que são ligadas como em pelotão a cada mal, e que não podem ser afastadas em um momento, mas que o são progressivamente, à medida que o homem se deixa reformar e regenerar.

“A segunda razão, é que o Senhor porque é Misericórdia mesma, redime todos os seus pecados, e não imputa nenhum só a, quem quer que seja, pois Ele disse: “Eles não sabem o que fazem”; não obstante eles não foram por isso retirados. Quando Pedro lhe perguntou quantas vezes devia perdoar a seu irmão as suas faltas, se seria até sete, Ele lha respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:21, 22); se o homem deve perdoar assim, com quanto mais forte razão o Senhor?.

“Aqueles que não se examinam, mas não obstante renunciam aos males porque são pecados fazem também Penitência; e esta Penitência tem lugar naqueles que fazem pela Religião as obras da Caridade.Entretanto todos os que fazem o bem pela religião, não somente os cristãos, mas também os pagãos, foram aceitos pelo Senhor, e são adotados depois da morte; pois o Senhor disse: “Tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro e me recolhestes; nu, e me vestistes; doente, e me visitastes; estava na prisão, e fostes me ver. E disse: Quando o fizestes a um destes menores dos meus irmãos a Mim o haveis feito. Vinde, benditos do meu Pai, possuí como herança o Reino, preparado para vós desde a fundação do Mundo” (Mateus 25: 34 e segs.). (VRC 535, 536).

Finalmente, concluímos com este conselho de Swedenborg ao leitor: “Tu, meu amigo, foge do mal e faz o bem, e crê no Senhor de todo teu coração e de toda tua alma; e o Senhor te amará, e te dará o amor para fazer e a fé para crer; e então pelo amor farás o bem, e pela fé, que é a confiança, tu crerás; e se perseverares assim, far-se-á uma conjunção recíproca, e esta é a conjunção perpétua, que é a salvação mesma e a vida eterna mesma.”(VRC 484).

 

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LEITURA 04 - Tema: "Todo homem, depois da vida no mundo, vive eternamente” (JF.) [Aula em vídeo]
4ª. videoconferência (Para DOWNLOAD Click em 'Aula gratuita" [Link de Vídeo-IV] Aula gratuita!

O Juízo Final


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Parte 2 - 4ª. videoconferência.

IV.     Todos os que nasceram homens e morreram, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno.

V.      O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra

VI.     O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade.

No capítulo anterior, vimos que o céu e o inferno procedem do gênero humano. E como todo homem, depois da morte, continua vivendo, e vive eternamente, por isso, todos os que já nasceram e viveram neste mundo estão no plano espiritual, ou no céu ou no inferno. (JFBD, 23).

Quando afirma que “todos os homens que nasceram e morreram, desde o começo da criação, estejam ou no céu ou no inferno”, o autor mostra que essa afirmação destoa da crença comum, pois nas igrejas cristãsse acredita que as almas devem ir para o céu ou para o inferno, mas somente depois do juízo final. Acredita-se que todos ficam dormindo em algum lugar até esse dia, quando ouvirão a trombeta e voltarão à vida natural, retomando seus corpos, mroídos pelos vermes e pelos peixes, e reduzidos inteiramente a pó, serão recompostos pela Divina onipotência”. “E fora das igrejas, outras religiões creem que os espíritos voltam à vida material depois de algum tempo, com a chamada reencarnação.

Mas, observe-se que tanto uma quanto a outra crença decorre e depende de certo conceito assumido, a saber, que a vida está nos sentidos corpo, pois creem que a pessoa, fora do corpo, sendo alma ou espírito, está incompleta e não goza de sentidos plenos como gozava no revestimento material do corpo. Por isso umas e outras crenças precisa necessariamente de alguma forma de reentrar no corpo ou reencarnar. Porque acreditar que se está dormindo e se volta a entrar no corpo é acreditar numa forma de reencarnação. E outros creem que reencarnarão, sim, mas em outros corpos, ou até outros planetas. Ambas as crenças põem ênfase na vida do corpo material.

Quando se crê assim, atribui-se a vida ao corpo mesmo, e não no espírito. Mas isto é porque não se sabe que a vida da pessoa está no corpo porque está no espírito antes. O espírito é que recebe a vida, e o corpo vive porque o espírito vive, e não o contrário. E os sentidos do corpo estão, na realidade, no espírito, pois estão na mente e não na matéria. O espírito tem sentidos, porque “o homem espiritual, o qual está em cada homem natural, está em uma forma humana, do mesmo modo que o homem natural. O homem natural deriva a sua forma humana de seu homem espiritual”.

E continua:“É o homem espiritual que pensa e quer, pois o homem natural não pode fazer isso de si mesmo. Ora, o pensamento e a vontade são tudo em todas as coisas do homem natural ... Sendo assim, é evidente que o homem espiritual é o homem de verdade e está em todas e cada uma das coisas do homem natural. Todavia, o homem espiritual, não pode aparecer ao homem natural, pois o natural não pode ver o espiritual, mas o espiritual pode ver o natural.”

Por isso, quando ocorre a morte, o que de fato acontece é uma separação entre o natural e o espiritual. O natural, que é formado de elementos da natureza, quando o espírito se retira, torna-se inerte e morto em si, e, se desintegra, fazendo com que os elementos que o compunham voltem a fazer parte da natureza, de onde foram tomados. Mas o espiritual, por ser de outra substância, imortal, após o desprendimento do corpo material, sai do corpo como se de um casulo, desperta, “aparece no mundo espiritual em uma perfeita forma humana e vive depois da morte”.

Quando o ser humano desperta, em geral no terceiro dia após a morte, ele ou ela conserva todos os sentidos, toda vida consciente e identidade, pois tudo isso reside na mente, e não fica no corpo. A pessoa deixa somente o material com que se revestia. Por isso é que, para o espírito, não existe a morte como fim ou aniquilação de tudo. Para quem ressurge da morte é como se acordasse de um sono, como acontecia aqui todas as manhãs, com a diferença de que seus sentidos agora estão potencializados pela remoção da matéria que o tolhia. “Como todo homem vive eternamente depois da morte, nunca anjo ou espírito algum pensa na morte. Eles até ignoram o que é morrer. É por isso que, quando na Palavra se fala sobre a morte, os anjos entendem ou a danação, que é a morte no sentido espiritual, ou a continuação da vida e a ressurreição.

“Queo homem ressuscite logo depois da morte e que então tenha uma perfeita forma humana vê-se na obra O Céu e o Inferno em muitos artigos.”

II. Todo homem, depois da vida no mundo, vive eternamente.

“Isto é evidente pelo fato de que o homem é então espiritual e não mais natural, e o homem espiritual separado do homem natural permanece eternamente tal qual é, pois o estado do homem não pode ser mudado depois da morte.”“Além disso, o espiritual de cada homem está em conjunção com o Divino ...e o que pode ser conjunto ao Divino não morre por toda a eternidade, porque o Divino está nele e se conjunge com ele. “

26.    III. Para que eu soubesse que todos os que até agora nasceram e morreram homens, desde a criação do mundo, estão ou no céu ou no inferno, tem-me sido permitido falar com alguns dos que viveram antes do dilúvio e também com alguns dos que viveram depois do dilúvio, com alguns da nação judaica, conhecidos na Palavra do Antigo Testamento, com alguns que viveram no tempo do Senhor, com muitos que viveram nos séculos anteriores, até o presente tempo, e, mais, com todos os que eu tinha conhecido na vida de seus corpos, como também com crianças e com muitos dentre os gentios. Através dessa experiência fiquei plenamente convencido de que não há um só homem, nascido desde a primeira criação desta terra, que não esteja ou no céu ou no inferno.

“Quão imensa é a multidão de homens que já está lá é o que me foi concedido ver quando meus olhos foram abertos. Ela era tão grande que dificilmente poderia ser enumerada, havendo miríades... Com efeito, todos foram reunidos lá em sociedades. Essas sociedades são em grande número, e cada sociedade em seu lugar forma três céus e, sob esses, três infernos.

“É evidente, então, que o mundo natural, no qual estão os homens nas terras, não pode ser comparado àquele mundo quanto ao número do gênero humano; por isso, quando o homem passa do mundo natural para o mundo espiritual, é como ir de uma aldeia para uma grande cidade

Quanto ao segundo ponto: O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra.

Já vimos, na segunda videoconferência, que a ideia que se tem normalmente a respeito do juízo final, é “que então o Senhor aparecerá nas nuvens do céu com os anjos na glória, que fará sair de seus túmulos todos os que viveram desde o começo da criação e que revestirá suas almas com um corpo. E, assim, convocados em massa, Ele julgará os que viveram bem para a vida eterna ou no céu, e os que viveram mal para a morte eterna ou o inferno.”

Essa crença vem da interpretação meramente literal de passagens da Bíblia, como vimos, mesmo implicando várias contradições e paradoxos.  Mas a letra da Palavra tem um sentido espiritual parabólico e, nesse sentido, “pela vinda do Senhor nas nuvens do céu não se entende uma aparição do Senhor, mas a sua aparição na Palavra, porque o Senhor é a Palavra; Ele é o Divino Vero; o ‘Senhor vindo nas nuvens do céu’ é o sentido da letra da Palavra, e ‘a glória’ é o seu sentido espiritual; ‘os anjos’ são o céu onde Ele deve aparecer, e também são o Senhor quanto ao Divino Vero. Portanto, o significado dessas palavras é agora evidente, a saber, que o Senhor, quando o fim da igreja chegar, abrirá o sentido espiritual da Palavra e, assim, o Divino Vero pelo qual Ele é em si. Por conseguinte, esse é o sinal de que o juízo final está próximo.

“Que o juízo final deva ser no mundo espiritual e não no mundo natural ou na terra é evidente pelos dois artigos precedentes e também pelos que se seguem. Neles foi mostrado que o céu e o inferno provêm da raça humana, e que todos os que um dia nasceram e morreram homens, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno, assim, que todos estão lá juntos. Mas, nos artigos que se seguem, será mostrado que o juízo final já aconteceu.”

Outro ensinamento interessante que se aplica ao tema é que o juízo Divino se faz não somente quanto aos atos do corpo, mas, principalmente, quanto às intenções do espírito. De fato, é no espírito que está toda a determinação, toda vontade e todo empenho, antes de se materializar no ato. Por isso, Swedenborg nos diz nesse livro: “Ninguém é julgado como homem natural, por conseguinte enquanto vive no mundo natural, porque o homem está então em um corpo natural, mas cada um é julgado como homem espiritual, quando, portanto, eles vêm para o mundo espiritual, porque então eles estão em um corpo espiritual. É o espiritual no homem que é julgado e não o natural, porque o natural não é culpado de falta alguma ou de crime algum, pois não vive por si mesmo, mas é somente o servo e o instrumento pelo qual o homem espiritual age (vide o n. 24 acima).”

“Daí vem também que o juízo se faz sobre os homens quando eles deixam o seu corpo natural e se revestem de um corpo espiritual. Nesse corpo, o homem aparece tal qual é quanto ao seu amor e à sua fé, pois cada um no mundo espiritual é uma imagem de seu amor – não somente quanto à face e ao corpo, mas também quanto à linguagem e às ações (vide a obra O Céu e o Inferno n. 481). É por essas coisas que todos são conhecidos tais quais são e são imediatamente separados, quando isso apraz ao Senhor. Por essas coisas fica evidente que o juízo se faz no mundo espiritual, e não no mundo natural, ou nas terras.

Vejamos, ainda, um arcano que é relatado no parágrafo 32: “Vou acrescentar aqui um arcano do céu que foi mencionado na obra O Céu e o Inferno, mas que não foi ainda descrito. Cada um, depois da morte, é ligado a alguma sociedade tão logo ele venha para o mundo espiritual (vide n. 427 a 497). Mas, em seu primeiro estado, os espíritos não sabem isso, porque então se acham em seus externos e não ainda em seus internos. Quando o espírito é tal, ele vai para aqui e para lá, onde quer que os desejos de sua mente o levem. Contudo, ele realmente está onde está o seu amor, isto é, na sociedade onde estão os que se encontram em semelhante amor. Quando o espírito se acha nesse estado, ele aparece em muitos outros lugares, em todos eles como presente de corpo, mas isso é apenas uma aparência. Mas, tão logo ele é conduzido pelo Senhor ao seu amor dominante, ele desaparece aos olhos dos outros e está entre os seus, na sociedade à qual está ligado. Isto é próprio do mundo espiritual e causa admiração aos que ignoram a causa disso. Assim, logo que os espíritos são reunidos e separados, eles também são julgados, e cada um está em seu lugar: os bons no céu, e lá em uma sociedade entre os seus, e os maus no inferno, e lá em uma sociedade entre os seus.

“Pode-se constatar por essas coisas que o juízo final somente pode ocorrer no mundo espiritual, não só porque cada um lá está numa vida idêntica, como porque cada um está lá com os que estão em semelhante vida, assim, cada um com os seus. Mas é o oposto no mundo natural. Aí os bons e os maus podem estar juntos (e um não sabe qual o outro é), e não separados uns dos outros segundo o amor de sua vida. Mais ainda, é impossível a qualquer um estar com o corpo natural no céu ou no inferno; por isso, para que o homem vá para um ou outro, é necessário que ele deixe seu corpo natural e, depois de tê-lo deixado, seja julgado em seu corpo espiritual. Assim, é o homem espiritual que é julgado, como acima se disse, e não o homem natural.

O último dos três pontos desta seção do livro JFBD é quanto ao momento do Juízo Final. Pois há um fato de tempo determinante desse acontecimento. E se analisarmos o que o Senhor diz no capítulo 24 de Mateus, sobre a consumação do século, ali são dados sinais, por exemplo: aparecimento de falsos cristos, guerras, fomes e terremotos, perseguição aos crentes, falsos profetas, multiplicação da iniquidade, esfriamento do amor de muitos. Se entendermos literalmente, concluiremos que todas essas coisas sempre existiram e todas as épocas. Mas, como já vimos anteriormente, é preciso entendermos esses sinais em sua simbologia ou seu significado espiritual. Por exemplo, ele fala que um dos sinais é: “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda)” (24:15). Considerando este, principalmente, e alguns dos outros, como os falsos cristos, os falsos profetas, a iniquidade e o esfriamento do amor, é possível deduzir, só pela letra, que todas essas coisas dizem respeito à vida religiosa ou ao estado espiritual da humanidade e, por conseguinte, ao estado da igreja no mundo. Portanto, o fator de tempo que determina o juízo é exatamente isso, o estado espiritual da igreja. E, por isso, livro que estamos lendo agora diz:

“O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade”.

E então tomamos conhecimento mais pormenorizado dessa relação entre o fim da igreja e a vinda do Juízo. “Há muitas razões para que o juízo final aconteça quando é o fim da igreja. A principal delas é que então começa a perecer o equilíbrio entre o céu e o inferno, e, com esse equilíbrio, a própria liberdade do homem. E quando perece a liberdade do homem, ele não pode mais ser salvo. Com efeito, pela liberdade ele é levado para o inferno e não pode ser conduzido na liberdade para o céu, porque sem a liberdade ninguém quer ser reformado, e toda liberdade do homem vem do equilíbrio entre o céu e o inferno”. (JF 33)

“Que o equilíbrio entre o céu e o inferno comece a perecer no fim de uma igreja pode-se ver pelo fato de que o céu e o inferno procedem do gênero humano, como foi explicado no artigo que traz esse título. E também pelo fato de que, quando poucos homens vão para o céu e muitos para o inferno, o mal de um lado sobrepuja o bem do outro, pois quanto mais o inferno aumenta, tanto mais cresce o mal, e todo mal no homem vem do inferno e todo bem vem do céu. Quando o mal sobrepuja o bem no fim de uma igreja, todos são julgados pelo Senhor, os maus são separados de junto dos bons, todas as coisas são repostas na ordem, são instaurados um novo céu e também uma nova igreja e, assim, o equilíbrio é restabelecido. É, pois, isso que se chama ‘juízo final’, a cujo respeito se dará muitos pormenores no que vai se seguir.”

É dito que não há mais fé por não haver caridade. A relação entre essas duas, a caridade e fé, é como a que existe entre a essênciae a forma. A caridade é essência da fé, e a fé é a forma da caridade. Sem a caridade, é fé é morta, fria, vazia. E sem a fé, a caridade é vaga, indiscriminada. Por exemplo, pertence à caridade fazer bem ao próximo, mas faz parte da fé ensinar como esse bem deve ser feito. Se não for assim, faz-se um bem indiscriminado e tolo, que pode até ser um mal, porque, como se diz, fazer bem ao maus é fazer mal aos bons. Então, a fé qualifica e dá forma à caridade, e a caridade vivifica e enaltece a fé.

A relação é, também, a mesma que há entre a luz e o calor. A fé é a luz e a caridade é o calor. Estes procedem juntamente do sol, mas são recebidos de modo diferente, dependendo da posição da Terra. Quando incidem juntamente, a luz e o calor vivificam a vegetação, mas não quando a luz incide sem o calor.Então, voltando ao tema do estado da Igreja, quando se diz que não há mais fé por não haver caridade, fica claro que a fé acaba porque a caridade já acabou primeiro, porque a fé, para ser fé, deve proceder da caridade. Caso contrário, não passa de uma persuasão ou uma fé falsa.

“Que no fim da igreja não haja nela a fé, isso é predito pelo Senhor:

“O Filho do homem quando vier, encontrará fé na terra?” (Lc. 18:8).

E que também não haja caridade:

“Na consumação do século será multiplicada a iniquidade, será resfriada a caridade de muitos, e será pregado este evangelho em todo orbe terráqueo; então virá o fim” (Mt. 24:12 e 14).

O ‘fim’ é o último tempo da igreja. Nesse capítulo é descrito pelo Senhor o estado da igreja sucessivamente decrescente quanto ao amor e à fé.

“Mas crer somente não é a fé. Querer e fazer o que se crê, isso é a fé. Os doutrinais da igreja, quando são apenas cridos, não estão na vida do homem; estão apenas em sua memória e, por conseguinte, no pensamento do homem externo, e não entram em sua vida, senão quando estão em sua vontade e, assim, em suas ações.”

[3]    Mas é outra coisa quando o homem não somente crê nos doutrinais da igreja, os quais são tirados da Palavra, mas também os quer e os faz. Então a fé é formada, pois a fé é a afeição do vero por se desejar o vero porque é o vero. Com efeito, querer o vero porque é o vero é o espiritual mesmo do homem, pois isso é diferente do natural – que é querer o vero não pelo vero, mas pela glória, pela fama e pelo lucro. O vero, considerado separadamente da glória, da fama e do lucro, é espiritual porque em sua essência ele é Divino. Por isso, querer o vero por que é o vero é também reconhecer e amar o Divino. Estas duas coisas foram absolutamente conjuntas e também são encaradas como uma só, no céu, pois o Divino que procede do Senhor no céu é o Divino Vero (vide a obra O Céu e o Inferno, n. 128 a 132), e são anjos dos céus os que o recebem e fazem dele coisa de sua vida. Estas explicações foram dadas para que se saiba que a fé consiste não só em crer, mas também em querer e fazer; que, assim, não há fé se não houver caridade; e que a caridade ou o amor é querer e fazer.

“Tal é o estado da igreja hoje, isto é, que nela não há fé porque não há caridade. E onde não há caridade, também não há bem espiritual, porque este bem vem unicamente da caridade.

“Toda igreja em seu começo é espiritual, porque ela começa pela caridade, mas, no decorrer do tempo, ela se desvia da caridade para a fé e, então, de interna ela se torna externa. E quando se torna externa, ela chega a seu fim, porque então tudo é posto no conhecimento e pouco ou quase nada na vida. E tanto quanto o homem de interno se torna externo, a luz espiritual nele escurece até ao ponto que ele não pode ver o Divino Vero pelo vero mesmo, isto é, pela luz do céu – pois o Divino Vero é a luz do céu – mas somente pela luz natural, que é de tal natureza que quando só e não iluminada pela luz espiritual, ela vê o Divino Vero como se fosse noite e não o reconhece como vero, exceto quando foi assim chamado por um chefe e recebido pela assembleia comum. Daí vem que seu intelectual não pode ser iluminado pelo Senhor, pois quanto mais a luz natural brilha no intelectual, mais a luz espiritual é obscurecida. A luz natural brilha no intelectual quando as coisas mundanas, corpóreas e terrestres são amadas mais do que as espirituais, as celestes e as Divinas; e também na mesma proporção o homem é externo.”

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LEITURA 03 - Tema: "Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim" (João 14:11) [Aula em vídeo]
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O Juízo Final


Link da aula III (Online)

Parte 2 - 3ª. videoconferência.

 

I. O segundo ponto singular da fé: A fé salvífica é crer n’Ele.

II. Fé histórica, fé bastarda, fé espúria e fé salvífica.

 

“Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim” (Jo. 14:11)

 

A fé salvífica

Todos sabem que é preciso ter fé e sabem o que ela é, mas não se consegue definir a fé. Alguns dizem que a fé é uma confiança ou, como disse um apóstolo,  uma certeza de algo que não se vê. Para esses, “fé” tem o sentido de uma convicção sem um fundamento apresentável, o que, na verdade, a vontade veemente de que algo seja verdadeiro.  Outros pensam que fé uma espécie de “força de vontade”.  Outros a definem como o conjunto de dogmas de uma crença. E como esses conceitos são tão distintos e, ao mesmo tempo, tão semelhantes e tão relacionados entre si mesmos, daí vem a dificuldade que se tem em definir a fé.

Swedenborg dedicou um opúsculo inteiro a esse assunto e, também, o quarto capítulo de “Verdadeira Religião Cristã”. Seguindo mais ou menos a ordem de exposição desses livros, veremos, então, em primeiro lugar, o seguinte: 1) A fé salvífica é a fé no Senhor Deus Salvador Jesus Cristo.  Mediante esta afirmação podemos deduzir que, se existe uma fé salvífica, é porque existe uma fé que salvífica. Como consequência lógica, não é a existência da fé, por si mesma, que produz a salvação, mas a qualidade dessa fé.

A fé sobre a qual foi fundado o cristianismo é que “é preciso crer ou ter fé no Filho de Deus, Redentor e Salvador, concebido de JEHOVAH e nascido da virgem Maria, chamado Jesus Cristo...”. Assim, torna-se bem claro que é preciso crer que o próprio Deus veio ao mundo e nasceu como criança através da concepção de uma virgem. Ele foi Deus e Homem ao mesmo tempo, na pessoa visível do Senhor Jesus Cristo. O sentido da letra da Palavra insiste muito neste ponto, que é preciso crer no Filho, ou seja, que é preciso crer que o Divino Se encarnou e Se fez visível no plano natural. Se não houver tal crença, não se pode crer no que ele operou dessa forma nem se pode, por conseguinte, receber os benefícios de Sua vinda e nascimento no mundo, e esses benefícios são a regeneração e salvação.

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (João 3:36). É preciso que se creia no Filho. Pensemos nesta afirmação. Não é dito “no Pai”, mas no Filho, porque, como foi dito anteriormente, quando se crê no Filho, crê-se ao mesmo tempo no Pai. Mas isto precisa ser mais esclarecido: é preciso que se creia corretamente no Filho. Crer que o Filho é a manifestação visível do Pai; é o Corpo da Alma Divina chamada JEHOVAH; é a Pessoa de Deus que nossos olhos podem ver e nosso entendimento compreender. Não se pode imaginar um Deus fora de Sua pessoa, Jesus Cristo.

A necessidade dessa ênfase vem do fato de muitas pessoas crerem no Filho de Deus, mas à sua maneira, não à maneira da Palavra. Elas creem, por exemplo, no Filho como pessoa separada de uma hipotética pessoa do Pai; creem no Filho como submisso à mãe, Maria; creem no Filho como um Mestre, um grande indivíduo, espírito de luz que veio dar exemplo de humildade... Mas não creem que o Pai está no Filho como a Alma no Corpo. A reabertura dessa verdade tornou-se necessária depois que a Igreja precedente a destruiu pela ideia de três pessoas. Pregar que Jesus Cristo é o próprio Deus é a função maior da Nova Igreja.

Muitos professam a fé em Deus sem pensarem na pessoa de Jesus Cristo. E muitos invocam a Deus e prestam o culto a Ele sob essa forma, a saber, uma vaga forma humana, mais como uma luz. Outros O imaginam como um Ancião, bem diferente da ideia que fazem de Jesus. Segundo vemos na Palavra e nas Doutrinas Celestes, são todas elas formas vãs de se cultuar e invocar a Deus, porque Deus tem uma Essência, uma Substância e um Forma, e essa Forma é a Forma Humana, e esse Humano é o Senhor Jesus Cristo. Se se tirar a pessoa de Jesus, tira-se a Forma, daí a Substância e por fim a Essência de Deus, tornando-O quase nada.

Em suma, não basta a pessoa afirmar que crê em Deus. Como disse o apóstolo Tiago: “Crês em Deus? Fazes bem. Até os diabos creem, e tremem...” Quando alguém diz que crê em Deus, se a fé que ela tem se limita a essa ideia em si, nenhuma fé existe nela. É preciso que a fé em Deus seja centrada na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Por isso, é melhor a pessoa afirmar que crê em Jesus Cristo sabendo que Ele é, de algum modo, Divino e Um com Deus, do que a vaga e universal crença em Deus. A diferença entre uma e outra crenças é a diferença entre a fé falsa e a fé salvífica.

A fé que o mundo conhece é essa fé vaga em Deus, porque não está na Pessoa Divina do Senhor Jesus Cristo. Desde o Concílio de Nicéia a Igreja não reconhece mais outra fé senão a que separa. E, no entanto, o Senhor disse: “Crede que eu estou no Pai e o Pai em mim”. É por isso que as Doutrinas são tão detalhistas e exigentes quanto ao ponto da fé, ou seja, em Quem exatamente é preciso crer.

“Que é preciso crer, ter fé em Deus Salvador Jesus Cristo, é porque é a fé em um Deus visível, no qual está Deus invisível”. É dito que esta fé, em um Deus visível que é também Homem, é uma fé que pode ser compreendida e “entra no homem”. Podemos compreender que o Senhor Jesus é assim porque olhamos para nós e nos vemos como uma alma e um corpo; então torna-se brilhante em nosso entendimento a ideia de o Filho estar no Pai e o Pai enviar o Filho ao mundo, isto é, Deus invisível proceder até o plano natural e aí tornar-Se visível como Homem, Jesus Cristo.  A fé em Jesus Cristo cuja Alma é Deus é recebida no entendimento, porque se apoia em nossa própria realidade. Tem base natural, pode caber a ideia espiritual de Deus como alma e por isso é viva e salvífica.

A origem da fé

Nas obras doutrinais citadas, aprendemos que a Fé é adquirida. Ela não nasce com a pessoa nem passa a existir espontaneamente e muito menos é produzida por alguma ação humana. “O homem recebe a fé dirigindo-se ao Senhor, instruindo-se nas verdades pela Palavra e vivendo segundo essas verdades”.

Sendo a fé dada ao homem por Deus, a única coisa que cabe ao homem fazer é ser receptivo. Isto envolve sua liberdade, sua vontade de crer ou de receber a fé. Em outras palavras, a vontade que o homem tem de crer nas coisas da Revelação é a afeição receptiva da fé. É o solo humoso que está fértil para receber a semente. É claro que, mesmo essa vontade de receber a fé veio também de Deus, mas tudo começa quando o homem, exercendo sua liberdade, quer receber algo do Criador. Então ele recebe a afeição da verdade na vontade e a verdade da fé no entendimento.

Quando dizem que o homem recebe a fé dirigindo-se ao Senhor, os Escritos (em VRC 343) dizem também que isto não é uma ação passiva, na qual o homem não tome parte. Ao contrário, o homem recebe a fé - como foi dito - dirigindo-se ao Senhor, instruindo-se nas verdades pela Palavra e vivendo segundo essas verdades. Agora temos a noção mais clara de que a fé é algo que se recebe pelo entendimento, pela compreensão das verdades da Palavra e, em seguida, pela vida de acordo com essas verdades.

O primeiro passo da aquisição da fé é aprender da Palavra quem é o Senhor e o que são Suas Leis segundo as quais devemos viver; e o segundo é viver de acordo com tais leis. Parece-nos bastante claro que as duas coisas são necessárias juntamente. Não basta se instruir na Palavra, mas é preciso viver segundo a instrução que se recebeu. Se a Palavra compara a fé a uma semente e a vontade do homem à terra, podemos ver que a fé que é dada é como a semente lançada à terra. O Senhor mesmo diz isso, comparando a fé às sementes que o semeador saiu a semear e também ao grão de mostarda. Ora, a semente lançada na terra não é a que alimenta, mas sim a que é produzida daquela. A parte que é lançada na terra é relativamente pequena, em comparação com a parte que nasce depois dos frutos ou das espigas.

Então, quando nos dirigimos ao Senhor e lemos a Palavra com a afeição de tomá-la como guia para nossa vida, nossa mente se torna um campo preparado para a semeadura. A fé, em nós, será a verdade que foi adquiria pela instrução mas que passou para a vida através da obediência. E isto não ocorre sem lutas e tentações, representadas pela morte da semente. Pelo que o Senhor disse: “Se o grão cair na terra e não morrer, fica só; mas se morrer, dá muito fruto”.

Estados e qualidades da fé

A fé existe no homem como a sua vista espiritual. A fé é para o entendimento assim como a vista natural é para o corpo. É evidente, por isso, que, sem a fé, o entendimento do homem é cego para a verdadeira natureza de todas as coisas. É dito em VRC 346 que a vista do corpo e a vista do espírito se correspondem e, por consequência, tudo o que se aplica ao estado do olho e da vista do olho pode ser aplicado também ao estado da fé ou vista do entendimento. E como há uma variedade de estados saudáveis ou de morbidades da visão, também uma variedade de estados saudáveis ou morbidades da fé.  Aprendemos, então, que existe: 1) a fé bastarda,  “na qual os falsos foram misturados aos veros; ela pode ser comparada à enfermidade dos olhos e, por consequência, da vista que se chama belida sobre a córnea, tornando a vista obscura.”

“A fé prostituída, que provém dos veros falsificados, e a fé adúltera, que provém dos bens adulterados, podem ser comparadas com a enfermidade dos olhos e, por consequência, da vista, que se chama glaucoma, que é um dessecamento, um endurecimento do humor cristalino [ou vítreo?].

“A fé tapada ou cega, que é a fé das coisas místicas, embora não se saiba se são veros ou falsos ou se estão acima ou contra a razão, pode ser comparada com a enfermidade dos olhos que se chama gota serena e amaurose, que é a perda da vista por uma obstrução do nervo ótico e, entretanto, o olho parece ver perfeitamente.

“A fé errática, que é a fé em vários deuses, pode ser comparada com a enfermidade do olho que se chama catarata, que é a perda da vista por uma obstinação entre a túnica esclerótica e a úvea.

“A fé vesga, que é a fé em outro Deus que não verdadeiro Deus e, entre os cristãos, a fé em doutro Deus que não o Senhor Deus Salvador, pode ser comparada com a enfermidade dos olhos que se chama estrabismo. (...)

Finalmente, se é dito que a fé adquirida ou formada na pessoa por meio da instrução é porque a fé, em sua essência, é a verdade. A fé não é outra coisa senão o complexo das verdades que brilham na mente (VRC 347).

Da Fé na mente e sua propagação

Avançando em nosso estudo da fé, aprendemos também que a fé é algo que pode ser ampliado, aperfeiçoado e elevado mediante a contribuição ativa da parte do homem. É dito que “a abundância de verdades ligadas em conjunto como em um feixe exalta e aperfeiçoa a fé” (VRC 349). É, pois, pela quantidade e qualidade de verdades que a fé se desenvolve.

É interessante voltarmos a um ponto já mencionado aqui, sobre a ideia comum que as pessoas têm sobre a fé, ou seja, aquele conceito de que a fé é somente um pensamento confiante, uma espécie de convicção. Para os que têm tal ideia sobre o que é a fé, parece estranha a informação de que as verdades exaltam e aperfeiçoam essa fé. Em geral, era de se esperar, quando muito, que essa convicção se tornasse mais firme através das experiências, especialmente pelo testemunho de intervenções miraculosas do ser Divino.

Mas o que estamos aprendendo nos Escritos das Doutrinas Celestes é algo novo: os conceitos vagos da teologia, as indefinições sobre tudo o que é espiritual, a incerteza ou ignorância do vero, tudo isto pode ser perfeitamente substituído e superado por informações objetivas, claras e simples, que mostram que as coisas espirituais são concretas, definidas, não havendo mais necessidade de se recorrer a dogmas obscuros. A fé, aprendemos assim, é um conjunto, como um feixe, de verdades que adquirimos. É claro que essas verdades não podem ser somente as do conhecimento, dados da memória, mas devem ter sido transformadas em princípios segundo os quais se vive, fronteiras que limitam nossas atitudes.

Por isso, é um fato que “o homem pode contribuir em alguma coisa para adquirir a fé...” “Quem não pode, pela Palavra, recolher verdades, se quiser? Toda verdade na Palavra e pela Palavra dá luz, e a verdade na luz é a fé. O Senhor, que é a luz mesma, influi em cada homem, e, naquele em que há verdades pela Palavra, faz com que brilhem nele e assim elas se tornam coisas da fé”.

O aperfeiçoamento e a elevação da fé são em seguida explicados em Verdadeira Religião Cristã por várias proposições, que serão examinadas em ordem: “I. As verdades da fé são multiplicadas ao infinito”. Isto se pode ver pela sabedoria dos anjos do céu, que aumenta eternamente. “Os anjos dizem também que jamais há um fim para a sabedoria, a qual não vem senão dos Divinos veros examinados analiticamente nas formas, mediante a luz vinda do Senhor. A inteligência humana, por maior que seja, não vem de outra parte” (350).

A infinidade para a sabedoria vem da própria Infinidade de Deus. Podemos ter uma ideia disso se refletirmos sobre a infinita variedade de veros que podem ser obtidos da Palavra. As verdades Divinas na Palavra podem ser pesquisadas em sua forma simples, no sentido literal, sem maiores implicações, e só isso já faria necessária a vida toda de uma pessoa. Mas se essas mesmas verdades forem analisadas e postas em conexão umas com as outras, as suas implicações se mostram numa abundância incrível.

Tomem-se, por exemplo, os algarismos da aritmética: são apenas 10, que uma criancinha logo conhece. Mas estes 10 algarismos somente, quando tomados juntos ou em determinadas ordens, podem expressar qualquer grandeza, infinitamente, sem nunca se repetirem, porque a cada número pode-se sempre acrescentar um novo algarismo, e então um novo valor aparece. Tomemos como exemplo também as posições simples da geometria: se nós tivermos um valor determinado para a altura, outro para a largura e somente mais outro para o comprimento, podemos expressar com essa tridimensão, exatamente, qualquer ponto no espaço. Bastam esses três pontos para qualquer valor poder ser definido.

As verdades da Palavra são comparadas, neste capítulo de VRC, a um abismo, embora para aquele que nada sabe do sentido interno ela não pareça mais do que a água em um balde. Realmente, é por isso que, na Palavra do Antigo e Novo Testamentos, as verdades do sentido literal são frequentemente comparadas a um poço. Como já vimos, são muito comuns as situações nas histórias da Palavra em que uma mulher é citada a tirar água num poço. A mulher, em geral, significa a afeição pela verdade, e o poço a própria Palavra - isto é, as águas do poço. Assim como o poço tem a mina que faz a água brotar constantemente, as verdades da Palavra são sempre novas, cada vez que as lemos.

Outra comparação da abundância infinita dos veros, que é feita em VRC, é com a proliferação das sementes, tanto vegetais quanto humanas, pelas quais há propagação ao infinito das espécies. Nunca se pode dizer que a semente deixe de se reproduzir pela exaustão ou pelo esgotamento de sua fertilidade. É até sabido que, se todas as sementes vegetais do mundo fossem plantadas novamente e brotassem numa proporção normal, em apenas uma geração a abundância da colheita ocuparia todo o globo terrestre. Na realidade, a mente do homem é comparada ao solo fértil do campo ou do jardim, na qual os veros naturais e espirituais são implantados como sementes (VRC 350). Essa propagação ou proliferação infinda é derivada da infinidade de Deus, “que está perpetuamente presente com Sua luz e Seu calor, e com a faculdade de criar”.

 

A fé natural

Não é realmente fé, mas uma persuasão simulando a fé, chamada por isso persuasão do falso ou fé herética.

Suas denominações são: 1) a fé bastarda (falsos misturados aos veros); 2) a fé prostituída pelos veros falsificados e adúltera pelos bens adulterados; 3) A fé tapada ou cega, que é a fé das coisas místicas, em que se crê embora não se saiba se são verdadeiras ou falsas, ou se estão acima da razão ou contra a razão; 4) a fé errática, que é a fé em vários deuses; 5) a fé vesga, que é a fé em um outro deus que não o verdadeiro Deus. Nos cristãos, a fé em um outro Deus que não o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo; 6) a fé hipócrita ou farisaica, que é a fé de boca e não de coração; 7) a fé visionária e às avessas, que é a aparência do falso como vero por uma engenhosa confirmação.

Como o homem contribui para receber a fé

Os Escritos dizem que “o homem pode contribuir em alguma coisa para adquirir a fé...” “Quem não pode, pela Palavra, recolher verdades, se quiser? Toda verdade na Palavra e pela Palavra dá luz, e a verdade na luz é a fé. O Senhor, que é a luz mesma, influi em cada homem, e, naquele em que há verdades pela Palavra, faz com que brilhem nele e assim elas se tornam coisas da fé”.

Outras Características Da Fé

Seu incremento:

I. As verdades da fé são multiplicadas ao infinito”. Isto se pode ver pela sabedoria dos anjos do céu, que aumenta eternamente. “Os anjos dizem também que jamais há um fim para a sabedoria, a qual não vem senão dos Divinos veros examinados analiticamente nas formas, mediante a luz vinda do Senhor. A inteligência humana, por maior que seja, não vem de outra parte” (350).

Sua organização na mente:

II. A disposição das verdades da fé é em série, assim como em pequenos feixes”. Esta é outra verdade espiritual nova e interessante que as Doutrinas Celestes nos revelam sobre a fé. O conceito errôneo de muitos hoje sobre a fé e a ignorância a respeito da organização da mente impediram que se conhecesse a respeito da organização dos veros da fé na mente. É dito nesta passagem dos Escritos que as percepções, os pensamentos e as ideias não são radiações e variações de luz que influi na cabeça. Em outras palavras, as ideias não são coisas esvoaçantes dentro da cabeça ou flashes no cérebro. Em vez disso, aprendemos aqui que os dois cérebros (cérebro e cerebelo) acham-se organizados de uma maneira tal, que a mente habita ali e faz que as ideias se fixem de maneira lógica, permanecendo ali tal como foram aceitas e confirmadas.

Seu aperfeiçoamento:

III. Conforme a abundância e a coerência das verdades a fé é aperfeiçoada. É isto a consequência do que acaba de ser dito”. Assim organizadas, cada verdade apoia e confirma outra, fazendo que cada verdade se torne cada vez mais espiritual, “assim, cada vez menos natural-sensual, pois é elevada à região superior da mente, de onde vê em baixo coortes de confirmações em seu favor na natureza do mundo. A verdadeira fé, pela abundância das verdades ligadas em conjunto como em um feixe, torna-se cada vez mais brilhante, mais perceptível, mais evidente e mais clara. Torna-se também mais apta a conjuntar-se com os bens da caridade; por conseguinte, mais separada dos males e, sucessivamente, mais afastada das seduções do olho e das cobiças da carne. Por consequência, mais feliz em si mesma. Torna-se principalmente mais possante contra os males e os falsos, portanto cada vez mais viva e salvífica”.

Sua transformação:

A fé transforma-se de natural em espiritual. Como foi visto, a fé, no início, é apenas uma fé natural no homem, mas torna-se espiritual à medida que o homem se aproxima do Senhor. (360) Se ele se dirige ao Senhor, dentro de sua fé natural há um esforço de vida Divina, assim como a vida está na semente esforçando-se por desenvolver-se e produzir novos frutos ou grãos.

Da sua conjunção com a caridade:

A VRC nos fala da absoluta necessidade de os dois, fé e caridade, constituírem um só. Lemos: “O Senhor, a Caridade e a Fé fazem um, como a Vida, a Vontade e o Entendimento. Se forem divididos, cada um se perde, como uma pérola reduzida a pó”. E chegamos, então, a um ponto em que existe aparentemente, contradição com algo já tínhamos visto anteriormente. Pois é fato que aprendemos também que o Senhor proveu para que, no homem espiritual, o entendimento pudesse ser separado da vontade justamente para que, olhando de cima a vontade baixo, o entendimento a domasse e elevasse. Aprendemos que, por essa característica de independência, o entendimento pode ser reformado primeiro, antes que a vontade seja regenerada. E aqui parece haver a contradição, se é que não se pode separar entendimento e vontade, como é dito no número presente de VRC (n. 362).

Mas enquanto é natural, pode estar separada da vontade, porque lemos: “Que o homem possa pensar pelo entendimento sem que a vontade tenha parte nisso, é porque assim foi provido a fim de que ele possa ser reformado; porque o homem é reformado pelas verdades e as verdades, como se disse, são para o entendimento. De fato, o homem nasce em todo o mal quanto à vontade, de onde resulta que por si próprio ele quer somente bem a si mesmo. E quem quer bem a si só, alegra-se com os males que acometem os outros, mormente à vista de si próprio; pois ele quer chamar a si os bens de todos os outros, quer honras ou riquezas, e quanto mais o consegue, mais ele experimenta alegria em si. Para que esse voluntário seja corrigido e reformado, foi outorgado ao homem poder compreender as verdades e sujeitar por elas as afeições do mal que partem da vontade. Daí vem que o homem, pelo entendimento, pode pensar verdades e também falar delas e fazê-las; contudo, ele não pode pensá-las pela vontade antes de ser tal que ele as queira e as faça de si próprio, isto é, de coração. Quando o homem é tal, então as coisas que ele pensa pelo entendimento pertencem à sua fé, e as que ele pensa pela vontade pertencem ao seu amor. Por isso é que a fé e o amor nele então se conjungem como o entendimento e a vontade. (Céu e Inferno 424).

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LEITURA 02 - Tema: "O Reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:20-21) [Aula em vídeo]
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O Juízo Final

Link da aula II

Parte 1 - 2ª. Videoconferência

 

I.        O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo

II.      As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão

III.     O céu e o inferno procedem do gênero humano

 

“E perguntado pelos fariseus quando o Reino de Deus havia de vir, respondeu-lhes, e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior.Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, Ei-lo ali; porque eis que o Reino de Deus está entre vós.” (Lucas 17:20, 21)

Toda doutrina da Igreja deve ser extraída da Palavra, ou Escritura Santa, em seu sentido literal, e por esse sentido deve ser corroborada. Mesmo que estejamos estudando as obras doutrinárias de Swedenborg, sempre vemos e procuramos mostrar como todo esse conjunto de informação tem base bíblica, porque foram inspiradas enquanto ele estudava profundamente a Bíblia. Após anos de estudo e inspiração, lendo a letra da Palavra em suas línguas originais, ele escreveu uma imensa quantidade de livros a que chamamos Escritos, mostrando-nos que existe um sentido espiritual ou simbólico em cada detalhe do sentido da letra.

A letra da Palavra é, pois, a fonte e o fundamento desse nosso estudo sobre o JF, conforme veremos em toda a sequência.Sendo assim, além de lermos dos trechos do livro O Juízo Final e a Babilônia Destruída propriamente dito,tentaremos demonstrar também as passagens da Palavra de que esses doutrinais foram extraídos e nos quais estão fundamentados.

A primeira afirmação do livro é “O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo”.Esta é uma grande novidade, porque, até agora, nós, cristãos, tínhamos imaginado que o grande julgamento ocorrerá juntamente com grandes cataclismos, resultando no fim de todas as coisas materiais.

E, obviamente, esse conceito apavorante não foi inventado do nada, mas vem também de passagens literais da Bíblia, as quais têm sido ensinadas e pregadas há séculos em todas as denominações cristãs.

“Aqueles que não conhecem o sentido espiritual da Palavra não compreendem outra coisa senão que no dia do juízo final devem ser destruídas todas as coisas visíveis no mundo, porque dizem que então devem perecer o céu e a terra; e que Deus deve criar um novo céu e uma nova terra. Eles também se confirmaram nessa opinião porque é dito que naquele dia todos sairão dos túmulos, que os bons serão separados dos maus etc. Mas isso é dito no sentido da letra da Palavra porque esse sentido é natural e está no último da ordem Divina, onde todas as coisas, em geral e em particular, têm dentro de si um sentido espiritual. Quem compreender a Palavra somente segundo o sentido da sua letra pode ser levado a várias opiniões, como ocorre no mundo cristão, onde por esse motivo há tantas heresias, cada uma delas confirmada na Palavra.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 1).

Essas várias opiniões podem ser resumidas nas seguintes:

1) Que, no fim dos tempos, Jesus voltará ao mundo, aparecendo fisicamente na nuvens. Onde se baseia na Bíblia: “E, então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória.”Mateus 24:30, Marcos 13:26, Lucas 21:27.  Um anjo disse aos apóstolos:“Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” Atos 1:11. 

2) Que seu aparecimento será físico,visível e manifesto a todos:“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram.”Apocalipse 1:7 

3) Que, antes dessa segunda vinda, aflições, guerras e terremotos acontecerão em todo o mundo, e esses eventos são tidos como prenúncio do fim dos tempos:“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.”Mateus 24:6 

4) Que outro evento extraordinário precederá o fim – o chamado arrebatamento, quando os fiéis serão subitamente elevados aos céus para se encontrarem com Jesus nos ares:  “Digo-vos que, naquela noite, estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. ... Dois estarão no campo; um será tomado, e outro será deixado.”Lucas 17:34:36. Aliás, a doutrina do arrebatamento está mais fortemente baseada na afirmação do apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.  Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.1Tessalonicenses4:15-17: 

5) Que todas essas coisas acontecerão a qualquer momento. Cada geração de cristãos tem pensado e aguardado que a volta de Jesus e o fim dos tempos acontecerá em sua geração. Tem sido assim desde o começo do cristianismo e nós herdamos a interpretação simples da igreja cristã primitiva. Paulo pensava que a volta de Jesus para o juízo estava tão próxima que aconteceria ainda em seu tempo de vida, pois disse: “nós, os que ficarmos vivos”.Também o apóstolo Pedro ensinou assim: “Já está próximo o fim de todas as coisas” 1Pe. 4:1

6) Que, depois da vinda de Jesus, seguir-se-á a destruição de todos os elementos e de todo o universo, como também foi ensinada por Pedro:“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. ...O Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão.”2Pedro 3:7, 10 

Esses são exemplos dos principais pontos de fé das igrejas cristãs sobre o fim dos tempos e o juízo. Por aí se pode ver que todas expectativas a respeito do juízo foram e são resultados de uma interpretação meramente literal das Escrituras, começando dos tempos apostólicos até os dias de hoje. Os cristãos primitivos, incluindo Paulo e Pedro, e os de hoje, entendiam e entendem que os relatos bíblicos teriam cumprimento físico. Mas lemos na obra em exame:

“Aqueles que não conhecem o sentido espiritual da Palavra não compreendem outra coisa senão que no dia do juízo final devem ser destruídas todas as coisas visíveis no mundo, porque dizem que então devem perecer o céu e a terra; e que Deus deve criar um novo céu e uma nova terra. Eles também se confirmaram nessa opinião porque é dito que naquele dia todos sairão dos túmulos, que os bons serão separados dos maus etc. Mas isso é dito no sentido da letra da Palavra porque esse sentido é natural e está no último da ordem Divina, onde todas as coisas, em geral e em particular, têm dentro de si um sentido espiritual. Quem compreender a Palavra somente segundo o sentido da sua letra pode ser levado a várias opiniões, como ocorre no mundo cristão, onde por esse motivo há tantas heresias, cada uma delas confirmada na Palavra.” O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 1.

Para os que creem com simplicidade no sentido literal das Escrituras, essas expectativas a respeito da volta de Jesus e a respeito do juízo segundo a interpretação literal das Escrituras não trazem problema algum. Gerações de cristãos têm crido dessa maneira por toda a sua vida e morrido nessa expectativa, sem que isso abale a sua fé ou prejudique a sua salvação.Essas pessoas tiveram a mesma simplicidade dos cristãos primitivos, que receberam ensinamentos literais sem questioná-los e sem prestar atenção às suas aparentes incongruências.

No entanto, há aqueles que analisam um pouco mais profundamente a Bíblia com uma mente aberta e não obscurecida pelas várias interpretações doutrinárias, algumas delas inteiramente opostas entre si. Eles querem saber o que realmente a Palavra diz. E há aqueles que tendem para o ceticismo e a negação da divindade da Palavra. Para esses,essas profecias, ou melhor, as interpretações delas, se tornam um conjunto de pontos de dúvida, porque envolvemcertas impossibilidades físicas e mesmo contradições entre si.

Esses dois últimos tiposde pessoas, o inquiridor de boa fé e o cético, têm dificuldade de aceitar os ensinamentos literais da Bíblia sobre o Juízo Final. E como as explicações das igrejas se baseiam nas mesmas aparentes incongruências, eles ficam na escuridão ou, pior, na negação, por falta de ensino. Porque elas não podem aceitar, por exemplo, o que o Apocalipse diz, que estrelas, ou a terça parte delas, cairão sobre a Terra (Apocalipse 6:13, 12:4), e a humanidade ainda sobreviva. Há dois mil anos não se conhecia a respeito do tamanho dos corpos celestes e essa crença simples talvez não fosse um problema, por sua impossibilidade física, mas hoje é diferente.

Ou, como o céu visível pode se enrolar como fosse um rolo de pergaminho (Apocalipse6:14),visto que o firmamento não é uma abóbada sólida, como se cria até a Idade Média. E assim por diante, a mesma dificuldade surge para essas pessoas quando elas tentam entender a literalidade das profecias sobre o Juízo Final.

É certo que alguém poderia argumentar que não se podem aplicar leis naturais aos ensinamentos da Bíblia, e que se deve crer no que a Bíblia diz, quer se entenda, quer não. Mas, desse modo, os próprios mestres e teólogos cristãos, ao insistirem na interpretação literal, acabam lançando mais descrédito na Mensagem Divina, pois eles acabam ponto a Palavra em confrontação com a ciência. E quanto mais os ensinos da igreja insistem na interpretação literal, mais eles fomentam essa confrontação inútil, e, por conseguinte, mais dão motivos ànegatividade, o naturalismo e o ateísmo.

Contudo, não são apenas impossibilidades físicas que os céticos levantam em oposição. Há, também, as tais incongruências ou contradições dentro da própria interpretação literal das profecias.Ora, sabemos que a Palavra de Deus transcende toda sabedoria imaginável pelo homem. Nela não há erro nem contradição. A falha não está, portanto, no que Deus diz, mas na maneira como entendemos ou interpretamos. Vejamos alguns ensinamentos que precisam ser levados em conta também, pois mostram certas contradições que não podem ser ignoradas. De fato, é impossível fazer uma interpretação literal de pontos que estão aparentemente em oposição entre si.

Por exemplo, no capítulo 6:13, quando se abre o sexto selo, “E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.” Todavia, mais adiante, no capítulo 12:4, as estrelas ainda estão no céu, e terça parte delas cai à terra pela cauda do dragão.

Na abertura do sexto selo, o sol se torna negro e a luz como sangue, no cap. 6:13, mas, no cap.8, quando o quarto anjo toca a trombeta, o sol está lá, brilhando, e é escurecido para que não brilhe mais.

No Apocalipse 1:7 é dito que“todo olho o verá”, mas, em Lucas17:20, 21, lemos: “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós”. Como, então, todo olho verá algo que não tem aparência exterior?

Em Marcos 9:1Jesus “Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder.” (Cf. Mat. 16:28, Lucas 9:27). Por isso Pedro e Paulo esperavam a vinda física naquele mesmo tempo, mas é óbvio que todos os que ouviram Jesus dizer essas palavras morreram em sua época e não virar chegar o reino, como esperavam.

Então, a palavra do Senhor teria falhado? Obviamente não. Não há contradição na Palavra; nós é que não a compreendemos corretamente. Pois a única maneira de conciliarmos esses ensinamentos é considerá-los com tendo outro sentido, como parábolas acerca de coisas futuras. Aliás, assim eram todas as palavras do Senhor:Mateus_13:34  “Tudo isso disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas (cf. com Marcos 4:11, Mateus 13:34).Isto, também, está de acordo com outro ensinamento d’Ele: (João6:63) “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.”

É assim, então, quedevemos necessariamente considerar que todos os ensinamentos do Senhor deveria ter um cumprimento espiritual, para se harmonizarem entre si. E, fazendo uma análise de tudo o que temos visto até aqui, a única conclusão possível é que não é possível interpretar ou compreender o Apocalipse ao pé da letra, ou como verdades literais, sem se cair nesses dilemas.

De fato, Deus não escreveu a Palavra para nos ensinar sobre eventos terrenos e físicos, porque esseo ser humano poderia vir a conhecer pela curiosidade e pelo estudo das coisas naturais. O objetivo da Palavra é nos ensinar a respeito de outra dimensão, a realidade espiritual, as coisas que estão acima e além da observação e da pesquisa natural, uma realidade que nunca poderíamos conhecer sem a instrução Divina. E como Deus podia nos ensinar acerca do mundo espiritual, acerca de nossa alma, de modo a ser compreensível às pessoas de todas as eras da humanidade? Somente por meio de parábolas e por meio de sentidos que o simples entendesse com simplicidade, e o sábio com sabedoria, cada um em sua esfera de compreensão.

É, então, que voltamos nossos olhos para a obra de Swedenborg, porque ele vem nos mostrar que há um significado espiritual em todos os relatos proféticos do Apocalipse, e essa explicação nos abre a visão para um campo inteiramente novo, um universo espiritual no qual reina um Deus de amor incondicional. Sob essa ótica, o livro do Apocalipse adquire uma dimensão que nunca tínhamos antes imaginado.

É essa visão nova acerca do Apocalipse e do Juízo Final que nos é proporcionada no opúsculo JFBD, no qual tomamos conhecimento, em primeiro lugar, que o dia do juízo final “não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo”.

“Como, porém, ninguém tinha ainda sabido que em todas e em cada uma das coisas da Palavra há um sentido espiritual – nem mesmo o que é o sentido espiritual – os que adotam essa opinião sobre o juízo final são por isso mesmo desculpáveis. Contudo, saibam eles agora que o céu visível aos nossos olhos não perecerá, nem mesmo a terra habitável, mas eles permanecerão; e que pelo novo céu e pela nova terra é entendida uma nova igreja, tanto nos céus como nas terras. Diz-se uma nova igreja nos céus, porque lá também há uma Igreja, assim como nas terras, porque lá também há prédicas e um culto Divino semelhante aos das terras, mas com esta diferença: que nos céus todas as coisas estão em um estado mais perfeito, porque lá elas não estão em um mundo natural, mas em um mundo espiritual; assim, todos lá são homens espirituais e não homens naturais, como haviam sido no mundo. Que isso seja assim vê-se na obra O Céu e o Inferno, especialmente nos artigos em que se tratou da conjunção do céu com o homem pela Palavra (n. 303 a 310) e do culto Divino no céu (n. 221 a 227)”.

As passagens que falam que serão formados um novo céu e uma nova terra têm, por conseguinte, outro sentido:

“Por “um novo céu” não se entende o céu visível aos nossos olhos, mas o céu mesmo onde o gênero humano foi recolhido, pois um céu foi formado por todos da raça humana que haviam vivido desde o começo da Igreja Cristã; eles, porém, não eram anjos, mas espíritos de diversas religiões. É esse céu que se entende pelo “primeiro céu” que deve perecer; mas na sequência será especialmente dito como isso ocorreu. Faz-se menção disso aqui apenas para que se saiba o que é significado pelo “primeiro céu” que deve perecer. Qualquer um que pense por alguma razão ilustrada pode perceber que não é o céu estelar, o tão imenso firmamento da criação, que foi significado ali, mas o céu no sentido espiritual, onde os anjos e os espíritos estão.”

“Ignorou-se até hoje que pela ‘nova terra’ se entende uma nova igreja nas terras, pois cada um tinha entendido por ‘terra’, na Palavra, a Terra, quando a verdade é que por terra se entende a igreja. No sentido natural a ‘terra’ é a Terra, mas no sentido espiritual a ‘terra’ é a igreja.

O que acontecerá, então, com as pessoas? Não haverá, então, tanto castigo e tanta mortandade de seres humanos, até que todos os infiéis sejam destruídos? Ao contrário, “as procriações do gênero humano na terra jamais cessarão”.

O Deus Criador, que é clemente e misericordioso, não apenas não destruirá o gênero humano, mas, também, conserva a vida de todos, mesmo daqueles que o rejeitam e escolhem viver no mal e separado d’Ele. Porque a essência de Deus é o amor, e o amor não pode deixar de amar. Do bem nada pode proceder senão o que é bom. Então, sim, o gênero humano continuará a existir no universo natural e espiritual indefinidamente, sob o auspício da Misericórdia Divina.

As razões citadas no livro O Juízo Final e a Babilônia Destruída para que as gerações da raça humana não cessem foram extraídas de outra obra, O Céu e o Inferno, e são as seguintes:

I. O gênero humano é a base sobre a qual está fundado o céu. Em resumo, o homem é o último ou a coroação da criação, e nele estão reunidos os universos natural e espiritual, de modo que o homem foi criado na mais perfeita forma Divina. A mente humana é onde se encontram os dois planos da existência. “Daí vem que todas as coisas que estão no homem e dentro do homem vêm do céu e do mundo. Vêm do céu as coisas que são de sua mente, e vêm do mundo as coisas que são de seu corpo. As coisas que são do céu influem em seus pensamentos e em suas afeições, e os dispõem de acordo com a recepção do seu espírito; e as que são do mundo influem em suas sensações e prazeres, e os dispõem segundo a recepção de seu corpo, mas isso conforme as conveniências dos pensamentos e das afeições de seu espírito.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 9)

II. O gênero humano é o viveiro do céu. Isto porque o céu e o inferno são provenientes do gênero humano. “Assim como o céu tem sido formado pela raça humana, desde a primeira criação até o presente, ele continuará sendo formado e enchido pela mesma fonte.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 10).

III. A extensão do céu, o qual é para os anjos, é tão imensa que não pode ser cheia por toda eternidade.

E IV. Aqueles que compõem o céu no presente momento são proporcionalmente em pequeno número. Nós não conseguimos perceber a grandeza do universo físico e, muito menos, a do universo espiritual. A imensidão do universo existe para uso do homem e deve ser preenchida pelo homem.Deus não criaria um mundo tão vasto para ser destruído ou preenchido por um número tão pequeno de seres humanos. Mas isto é tratado mais detalhadamente nas obras O Céu e o Inferno, 415 a 420, eDas Terras no Universo, n. 126.

V. A perfeição do céu aumenta segundo a pluralidade.

“A forma do céu é semelhante à forma da mente humana, cuja perfeição aumenta segundo os acréscimos do vero e do bem, de onde provêm a inteligência e a sabedoria. Que a forma de uma mente humana que está na sabedoria e na inteligência celestes seja semelhante à forma do céu é porque a mente é a menor imagem daquela forma. Dessa forma há comunicação dos pensamentos e das afeições do bem e do vero em tais homens, e nos anjos, com as sociedades celestes em torno. Há, assim, uma extensão segundo o aumento da sabedoria, portanto, segundo a pluralidade dos conhecimentos do vero que foram implantados no entendimento e segundo a abundância das afeições do bem que foram implantadas na vontade, por conseguinte, na mente, porque a mente se compõe do entendimento e da vontade. As mentes do homem e do anjo são tais que podem ser enriquecidas pela eternidade, e elas são aperfeiçoadas à medida que são enriquecidas, o que sucede, sobretudo quando o homem é conduzido pelo Senhor, porque então ele é introduzido nos veros reais que são implantados no seu entendimento e nos bens reais que são implantados na sua vontade. Com efeito, o Senhor dispõe então todas as coisas de sua mente na forma do céu, até que enfim ela seja o céu em sua mínima forma. Segundo essa comparação, a qual é um paralelo verdadeiro, é evidente que a pluralidade dos anjos aperfeiçoa o céu.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 12).

VI. Toda obra Divina tem por finalidade o infinito e o eterno.Em todas as coisas criadas o Criador inseriu como se fosse uma imagem ou assinatura dele, e essa imagem do Infinito e do Eterno é visível, por exemplo, na multiplicação sem fim das sementes, na quantidade dessa multiplicação, na variedade de todas as coisas, sem que haja uma só igual a outra ou repetida.

“Não há uma só face absolutamente semelhante a outra face ou a mesma que outra, e não haverá uma só em toda a eternidade. Igualmente a personalidade [animus] de um nunca é absolutamente semelhante ao de outro; por isso há tantos homens e anjos quanto às faces e personalidades lá. Em um homem, onde há inúmeras partes que constituem o seu corpo e inúmeras afeições que constituem o seu caráter, nunca há qualquer coisa que seja absolutamente semelhante às que existem em outro homem ou que seja a mesma coisa. Daí vem que cada um tem uma vida distinta da vida do outro. O mesmo se dá em todas e em cada uma das coisas da natureza; essa variedade infinda existe em todas as coisas em geral e em particular, porque a origem de todas as coisas vem do Divino, que é Infinito.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 13)

O terceiro ponto de nosso roteiro nesta videoconferência é o capítulo 3 do livro,“O céu e o inferno procedem do gênero humano”. Este ponto é abordado exaustivamente em 8 páginas do livro, e resumir adequadamente toda essa abordagem aqui não é tarefa fácil, mas transcreveremos somente a introdução do tema, que já faz um bom sumário do assunto:

“No mundo cristão ignora-se totalmente que o céu e o inferno procedem do gênero humano. Com efeito, crê-se que os anjos foram criados desde o começo e que daí resultou o céu; e que o diabo ou satanás foi um anjo de luz, mas, ao tornar-se rebelde, foi precipitado com a sua tropa e disso resultou o inferno. Os anjos ficaram extremamente admirados de que tal fé exista no mundo cristão, ainda mais pelo fato de que não se sabe absolutamente coisa alguma a respeito do céu, quando a verdade é que esse é o principal da doutrina na igreja. E, como tal ignorância prevalecia, eles ficaram cheios de alegria porque aprouve ao Senhor revelar agora aos cristãos muitas verdades sobre o céu e também sobre o inferno e por esse modo dissipar, tanto quanto for possível, as trevas que crescem a cada dia, e foi por isso que a igreja chegou a seu fim. Por isso, eles desejam que eu afirme, como sendo de sua boca, que não há, em todo o céu, um só anjo que tenha sido criado desde o começo, nem diabo algum no inferno que tenha sido criado anjo de luz e precipitado, mas que todos, tanto no céu como no inferno, provêm do gênero humano: no céu, os que no mundo viveram no amor e na fé celestes, e no inferno, os que no mundo viveram no amor e na fé infernais; e que o inferno, em todo o complexo, é chamado diabo e satanás. O inferno que está atrás, onde se acham aqueles que são chamados maus gênios, é o diabo; e o inferno que está na frente, onde se acham os que são chamados maus espíritos, é chamado satanás . Qual é um e qual é outro infernos, vê-se no fim da obra O Céu e o Inferno. Se o mundo cristão aceitou tal fé a respeito dos que estão no céu e dos que estão no inferno, isso veio, diziam os anjos, de algumas passagens da Palavra que foram compreendidas somente segundo o sentido da letra, e não ilustradas nem explicadas pela doutrina genuína da Palavra. Quando, entretanto o sentido da letra, se não for esclarecido pela doutrina genuína da igreja, divide as mentes em diversas opiniões, de onde procedem as ignorâncias, as heresias e os erros.” (O Juízo Final e a Babilônia Destruída, 14).

Estes três capítulos iniciais do livro são, por conseguinte, premissas para que o restante conteúdo sobre o Juízo Final seja bem compreendido. Recapitulando, essas premissas são: I. O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo. II.As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão. III. O céu e o inferno procedem do gênero humano.

É evidente que numa exposição de uma hora e pouco não é possível cobrir com maiores detalhe toda a explanação para cada um desses pontos, conforme é dada no livro, pelo que sugerimos a leitura do livro em si. Aqui temos somente uma amostra da exposição feita ali sobre o Juízo Final, com algumas das passagens das Escrituras que a confirmam. Que seja esta amostra um convite e um incentivo ao estudo e à reflexão do que nos é trazido na obra mesma.

 

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LEITURA 01 - Tema: "Ouve Israel: JEHOVAH, nosso Deus, é um JEHOVAH" (Deut. 6:4) [Aula em vídeo]
A importância da ideia de Deus. [Aqui o Link da Aula - Online] Aula gratuita!

 A importância da ideia de Deus.

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Segue-se um extrato do primeiro capítulo de Verdadeira Religião Cristã:

“A Igreja que o Senhor tinha instaurado por eles [os discípulos], está hoje de tal modo consumada, que dela subsistem apenas alguns restos. Isso aconteceu porque se dividiu a Divina Trindade em três Pessoas, das quais cada uma é Deus e Senhor, e daí decorreu um frenesi em toda a Teologia, portanto, na Igreja que pelo nome do Senhor é chamada Cristã.

“Diz-se frenesi porque as mentes humanas foram por isso arrastadas a um delírio tal que não se sabe se há um único Deus ou se há três; não há senão um na linguagem da boca, mas há três no pensamento da mente; a mente está, portanto, em oposição com a boca ou o pensamento com a linguagem; desta oposição resulta que não se reconhece nenhum Deus; o naturalismo que reina hoje não tem outra origem. Faz disso, se quiseres, o exame: Quando a boca diz um e a mente pensa em três, não acontece que dentro, no meio do caminho, um expulsa o outro, e isso reciprocamente? Daí o homem dificilmente pensa de outro modo sobre Deus, se é que o pensa, a não ser segundo a palavra nua de Deus, sem nenhum sentido que envolva um conhecimento de Deus.

“Pois que a ideia de Deus, com toda noção que possa ter dela, foi assim dissipada, vou, em sua ordem, tratar de Deus Criador, do Senhor Redentor e do Espírito Santo em sua operação e da Divina Trindade; e isso a fim de que o que foi dissipado seja restabelecido, o que acontece quando a razão humana, segundo a Palavra e a luz que dela provêm, está convencida de que há uma Divina Trindade e que esta Trindade está no Senhor Deus Salvador Jesus Cristo, como a Alma, o Corpo e o Procedente estão no homem. E assim permanece em vigor esta passagem do Credo de Atanásio, que no Cristo, Deus e o Homem, ou o Divino e o Humano, não são dois, mas estão em uma única Pessoa; e que, como a Alma racional e a Carne, são um único homem, do mesmo modo, Deus e o Homem são um único Cristo.

Verdadeira Religião Cristã, 4

 

E é justamente essa, a ideia principal, aquela sobre a qual paira a maior obscuridade no cristianismo. E nem estamos nos referindo ao ateísmo, mas somente ao  cristianismo em si. Porque, quem pode responder com certeza às perguntas: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem pode entender o chamado ‘mistério da Trindade’? E se, afinal, essa ideia é tão importante, será que não foi esclarecida abertamente na letra das Escrituras? Qual ideia é a correta a respeito de Deus?

A fim de analisarmos adequadamente estas questões e, talvez, chegarmos a uma resposta satisfatória para elas, vejamos a forma como o Rev. Douglas Taylor abordou esse tema, e como ele respondeu a dúvida “Quem é Jesus?”. E ele fez isso recorrendo exclusivamente à própria letra da Palavra, porque, sim, a Palavra tem a resposta para todas as nossas questões, principalmente para as que se referem à pessoa Divina.

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Quem é Jesus? Aula gratuita!

Quem é Jesus?

 “E vindo Jesus às partes de Cesareia de Filipo, perguntou a seus discípulos, dizendo: Quem os homens dizem que eu sou, o Filho do homem? E eles disseram: Alguns, João Batista, e outros, Elias, e outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? (Mateus 16:13-16) (ARe)

 

O Senhor fez esta pergunta aos discípulos há dois mil anos, mas esta questão é eterna. Ainda é importante, nos dias de hoje, e sempre será. A resposta que dermos à pergunta “quem é Jesus?” tem um profundo efeito em nossa vida no mundo e na eternidade.

Está escrito que Simão Pedro respondeu à pergunta do Senhor, dizendo:

 “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16).

Por sua resposta, Pedro foi muito elogiado pelo Senhor, que lhe disse que aquela fora uma resposta divinamente inspirada (Mt.16:17). De tudo o que se pode concluir daí, uma coisa é clara: ensina-se que Jesus é, de alguma forma, DIVINO. E mais, somos avisados no Evangelho de João que:

 “Quem crê n'Ele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus (Jo.3:18).

Mas, será suficiente dizer que “Jesus é de algum modo Divino?” É bem sabido que não há ideia mais importante a ser claramente entendida do que a ideia sobre Deus. Não é somente uma questão de estudo sobre o qual os teólogos formulam teorias monótonas. A nossa ideia sobre Deus governa e controla todas as nossas vontades e pensamentos, mesmo quando não estamos conscientes dela, e mesmo que estejamos ou não. Até a ideia que um ateu tem sobre Deus penetra em todos os seus pensamentos e influencia suas emoções e sua vida muito além do que ele imagina.

O primeiro grande mandamento diz que devemos amar o Senhor com todo o nosso coração, alma, mente e força. Mas, quem é o Senhor? É Jehovah do Velho Testamento? ou Jesus do Novo Testamento? ou são eles a mesma Pessoa Divina?

Para que possamos viver a vida da religião, é necessário que tenhamos uma ideia clara de Deus.

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A ideia cristã a respeito de Deus Aula gratuita!

A ideia cristã a respeito de Deus

A ideia de Deus que há séculos predomina no cristianismo é a de que HÁ TRÊS PESSOAS EM DEUS, sendo cada uma delas Deus, sem, no entanto, existirem três Deuses, mas somente um. Ninguém entende isto. Admite-se ser coisa completamente incompreensível. Por isso chamam esse conceito de “mistério”, que deve permanecer assim.

É claro que nunca poderemos entender TUDO sobre Deus, porque Ele é Infinito e nós somos finitos. Na verdade, precisaríamos de um entendimento “divino”, infinito, para compreender completamente o Infinito.

Neste ponto, muitos debates são encerrados. Mas o ponto onde a inteligência humana tem de parar e admitir que não pode ir mais além está muito mais distante do que normalmente se imagina.

A doutrina a respeito do Senhor e a resposta para a nossa pergunta “quem é Jesus?” podem ser extraídas não somente do sentido espiritual ou interno da Palavra de Deus, mas também das passagens literais do Velho e Novo Testamento, principalmente se seguirmos duas regras básicas de bom senso, regras que, infelizmente, têm sido postas de lado no campo do estudo bíblico: 1) Reunir todas as passagens sobre o assunto (ou, pelo menos, uma amostra que bem as represente).  2) Usar somente as frases explícitas, que tenham um só significado, como base e ponto de partida.

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O que as escrituras ensinam sobre Deus Aula gratuita!

O que as escrituras ensinam sobre Deus

As passagens das Escrituras que ensinam sobre o assunto “quem é Jesus?” dividem-se naturalmente em dois grupos que, à primeira vista, são contraditórios.

O primeiro grupo de passagens parece dizer que Deus Pai (ou Jehovah, do Velho Testamento) é UMA pessoa, e Jesus, o Filho de Deus, é OUTRA pessoa, distinta e separada.

Mas há também o segundo grupo de passagens, as que ensinam que eles são UMA E A MESMA PESSOA. Que o Jehovah do Velho Testamento e o Jesus do Novo são a mesma Pessoa Divina.

Parece haver um conflito. Então, para que a verdadeira doutrina apareça, estes dois grupos aparentemente conflitantes devem ser conciliados.

Aqui estão alguns exemplos das passagens que parecem ensinar que Jehovah e Jesus são pessoas diferentes:

 Jesus disse: “...pois que Eu saí, e vim de Deus (João 8:42).

 “...o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai (João 5:19).

 Simão Pedro disse:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16).

No batismo do Senhor, ouviu-se uma voz do céu dizer:

 “Este é o Meu Filho amado, em quem me comprazo (Mateus 3:17).

O Senhor também disse:

 “...Meu Pai é maior do que Eu (João 14:28).

 E: “Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:6)

Jesus disse na cruz:

 “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

 E: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27:46).

E também, após a ressurreição, o Senhor disse aos discípulos:

 “...ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mateus 28:19).

Nesta última passagem, não só parece que o Pai e o Filho são distintos, como ainda há uma TERCEIRA Pessoa ou SER divino, o Espírito Santo.

Se fôssemos consultar somente passagens como estas e ignorar todas as outras que estão em conflito com elas, poderíamos chegar à conclusão de que Deus está em três Pessoas. Isto é muito estranho para quem refletir ao menos um pouco, porque o bom senso diz que simplesmente NÃO PODE HAVER TRÊS PESSOAS DIVINAS, ou três Seres Divinos, pois isto é o mesmo que dizer que há três Infinitos, ou três Deuses! É tarefa inútil tentar unir três divindades distintas num só Deus.

Uma das saídas para esta frustração é notar que jamais é dito de maneira explícita que o Pai e o Filho são duas pessoas distintas. Isto nunca foi dito na Palavra. Não obstante, é o que foi deduzido, sem um maior esclarecimento, pelos concílios da Igreja Cristã, de 325 AD em diante, e é o que tem sido impensadamente aceito como a fé ortodoxa cristã em si. Entretanto, por mais que se procure, nunca se encontrará uma única passagem na Palavra que diga explicitamente que o Pai e o Filho são dois; que aquele que vê o Filho tem ainda de ver o Pai. Na verdade, vamos encontrar exatamente o oposto, como veremos mais adiante.

A outra saída é também notar que, conquanto geralmente se pense que as palavras “Pai” e “Filho” nestas passagens sempre se referem a pessoas, isto não é necessariamente verdade. Não dizemos às vezes que “tal homem é o PAI dos pobres? ou que Sócrates foi o PAI da filosofia? Pois na Palavra achamos um emprego similar do termo “pai”:

 “...quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (João 8:44).

Por estas considerações podemos ver como é arriscado tomar um só dos possíveis significados de um termo e sobre ele construir toda uma doutrina. Mesmo que o emprego real de “pai” e “filho” se refira a pessoas diferentes, se tomarmos isto como princípio, vamos encontrar várias dificuldades, especialmente com aquele segundo grupo de passagens mencionado acima, das que ensinam que Deus Pai e Deus Filho são a mesma e única Pessoa Divina.

Por exemplo, o que se pode dizer quando lemos no Velho Testamento esta conhecida profecia do Advento do Senhor?

 “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre seus ombros, e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Isaías 9:6).

Aqui não se pode duvidar que Aquele que é chamado de “menino” e “filho” é também chamado de “Deus forte” e “Pai”, “Pai da eternidade”.

Só há um Deus forte. Isto é o que nos dita a nossa razão e o que está conforme as próprias Escrituras:

 “...antes de Mim deus nenhum se formou, e depois de Mim nenhum haverá”. “Eu, eu sou o Senhor, e fora de Mim não há Salvador (Isaías 43:10,11).

 “Eu sou o primeiro e o último, e fora de Mim não há Deus (Isaías 44:6).

 “Eu sou o Senhor; este é o Meu nome; a Minha glória pois a outrem não darei (Isaías 42:8; 48:11).

 “...porventura não sou Eu, o Senhor? e não há outro Deus senão Eu. Deus justo e salvador não o há fora de Mim. Virai-vos para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há outro (Isaías 45:22).

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Há um só Deus Aula gratuita!

Há um só Deus

A doutrina de que não há outro Deus além de Jehovah define a nossa compreensão de outra profecia de Isaías:

 “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel (7:14).

Visto que o nome “Emanuel” não pode ser traduzido de outra maneira a não ser “Deus conosco”, segue-se, como conclusão irresistível, que era o Senhor Deus, Jehovah, o único Deus, que viria ao mundo como o Salvador, e nasceria aqui como o filho de uma virgem. Este é, de fato, o tema de todas as passagens do Velho Testamento que tratam do advento do Messias. Tomemos, por exemplo, as seguintes passagens:

 “E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor... na Sua salvação pois gozaremos e nos alegraremos (Isaías 25:9).

 “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai no ermo a vereda do nosso Deus... Eis que o Senhor Jehovah virá contra o forte (Isaías 40:3,10).

Aqui, novamente, a mensagem é que o Senhor Criador, Ele mesmo, viria como o Redentor e Salvador.

E mais, no Velho Testamento o Senhor Jehovah diz que Ele é o Primeiro e o Último, enquanto no Novo Testamento, no Apocalipse, Jesus diz que ELE é o Primeiro e o Último. Ora, é impossível se ter DUAS pessoas cada uma delas sendo a primeira e a última. Obviamente, deve ser a MESMA PESSOA que está sendo descrita nos dois casos. Lembremo-nos também de que o Senhor, no Velho Testamento, diz que ELE é o único Salvador, e que a Sua glória Ele não daria a outrem. Contudo, no Novo Testamento, JESUS é chamado o Salvador.

Não se conclui, portanto, que Jesus deve ser JEHOVAH NA FORMA HUMANA? Pois esta ideia é reforçada quando se sabe que o nome “JESUS” quer dizer “Jehovah Salva”!

É em total conformidade com isto que vemos no Novo Testamento o Senhor dizer à multidão:

 “Eu e o Pai somos UM (João 10:30).

Não “dois”, mas “um”. E Ele não diz nada sobre eles serem “um em propósito” ou qualquer coisa assim. Ele diz simplesmente “um”. De qualquer forma, a Sua audiência entendeu muito bem o significado de Suas palavras (o único significado possível), e quando pegaram pedras para apedrejá-Lo, Ele perguntando porque o faziam, responderam:

 “...porque, sendo Tu homem, Te fazes Deus a Ti mesmo (João 10:33).

É interessante notar que a Igreja Judaica, que O rejeitou, podia ver claramente o que Ele estava dizendo, enquanto a Igreja Cristã , que O aceitou, ainda não compreendeu Suas palavras e não O conheceu completamente.

Além disso, está escrito no primeiro capítulo de João:

 “No princípio era o Verbo {a Palavra}, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus ...Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez... Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”. (João 1:1,3,10,14).

Aí se diz claramente que foi o Criador do mundo (chamado Verbo) que veio à terra na forma de um Homem.

E novamente, quando estava no mundo, o Senhor disse:

 “...antes que Abrahão existisse, Eu Sou (João 8:58).

“Eu Sou” só tem um sentido: é o nome de Jehovah, conforme se vê em Êxodo 2:14, e significa SER , o único Ser Divino e a Vida mesma. Naquela hora os judeus também entenderam o Senhor dizer: “EU SOU JEHOVAH”, e por isso quiseram apedrejá-lo por blasfêmia.

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JEHOVAH e Jesus são a mesma pessoa Aula gratuita!

JEHOVAH e Jesus são a mesma pessoa

A partir de todas estas passagens, a mensagem torna-se clara: Jehovah (ou o Pai) e Jesus (o Filho) são realmente a mesma Pessoa Divina.

Mas é no 14º  capítulo do Evangelho de João que este ensinamento é dado em sua forma mais clara. Ali, Jesus, tendo Se referido à Sua ida ao Pai, não é compreendido por Tomé e Filipe, que pensam que Ele está Se referindo a uma outra Pessoa. Filipe então diz:

 “Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta (João 14:8).

A resposta do Senhor aqui merece a nossa maior atenção, porque nela o mal-entendido se desfaz:

 “Estou há tanto tempo convosco, e não Me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a Mim, vê o Pai; e como dizes tu, Mostra-nos o Pai? (14:9).

Será que poderia haver resposta mais direta do que esta? Que outro Pai pode haver senão Aquele que os olhos de Filipe contemplavam? O Senhor continuou então a dar uma explicação que fornece a chave para a compreensão de toda a doutrina. Ele disse:

 “...as palavras que Eu vos digo não as digo de Mim mesmo, mas o Pai, que está em Mim, é quem faz as obras”. (vers.10).

Ora, como devemos entender isto? O que é que “está em mim”, “faz as palavras serem ditas” e “faz as obras”? A alma. O que se encaixa mais nesta descrição a não ser a Alma Divina? Não é, por acaso, a alma como um “pai” para o corpo? E não é o corpo um tipo de descendência da alma?

Quando vemos que o “pai” significa o Divino em si ou a Alma Divina, que o “Filho de Deus” significa o Corpo Divino visível e compreensível ao homem, então estamos, pela primeira vez, em condições de entender alguma coisa sobre o Espírito Santo.

 

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Compreendendo a Trindade Aula gratuita!

Compreendendo a Trindade

Existe uma trindade em cada homem --uma trindade humana. Não uma trindade de pessoas, mas uma trindade de essenciais, uma trindade de alma, corpo e aquela intocável influência que flui da união entre a alma e o corpo. Este espírito ou essa influência é, aproximadamente, o que se chama na linguagem popular de “personalidade”. É a esfera que emana da combinação da alma e o corpo, e é isto que tem influência nas outras pessoas.

O homem tem uma tal trindade de alma, corpo e espírito, porque ele foi criado à imagem de Deus, e em Deus há uma Divina Trindade: a Alma Divina, ou o Pai; o Corpo Divino, ou o Filho; e o Espírito Divino, ou o Espírito Santo.

Esta compreensão do relacionamento entre Deus e o Filho é verdadeira, porque ilumina toda a Palavra, tanto o Velho quanto o Novo Testamento. As doutrinas reais da Palavra tornam-se transparentemente claras quando todas as passagens são consideradas à luz destas explicações, e quando aquelas que ensinam sem deixar dúvida de que há um só Deus são tomadas como base.

Assim podemos ver de onde veio a obscuridade ou a confusão (o “mistério”). Veio quando se tomou como base o grupo errado de passagens, aquelas que pareciam ensinar (porque realmente não ensinam) que havia dois Seres Divinos separados. Sob este novo ponto de vista, estas mesmas passagens poderão ser entendidas de maneira diferente, como veremos agora:

 “...pois que Eu saí, e vim de Deus (João 8:42),

quer dizer, o Corpo veio da Alma.

 “...o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma se o não vir fazer ao Pai (João 5:19),

quer dizer, o Corpo não pode fazer nada por si próprio, mas somente o que a Alma o manda fazer.

 “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16),

quer dizer, o Messias, o Corpo do Divino Mesmo, que é a Vida mesma.

 “Este é o Meu Filho amado, em quem me comprazo (João 14:28),

quer dizer, aquele era o Corpo Divino no qual agradou ao Senhor habitar enquanto estava na terra.

 “...Meu Pai é maior do que Eu (João 14:28),

a Alma é maior do que o Corpo, porque o domina.

 “Ninguém vem ao Pai, senão por Mim (João 14:28),

da mesma maneira que não podemos conhecer a alma de uma pessoa senão através do corpo, daquilo que o corpo nos revela, assim também, a única maneira de termos uma ideia da Alma Divina é através do Corpo Divino, que se fez visível ao homem. Ou como em outra passagem:

 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele no-Lo declarou (João 1:18).

E de novo:

 “Porque Deus... deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça... (João 3:16).

Na cruz, o Senhor disse:

 “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27:46)

Ele estava dolorosamente consciente no corpo da exclusão da Alma, na última de todas as Suas tentações, da mesma forma em que nos vemos de modo finito nas nossas tentações. Ali, Ele também disse:

 “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34).

A Alma Divina parece ter perdoado. O perdão vem da influência da alma, e não do corpo. O homem também tem de ser elevado acima da esfera do corpo para que seja capaz de perdoar.

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Conclusão Aula gratuita!

Conclusão

Nesta visão da Trindade, não estamos mais obrigados a imaginar mais do que UMA ÚNICA PESSOA DIVINA, um Infinito. Como se vê, este assunto PODE ser entendido racionalmente. Podemos ver que é no Senhor Jesus Cristo que está a Trindade Divina, assim como em cada homem há uma trindade de alma, corpo e espírito (ou influência que procede da alma e do corpo).

Esta ideia foi conhecida pelos primeiros cristãos, e era assim que eles entendiam Deus, porque, ainda que tivessem sido mandados pelo Senhor batizar em nome do Pai, Filho e Espírito Santo (Mateus 28:19), eles usavam na verdade uma fórmula simplificada: batizavam “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2:38; 8:16; 10:48), porque não havia dúvida de que Jesus era o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E é assim que fazemos na Igreja da Nova Jerusalém.

A ideia que os apóstolos tiveram sobre o Senhor está agora restaurada e cheia de detalhes. Não que seja nova: ela sempre esteve ali, visível, nas Escrituras, e foi admiravelmente resumida por Paulo em uma de suas cartas, com estas palavras:

 “Porque n’Ele (Jesus Cristo) habita corporalmente a plenitude da Divindade (Aos Colossenses 2:9).

Esta é a visão do Senhor que é possível hoje em dia. É uma concepção capaz de se desenvolver incessantemente, e não uma ideia confusa impedida de prosseguir e estultificada pelo dogma de “mistério Divino”. Ela permite a todos imaginarem seu Criador assumindo uma frágil natureza humana a fim de estar mais perto da humanidade, uma natureza humana que podia ser tentada, mas que podia ao final ser glorificada ou feita Divina, tão Divina quanto à Alma, por meio de vitórias sobre aquelas tentações. É por isso que, no final, Jesus pôde verdadeiramente dizer aos discípulos:

 “É-Me dado todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:18).

E Aquele que tem todo o poder é, evidentemente, o Todo-Poderoso. Assim, mesmo tendo duvidado no início, Tomé finalmente ADOROU A JESUS, dizendo:

 “SENHOR meu, e DEUS meu” (João 20:28).

Esta é a imagem do Senhor transfigurado, banhado em luz e glória, o Senhor como o DIVINO HUMANO -Divino desde a Sua Alma interna até os ossos do Seu Corpo. E Esta visão do Senhor é dada a todos os homens agora, porque está revelada em grandes detalhes nas Doutrinas Celestes para a Nova Jerusalém, no cumprimento da promessa do Senhor:

 “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora... Chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai” (João 16:12,25). Amém.

 

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1ª. videoconferência (Para DOWNLOAD Click em 'Aula gratuita" Aula gratuita!

https://youtu.be/Tv6i3bILD5U - Link da primeira video conferência. 

O primeiro capítulo da obra Verdadeira Religião Cristã trata de um ponto que é fundamental para toda religião: a ideia de Deus. Vemos ali uma ampla explanação que nos mostra que essa é, na mente humana, a principal de todas as ideias, e que dela depende todas as demais coisas da religião e, por conseguinte, da vida humana.

No mesmo capítulo aprendemos que existem conceitos ou pontos de fé que são essenciais a uma crença genuína, e esses pontos são apresentados como doutrinais universais e singulares da fé. No que se refere ao homem, o primeiro ponto singular da fé consiste no seguinte: “Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo”.

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Sobre o curso

O Juízo Final

Uma série de videoconferências sobre o opúsculo O Juízo Final e a Babilônia Destruída

Apresentação

Com o intuito de auxiliar nosso estudo e possibilitar a boa compreensão dos eventos, circunstâncias e consequências relativos ao Juízo Final, tal como são expostos na obra “O Juízo Final e a Babilônia Destruída”, de E. Swedenborg,  entendemos que seria proveitoso se intercalássemos aos tópicos dos livros alguns temas trazidos de outras obras do mesmo autor, a fim de propiciarem informações adicionais de apoio ao que  estudaremos  sobre o último Juízo.

Não resta dúvida de que, se fôssemos fazer uma simples leitura dos relatos do Juízo Final, muitas questões se levantariam em relação ao tema e que acabariam desviando nosso foco de estudo. Assim, antes de cada seção do livro em estudo, iremos abordar certos conceitos fundamentais das Doutrinas da Nova Jerusalém, os quais nos ajudarão a ampliar nosso entendimento do tema proposto.

Esses pontos intercalados são doutrinais ou ensinamentos fundamentais sobre a natureza de Deus e a natureza humana, a fé, a vida de caridade e assim por diante.

Desta maneira, o roteiro de nosso estudo por videoconferências será assim:

 

PARTE 1:  Introdução sobre o Juízo Final.

1ª. videoconferência.

                               “Ouve, Israel: Jehovah, nosso Deus, é um Jehovah” (Deut. 6:4)

                Temas preparatórios:

a)        O primeiro ponto singular da fé: “Há um único Deus em que está a Divina Trindade, e que este Deus é o Senhor Deus Salvador Jesus Cristo”.

b)        A importância da ideia de Deus.

c)        Quem é Jesus?

2ª.  videoconferência.

                Tópicos sobre o JF (Os três capítulos iniciais da obra):

I.          O dia do juízo final não deve ser entendido como sendo o dia da destruição do mundo

II.        As procriações do gênero humano na terra jamais cessarão

III.       O céu e o inferno procedem do gênero humano

PARTE 2: Onde, quando e sobre quem acontece o JF.

3ª. videoconferência.

                               “Crede-me que estou no Pai, e que o Pai está em Mim” (Jo. 14:11)

                Temas preparatórios:

a)        O segundo ponto singular da fé: A fé salvífica é crer n’Ele.

b)        Fé histórica, fé bastarda, fé espúria e fé salvífica.

4ª. videoconferência.

                Tópicos do JF: Os três capítulos seguintes da obra:

IV.       Todos os que nasceram homens e morreram, desde o começo da criação, estão ou no céu ou no inferno.

V.         O juízo final deve ocorrer onde estão todos juntos, assim, no mundo espiritual e não na terra

VI.       O juízo final acontece quando é o fim da igreja, e o fim da igreja é quando não há fé por não haver caridade.

 

PARTE 3: Ensinamentos proféticos na Palavra sobre o JF e seu cumprimento.

5ª. videoconferência.

“O Reino de Deus não vem com aparência exterior... eis que o Reino de Deus está dentro de vós” (Luc. 17:20, 21)

                Temas preparatórios:

a)        O terceiro ponto singular da fé: Os males não devem ser feitos porque são do diabo e vêm do diabo.

b)        Importância e necessidade da penitência dos males.

c)        Autoexame e confissão de males como pecados.

6ª. videoconferência.

                 Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra:

VII.     Todas as coisas que estão preditas no Apocalipse estão hoje cumpridas

VIII.    O juízo final já aconteceu.

PARTE 4: O Juízo Final propriamente dito.

7ª. videoconferência.

“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mat. 3:2)

                Temas preparatórios

a)        Diferença entre penitência, remorso (contrição) e arrependimento.

b)        Penitência de boca e penitência efetiva.

c)        A penitência mais fácil.

8ª. videoconferência.

                Tópicos do JF - Os dois capítulos seguintes da obra

IX.       A Babilônia e a sua destruição

X.         Sobre o céu precedente e sua abolição

PARTE 5: O estado do mundo e da mente humana após o Juízo

9ª. videoconferência.

“Eis aqui, o Tabernáculo de Deus está com os homens, e com eles habitará, e eles serão seu povo, e Deus mesmo estará com eles e será seu Deus.” (Apo. 21:3)

Temas preparatórios:

a)        O quarto ponto singular da fé: Os bens devem ser feitos pelo homem como por si mesmo, mas que ele deve crer que é pelo Senhor que eles estão nele e são feitos por ele.

b)        Os dois primeiros pertencem à fé, os dois últimos pertencem à caridade, e o quinto pertence à conjunção da caridade e da fé, assim à conjunção do Senhor e do homem.

c)        O constranger-se a si mesmo e o como por si mesmo.

10ª. videoconferência:

                 Tópico do JF: O último capítulo da obra e a conclusão

XI.       Sobre o estado do mundo e da igreja daqui em diante.

Conclusão: Suplemento (da obra CI), sobre o juízo individual e os três estados do homem logo após a morte.

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